{"id":20522,"date":"2010-12-13T00:00:00","date_gmt":"2010-12-13T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/migrantes-refugiados-e-o-natal\/"},"modified":"2010-12-13T00:00:00","modified_gmt":"2010-12-13T02:00:00","slug":"migrantes-refugiados-e-o-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/migrantes-refugiados-e-o-natal\/","title":{"rendered":"Migrantes, refugiados e o Natal"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Cardeal Odilo Pedro Scherer<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">No Natal comemoramos uma vez mais o nascimento de Jesus Cristo, acontecido h\u00e1 mais de dois mil anos. O evangelista S.Lucas nos conta que os pais de Jesus eram de Nazar\u00e9, na Galileia, mas na condi\u00e7\u00e3o de migrantes for\u00e7ados encontravam-se em Bel\u00e9m, na Jud\u00e9ia; n\u00e3o houve acolhida nas casas para eles &#8211; \u201cn\u00e3o havia lugar para eles\u201d &#8211; e Jesus teve que nascer fora da cidade, num abrigo para animais (cf. Lc 2,7). Logo em seguida, o rei Herodes quis matar o menino Jesus, porque via nele uma amea\u00e7a para seu trono. Ent\u00e3o, Maria e Jos\u00e9 fugiram \u00e0s pressas, para salvar o menino, e viveram como exilados no Egito (cf Mt 2,13-15).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Cristianismo come\u00e7a, pois, com fatos migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e de ex\u00edlio. O Filho de Deus, vindo ao mundo, conheceu logo as inseguran\u00e7as e ang\u00fastias da humanidade; por isso, a Igreja fundada por ele entende ser tamb\u00e9m seu dever estar ao lado dos que continuam a sofrer o desrespeito aos seus mais elementares direitos. E convida a humanidade a superar suas divis\u00f5es, rela\u00e7\u00f5es injustas e a indiferen\u00e7a diante aquilo que avilta a dignidade do pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Comiss\u00e3o Cat\u00f3lica Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es (CCIM) \u00e9 um organismo fundado em 1951 pelo papa Pio XII, com sede em Genebra, para unir e coordenar os esfor\u00e7os das Associa\u00e7\u00f5es e obras que j\u00e1 se ocupavam dos migrantes e refugiados e para suscitar novas e eficazes iniciativas em favor dos muitos desalojados e desenraizados pela 2\u00aa. grande guerra mundial. A Comiss\u00e3o nunca mais parou de trabalhar. Guerras sucessivas, desigualdades econ\u00f4micas e outros fatores continuaram a produzir milh\u00f5es de migrantes e refugiados em todo o mundo. Nos anos sessenta, empenhou-se no socorro a refugiados pol\u00edticos por causa das ditaduras e guerrilhas na Am\u00e9rica Latina; nos anos setenta, centenas de milhares de pessoas foram socorridas no sudeste asi\u00e1tico, sobretudo por causa da guerra do Vietn\u00e3. Nos anos oitenta, os refugiados do Leste europeu precisaram ser socorridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os conflitos na regi\u00e3o balc\u00e2nica, nos anos noventa, deram origem a novas levas de refugiados, que precisaram ser socorridos e realocados; no mesmo per\u00edodo, tens\u00f5es \u00e9tnicas no continente africano criaram situa\u00e7\u00f5es de verdadeira calamidade humanit\u00e1ria; a CCIM, mais uma vez entrou em campo para socorrer popula\u00e7\u00f5es feridas e indefesas no Burundi e na Guin\u00e9. Agora faz o mesmo no Afeganist\u00e3o, no Iraque e no Sud\u00e3o&#8230; No sudeste asi\u00e1tico, tsunamis, enchentes e cat\u00e1strofes naturais, al\u00e9m de conflitos e a mis\u00e9ria, n\u00e3o cessam de colocar em marcha milh\u00f5es de pessoas \u00e0 procura de abrigo seguro. Ondas migrat\u00f3rias atravessam o Mediterr\u00e2neo e o Caribe, muitas vezes em embarca\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis e superlotadas, ou cruzam as fronteiras secas do M\u00e9xico e tamb\u00e9m do Brasil.