{"id":238128,"date":"2020-05-05T12:12:35","date_gmt":"2020-05-05T15:12:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=238128"},"modified":"2020-09-08T14:09:26","modified_gmt":"2020-09-08T17:09:26","slug":"auxiliadora-dos-cristaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/auxiliadora-dos-cristaos\/","title":{"rendered":"Auxiliadora dos crist\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Jos\u00e9 Francisco Rezende Dias<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Niter\u00f3i<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 de hoje que Nossa Senhora se faz presente em muitos dos apuros humanos. Alguns exemplos importados dos fatos presentificam esse aux\u00edlio, inconfund\u00edvel, incontest\u00e1vel, jamais, deixado na franja da grande Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Lepanto e Fontainebleau s\u00e3o apenas dois desses nomes, duas evoca\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. Para quem n\u00e3o cr\u00ea, nenhuma evid\u00eancia \u00e9 suficiente. Mas para quem acredita, como \u00e9 bom abrir o \u00e1lbum de fotografias de nossa fam\u00edlia religiosa e constatar, admirado: Parece que eu estava l\u00e1!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na tarde de 7 de outubro de 1571, quando as duas for\u00e7as colidiram, navios batendo uns nos outros, homens armados trocando de embarca\u00e7\u00f5es, arcabuzes e canh\u00f5es disparando, foi o caos. Naquela tarde, ao final da batalha, doze mil escravos crist\u00e3os foram libertados, mas outros sete mil padeceram. Numa guerra, n\u00e3o h\u00e1 vencedores: todos perdem. Apesar disso, a Batalha de Lepanto teve um impacto espiritual importante para o catolicismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa Pio V enxergava o crescimento Otomano como um risco ao povo e \u00e0 liberdade religiosa. Antes da batalha, ele insistiu para que todos os soldados fizessem jejum e ora\u00e7\u00e3o, se confessassem e comungassem \u2013 em cada navio havia um padre. Ao final da batalha, a centenas de quil\u00f4metros, em Roma, o Papa, no mesmo instante, parou o que fazia, se levantou e deu gra\u00e7as a Deus pela vit\u00f3ria dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 um grande erro considerar um fato hist\u00f3rico fora do seu contexto. No contexto da \u00e9poca, n\u00e3o havia o que fazer. Eles n\u00e3o estavam lidando com religi\u00f5es, cat\u00f3licos versus mu\u00e7ulmanos, mas com planos de preservar ou destruir uma civiliza\u00e7\u00e3o que, se n\u00e3o foi a melhor, foi a poss\u00edvel, levando-se em conta a extrema capacidade humana de destrui\u00e7\u00e3o. Uma religi\u00e3o que pregava o amor ao pr\u00f3ximo, pode n\u00e3o ter sido a melhor em suas estrat\u00e9gias, mas, sem d\u00favida, n\u00e3o esteve entre as piores em seu prop\u00f3sito e arcabou\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa pediu que os soldados levassem o santo Ros\u00e1rio como a arma mais forte. A Europa estremecida via em risco a civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e a religi\u00e3o cat\u00f3lica, que tanto sangue havia custado dos m\u00e1rtires. Em Lepanto, os soldados receberam a Eucaristia e partiram para a batalha, invocando Maria, Auxiliadora dos Crist\u00e3os. E ela esteve presente. No mar da Gr\u00e9cia, em 1571, mostrou-se a grande Auxiliadora, durante a milagrosa vit\u00f3ria da esquadra crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No dia 7 de outubro, as for\u00e7as crist\u00e3s eram minoria. Tr\u00eas horas de combate e a vit\u00f3ria coube aos crist\u00e3os, que ao grito de \u201cViva Maria\u201d, hastearam a bandeira de Cristo. Quis o Papa demonstrar sua gratid\u00e3o \u00e0 M\u00e3e da Igreja, incluindo na Ladainha a invoca\u00e7\u00e3o, \u201cAuxiliadora dos Crist\u00e3os, rogai por