{"id":236571,"date":"2020-04-06T11:15:45","date_gmt":"2020-04-06T14:15:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=236571"},"modified":"2020-09-08T14:10:03","modified_gmt":"2020-09-08T17:10:03","slug":"vou-celebrar-a-pascoa-em-tua-casa-junto-com-os-meus-discipulos-mt-2618","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vou-celebrar-a-pascoa-em-tua-casa-junto-com-os-meus-discipulos-mt-2618\/","title":{"rendered":"\u201cVou celebrar a P\u00e1scoa em tua casa, junto com os meus disc\u00edpulos\u201d (Mt 26,18)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Luiz Antonio Lopes Ricci<br \/>\n<\/strong><strong>Bispo Auxiliar de Niter\u00f3i<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Que bom iniciar a Semana Santa ouvindo essas palavras de Jesus e tendo a certeza de que \u201cEle est\u00e1 no meio de n\u00f3s\u201d, em nossa casa, em nossa vida, seja qual for a situa\u00e7\u00e3o, de calmaria ou de tempestade. Neste Domingo de Ramos acolhemos Jesus em nossa casa, neste tempo de isolamento social. Ele quer celebrar a P\u00e1scoa conosco, seus disc\u00edpulos (as). Recordamos a \u00daltima Ceia, que foi celebrada em uma casa. No in\u00edcio da Igreja, a Santa Missa, chamada de \u201cFra\u00e7\u00e3o do P\u00e3o\u201d, tamb\u00e9m era celebrada nas casas. As Diretrizes da A\u00e7\u00e3o Evangelizadora da Igreja no Brasil pedem que nossas igrejas sejam casas e que nossas casas sejam igrejas. Estamos vivenciando a sempre chamada \u201cigreja dom\u00e9stica\u201d, a unidade em torno do Altar, por meio da participa\u00e7\u00e3o nas transmiss\u00f5es, a \u201cComunh\u00e3o Espiritual\u201d, a Contri\u00e7\u00e3o, a humildade, a simplicidade e o esvaziamento (K\u00e9nosis). \u201cNa escola de Cristo, sobe-se descendo\u201d (Beato L. Biraghi).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No terceiro domingo da Quaresma, quando meditamos o texto da Samaritana, Jesus disse: \u201cMulher, cr\u00ea em mim: vem a hora em que nem nesta montanha, nem em Jerusal\u00e9m, adorareis o Pai. Mas vem a hora e \u00e9 agora, em que os verdadeiros adoradores adorar\u00e3o o Pai em esp\u00edrito e verdade; pois s\u00e3o estes os adoradores que o Pai procura. Deus \u00e9 Esp\u00edrito, e os que O adoram devem ador\u00e1-lO em esp\u00edrito e verdade\u201d (Jo 4, 21-24). Foi o \u201c\u00faltimo\u201d domingo em que celebramos, aqui no Brasil, a Santa Missa com a presen\u00e7a dos fi\u00e9is. Como me disse um amigo sacerdote, parece que Jesus estava nos preparando, para vivenciar profundamente, estes vers\u00edculos acima indicados. Estamos privados de sair, de ir \u00e0s nossas igrejas e comunidades, de participar e preparar, com tanto amor e dedica\u00e7\u00e3o, as bel\u00edssimas liturgias da Semana Santa, que hoje se inicia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como n\u00e3o me recordar, de quando p\u00e1roco, da intensa mobiliza\u00e7\u00e3o das equipes de liturgia, canto, acolhida, comunica\u00e7\u00e3o e eventos, para tornar as celebra\u00e7\u00f5es sempre mais orantes, belas e ricas de significados que tocam direta e profundamente a vida das pessoas. Quanto trabalho, dedica\u00e7\u00e3o, preocupa\u00e7\u00e3o e generosidade transbordante, por parte dos leigos e leigas. No domingo de P\u00e1scoa, apesar do cansa\u00e7o f\u00edsico, os rostos estavam transfigurados pela alegria de ter ajudado o povo de Deus a celebrar, de modo intenso, a Semana Santa e a P\u00e1scoa do Senhor. N\u00e3o me cansava de agradecer tamanha dedica\u00e7\u00e3o, criatividade e generosidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E agora? Era inimagin\u00e1vel pensar a Semana Santa sem a participa\u00e7\u00e3o do povo! Contudo, \u00e9 o que podemos, no momento. \u201cChegou a hora e \u00e9 agora, de adorar o Pai em esp\u00edrito e verdade\u201d. \u00c9 hora de ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, que sendo Deus, \u201cesvaziou-se de sua gl\u00f3ria, assumindo a forma de servo\u201d (Fl 2,7). Aqui podemos estabelecer, especialmente em virtude da atual realidade, uma rela\u00e7\u00e3o entre adora\u00e7\u00e3o e esvaziamento. Vamos adorar o Senhor em casa e oferecer a Ele a dor (esvaziamento) de n\u00e3o poder participar, presencialmente, das celebra\u00e7\u00f5es. Eis a nossa oferta dolorosa e por isso valiosa, certamente recebida por Deus como verdadeira adora\u00e7\u00e3o. Tenham a absoluta certeza, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, de que voc\u00eas estar\u00e3o presentes, oferecendo conosco o Sacrif\u00edcio de Cristo, na simplicidade e profundidade dos Mist\u00e9rios e Ritos celebrados, no tempo (hoje) que est\u00e1 muito al\u00e9m do limite do espa\u00e7o (templo).\u00a0 O verdadeiro culto, em esp\u00edrito e verdade, significa ades\u00e3o a Cristo e ao seu Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica I, no \u201cmemento\u201d (recorda\u00e7\u00e3o) dos vivos, antes da Consagra\u00e7\u00e3o, assim rezamos:\u00a0 \u201cLembrai-vos, \u00f3 Pai, dos vossos filhos e filhas\u2026 e de todos os que circundam este altar, dos quais conheceis a fidelidade e a dedica\u00e7\u00e3o em vos servir. Eles vos oferecem conosco este sacrif\u00edcio de louvor, por si e por todos os seus, e elevam a v\u00f3s as suas preces, para alcan\u00e7ar o perd\u00e3o de suas faltas, a seguran\u00e7a em suas vidas e a salva\u00e7\u00e3o que esperam. Na tradu\u00e7\u00e3o italiana, o celebrante reza assim: \u201cpor eles te oferecemos e tamb\u00e9m estes te oferecem este sacrif\u00edcio de louvor\u2026\u201d. Pelo Batismo, somos um \u201cpovo sacerdotal\u201d, e por isso podemos oferecer, com o sacerdote e toda a Igreja, o nosso culto de louvor e gratid\u00e3o, unidos ao Altar que \u00e9 Cristo, ao Sacerdote que \u00e9 Cristo, e ao Sacrif\u00edcio, que \u00e9 Cristo. Portanto, estamos unidos, conectados, vivendo a express\u00e3o muito utilizada hoje \u201ctamojunto\u201d. Bispos, sacerdotes, di\u00e1conos e povo de Deus, irmanados no Altar, no qual presidimos e celebramos o Sacrif\u00edcio Pascal de Cristo. Esta \u00e9 a nossa f\u00e9, que sempre anunciamos e que agora estamos vivendo de modo muito profundo e concreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ent\u00e3o, o que significa \u201cadorar a Deus em esp\u00edrito e verdade\u201d? Apresentaremos agora alguns coment\u00e1rios, de modo sint\u00e9tico, acerca dessa afirma\u00e7\u00e3o de Jesus, para iluminar um pouco a triste realidade em que estamos inseridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro: Padre Silvano Fausti<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cVem a hora e \u00e9 agora\u201d: a promessa de Deus \u00e9 concretizada e atualizada no agora de nossa hist\u00f3ria, para quem acolhe o Senhor, como o fizemos neste Domingo de Ramos. A adora\u00e7\u00e3o \u00e9 dirigida ao Pai: \u00e9 o amor dos filhos e filhas que amam a Deus como s\u00e3o amados por Ele. Trata-se de responder com amor e louvor, ao Amor recebido. Em Esp\u00edrito e Verdade: O Espirito nos d\u00e1 a verdade: somos filhos e Deus \u00e9 Pai. O cora\u00e7\u00e3o de quem conhece Jesus \u00e9 o \u201clugar\u201d da verdadeira adora\u00e7\u00e3o. Apenas ali, o ser humano encontra a plenitude da vida que deseja. O Pai deseja adoradores que vivam de seu amor. O nosso culto \u00e9 a nossa pr\u00f3pria carne (templo de Deus), que vive em conformidade ao amor do Pai. O novo culto n\u00e3o ser\u00e1 mais ligado a um lugar particular. No dom do Filho, o conhecimento do Senhor inundar\u00e1 a