{"id":235809,"date":"2020-03-25T12:12:17","date_gmt":"2020-03-25T15:12:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=235809"},"modified":"2020-09-08T14:10:28","modified_gmt":"2020-09-08T17:10:28","slug":"cultura-da-morte-na-evangelium-vitae-por-ocasiao-dos-25-anos-de-sua-publicacao-1995-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cultura-da-morte-na-evangelium-vitae-por-ocasiao-dos-25-anos-de-sua-publicacao-1995-2020\/","title":{"rendered":"Cultura da Morte na Evangelium vitae: por ocasi\u00e3o dos 25 anos de sua publica\u00e7\u00e3o (1995-2020)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Luiz Antonio Lopes Ricci.<br \/>\n<\/strong><strong>Bispo Auxiliar de Niter\u00f3i (RJ)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na Solenidade da Anuncia\u00e7\u00e3o do Senhor, este ano celebrada neste dif\u00edcil momento, diante de tantas incertezas, acolhemos o An\u00fancio do Anjo Gabriel e o \u201cSim\u201d de Maria, com alegria e gratid\u00e3o ao bom Deus que fez nela e em n\u00f3s maravilhas. \u00c9 a partir da \u201cBoa Not\u00edcia\u201d, anunciada pelo Arcanjo, proclamada e consumada por Jesus Cristo, que n\u00f3s seguimos tocando em frente, administrando com f\u00e9 e serenidade as m\u00e1s not\u00edcias, agradecendo as que j\u00e1 chegaram e esperando as boas, que certamente vir\u00e3o. Acreditamos, com o Papa Francisco: \u201ccom efeito, onde houver uma necessidade peculiar, Ele (o Esp\u00edrito Santo) j\u00e1 infundiu carismas que permitam dar-lhe resposta\u201d (QA, n. 94).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dentre tantos temas que poder\u00edamos abordar \u00e0 luz da\u00a0<em>Evangelium Vitae<\/em>, considerando, principalmente, o tempo quaresmal, o insistente convite \u00e0 convers\u00e3o e a Campanha da Fraternidade 2020, julgamos oportuno falar da \u201ccultura da morte\u201d, n\u00e3o por conta da COVID-19, mas em vista da reflex\u00e3o pessoal, avalia\u00e7\u00e3o de condutas, forma\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do seu oposto, a \u201cCultura da Vida\u201d, urgente e fact\u00edvel. Objetivamos fortalecer a esperan\u00e7a e renovar o nosso compromisso com a vida, dom de Deus, confiada a nossos cuidados pelo Criador, que tudo cria, recria e restaura \u201ceis que fa\u00e7o novas todas as coisas\u201d (Ap 21,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Evangelium vitae<\/em>\u00a0(Evangelho da Vida) \u00e9 a d\u00e9cima primeira enc\u00edclica do saudoso Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, publicada na Solenidade da Anuncia\u00e7\u00e3o do Senhor, em 25 de mar\u00e7o de 1995, na qual ele afirma, fortemente, o valor e o car\u00e1ter inviol\u00e1vel da vida humana. Uma express\u00e3o recorrente na enc\u00edclica \u00e9 a \u201ccultura da morte\u201d, que torna a vida humana vulner\u00e1vel e vulnerada, exposta a in\u00fameras formas de viol\u00eancia e, por isso, abreviada quando nascida ou interrompida antes de nascer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa, abordando temas referentes \u00e0 origem da vida, ao seu desenvolvimento e \u00e0 sua fase final, denuncia prof\u00e9tica e criticamente a assim denominada \u201ccultura da morte\u201d, ao mesmo tempo em que indica os sinais positivos a favor da \u201ccultura da vida\u201d, fazendo um an\u00fancio esperan\u00e7oso, evang\u00e9lico e incondicional a favor da vida humana \u2013 em qualquer fase e condi\u00e7\u00e3o em que ela se encontre. A enc\u00edclica \u00e9 um grito, forte e argumentado, contra o obscurecimento da consci\u00eancia coletiva referente ao valor intang\u00edvel da vida humana. \u201cA presente enc\u00edclica, fruto da colabora\u00e7\u00e3o do Episcopado de cada pa\u00eds do mundo, quer ser uma reafirma\u00e7\u00e3o precisa e firme do valor da vida humana e da sua inviolabilidade, e, conjuntamente, um ardente apelo dirigido em nome de Deus a todos e a cada um: respeita, defende, ama e serve a vida, cada vida humana! Unicamente por esta estrada, encontrar\u00e1s justi\u00e7a, progresso, verdadeira liberdade, paz e felicidade\u201d (n<em>.