{"id":234899,"date":"2020-03-11T11:16:33","date_gmt":"2020-03-11T14:16:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=234899"},"modified":"2020-09-08T14:11:17","modified_gmt":"2020-09-08T17:11:17","slug":"a-sobriedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-sobriedade\/","title":{"rendered":"A sobriedade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Cruz Alta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto caminhamos, com Jesus e com os irm\u00e3os, para Jerusal\u00e9m, para a P\u00e1scoa, somos recordados de um ponto essencial da vida crist\u00e3: o jejum. O jejum normalmente n\u00e3o tem um fim em si mesmo. Ningu\u00e9m jejua para fins f\u00edsicos, como emagrecer. Sempre se jejua para fins espirituais. Ele \u00e9 uma predisposi\u00e7\u00e3o da pessoa para algo maior, que ainda n\u00e3o possu\u00edmos, que buscamos sempre. O jejum nos deixa sempre com fome e sede de algo mais. Nos torna conscientes de que viemos de Deus, somos suas criaturas, dependemos dele sempre. O jejum faz voltar o pensamento e o olhar para Deus. O ser humano, como a mulher Samaritana, pede: \u201cD\u00e1-me sempre desta \u00e1gua, para que eu n\u00e3o tenha mais sede, nem precise voltar aqui\u201d (Jo 4,15 ). De fato, temos sede! Enquanto caminhamos neste mundo, por mais que tenhamos coisas para usufruir, nunca estamos totalmente completos, felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O tempo quaresmal \u00e9 uma intensifica\u00e7\u00e3o do desejo de Deus e da caridade. Ao termos sede de Deus, olhamos para os mais pobres. Quando estamos saciados completamente, muitas vezes, nem nos recordamos de Deus. Por isso, a Igreja apresenta o jejum como algo central de nossa espiritualidade quaresmal. A sabedoria dos monges antigos nos recorda que se deve levantar da mesa sempre com um pouco de fome para nunca esquecer que o verdadeiro alimento se procura na Palavra de Deus. A Escritura nos diz: \u201cCoisa boa \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o com o jejum e a esmola com a justi\u00e7a\u201d (Tb 12,8). Tamb\u00e9m, neste sentido, Jesus no seu evangelho disse palavras s\u00e1bias: \u201cPortanto, n\u00e3o vos inquieteis, dizendo: \u2018Que havemos de comer?\u2019 ou: \u2018Que havemos de beber?\u2019 ou: \u2018Com que nos havemos de vestir?\u2019 Pois a todas estas coisas os gentios procuram. Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. [&#8230;] N\u00e3o vos inquieteis, pois, pelo dia de amanh\u00e3; porque o dia de amanh\u00e3 cuidar\u00e1 de si mesmo\u201d (Mt 6, 31.33). O jejum nos conduz ao essencial e nos liberta dos excessos desnecess\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dito de outro modo, o jejum nos conduz \u00e0 sobriedade como um estilo de vida. A sobriedade de vida \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o livre e muito necess\u00e1ria na educa\u00e7\u00e3o hoje. N\u00e3o podem os pais consentirem e dizerem sempre \u201csim\u201d aos filhos. Se faltar o \u201cn\u00e3o\u201d, com suficientes raz\u00f5es, poder\u00e3o se acostumar a uma vida sem limites. Sobriedade \u00e9 uma quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m \u00e9 uma possibilidade de olhar para al\u00e9m de si mesmos e da sua fam\u00edlia. \u00c9 um gesto concreto de solidariedade. No mundo n\u00e3o faltam alimentos produzidos. Falta solidariedade. S\u00e3o Cipriano dizia que os alimentos que sobram do jejum ficam para os pobres: \u201cNo dia do jejum, alimentar-te-\u00e1s apenas de p\u00e3o e de \u00e1gua e, calculada a despesa dos alimentos que terias consumido dar\u00e1s esta soma correspondente a uma vi\u00fava, a um \u00f3rf\u00e3o, a um necessitado\u201d. A op\u00e7\u00e3o por uma vida s\u00f3bria, fruto de uma educa\u00e7\u00e3o e treinamento, faz as pessoas serem mais felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cuidemos do ac\u00famulo. A humanidade ser\u00e1 mais feliz consumindo menos. Acostumemo-nos a valorizar cada momento, cada pessoa, cada situa\u00e7\u00e3o como \u00fanica. A sobriedade, vivida livre e conscientemente, \u00e9 libertadora, pois ajuda a \u201creduzir o n\u00famero das necessidades insatisfeitas e diminuem o cansa\u00e7o e ansiedade\u201d (LS, n. 223). Ela produz paz interior. O jejum vivido livremente, com objetivos espirituais, tamb\u00e9m nos educa \u00e0 simplicidade de vida, saborear as pequenas coisas, sem ficarmos ansiosos pelo que n\u00e3o possu\u00edmos.<\/p>\n<p>&nbsp;    \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo de Cruz Alta Enquanto caminhamos, com Jesus e com os irm\u00e3os, para Jerusal\u00e9m, para a P\u00e1scoa, somos recordados de um ponto essencial da vida crist\u00e3: o jejum. O jejum normalmente n\u00e3o tem um fim em si mesmo. Ningu\u00e9m jejua para fins f\u00edsicos, como emagrecer. Sempre se jejua para fins espirituais. 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