{"id":20625,"date":"2014-03-11T00:00:00","date_gmt":"2014-03-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pastoral-da-saude\/"},"modified":"2014-03-11T00:00:00","modified_gmt":"2014-03-11T03:00:00","slug":"pastoral-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pastoral-da-saude\/","title":{"rendered":"Pastoral da Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um dos trabalhos importantes a incrementar ainda mais em nossa Arquidiocese \u00e9 a da Pastoral da Sa\u00fade, de maneira especial a visita aos enfermos tanto nos hospitais como nas resid\u00eancias. Conversava esses dias com os encarregados dessa pastoral e escutava seus anseios para um trabalho mais presente nesses momentos t\u00e3o importantes da vida de nossos irm\u00e3os.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Todos os anos celebramos o Dia dos Enfermos na festa lit\u00fargica de Nossa Senhora de Lourdes, dia 11 de fevereiro, e a cada ano o Papa nos envia sua mensagem especial para essa ocasi\u00e3o. Dentro do contexto do Ano da Caridade Arquidiocesano este tema se reveste mais ainda de import\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesse sentido, o Papa apresentou o tema do Dia Mundial do Enfermo, que neste ano se celebrou a sua XXII edi\u00e7\u00e3o: &#8220;F\u00e9 e Caridade: tamb\u00e9m n\u00f3s devemos dar a nossa vida por nossos irm\u00e3os&#8221; (1Jo 3,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tenho insistido muito, at\u00e9 sendo repetitivo, que em nossa vida de f\u00e9 devemos amar o irm\u00e3o, perdoar o irm\u00e3o, dar a m\u00e3o para que ele d\u00ea um recome\u00e7o em sua vida. Apesar de sermos contingentes e pecadores, n\u00e3o podemos nos cansar de perdoar, de acolher o diferente e de caminhar com os que erram. Entretanto, \u00e9 oportuno dizer, no contexto do Dia Mundial do Enfermo, que devemos vivenciar a caridade naquele que est\u00e1 doente, naquele que padece dos males f\u00edsicos e at\u00e9 espirituais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na sua caminhada hist\u00f3rica nesse mundo, Nosso Senhor Jesus Cristo foi um homem que viveu curando as enfermidades, restabelecendo a sa\u00fade daqueles que padeciam no leito: &#8220;Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi com Tiago e Jo\u00e3o \u00e0 casa de Sim\u00e3o e Andr\u00e9. A sogra de Sim\u00e3o estava de cama, com febre: e sem tardar, falaram-lhe a respeito dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aproximando-se, ele tomou-a pela m\u00e3o e levantou-a; imediatamente a febre a deixou e ela p\u00f4s-se a servi-los. \u00c9 tarde, depois do p\u00f4r-do-sol, levaram-lhe todos os enfermos e possessos do dem\u00f4nio. Toda a cidade estava reunida diante da porta. Ele curou muitos dos que estavam oprimidos de diversas doen\u00e7as, e expulsou muitos dem\u00f4nios. N\u00e3o lhes permitia falar, porque O conheciam. De manh\u00e3, tendo-se levantado muito antes do amanhecer, Ele saiu e foi para um lugar solit\u00e1rio, e ali se p\u00f4s em ora\u00e7\u00e3o. Sim\u00e3o e os seus companheiros sa\u00edram a procur\u00e1-lo. Encontraram-no e disseram-lhe: &#8216;Todos te procuram&#8217;. E ele respondeu-lhes: &#8216;Vamos \u00e0s aldeias vizinhas para que eu pregue tamb\u00e9m l\u00e1, pois para isso \u00e9 que vim&#8217;. Ele retirou-se dali, pregando em todas as sinagogas e por toda a Galil\u00e9ia, e expulsando os dem\u00f4nios&#8221; (cf. Mc 1,29-39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que observamos da rotina de Jesus neste trecho de S\u00e3o Marcos: o cotidiano de Jesus era pautado em realizar curas de doentes, rezar e pregar o Reino de Deus. Os milagres que Jesus fez estavam intimamente ligados em fun\u00e7\u00e3o de seu servi\u00e7o ao Reino. Os milagres de Jesus significavam que o Reino de Deus