<\/em>5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A express\u00e3o cultura da morte, indicada em 1992, pela Confer\u00eancia de Santo Domingo, foi desenvolvida de modo profundo e corajoso por Jo\u00e3o Paulo II, na<em>Evangelium Vitae<\/em>. Tamb\u00e9m hoje, \u201cnos encontramos no meio de uma luta dram\u00e1tica entre a \u2018cultura da morte\u2019 e a \u2018cultura da vida\u2019\u201d (n.50).\u00a0\u00a0 A partir dessa provocante frase, coloca-se a seguinte quest\u00e3o: o que significa dizer que hoje existe uma cultura da morte? Alguns criticam essa express\u00e3o, por acreditarem ser injusto falar de cultura da morte numa \u00e9poca em que s\u00e3o in\u00fameros os sinais que apontam, cada vez mais, para uma crescente sensibilidade no que diz respeito ao valor e inviolabilidade da vida humana. Inclusive, Jo\u00e3o Paulo II, nesta sua enc\u00edclica e em outros pronunciamentos, reconhece os in\u00fameros sinais positivos em favor da vida (cf. nn. 25-28), por\u00e9m acrescenta que ainda existem muitas formas de nega\u00e7\u00e3o da vida que ajudam a desenvolver a assim denominada cultura da morte, que pode ser, apropriadamente, denominada de \u201canticultura\u201d, pois n\u00e3o cultiva a vida. Neste sentido, a cultura da morte n\u00e3o \u00e9 somente um conceito, mas um drama contempor\u00e2neo, que interpela e inquieta, exigindo de todos e de todas um incans\u00e1vel empenho pela vida. A vida humana, segundo o Papa, sempre esteve amea\u00e7ada, contudo, hoje se \u201capresentam novas caracter\u00edsticas em rela\u00e7\u00e3o ao passado e levantam problemas de singular gravidade: \u00e9 que, na consci\u00eancia coletiva, aqueles tendem a perder o car\u00e1ter de \u2018delitos\u2019 para assumir, paradoxalmente, o car\u00e1ter de \u2018direitos\u2019. Tudo isto explica, pelo menos em parte \u2013 como possa o valor da vida sofrer hoje uma esp\u00e9cie de \u2018eclipse\u2019, apesar da consci\u00eancia n\u00e3o cessar de o apontar como valor sagrado e intoc\u00e1vel\u201d (n.11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao falar das \u201catuais amea\u00e7as \u00e0 vida humana\u201d (sem desconsiderar aquelas tradicionais: injusti\u00e7a, fome, pobreza, doen\u00e7as, viol\u00eancias e guerras) e de uma esp\u00e9cie de \u201ceclipse do valor da vida\u201d, Jo\u00e3o Paulo II alerta para a gravidade dos atentados \u00e0 vida e apela para que o homem contempor\u00e2neo possa procurar \u201cas m\u00faltiplas causas que os geram e alimentam\u201d (n.10). Para ele, algumas amea\u00e7as \u201cs\u00e3o agravadas pelo descuido culp\u00e1vel e pela neglig\u00eancia dos homens que, n\u00e3o raro, lhes poderiam dar rem\u00e9dio\u201d(n.10), ou seja, poderiam ser evitadas. Dentre as amea\u00e7as citadas por ele, cabe destacar aquela relacionada \u00e0s crian\u00e7as e pobres: \u201ccomo n\u00e3o pensar na viol\u00eancia causada \u00e0 vida de milh\u00f5es de seres humanos, especialmente crian\u00e7as, constrangidos \u00e0 mis\u00e9ria, \u00e0 subnutri\u00e7\u00e3o e \u00e0 fome, por causa da in\u00edqua distribui\u00e7\u00e3o das riquezas entre os povos e entre as classes sociais?