{"id":237442,"date":"2020-04-21T16:49:49","date_gmt":"2020-04-21T19:49:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=237442"},"modified":"2020-09-08T14:09:46","modified_gmt":"2020-09-08T17:09:46","slug":"medo-e-alegria-na-ressurreicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/medo-e-alegria-na-ressurreicao\/","title":{"rendered":"Medo e alegria na Ressurrei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Santa Cruz do Sul<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caros diocesanos. Continuamos a viver a P\u00e1scoa, mist\u00e9rio central de nossa vida crist\u00e3. A palavra P\u00e1scoa significa passagem: passagem da morte de Jesus para a vida nova da ressurrei\u00e7\u00e3o. Segundo S\u00e3o Paulo, se Cristo n\u00e3o ressuscitou \u00e9 v\u00e3 a nossa f\u00e9 e continuamos em nosso pecado (cf 1Cor 15, 17). A f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 decisiva na vida dos seguidores de Jesus Cristo. Os disc\u00edpulos tiveram que passar por um longo processo de amadurecimento na f\u00e9 da ressurrei\u00e7\u00e3o. Para tal, \u00e9 importante analisar a figura de Tom\u00e9, um dos doze: \u201cSe eu n\u00e3o vir a marca dos pregos em suas m\u00e3os, se eu n\u00e3o puser o dedo nas marcas dos pregos, se eu n\u00e3o puser a m\u00e3o no seu lado, n\u00e3o acreditarei\u201d (Jo 20, 25). S\u00f3 mais adiante surge o ato de f\u00e9: \u201cMeu Senhor e meu Deus!\u201d (Jo 20, 28). O evangelista S\u00e3o Jo\u00e3o relata com tr\u00eas verbos &#8211; entrar, ver, crer &#8211; esse processo de crescimento na f\u00e9, ao narrar sua ida, junto com Pedro, \u00e0 sepultura do Senhor: \u201cO outro disc\u00edpulo, que tinha chegado primeiro ao t\u00famulo, tamb\u00e9m entrou, viu e acreditou\u201d (Jo 20, 8). Sim, o Ap\u00f3stolo que Jesus amava tamb\u00e9m entrou no verdadeiro mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o (P\u00e1scoa), contemplou-o em sua profundidade e chegou \u00e0 gra\u00e7a da atitude da f\u00e9. Antes, \u201celes ainda n\u00e3o tinham compreendido a Escritura segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos\u201d (Jo 20, 9). Esse amadurecimento na f\u00e9 repete-se na hist\u00f3ria com os ap\u00f3stolos de todos os tempos. O processo de convers\u00e3o \u00e9 lento e exige perseveran\u00e7a. Agora chegou nossa vez de fazermos a experi\u00eancia pascal em nossa vida, em nosso tempo, com ou sem amea\u00e7a do coronav\u00edrus, para sermos tamb\u00e9m suas testemunhas (Lc 24, 48; Jo 20, 18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O evangelho da Vig\u00edlia pascal (cf. Mt 28, 1-10), como igualmente outros textos que narram a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, revelam um misto de temor e de alegria nos diversos personagens que vivem os acontecimentos pascais. As cenas da ressurrei\u00e7\u00e3o eram bonitas demais para quem vivera a tristeza e a frustra\u00e7\u00e3o da morte daquele que causara tanta esperan\u00e7a; poderia ser um sonho, uma ilus\u00e3o: \u201c\u00c9 um temor misturado com alegria: a alegria de ver Jesus ainda vivo, ali\u00e1s, transfigurado na sua vida nova, mas tamb\u00e9m o medo de que seja tudo uma ilus\u00e3o\u201d (Castellucci E., Com Temor e Grande Alegria, in O P\u00e3o Nosso de Cada Dia, abril de 2020, p. 64).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta \u00e9 tamb\u00e9m a grande aposta da f\u00e9 crist\u00e3: crer no Ressuscitado n\u00e3o \u00e9 uma ilus\u00e3o, mas a garantia da vit\u00f3ria da vida sobre a morte, do perd\u00e3o sobre o pecado, da luz sobre as trevas. A f\u00e9 no Ressuscitado supera a triste e tr\u00e1gica conclus\u00e3o sobre o sem-sentido da vida, como do fil\u00f3sofo Jean Paul Sartre, ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra Mundial: \u201cA vida \u00e9 uma paix\u00e3o in\u00fatil\u201d. Em tempos de coronav\u00edrus, novos ateus podem despontar com frases semelhantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No evangelho, a alegria prevalece sobre o temor, mesmo que a f\u00e9 no Ressuscitado n\u00e3o cancele totalmente os medos e os sofrimentos em nossa vida, mas impede que fiquemos esmagados por eles. Seja esta tamb\u00e9m a nossa for\u00e7a, neste momento hist\u00f3rico que vivemos, em que a f\u00e9 n\u00e3o deixa que sejamos derrotados. Se Cristo ressuscitou, ent\u00e3o n\u00e3o existe nenhuma morte ou outra situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil que n\u00e3o possa tornar-se ponte para a vida eterna. N\u00e3o encontramos apenas sinais de vida nas alegrias, no bem-estar e quando tudo vai bem, mas tamb\u00e9m os percebemos nos medos e nas fadigas, no sofrimento e nas amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade. A Ressurrei\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou um raio de luz tamb\u00e9m sobres as trevas mais densas da vida humana. Assim como \u00e0s mulheres de Jerusal\u00e9m e aos ap\u00f3stolos nos \u00e9 dada a boa not\u00edcia: \u201cN\u00e3o tenhais medo, Ele ressuscitou\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 dentro desse esp\u00edrito, cheio de esperan\u00e7a e de sentido para todas as situa\u00e7\u00f5es de nossa vida, que desejamos aos leitores e ouvintes aben\u00e7oado e feliz tempo pascal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul Caros diocesanos. Continuamos a viver a P\u00e1scoa, mist\u00e9rio central de nossa vida crist\u00e3. A palavra P\u00e1scoa significa passagem: passagem da morte de Jesus para a vida nova da ressurrei\u00e7\u00e3o. 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