\u00a0 Mulheres, crian\u00e7as e idosos s\u00e3o as maiores v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A CCIM continua com sua aten\u00e7\u00e3o voltada para a recoloca\u00e7\u00e3o de refugiados, especialmente os mais vulner\u00e1veis. Ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar, s\u00e3o relativamente poucos os pa\u00edses dispostos a acolher refugiados. A Comiss\u00e3o atua em sintonia com o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (ACNUR), com a Cruz Vermelha e a C\u00e1ritas Internacional. A quest\u00e3o tem implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, que precisam ser trabalhadas nas inst\u00e2ncias internacionais competentes. O papa Bento XVI bem recordou, na enc\u00edclica Caritas in Veritate, que nenhum pa\u00eds consegue enfrentar sozinho a quest\u00e3o migrat\u00f3ria e, por isso, deve haver uma conjuga\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os em \u00e2mbito internacional. Torna-se sempre mais necess\u00e1rio desenvolver pol\u00edticas globais para as migra\u00e7\u00f5es a fim de harmonizar os esfor\u00e7os internacionais com as normas locais, para salvaguardar a dignidade e os direitos das pessoas e das fam\u00edlias migrantes (cf. n. 62).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Comiss\u00e3o empenha-se na defesa da dignidade e dos direitos dos migrantes e refugiados; e n\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o, pois numa massa t\u00e3o grande e t\u00e3o fragilizada tamb\u00e9m medram organiza\u00e7\u00f5es criminosas dispostas a explorar de forma desumana essas pessoas. O tr\u00e1fico de pessoas para a explora\u00e7\u00e3o sexual, a m\u00e3o de obra semi-escrava e at\u00e9 para o com\u00e9rcio de \u00f3rg\u00e3os \u00e9 um fato vergonhoso para a civiliza\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XXI e envolve n\u00fameros alarmantes; recentemente, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial para o Trabalho estimou que a cada ano cerca de 2,4 milh\u00f5es de homens e mulheres caem nas redes desses inescrupulosos mercantes de seres humanos. Muitas vezes, depois de terem pago a peso de ouro as promessas de documentos, emprego e moradia a seus exploradores, essas pessoas s\u00e3o abandonadas a si em alto mar, em embarca\u00e7\u00f5es \u00e0 deriva; outras vezes, ao chegarem ao sonhado pa\u00eds da liberdade e da prosperidade, s\u00e3o recolhidos em campos de pr\u00f3fugos, que mais parecem campos de concentra\u00e7\u00e3o, ou s\u00e3o imediatamente devolvidos ao pa\u00eds de origem, com todo o sofrimento e os riscos que isso comporta. A dignidade dessas pessoas \u00e9 aviltada completamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas voltemos ao Natal: o Filho de Deus veio unir na fraternidade e na paz toda a humanidade. Somos todos parte de uma \u00fanica fam\u00edlia de povos, ra\u00e7as, culturas, irm\u00e3os uns dos outros, de filhos e filhas amados por Deus. Esta \u00e9 a grande mensagem do Natal para a humanidade; conforme o anjo anunciou aos pastores de Bel\u00e9m: \u201cser\u00e1 uma grande alegria para todo o povo!\u201d (cf. Lc 2,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A comemora\u00e7\u00e3o do Natal se expressa em gestos de solidariedade, amor desinteressado, perd\u00e3o e acolhida simples e fraterna. Por qu\u00ea, ser\u00e1? Ser\u00e1 por uma tr\u00e9gua do poder do ego\u00edsmo que governa o mundo? Acho que n\u00e3o. S\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es da inquieta nostalgia do bem que h\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do homem, daquilo que h\u00e1 de mais verdadeiro e genu\u00edno em n\u00f3s. Que bom seria, se fosse Natal todos os dias! N\u00e3o haveria mais migrantes for\u00e7ados nem refugiados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Odilo Pedro Scherer No Natal comemoramos uma vez mais o nascimento de Jesus Cristo, acontecido h\u00e1 mais de dois mil anos. 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