\u201d (n.10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A cultura da morte n\u00e3o se reduz a uma s\u00e9rie de opini\u00f5es ou atitudes emotivas ou comportamentais, mas se plasma, principalmente, em certas estruturas sociais, \u00e0s quais o Papa denomina \u201cestruturas de pecado\u201d. A express\u00e3o \u201ccultura da morte\u201d, quando utilizada pela primeira vez, na\u00a0<em>Evangelium<\/em><em>\u00a0<\/em><em>vitae<\/em>, vem imediatamente precedida por aquela de \u201cestrutura de pecado\u201d. Duas express\u00f5es estreitamente relacionadas, em que a primeira deriva da segunda. \u201cEstamos diante de uma realidade mais vasta, que se pode considerar como verdadeira e pr\u00f3pria \u2018estrutura de pecado\u2019, caracterizada pela imposi\u00e7\u00e3o de uma cultura antisolid\u00e1ria, que em muitos casos se configura como verdadeira \u2018cultura de morte\u2019\u201d(n.12). As estruturas de pecado s\u00e3o criadas pelos pecados pessoais dos seres humanos, sendo estruturas injustas que possibilitam a manuten\u00e7\u00e3o ou expans\u00e3o do mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A express\u00e3o \u201cpecado estrutural ou social\u201d foi cunhada e elaborada pela teologia latino-americana, sendo rapidamente assimilada pelo conjunto da teologia e citada nos documentos do Magist\u00e9rio Pontif\u00edcio. Em \u00e2mbito latino-americano, o conceito pecado social \u00e9 citado no Documento de Puebla, quando se fala das ang\u00fastias que nascem da pobreza material: \u201cnesta ang\u00fastia e dor a Igreja discerne uma situa\u00e7\u00e3o de pecado social, cuja gravidade \u00e9 tanto maior quanto se d\u00e1 em pa\u00edses que se dizem cat\u00f3licos e que t\u00eam a capacidade de mudar\u201d (n.28). Confirma-se aqui, a constata\u00e7\u00e3o e corajosa advert\u00eancia conciliar: \u201cEste div\u00f3rcio entre a f\u00e9 que professam e o comportamento cotidiano de muitos, deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo\u201d (GS, n.43).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As situa\u00e7\u00f5es de pecado e pecado social implicam o n\u00e3o reconhecimento da dignidade humana, ferindo o princ\u00edpio de igualdade fundamental entre todos os homens que \u201ct\u00eam a mesma natureza e origem; e, redimidos por Cristo, todos t\u00eam a mesma voca\u00e7\u00e3o e destino divino. Embora entre os homens haja justas diferen\u00e7as, a igual dignidade pessoal postula, no entanto, que se chegue a condi\u00e7\u00f5es de vida mais humanas e justas. Com efeito, as excessivas desigualdades econ\u00f4micas e sociais, entre os membros e povos da \u00fanica fam\u00edlia humana, provocam o esc\u00e2ndalo e s\u00e3o obst\u00e1culo \u00e0 justi\u00e7a social, \u00e0 equidade, \u00e0 dignidade da pessoa humana\u201d (GS, n.29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A rela\u00e7\u00e3o existente entre pecado (pessoal e social) e cultura de morte aparece claramente no Documento de Santo Domingo. \u201cNisso reconhecemos a origem dos males individuais e coletivos\u2026 enfim, tudo o que caracteriza uma cultura de morte\u201d (n.9). Situa-se aqui a primeira refer\u00eancia ao conceito de cultura de morte, retomado e alargado tr\u00eas anos mais tarde na\u00a0<em>Evangelium Vitae<\/em>. A realidade \u00e9 marcada pelo c\u00edrculo vicioso: estruturas de pecado \u2013 cultura da morte \u2013 mistan\u00e1sia (morte social, precoce e evit\u00e1vel), esta \u00faltima como \u201csubproduto\u201d ou consequ\u00eancia direta das desigualdades injustas causadas pelas duas primeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na raiz das nega\u00e7\u00f5es e destrui\u00e7\u00f5es que afetam diretamente a vida est\u00e1 aquilo que \u00e0 luz da f\u00e9 chama-se pecado pessoal e estrutural: \u201cestruturas de pecado que geram e mant\u00eam a pobreza, subdesenvolvimento e