face da terra e o seu nome ser\u00e1 grande entre as na\u00e7\u00f5es. Adorar como filhos e filhas amados (as) que sabem amar. No amor, estabelecemos a comunh\u00e3o de vida com o Pai e os irm\u00e3os, no \u00fanico Esp\u00edrito que \u00e9 a vida de tudo. Este \u00e9 o culto que agrada a Deus. O novo lugar do culto \u00e9 Jesus, plena comunh\u00e3o entre Palavra e carne, entre Deus e o homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O segundo: Coment\u00e1rio B\u00edblico Internacional<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Samaritana coloca a quest\u00e3o do verdadeiro culto a Deus. A resposta de Jesus nos vers\u00edculos 21-24, surpreendeu a mulher, porque nenhum judeu \u201cortodoxo\u201d teria ousado relativizar Jerusal\u00e9m como lugar de culto, da maneira como fez Jesus.\u00a0 Ele muda o enfoque: do lugar correto para a adora\u00e7\u00e3o para o significado correto da adora\u00e7\u00e3o. Deus possibilita aos crentes uma adora\u00e7\u00e3o aut\u00eantica. Adorar em Esp\u00edrito e verdade significa orientar a vida e ser inteiros para Deus. Jesus \u00e9 o modelo de tal adorador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O terceiro: Commento della Bibbia Liturgica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Onde Adorar a Deus: em Jerusal\u00e9m ou em Garizim. Jesus deixa de lado as quest\u00f5es disputadas e afirma que o lugar no qual o homem pode entrar em contato com Deus \u00e9 a pr\u00f3pria pessoa de Jesus. A afirma\u00e7\u00e3o de que Deus \u00e9 Esp\u00edrito serve, principalmente, para acentuar a possibilidade de um culto completamente independente dos limites de qualquer lugar. Deus \u00e9 a fonte da vida e, portanto, o inspirador do culto que lhe agrada. A verdade equivale \u00e0 fidelidade de Deus, que realizou em Cristo a sua promessa de salva\u00e7\u00e3o. Trata-se do culto dado ao Pai por meio de Jesus, que \u00e9 a Verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O quarto: Santo Agostinho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cS\u00e3o estes adoradores que o Pai procura. E por que \u00e9 que o Pai procura adoradores que o adorem, n\u00e3o no monte, nem no templo, mas em esp\u00edrito e verdade? Porque Deus \u00e9 Esp\u00edrito. Se Deus fosse corpo, deveria ser adorado no monte, porque o monte \u00e9 corp\u00f3reo; deveria ser adorado no templo, porque o templo \u00e9 corp\u00f3reo.\u00a0 Somos templos vivos de Deus. And\u00e1vamos por fora e fomos introduzidos no conhecimento \u00edntimo das coisas. V\u00f3s dizeis: Oh! Se eu encontrasse um monte alto e solit\u00e1rio! Eu creio que Deus atende melhor quando estou no alto dos montes, porque Ele est\u00e1 alto! Julgais que estais pr\u00f3ximos de Deus pelo fato de estar no alto do monte, e julgais que mais depressa sois atendidos, como quem clama de mais perto? O Senhor habita nas alturas, mas tem fixos os olhos nos humildes. Contempla de longe os soberbos, e assiste-lhes tanto menos quanto mais altos se consideram. Procur\u00e1veis um monte? Descei para que possais atingi-lo. Procur\u00e1veis subir? As eleva\u00e7\u00f5es devem dar-se no cora\u00e7\u00e3o, durante a perman\u00eancia no vale das l\u00e1grimas. O vale \u00e9 constitu\u00eddo por uma baixa de terreno. Sede homens de vida interior. E se pretendeis conseguir algum lugar alto, algum lugar santo, sede no vosso interior um templo de Deus. Se quereis orar no templo, orai dentro de v\u00f3s mesmos. Mas primeiro, fazei-vos templo de Deus, porque Ele atende a todo o que ora no seu templo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estamos, de fato, num tempo de Gra\u00e7a (Kair\u00f3tico) e Esvaziamento (Ken\u00f3tico). Mesmo com toda esta fundamenta\u00e7\u00e3o, acima apresentada, sabemos que nada substitui uma participa\u00e7\u00e3o presencial, em nossas comunidades, com os nossos padres e irm\u00e3os e irm\u00e3s. Nada substitui um abra\u00e7o presencial, um aperto de m\u00e3o, um toque curativo e encorajador.