estava acontecendo em forma de recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e de tudo quanto mantinha cativo o ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.3em\">Observamos a precariedade do sistema de sa\u00fade, da falta de atendimento m\u00e9dico-hospitalar, das filas para consultas, fisioterapias e outros procedimentos b\u00e1sicos da sa\u00fade da fam\u00edlia. Devemos caminhar muito mais nesse sentido de valoriza\u00e7\u00e3o do atendimento universal de sa\u00fade, gratuito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral. As condi\u00e7\u00f5es da pessoa enferma muitas vezes passam pelo desengano da ci\u00eancia, da longa dura\u00e7\u00e3o de uma enfermidade, especialmente das doen\u00e7as sem cura. Por isso, \u00e9 fundamental o olhar da f\u00e9 para os que sofrem, para os que est\u00e3o doentes, por que somente a f\u00e9 poder\u00e1 aliar a situa\u00e7\u00e3o do doente, dando-lhe valor e sentido \u00e0 sua vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.3em\">O Papa, em sua mensagem para o Dia dos Enfermos, datada de 06 de dezembro de 2013, fala da necessidade de um olhar para quem sofre, ou seja, para quem est\u00e1 acometido de uma doen\u00e7a e para quem os acompanha e assiste: &#8220;dirijo-me de modo particular \u00e0s pessoas doentes e a quantos lhes prestam assist\u00eancia e cura. A Igreja reconhece em v\u00f3s, queridos doentes, uma presen\u00e7a especial de Cristo sofredor. \u00c9 assim: ao lado, ali\u00e1s, dentro do nosso sofrimento est\u00e1 o de Jesus, que carrega conosco o seu peso e revela o seu sentido. Quando o Filho de Deus subiu \u00e0 cruz destruiu a solid\u00e3o do sofrimento e iluminou a sua escurid\u00e3o. Desta forma somos postos diante do mist\u00e9rio do amor de Deus por n\u00f3s, que nos infunde esperan\u00e7a e coragem: esperan\u00e7a, porque no des\u00edgnio de amor de Deus tamb\u00e9m a noite do sofrimento se abre \u00e0 luz pascal; e coragem, para enfrentar qualquer adversidade em sua companhia, unidos a Ele&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.3em\">Devemos, assim, superar aquela mentalidade de que a doen\u00e7a estava ligada ao pecado, que sempre era consequ\u00eancia de algum pecado pessoal a ser expiado, pois Jesus &#8220;arcou com as nossas enfermidades e carregou sobre si as nossas doen\u00e7as&#8221; (Mt 8,17).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.3em\">O Papa Francisco nos pede que possamos acolher, amar, ter caridade, bondade com os que sofrem: &#8220;Como o Pai doou o Filho por amor, e o Filho se doou a si mesmo pelo mesmo amor, tamb\u00e9m n\u00f3s podemos amar os outros como Deus nos amou, dando a vida pelos irm\u00e3os. A f\u00e9 no Deus bom torna-se bondade, a f\u00e9 em Cristo Crucificado torna-se for\u00e7a para amar at\u00e9 ao fim tamb\u00e9m os inimigos. A prova da f\u00e9 aut\u00eantica em Cristo \u00e9 o dom de si, o difundir-se do amor ao pr\u00f3ximo, sobretudo por quem n\u00e3o o merece, por quantos sofrem, por quem \u00e9 marginalizado&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.3em\">Fixemos nosso olhar na Cruz Redentora! Nela Jesus deu novo sentido \u00e0 dor humana, n\u00e3o mais sinal de puni\u00e7\u00e3o, mas caminho de reden\u00e7\u00e3o. Quando olhamos para a doen\u00e7a como itiner\u00e1rio de santifica\u00e7\u00e3o, nossa alma se eleva e se prepara para aquele dia em que o Pai enxugar\u00e1 toda l\u00e1grima e n\u00e3o haver\u00e1 mais doen\u00e7a, nem dor e nem pranto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.3em\">A nossa atitude para com os doentes deve ser a de ternura, como ensina o Papa Francisco: &#8220;Quando nos aproximamos com ternura daqueles que precisam de cura, levamos a esperan\u00e7a e o sorriso de Deus \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es do