degrada\u00e7\u00e3o. Tais estruturas s\u00e3o edificadas e consolidadas atrav\u00e9s de muitos atos concretos de ego\u00edsmo humano\u201d (<em>Comp\u00eandio Doutrina Social<\/em>, n. 332). O recurso ao conceito de pecado estrutural n\u00e3o permite desconsiderar a exist\u00eancia de uma tr\u00e1gica concatena\u00e7\u00e3o de causa e efeito. O pecado \u00e9 pessoal e social ao mesmo tempo. Pessoal, porque \u00e9 um ato de liberdade da pessoa e social, porque tem incid\u00eancia e consequ\u00eancia no tecido social. Assim, pecado social \u00e9 toda forma de agress\u00e3o direta ou indireta \u00e0 vida humana. Em sua raiz est\u00e1 sempre o pecado pessoal, o ego\u00edsmo humano. Por essa raz\u00e3o, o pecado social ou estruturas de pecado n\u00e3o desconsidera a responsabilidade pessoal. Ressalta-se que as estruturas de pecado est\u00e3o sempre ligadas a atos concretos de pessoas concretas. Por essa raz\u00e3o, a insist\u00eancia na convers\u00e3o pessoal e viv\u00eancia cotidiana dos valores crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os \u201csinais de morte\u201d e \u201csitua\u00e7\u00e3o de pecado\u201d agora s\u00e3o identificados como \u201ccultura de morte\u201d, ou seja, algo mais difuso e cristalizado e, portanto, de dif\u00edcil remo\u00e7\u00e3o ou transforma\u00e7\u00e3o, com exig\u00eancia de renovado esfor\u00e7o e compromisso. Nesse sentido, a evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode prescindir do lugar social e da evang\u00e9lica op\u00e7\u00e3o pelos pobres, referenciais indispens\u00e1veis em vista do diagn\u00f3stico, planejamento e a\u00e7\u00f5es evangelicamente eficientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sabe-se que \u00e9 tarefa e dever da Igreja evangelizar as estruturas sociais e transform\u00e1-las, com os crit\u00e9rios que emanam do\u00a0<em>Evangelho da Vida<\/em>, independente de ideologias e partidos pol\u00edticos. \u201cA forma\u00e7\u00e3o de estruturas justas n\u00e3o \u00e9, imediatamente, um dever da Igreja, mas pertence \u00e0 esfera da pol\u00edtica, isto \u00e9, ao \u00e2mbito da raz\u00e3o autorrespons\u00e1vel. Nisto, o dever da Igreja \u00e9 mediato, enquanto lhe compete contribuir para a purifica\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o e o despertar das for\u00e7as morais, sem as quais n\u00e3o se constroem estruturas justas, nem estas permanecem operativas por muito tempo\u201d (Bento XVI,\u00a0<em>Deus Caritas Est<\/em>, n.29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A promo\u00e7\u00e3o integral da pessoa humana passa pela evangeliza\u00e7\u00e3o da cultura de morte. Desse modo, o an\u00fancio vigoroso do Evangelho eleva o que \u00e9 bom nas culturas e, ao mesmo tempo, purifica o que se encontra marcado pelo pecado. Por isso, \u201ca Igreja n\u00e3o se cansar\u00e1 de denunciar tudo aquilo que produz morte. A morte, inclusive a morte natural, \u00e9 produto e consequ\u00eancia do pecado\u201d (O. Romero).\u00a0 N\u00e3o basta apenas viver ou sobreviver. Deus n\u00e3o criou o homem \u201csobrevivente\u201d ou \u201cv\u00edtima\u201d, mas sim o \u201chomem vivente e livre\u201d. A concep\u00e7\u00e3o extremamente restritiva do conceito vida \u00e9 perigosa n\u00e3o coincide com o des\u00edgnio criador e salv\u00edfico de Deus. Nesse sentido, \u201cn\u00e3o matar\u00e1s\u201d na vers\u00e3o contempor\u00e2nea e cotidiana \u00e9, tamb\u00e9m,\u00a0<em>n\u00e3o deixar morrer<\/em>. Entretanto, n\u00e3o apenas para garantir a sobreviv\u00eancia ou conserva\u00e7\u00e3o da vida humana, mas para o \u201cbem viver\u201d com dignidade de \u201cfilhos e filhas de Deus\u201d. \u00a0A solidariedade concreta, entendida como \u201cprinc\u00edpio\u201d