{"id":237446,"date":"2020-04-18T09:00:10","date_gmt":"2020-04-18T12:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=237446"},"modified":"2020-09-08T14:09:50","modified_gmt":"2020-09-08T17:09:50","slug":"a-pandemia-e-suas-licoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-pandemia-e-suas-licoes\/","title":{"rendered":"A pandemia e suas li\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo Metropolitano de Montes Claros<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nas \u00faltimas semanas algumas palavras come\u00e7aram a fazer parte do vocabul\u00e1rio de quase todos. Fala-se, repetidamente, de pandemia, coronav\u00edrus, isolamento, aglomera\u00e7\u00e3o, higieniza\u00e7\u00e3o, \u00e1lcool gel, m\u00e1scara, respiradores, UTIs, EPIs&#8230; Talvez o voc\u00e1bulo \u201cpandemia\u201d seja o que melhor descreve em sua etimologia o que estamos a viver. Sua origem \u00e9 do grego \u201cpan\u201d (tudo, todos) + \u201cdemos\u201d (povo). Diz respeito a uma doen\u00e7a infecciosa que se espalha entre a popula\u00e7\u00e3o de uma grande regi\u00e3o geogr\u00e1fica ou, at\u00e9 mesmo, de todo o planeta. Foi no dia 11 de mar\u00e7o do corrente ano que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade \u2013 OMS \u2013 declarou pandemia do novo coronav\u00edrus, quando casos j\u00e1 estavam identificados em 100 pa\u00edses e o Brasil registrava o n\u00famero pequeno de 98 casos e nenhuma morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os dias seguintes impuseram nova rotina aos brasileiros, ante a indica\u00e7\u00e3o de isolamento social. Governantes de diferentes esferas passaram a emitir decretos. Logo o assunto tomou conta dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e, entre pol\u00eamicas, incertezas, estat\u00edsticas e fatos, todos nos vimos sob a mesma inesperada e furibunda tempestade. Essa foi uma met\u00e1fora utilizada pelo Papa Francisco durante o Momento Extraordin\u00e1rio de Ora\u00e7\u00e3o em Tempo de Pandemia, no dia 27 de mar\u00e7o, quando sozinho na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, ap\u00f3s a leitura do evangelho em que Jesus acalma a tempestade, fez uma inigual\u00e1vel homilia. Ele disse: \u201cA tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e sup\u00e9rfluas seguran\u00e7as com que constru\u00edmos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos h\u00e1bitos e prioridades\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os dias v\u00e3o se passando. Os pa\u00edses primeiramente atingidos come\u00e7am a dar sinais de supera\u00e7\u00e3o da pandemia. No Brasil ainda n\u00e3o se prev\u00ea com clareza quando ser\u00e1 o pico. Mas as perdas de vidas e de recursos s\u00e3o ineg\u00e1veis. Urge contabilizar n\u00e3o apenas o n\u00famero de casos suspeitos, de infectados, de curados e de \u00f3bitos. \u00c9 tanto urgente, tamb\u00e9m, come\u00e7ar a repensar como lidamos com nossas vulnerabilidades pessoais e sociais. Nossa vida p\u00f3s-pandemia precisar\u00e1 ser diferente. Do contr\u00e1rio, perderemos a oportunidade de aprender com a hist\u00f3ria dos recentes acontecimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tomo a liberdade de indicar duas mudan\u00e7as necess\u00e1rias. A primeira se refere ao ritmo fren\u00e9tico de nossas vidas, agitadas pela possibilidade de nos deslocarmos com mais rapidez e, por isso, acumularmos nossas agendas com um n\u00famero exagerado de compromissos, impondo-nos um ritmo de rali em meio \u00e0 necessidade de cuidar da fam\u00edlia, das rela\u00e7\u00f5es e da pr\u00f3pria sa\u00fade. Ter de parar, de interromper viagens de trabalho ou de lazer, de deixar o carro na garagem, de permanecer em casa, de ver o tempo passar no mesmo ritmo de sempre, nos fez ver que h\u00e1 um modo diferente de lidar com o decorrer dos dias e das horas. Da mesma forma, ter de isolar-se para evitar o cont\u00e1gio nos imp\u00f4s um olhar distanciado de cada pessoa que amamos e descobrimos que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1vamos cuidando do outro com a ternura que todo cora\u00e7\u00e3o tem para oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A segunda mudan\u00e7a \u00e9 a favor de uma vida mais simples. Esses dias t\u00eam mostrado que \u00e9 poss\u00edvel viver de modo mais austero, compartilhar dos trabalhos dom\u00e9sticos, malhar menos, consumir menos, vestir-se de modo mais s\u00f3brio, ser mais solid\u00e1rio, ter tempo para as amizades mais antigas, para apreciar o sil\u00eancio e, tamb\u00e9m, cuidar da vida espiritual. Vamos aprender j\u00e1. Que outra pandemia n\u00e3o venha nos parar no futuro sem termos aprendido essas li\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva Arcebispo Metropolitano de Montes Claros Nas \u00faltimas semanas algumas palavras come\u00e7aram a fazer parte do vocabul\u00e1rio de quase todos. 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