{"id":235067,"date":"2020-03-13T11:27:13","date_gmt":"2020-03-13T14:27:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=235067"},"modified":"2020-09-08T14:11:17","modified_gmt":"2020-09-08T17:11:17","slug":"todos-migrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/todos-migrantes\/","title":{"rendered":"Todos migrantes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Belo Horizonte<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A mobilidade humana, com seus intensos fluxos, rompe cada vez mais as fronteiras em todo o mundo, o que exige nova consci\u00eancia global. As mis\u00e9rias, viol\u00eancias e descompassos s\u00e3o universalizados: batem \u00e0s portas de governos, oligarquias acomodadas nos seus confortos e exigem novas posturas, de todos os cidad\u00e3os e cidad\u00e3s. Equ\u00edvoco \u00e9 pensar que o migrante \u00e9 um problema, pois, mais que simples slogan de campanhas humanit\u00e1rias, a verdade \u00e9 que somos todos migrantes. Nesse sentido, o fen\u00f4meno doloroso e desafiador das migra\u00e7\u00f5es, motivadas pela viol\u00eancia e pela mis\u00e9ria, em escala assustadora, exige a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade na busca por solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No contexto brasileiro, as migra\u00e7\u00f5es, ao longo da hist\u00f3ria, trouxeram sempre novas exig\u00eancias e ajudaram a compor novo mapa civilizat\u00f3rio, possibilitaram conquistas, mas trouxeram tamb\u00e9m problemas, a exemplo dos preconceitos e discrimina\u00e7\u00f5es. Um processo de avan\u00e7os e retrocessos. Mais recentemente, h\u00e1 aproximadamente cinco anos, o Brasil tornou-se destino dos que buscam sobreviver dentro da crise humanit\u00e1ria contempor\u00e2nea, que afeta o contexto geopol\u00edtico mundial. Um cen\u00e1rio que envolve a Venezuela e a sua realidade desafiadora, com complexidades que est\u00e3o urgindo solu\u00e7\u00f5es capazes de evitar a multiplica\u00e7\u00e3o de refugiados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Brasil, o Estado de Roraima \u00e9 a porta de entrada de venezuelanos e haitianos em um fluxo migrat\u00f3rio que desmascara l\u00f3gicas pol\u00edticas e econ\u00f4micas na contram\u00e3o da paz e da justi\u00e7a. Dos \u00f3rg\u00e3os internacionais e nacionais diretamente envolvidos s\u00e3o exigidas medidas que garantam a supera\u00e7\u00e3o dessas l\u00f3gicas, o que requer tamb\u00e9m novas posturas e l\u00facida compreens\u00e3o da sociedade mundial. Sinaliza a gravidade do desafio contempor\u00e2neo a constata\u00e7\u00e3o de que o cen\u00e1rio laboral despreparado na sociedade brasileira precisa, ainda, conseguir promover a inclus\u00e3o de migrantes. Uma situa\u00e7\u00e3o que urge velocidade em a\u00e7\u00f5es pela for\u00e7a de irrenunci\u00e1vel solidariedade. A dura realidade da migra\u00e7\u00e3o venezuelana, na rede de outras migra\u00e7\u00f5es, \u00e9 um clamor gritante, a ser ouvido por todos, com urgentes provid\u00eancias, adotadas por diferentes segmentos sociais e inst\u00e2ncias do poder. As realidades migrat\u00f3rias devem inspirar nova e urgente compreens\u00e3o da vida como dom e compromisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desconhecer a realidade de migrantes ou assumir uma \u201ccapa ac\u00e9tica\u201d, distante, tentando tornar-se imune \u00e0 dor do outro, significa contribuir para o pr\u00f3prio fracasso ou para alimentar estreitamentos de todo o tipo. A cobran\u00e7a ser\u00e1 cara e amarga. A sociedade est\u00e1 convocada a conhecer e a se envolver cada vez mais, de modo adequado, na busca de solu\u00e7\u00f5es para as crescentes crises humanit\u00e1rias em curso. Iniciativas solid\u00e1rias, a exemplo da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida do Ex\u00e9rcito Brasileiro, contracenando com o trabalho de ONG\u2019s internacionais, com as a\u00e7\u00f5es efetivas de diferentes confiss\u00f5es religiosas, incluindo a Igreja Cat\u00f3lica, com suas institui\u00e7\u00f5es e programas, articulados pela Diocese de Roraima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No horizonte do compromisso com os migrantes, reconhecendo a urg\u00eancia de novas a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias e de se fortalecer as que j\u00e1 est\u00e3o em curso, a Presid\u00eancia da Confer\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), neste tempo da Quaresma, se une e se dedica ainda mais aos refugiados, gerando fortes ecos no cora\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica no Brasil, com o objetivo de contribuir para superar as situa\u00e7\u00f5es dolorosas. Muito se est\u00e1 fazendo, louvavelmente. Mas, ainda \u00e9 grande a lista de car\u00eancias, o que demanda diferentes formas de generosidade, partilhas e novas posturas. A Regi\u00e3o Centro-Sul do Brasil, pelos muitos quil\u00f4metros que a separam de Roraima, ainda tem uma vis\u00e3o distante da realidade dos muitos que atravessam a fronteira do Pa\u00eds. Precisa, pois, trilhar longo caminho de aprendizagem e escuta, para ajudar mais, nos v\u00e1rios modos poss\u00edveis \u2013 partilhar bens e garantir aos que sofrem o fundamental para a sobreviv\u00eancia digna; contribuir para a inclus\u00e3o no mercado de trabalho, com medidas que, de fato, ajudem a diminuir o problema do desemprego no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Imposs\u00edvel n\u00e3o se comover ao encontrar dezenas de crian\u00e7as que necessitam de carinho e de cuidados, da alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode deixar de acolher a advert\u00eancia de que a realidade dos refugiados \u00e9 desafio que diz respeito a todos, n\u00e3o importa a regi\u00e3o que se habita. A mobilidade humana provocada por crises humanit\u00e1rias, as crescentes viol\u00eancias, os v\u00edrus que se proliferam e tantas outras dolorosas realidades n\u00e3o v\u00e3o deixar ningu\u00e9m sossegado no bem viver que achou ter encontrado. Somos todos migrantes, convocados a deixar lugares e a nos mover pelas exig\u00eancias do viver humano, que requer solidariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diante do que est\u00e1 ocorrendo e que exige mudan\u00e7as de h\u00e1bitos e pr\u00e1ticas &#8211; a partir da compreens\u00e3o de que a vida \u00e9 dom e compromisso -, deve-se orar e deixar-se tocar pela s\u00faplica sa\u00edda do cora\u00e7\u00e3o do Papa Francisco: \u201cDeus de miseric\u00f3rdia e Pai de todos, acordai-nos do sono da indiferen\u00e7a, abri os nossos olhos \u00e0s tribula\u00e7\u00f5es dos migrantes, e libertai-nos da insensibilidade, fruto do bem-estar mundano e do confinamento em n\u00f3s mesmos\u201d. Cres\u00e7a a consci\u00eancia de que todos s\u00e3o migrantes \u2013 estamos sempre a percorrer um caminho \u2013 para alcan\u00e7ar a lucidez existencial da solidariedade, fundamental para edificar um mundo novo, na justi\u00e7a e na paz.<\/p>\n<p>&nbsp;    \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte &nbsp; A mobilidade humana, com seus intensos fluxos, rompe cada vez mais as fronteiras em todo o mundo, o que exige nova consci\u00eancia global. 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