{"id":234667,"date":"2020-03-06T09:28:21","date_gmt":"2020-03-06T12:28:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=234667"},"modified":"2020-09-08T14:11:22","modified_gmt":"2020-09-08T17:11:22","slug":"fraternidade-e-vida-dom-e-compromisso-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fraternidade-e-vida-dom-e-compromisso-parte-ii\/","title":{"rendered":"Fraternidade e vida: dom e compromisso &#8211; parte II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Passo Fundo (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As palavras s\u00e3o vivas e v\u00e3o sofrendo altera\u00e7\u00f5es com o passar do tempo. Novos termos come\u00e7am a fazer parte da linguagem e outros v\u00e3o entrando em desuso. Cada \u00e1rea humana tem uma linguagem pr\u00f3pria e quem n\u00e3o faz parte dela sente-se deslocado ou tem uma compreens\u00e3o parcial. Considerando que a Campanha da Fraternidade \u00e9 gestada na Igreja faz-se necess\u00e1rio aprofundar algumas palavras: Fraternidade e vida: dom e compromisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O voc\u00e1bulo fraternidade nasce de frater, termo latino que significa irm\u00e3o. Irm\u00e3os v\u00eam significar uma realidade pessoal que possui determinadas caracter\u00edsticas naturais. O conceito de fraternidade \u00e9 posterior ao termo concreto de irm\u00e3o e apresenta-se como uma meta a ser alcan\u00e7ada, um projeto a ser constru\u00eddo. Por\u00e9m ambos os termos cont\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de aludir a uma realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">V\u00e1rios argumentos fundamentam a escolha para construir fraternidade, destacaria um religioso, outro filos\u00f3fico e um sociol\u00f3gico. O argumento religioso e b\u00edblico para fraternidade destaca a revela\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo que apresenta a Deus de Pai. Aqueles que t\u00eam a Deus por Pai s\u00e3o irm\u00e3os entre si. A ora\u00e7\u00e3o do Pai Nosso, ensinada por Cristo, come\u00e7a destacando a irmandade. Os batizados receberam o mesmo Esp\u00edrito do Pai, se tornam consangu\u00edneos e herdeiros. Como tamb\u00e9m, constituem uma Igreja que requer vida fraterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A filosofia, na \u00e1rea da metaf\u00edsica, fala em ess\u00eancia e acidente. Analisando o ser humano, para poder ser aquilo que ele \u00e9, precisa ter uma ess\u00eancia comum sem a qual n\u00e3o pode ser identificado e nem reconhecido como humano. Mas os seres humanos s\u00e3o diferentes, por exemplo, em idade, sa\u00fade, altura, cor, sexo, credo, estes s\u00e3o os acidentes que n\u00e3o desfiguram a ess\u00eancia. Filosoficamente a fraternidade se funda na ess\u00eancia comum. Grandes pensadores cl\u00e1ssicos crist\u00e3os, como Santo Tom\u00e1s de Aquino, elucidaram magistralmente estes conceitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O argumento sociol\u00f3gico est\u00e1 nos contratos sociais. O artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o brasileira afirma claramente que \u201ctodos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza&#8230;\u201d \u00c9 uma lei constitucional que reconhece a igualdade entre os cidad\u00e3os e a necessidade da constru\u00e7\u00e3o da fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vida \u00e9 um conceito muito amplo e por isso a abordagem partir\u00e1 e ficar\u00e1 na inspira\u00e7\u00e3o b\u00edblica. O Antigo Testamento n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o entre \u201cvida\u201d como princ\u00edpio de vitalidade e vida como viv\u00eancia. Sua linguagem \u00e9 mais concreta que abstrata, e a vida \u00e9 vista como plenitude do poder, como o prazer que acompanha o exerc\u00edcio das fun\u00e7\u00f5es vitais, como integra\u00e7\u00e3o com o mundo e com a sociedade em que vive cada pessoa. A perda destes elementos constitui uma diminui\u00e7\u00e3o de vida, e reflete uma aproxima\u00e7\u00e3o da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A vida \u00e9 o bem b\u00e1sico sem o qual n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis outros bens. Deus d\u00e1 a vida e \u00e9 a fonte dela. Deste modo a vida \u00e9 uma d\u00e1diva continuamente renovada. A qualidade de vida se d\u00e1 a partir de livre escolha \u00e9tica e religiosa, pois o ser humano pode escolher entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, entre a ben\u00e7\u00e3o e a maldi\u00e7\u00e3o, entre integrar a vontade humana com a vontade divina ou n\u00e3o. O Novo Testamento ressalta a vida que adv\u00e9m do batismo que \u00e9 definida como viver, mover-se e ser em Cristo. Um caminho vital destinado para a eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A constru\u00e7\u00e3o da fraternidade \u00e9 obra fascinante, mas laboriosa e dif\u00edcil; o individualismo \u00e9 mais f\u00e1cil. Malogros, decep\u00e7\u00f5es e cansa\u00e7o tendem relegar a fraternidade ao mundo das utopias, induzir a constru\u00ed-la em pequenos espa\u00e7os, diminuir esfor\u00e7os, para que isto n\u00e3o aconte\u00e7a a Campanha da Fraternidade acentua a esperan\u00e7a. Sim a fraternidade \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber Arcebispo de Passo Fundo (RS) As palavras s\u00e3o vivas e v\u00e3o sofrendo altera\u00e7\u00f5es com o passar do tempo. Novos termos come\u00e7am a fazer parte da linguagem e outros v\u00e3o entrando em desuso. Cada \u00e1rea humana tem uma linguagem pr\u00f3pria e quem n\u00e3o faz parte dela sente-se deslocado ou tem uma compreens\u00e3o &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fraternidade-e-vida-dom-e-compromisso-parte-ii\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Fraternidade e vida: dom e compromisso &#8211; parte II<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":233666,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/234667"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=234667"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/234667\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/233666"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=234667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=234667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=234667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}