social e virtude crist\u00e3 pode superar e transformar as estruturas de pecado que afetam as rela\u00e7\u00f5es humanas em \u201cestruturas de solidariedade\u201d. Dessa maneira, o homem \u00e9 convidado, em cada \u00e9poca, a responder ao imperativo \u00e9tico fundamental da exist\u00eancia: \u201cescolha a vida\u201d (Dt 30,19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desse modo, ap\u00f3s abordar a cultura da morte, sinais e causas, Jo\u00e3o Paulo II, procurando evitar certo sentimento de conformismo e pessimismo, faz um convite \u00e0 esperan\u00e7a em Cristo, vencedor da morte. \u201cFrente \u00e0s in\u00fameras e graves amea\u00e7as contra a vida, presentes no mundo contempor\u00e2neo, poder-se-ia ficar como que dominado por um sentido de impot\u00eancia insuper\u00e1vel: jamais o bem poder\u00e1 ter for\u00e7a para vencer o mal! Este \u00e9 o momento em que o Povo de Deus, e nele, cada um dos crentes \u00e9 chamado a professar, com humildade e coragem, a pr\u00f3pria f\u00e9 em Jesus Cristo, o Verbo da vida (n.29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A cultura da morte exige refor\u00e7o e revigoramento da f\u00e9 em Cristo e um renovado an\u00fancio de seu Evangelho da vida, pois Jesus \u00e9 \u201co caminho, a verdade e a vida\u201d (Jo 14,6). Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 o amante da vida. Acolhe a vida e anuncia que Deus guarda e protege, com muito amor, a vida de cada homem. Cristo \u00e9 o Evangelho da vida e Nele est\u00e1 a verdade do homem. Esta afirma\u00e7\u00e3o significa que o an\u00fancio crist\u00e3o, sobre a dignidade e inviolabilidade da vida, est\u00e1 escrito no cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano.\u00a0<strong>A<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>enc\u00edclica afirma que mesmo na precariedade da vida humana, Jesus realiza, plenamente, o sentido da vida: \u201cComo Deus, amante da vida (Sb 11,26), j\u00e1 tinha tranquilizado Israel no meio dos perigos, assim agora o Filho de Deus anuncia a quantos se sentem amea\u00e7ados e limitados na pr\u00f3pria exist\u00eancia, que a sua vida \u00e9 um bem, ao qual o amor do Pai d\u00e1 sentido e valor\u201d (n.32). \u00c9 com essa f\u00e9 madura e perseverante que seguiremos, enfrentando as amea\u00e7as \u00e0 vida, a<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong><u>emergente,<\/u><\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>que \u00e9 a pandemia do novo<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><em><strong>Corona V\u00edrus<\/strong><\/em><strong>\u00a0<\/strong><strong>e as<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong><u>persistentes,<\/u><\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>que seguem ceifando vidas e que nem sempre s\u00e3o contempladas e enfrentadas com a mesma e necess\u00e1ria mobiliza\u00e7\u00e3o, tanto de nossa parte, como do poder p\u00fablico. Ainda temos um longo caminho\u2026 \u201cO anjo do Senhor tocou-o e disse: \u2018Levanta-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer\u2019. Elias levantou-se, comeu e bebeu e, com a for\u00e7a desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites at\u00e9 o Monte de Deus, o Horeb\u201d (1 Rs 19, 7-8). Sigamos no percurso quaresmal e na \u201cquarentena\u201d, em p\u00e9, no olhar da f\u00e9 e na certeza da P\u00e1scoa. Coragem! Em frente, com serenidade! Enfrente com f\u00e9, for\u00e7a e esperan\u00e7a!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o meu abra\u00e7o fraterno, comunh\u00e3o solid\u00e1ria e gratid\u00e3o,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Luiz Antonio Lopes Ricci. 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