\u00a0 Contudo, \u00e9 o que temos para o nosso hoje e Semana Santa. Segue a saudade de viver como antes, de participar como antes, mas principalmente, o prop\u00f3sito de n\u00e3o ser como antes: todos n\u00f3s temos algo a melhorar. Enquanto n\u00e3o d\u00e1 para reiniciar, vamos nos gestando e nos recriando, no \u00datero de Deus. Ocasi\u00e3o para valorizar ainda mais a nossa Igreja, M\u00e3e e Mestra, nossa Liturgia, Ritos e celebra\u00e7\u00f5es, sobretudo a Santa Missa e os demais Sacramentos que alimentam a nossa f\u00e9 no Cristo Vivo e nos santificam. Tudo \u00e9 ocasi\u00e3o de santifica\u00e7\u00e3o, de crescimento e humaniza\u00e7\u00e3o. \u201cNada poder\u00e1 nos separar do amor de Cristo\u201d! Somos todos peregrinos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1tria Definitiva, \u00e0 Casa do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Conclu\u00edmos, com o Salmo 136, que relata a tristeza do povo hebreu durante o Ex\u00edlio na Babil\u00f4nia. Podemos entender melhor agora este Salmo, a dor da saudade, e pensar tamb\u00e9m n\u00e3o apenas nas nossas dores, mas nas dores dos m\u00e9dicos e profissionais da sa\u00fade, dos sofredores de rua, dos sem teto e sem trabalho, dos doentes, imigrantes, sem p\u00e1tria e encarcerados. Ainda que a dor seja grande, n\u00e3o podemos nos esquecer de nossa Igreja, de nossas comunidades, familiares, amigos, e dos invis\u00edveis para a sociedade e n\u00e3o para o novo v\u00edrus. Rezemos com o salmista e renovemos nossa f\u00e9 no Deus da Vida, presen\u00e7a-presente constante e recriadora. Parece que estamos numa terra estrangeira\u2026 \u201cEste cativeiro do povo deve-se entender como s\u00edmbolo do nosso cativeiro espiritual\u201d (S. Hil\u00e1rio). Apesar da dor e saudade, sigamos cantando, um canto novo, os nossos cantos\u2026 adorando ao Senhor em esp\u00edrito e verdade. Coragem! Vai passar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cJunto aos rios da Babil\u00f4nia nos sent\u00e1vamos chorando, com saudades de Si\u00e3o. Nos salgueiros por ali penduramos nossas harpas. Pois foi l\u00e1 que os opressores nos pediram nossos c\u00e2nticos; nossos guardas exigiam alegria na tristeza: \u2018Cantai hoje para n\u00f3s algum canto de Si\u00e3o!\u2019 Como havemos de cantar os cantares do Senhor numa terra estrangeira? Se de ti, Jerusal\u00e9m, algum dia eu me esquecer, que resseque a minha m\u00e3o! Que se cole a minha l\u00edngua e se prenda ao c\u00e9u da boca, se de ti n\u00e3o me lembrar! Se n\u00e3o for Jerusal\u00e9m minha grande alegria!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A dor e a dist\u00e2ncia valorizam o que se busca, o que se tinha e o que se tem. A saudade n\u00e3o cancela a mem\u00f3ria. Cultivemos a gratid\u00e3o, por tudo e por tanto, que recebemos de Deus, da Igreja, da fam\u00edlia, dos amigos e de toda a Cria\u00e7\u00e3o.\u00a0 Enfrente com serenidade e coragem!\u00a0 Em frente, com f\u00e9 e esperan\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com ora\u00e7\u00f5es, proximidade, comunh\u00e3o e b\u00ean\u00e7\u00e3o, Dom Luiz Antonio Lopes Ricci.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00eandice: Seguem dois textos para aumentar ainda mais o nosso amor pela Santa Eucaristia e a certeza de que voc\u00eas est\u00e3o sempre, todo dia, no Altar do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Profundo testemunho de amor \u00e0 Eucaristia: Cardeal Van Thuan<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cQuando fui preso, em 1975, um angustioso questionamento se apoderou de mim: \u201cPoderei ainda celebrar a Eucaristia?