mundo. Quando a dedica\u00e7\u00e3o generosa aos demais se torna estilo das nossas a\u00e7\u00f5es, damos lugar ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo e por Ele somos aquecidos, oferecendo assim a nossa contribui\u00e7\u00e3o para o advento do Reino de Deus&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.3em\">Dirijo-me a todos os que assistem os doentes. Sa\u00fado os m\u00e9dicos, enfermeiros, t\u00e9cnicos de sa\u00fade, cuidadores de idosos, trabalhadores dos hospitais, casas de sa\u00fade, UPAS, postos de sa\u00fade, vilas vicentinas, casas de repouso. Mais do que tratamento os doentes precisam de carinho, e o seu carinho \u00e9 a maior caridade que se pode fazer ao doente. Uma palavra, uma visita, um sorriso, uma hist\u00f3ria, um abra\u00e7o, uma acolhida. S\u00e3o provocadoras as palavras do Papa Francisco, quando nos pede que sejamos como Maria, atentos aos des\u00edgnios do Pai, e por miseric\u00f3rdia ir ao encontro dos que necessitam ser cuidados: &#8220;\u00c9 a M\u00e3e de Jesus e nossa M\u00e3e, atenta \u00e0 voz de Deus e \u00e0s necessidades e dificuldades dos seus filhos. Maria, estimulada pela miseric\u00f3rdia divina que nela se faz carne, esquece-se de si mesma e encaminha-se \u00e0 pressa da Galileia para a Jud\u00e9ia a fim de encontrar e ajudar a sua prima Isabel; intercede junto do seu Filho nas bodas de Can\u00e1, quando falta o vinho da festa; leva no seu cora\u00e7\u00e3o, ao longo da peregrina\u00e7\u00e3o da vida, as palavras do velho Sime\u00e3o que lhe prenunciam uma espada que trespassar\u00e1 a sua alma, e com fortaleza permanece aos p\u00e9s da Cruz de Jesus. Ela sabe como se percorre este caminho e por isso \u00e9 a M\u00e3e de todos os doentes e sofredores. A ela podemos recorrer confiantes com devo\u00e7\u00e3o filial, certos de que nos assistir\u00e1 e n\u00e3o nos abandonar\u00e1. \u00c9 a M\u00e3e do Crucificado Ressuscitado: permanece ao lado das nossas cruzes e acompanha-nos no caminho rumo \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o e \u00e0 vida plena&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.3em\">Por isso, a advert\u00eancia de Jesus continua muito atual para cada batizado. E isso seria um bom dever de casa, semanal, neste Ano da Caridade em nossa Arquidiocese: &#8220;Estava doente e me visitastes&#8221; (Mt 25,36). Porque n\u00e3o podemos ser acusados &#8220;n\u00e3o me destes assist\u00eancia&#8221; (Mt 25,43). Nesse sentido, necessitamos de muitos agentes de pastoral que sirvam nessa \u00e1rea. \u00c9 um belo e importante servi\u00e7o de evangeliza\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea \u00e9 convidado a fazer parte desse trabalho. A equipe arquidiocesana est\u00e1 refletindo como dinamizar ainda mais essa miss\u00e3o bela e profunda.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.3em\">Vivamos a partilha da caridade de visitar os doentes, de am\u00e1-los, ouvi-los, anim\u00e1-los, dar-lhes esperan\u00e7a contra toda a esperan\u00e7a meramente humana, porque &#8220;tamb\u00e9m n\u00f3s devemos dar a nossa vida por nossos irm\u00e3os&#8221; (1 Jo 3,16).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.3em\">Que Deus d\u00ea esperan\u00e7a e fortaleza aos que padecem do corpo e, na mesma propor\u00e7\u00e3o, aos que trabalham na \u00e1rea da sa\u00fade e s\u00e3o cuidadores dos enfermos, dando-lhe paci\u00eancia e carinho, levando aos que est\u00e3o aos seus cuidados o al\u00edvio que s\u00f3 o Cristo pode dar.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) Um dos trabalhos importantes a incrementar ainda mais em nossa Arquidiocese \u00e9 a da Pastoral da Sa\u00fade, de maneira especial a visita aos enfermos tanto nos hospitais como nas resid\u00eancias. 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