{"id":20580,"date":"2012-02-13T00:00:00","date_gmt":"2012-02-13T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-saude-pode-melhorar\/"},"modified":"2012-02-13T00:00:00","modified_gmt":"2012-02-13T02:00:00","slug":"a-saude-pode-melhorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-saude-pode-melhorar\/","title":{"rendered":"A sa\u00fade pode melhorar!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><span style=\"font-size: 12pt\">Cardeal Odilo Pedro Scherer<br \/>\nArcebispo de S\u00e3o Paulo (SP)<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Campanha da Fraternidade (CF) \u00e9 promovida no Brasil todos os anos pela Igreja Cat\u00f3lica, durante o per\u00edodo da Quaresma. A Confer\u00eancia dos Bispos (CNBB) escolhe temas, que tenham significativo interesse social e p\u00fablico, convidando a aderir tamb\u00e9m a quem n\u00e3o adere \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, mas se disp\u00f5e a unir esfor\u00e7os na busca de solu\u00e7\u00e3o para as quest\u00f5es postas. A cada 5 anos, de fato, a CF tamb\u00e9m tem sido realizada em conjunto com v\u00e1rias outras Igrejas crist\u00e3s n\u00e3o-cat\u00f3licas. O prop\u00f3sito \u00e9 suscitar reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es durante e depois do per\u00edodo da Campanha, que ajudem a alcan\u00e7ar os\u00a0 objetivos propostos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste ano, o tema \u00e9 de premente atualidade &#8211; \u201cfraternidade e sa\u00fade p\u00fablica\u201d -, com a proposta de uma ampla reflex\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade no Brasil em vista de uma vida saud\u00e1vel para todos. A meta \u00e9 suscitar um grande esfor\u00e7o solid\u00e1rio para que o bem da sa\u00fade esteja ao alcance de todos. Isso requer aten\u00e7\u00e3o e cuidado fraterno para com os enfermos, mas tamb\u00e9m mobiliza\u00e7\u00e3o para a melhoria do sistema p\u00fablico de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O cuidado dos doentes e a aten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade das pessoas sempre fizeram parte do Cristianismo. O pr\u00f3prio Jesus Cristo deu o exemplo, sempre atencioso em rela\u00e7\u00e3o aos doentes, que o procuravam em grande n\u00famero (cf. Mt 9,35), assumindo sobre si as dores e sofrimentos da humanidade (cf Mt 8,17). Ao enviar os disc\u00edpulos em miss\u00e3o, recomendou com insist\u00eancia que tamb\u00e9m eles cuidassem dos doentes (cf. Mt 10,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em vista dessa ordem do seu Mestre, ao longo da hist\u00f3ria, a Igreja Cat\u00f3lica e os crist\u00e3os, de modo geral, dedicaram-se aos enfermos, quer para lhes levar o conforto espiritual, quer para socorrer suas necessidades de assist\u00eancia, cura e recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. A Igreja instituiu hospitais e estruturas de atendimento aos doentes por toda parte muito antes que, finalmente, os Estados o assumissem; ainda hoje, irmandades, associa\u00e7\u00f5es, congrega\u00e7\u00f5es e ordens religiosas dedicam-se ao cuidado dos doentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os tempos mudaram e o cuidado da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o toda passou a ser visto como tarefa do Estado e objeto de pol\u00edticas p\u00fablicas, a serem promovidas de maneira eficaz pelos governos. Parte significativa dos impostos pagos pela popula\u00e7\u00e3o deveria ser destinada a financiar os cuidados para com a sa\u00fade dos cidad\u00e3os. A Lei brasileira n\u00e3o s\u00f3 o promete, mas estabelece que sejam promovidas pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes para assegurar este bem a toda a popula\u00e7\u00e3o Isso, evidentemente, requer vultosos recursos e uma correta aplica\u00e7\u00e3o dos mesmos. Inegavelmente, muito j\u00e1 se fez nesse sentido desde que a nova Constitui\u00e7\u00e3o entrou em vigor. No entanto, ainda h\u00e1 muito por fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A institui\u00e7\u00e3o do SUS