{"id":236192,"date":"2020-03-31T09:42:45","date_gmt":"2020-03-31T12:42:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=236192"},"modified":"2020-09-08T14:10:20","modified_gmt":"2020-09-08T17:10:20","slug":"o-cruz-tu-nos-salvaras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-cruz-tu-nos-salvaras\/","title":{"rendered":"\u00d3 cruz, tu nos salvar\u00e1s!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Cruz Alta<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acostumamo-nos a cantar, sobretudo no tempo quaresmal, uma afirma\u00e7\u00e3o basilar de nossa vida crist\u00e3: \u201c\u00f3 cruz, tu nos salvar\u00e1s\u201d. Por meio de sua cruz fomos salvos de nossos pecados. No quarto C\u00e2ntico do Servo Sofredor, de Isa\u00edas, j\u00e1 estava prefigurado esta verdade: \u201cMas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a puni\u00e7\u00e3o a ele imposta era o pre\u00e7o de nossa paz, e suas feridas, o pre\u00e7o da nossa cura\u201d (Is 53,5). A \u201cgrande semana\u201d a partir do Domingo da Paix\u00e3o, \u00e9 um convite a caminhar e contemplar Jesus Cristo e sua entrega definitiva. Em outras palavras, nos pede para olhar para o crucificado e o significado de sua cruz. Na liturgia do Domingo de Ramos rezamos: \u201cConcedei-nos aprender o ensinamento da sua paix\u00e3o e ressuscitar com ele em sua gl\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o foi o sofrimento, nem o sangue derramado e nem a cruz a fonte de nossa reden\u00e7\u00e3o dos pecados. Como assim? A resposta clara est\u00e1 no evangelho de Jo\u00e3o: &#8220;Antes da festa da P\u00e1scoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, at\u00e9 o extremo os amou&#8221; (Jo 13,1). O \u00fanico a poder perdoar pecados e nos resgatar da condi\u00e7\u00e3o humilhante que vivemos \u00e9 o imenso e total amor de Jesus Cristo. Deus n\u00e3o quer o sofrimento nem o do seu Filho e nem o nosso. Ele, contudo, nos acompanha sempre. Est\u00e1 ao nosso lado, nos amando sempre. Podemos quase dizer que Deus \u201csofre\u201d conosco. Ent\u00e3o, sim, o sofrimento de Cristo \u00e9 redentor, pois ele \u00e9 fruto de um amor total. Todos estamos inclu\u00eddos nele. Sendo humano, nenhuma criatura est\u00e1 exclu\u00edda, desde que o acolhamos com gratid\u00e3o e alegria. A partir do olhar do amor, o sangue de Jesus \u00e9 redentor, pois \u00e9 fruto de uma fidelidade inigual\u00e1vel, sem trair ou voltar para tr\u00e1s. A cruz de Jesus \u00e9 redentora, pois nela est\u00e1 escrito, com sangue e suor, o significado do que \u00e9 amar. Sim, o amor \u00e9 redentor. Olhemos para o crucificado com este sentimento. Deixemos que nesta semana, sejamos provocados no significado profundo de um amor redentor, pura gra\u00e7a, que nos alcan\u00e7a em nossa humanidade fragilizada, indiferente e individualista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando Paulo escreve \u00e0 comunidade de Corinto, lembra-lhes o evangelho da cruz para apresentar o mist\u00e9rio de Deus. \u201cEntre v\u00f3s, n\u00e3o julguei saber coisa alguma, a n\u00e3o ser Jesus Cristo, e este, crucificado\u201d (1Cor 2,2). Paulo j\u00e1 tinha certeza que o amor redentor de Jesus vai al\u00e9m do sofrimento. Ele nos ensina a humildade de Cristo que, mesmo no sofrimento e na morte, continua a amar. \u201cEle me amou, e se entregou por mim\u201d (Gl 2,2). \u201cN\u00f3s pregamos Cristo crucificado\u201d (1Cor 1,23), afirma o ap\u00f3stolo. \u201cE Cristo, que nos salvou dos nossos pecados na Cruz, com o mesmo poder da sua entrega total, continua a salvar-nos e resgatar-nos hoje. Olha para a sua Cruz, agarra-te a Ele, deixa-te salvar, porque, \u00abquantos se deixam salvar por Ele, s\u00e3o libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento\u00bb (EG n.1). E, se pecares e te afastares, Ele volta a levantar-te com o poder da sua Cruz\u201d (CV n. 119).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por\u00e9m, nosso olhar humano diante do testemunho de amor de Cristo, no crucificado, logo vai al\u00e9m. Atinge nossa vida, nossa consci\u00eancia, muitas vezes adormecida. Vai at\u00e9 onde est\u00e3o os sofredores do nosso tempo. Diante do crucificado \u00e9 leg\u00edtimo o choro e o clamor de todos os que est\u00e3o nas periferias existenciais e geogr\u00e1ficas. Diante do seu olhar somos uma grande fam\u00edlia, seus filhos. Quando realizarmos, com piedade, nossa ora\u00e7\u00e3o diante do crucificado, lembremos que Cristo Vive, ressuscitou, est\u00e1 sempre conosco. E mais, Ele nos quer vivos e testemunhas de sua vit\u00f3ria. \u201cVit\u00f3ria, tu reinar\u00e1s, \u00f3 cruz, tu nos salvar\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo de Cruz Alta \u00a0 Acostumamo-nos a cantar, sobretudo no tempo quaresmal, uma afirma\u00e7\u00e3o basilar de nossa vida crist\u00e3: \u201c\u00f3 cruz, tu nos salvar\u00e1s\u201d. Por meio de sua cruz fomos salvos de nossos pecados. 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