\u201d No momento em que tudo veio a faltar, a Eucaristia passou a ocupar o primeiro lugar nos meus pensamentos: O P\u00e3o da Vida. \u201c Quem comer deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente. O p\u00e3o que eu darei \u00e9 a minha carne para a vida do mundo\u201d (Jo 6,51). Em todas as \u00e9pocas, especialmente em tempos de persegui\u00e7\u00e3o, a Eucaristia foi sempre o segredo da vida dos crist\u00e3os: o alimento das testemunhas, o p\u00e3o da esperan\u00e7a. Eus\u00e9bio de Cesareia recorda que os crist\u00e3os n\u00e3o deixavam de celebrar a Eucaristia nem mesmo durante as persegui\u00e7\u00f5es, \u201ctodo lugar onde se sofria tornava-se para n\u00f3s um lugar para celebrar [\u2026] podia ser um campo, um deserto, um navio, um alojamento, uma pris\u00e3o\u201d [\u2026]. Quando fui preso, tive de ir imediatamente e de m\u00e3os vazias. No dia seguinte, deixam-me escrever para casa, pedindo coisas mais urgentes: roupa, pasta de dente\u2026 Escrevi tamb\u00e9m: \u201cPor favor, mandem-me um pouco de vinho, como rem\u00e9dio para minhas dores de est\u00f4mago\u201d. Os fi\u00e9is logo entenderam para que seria. Mandaram-me um frasco de vinho para missa, com a seguinte etiqueta \u201cRem\u00e9dio para dores de est\u00f4mago\u201d, e algumas h\u00f3stias escondidas numa tocha, para proteger contra a umidade. A minha alegria naquele instante foi inexprim\u00edvel: todos os dias, com tr\u00eas gotas de vinho e uma gota d\u2019agua na palma da m\u00e3o, celebrava a missa [\u2026]. Todas as vezes tinha a oportunidade de estender as m\u00e3os e pregar-me na cruz com Jesus, de beber como Ele, o c\u00e1lice mais amargo. Todos os dias recitava as palavras da consagra\u00e7\u00e3o, confirmava com todo o cora\u00e7\u00e3o e com toda a alma um novo pacto, um pacto eterno entre mim e Jesus, mediante o seu sangue misturado com o meu\u201d. Assim, a obscuridade do c\u00e1rcere tornou-se luz pascal, e a semente germinou debaixo da terra, durante a tempestade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA Missa no Altar do Mundo\u201d: Padre Pierre Teilhard de Chardin<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cSenhor, mais uma vez, nestas estepes da \u00c1sia, n\u00e3o tenho p\u00e3o nem vinho, nem altar, ent\u00e3o eu me elevarei acima dos s\u00edmbolos at\u00e9 \u00e0 pura majestade do Real, e vos oferecerei, eu, o vosso sacerdote, e sobre o altar da terra inteira, o trabalho e o sofrimento do mundo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Luiz Antonio Lopes Ricci Bispo Auxiliar de Niter\u00f3i Que bom iniciar a Semana Santa ouvindo essas palavras de Jesus e tendo a certeza de que \u201cEle est\u00e1 no meio de n\u00f3s\u201d, em nossa casa, em nossa vida, seja qual for a situa\u00e7\u00e3o, de calmaria ou de tempestade. Neste Domingo de Ramos acolhemos Jesus em &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vou-celebrar-a-pascoa-em-tua-casa-junto-com-os-meus-discipulos-mt-2618\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">\u201cVou celebrar a P\u00e1scoa em tua casa, junto com os meus disc\u00edpulos\u201d (Mt 26,18)<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":71,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/236571"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/71"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=236571"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/236571\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=236571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=236571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=236571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}