foi, certamente, um avan\u00e7o; mas para alcan\u00e7ar a meta do atendimento universal \u00e0 sa\u00fade dos brasileiros h\u00e1 muito caminho a percorrer. A imprensa tem mostrado a car\u00eancia de atendimento m\u00e9dico e hospitalar em v\u00e1rias partes do Pa\u00eds, ou a exist\u00eancia de estruturas de sa\u00fade muito inadequadas ou deficientes para atender \u00e0s demandas da popula\u00e7\u00e3o; mostrou tamb\u00e9m morosidade no atendimento e at\u00e9 fatos lament\u00e1veis de corrup\u00e7\u00e3o e desvio de verbas, que deveriam ter sido aplicadas no cuidado da sa\u00fade do povo. A inefici\u00eancia, ou at\u00e9 a inexist\u00eancia de estruturas p\u00fablicas de sa\u00fade obrigam os cidad\u00e3os a recorrerem a seguros e sistemas privados de sa\u00fade que, por\u00e9m, est\u00e3o fora do alcance da maioria dos brasileiros, por serem muito caros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade poderiam tamb\u00e9m assumir mais decididamente um car\u00e1ter educativo e preventivo, para alertar contra os riscos \u00e0 sa\u00fade e estimular o cultivo de h\u00e1bitos saud\u00e1veis. Embora j\u00e1 existam louv\u00e1veis campanhas preventivas, como as que visam a sa\u00fade materno-infantil, os riscos da dengue e os males decorrentes do fumo e da aids, ainda n\u00e3o recebem a mesma aten\u00e7\u00e3o outras quest\u00f5es, que tamb\u00e9m envolvem not\u00f3rios riscos \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, como a ingest\u00e3o demasiada de \u00e1lcool (n\u00e3o apenas para quem dirige!), o consumo de drogas e de alimentos impr\u00f3prios \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vejo com satisfa\u00e7\u00e3o a implementa\u00e7\u00e3o de leis e campanhas anti-fumo. Recentemente, tamb\u00e9m apareceu uma interessante chamada publicit\u00e1ria para prevenir contra o uso do crack; por qu\u00ea se demorou tanto para faz\u00ea-la?! Tivesse sido feita h\u00e1 mais tempo, talvez n\u00e3o se teria chegado aos cen\u00e1rios deprimentes das cracol\u00e2ndias, que se espalham pelas cidades grandes e pequenas do Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E por que n\u00e3o se fazem campanhas mais incisivas para incentivar h\u00e1bitos saud\u00e1veis de alimenta\u00e7\u00e3o e de vida, alertando para os riscos de uma alimenta\u00e7\u00e3o inadequada e de h\u00e1bitos danosos? Muitas doen\u00e7as poderiam ser evitadas e, tamb\u00e9m, aliviados pesados encargos para o Estado e para o cidad\u00e3o com o tratamento de doen\u00e7as decorrentes da alimenta\u00e7\u00e3o; a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o poderia melhorar muito. Pelas mesmas raz\u00f5es, por que n\u00e3o tratar tamb\u00e9m a viol\u00eancia contra a pessoa, em geral, mas tamb\u00e9m no esporte e no tr\u00e2nsito, como verdadeiros problemas sociais e quest\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica? Tais tamb\u00e9m s\u00e3o o alto \u00edndice de polui\u00e7\u00e3o do ar em grandes aglomerados urbanos, o d\u00e9ficit de saneamento b\u00e1sico e de moradias dignas para muitas pessoas, que ainda vivem em corti\u00e7os e favelas, ou at\u00e9 pelas ruas das cidades!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes de sa\u00fade para a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma incumb\u00eancia dos governantes, n\u00e3o deixa de ser tarefa tamb\u00e9m dos cidad\u00e3os. Por isso, a Campanha da Fraternidade convida a somar esfor\u00e7os para alcan\u00e7ar esse objetivo. Para quem tem f\u00e9 religiosa, o caminho que leva a Deus nunca pode desviar da vias dolorosas em que jazem tantos irm\u00e3os&#8230; E para quem n\u00e3o tem f\u00e9, a pr\u00f3pria sensibilidade humana desautoriza a ficar indiferentes diante do sofrimento do pr\u00f3ximo e da sua qualidade de vida diminu\u00edda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo de S\u00e3o Paulo (SP) A Campanha da Fraternidade (CF) \u00e9 promovida no Brasil todos os anos pela Igreja Cat\u00f3lica, durante o per\u00edodo da Quaresma. 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