n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A festa lit\u00fargica de Nossa Senhora Auxiliadora foi obra de outro Papa, Pio VII, em 1816. Napole\u00e3o, imperador da Fran\u00e7a, mantinha o Papa preso em Fontainebleau. Para n\u00e3o vacilar, Pio VII recorreu \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, prometendo-lhe, assim que fosse libertado, coroar Sua imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Napole\u00e3o perdeu o trono, e acabou prisioneiro na mesma pris\u00e3o onde estivera o Papa. Enfim libertado, o Papa cumpriu seu voto, coroando a imagem de Nossa Senhora. Em agradecimento \u00e0 Maria, instituiu a festa de Nossa Senhora, no dia de seu retorno a Roma, 24 de maio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o tantas as hist\u00f3rias envolvendo a presen\u00e7a materna de Maria na Igreja e no mundo, que nem h\u00e1 como cont\u00e1-las todas. Um pouco de cada vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essas hist\u00f3rias todas fazem parte do nosso \u00e1lbum de f\u00e9, que nos incentiva a coragem. O que caracteriza um ap\u00f3stolo, homem ou mulher de f\u00e9, \u00e9 a \u00edntima conex\u00e3o entre o que cr\u00ea e o que prega. O ap\u00f3stolo cr\u00ea para pregar e prega para crer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que caracteriza o profeta \u00e9 a \u00edntima conex\u00e3o entre o que ele v\u00ea \u00e9 o que ele prega. O profeta nem sempre v\u00ea primeiro para pregar depois. \u00c0s vezes, ele v\u00ea enquanto prega, \u00e0s vezes, prega enquanto v\u00ea, v\u00ea para pregar ou prega para ver. Essa ordem dos fatores, realmente, n\u00e3o altera o resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que caracteriza um santo n\u00e3o \u00e9 a vis\u00e3o ou a prega\u00e7\u00e3o, mas a coer\u00eancia entre todos os fatores. O santo \u00e9 um ser de coer\u00eancia: nada passa, nada falta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que caracteriza a vida de todos \u00e9 a coragem de continuar, enquanto outros recuam. H\u00e1 muito Lepanto e Fontainebleau do nosso lado, na nossa rua, onde trabalhamos, quem sabe at\u00e9, dentro de nossa casa. Enquanto n\u00e3o alicer\u00e7armos nossa coragem no terreno da f\u00e9, enquanto n\u00e3o olharmos para cima, todo terreno ser\u00e1 inseguro, toda certeza, minada, toda batalha, previamente, perdida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando enxergamos as pessoas cobertas de m\u00e1scaras, o medo do cont\u00e1gio estampado nos olhares, o distanciamento, percebemos que Lepanto e Fontainebleau podem ser aqui, tamb\u00e9m. H\u00e1 batalhas que n\u00e3o s\u00e3o travadas no campo de guerra. H\u00e1 inimigos invis\u00edveis que n\u00e3o sabemos onde est\u00e1 e quase nos levam ao desespero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nunca deixemos que o medo assuma o nosso lugar. O medo n\u00e3o nos representa. Quem nos representa \u00e9 quem nos apresenta: Maria, M\u00e3e de Deus e nossa. Pe\u00e7amos a ela, constantemente, que aben\u00e7oe nossos m\u00e9dicos e enfermeiros, nessa luta insana, por\u00e9m, determinada pelos princ\u00edpios da ci\u00eancia. Acreditamos que a epidemia n\u00e3o ter\u00e1 a \u00faltima palavra. A f\u00e9 n\u00e3o diz \u00e0 ci\u00eancia o que ela deve ser, mas lhe d\u00e1 a for\u00e7a necess\u00e1ria para ser o que \u00e9 e desempenhar bem o seu papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pe\u00e7amos \u00e0 nossa copadroeira, a M\u00e3e Auxiliadora, que esmagou a serpente e venceu batalhas por n\u00f3s, e ainda continua vencendo ao nosso lado, que jamais nos permita desanimar, especialmente nestes tempos dif\u00edceis de pandemia. Que ela nos mostre, sol\u00edcita, a Face de Seu Filho Jesus, em quem nossa alma encontra repouso. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;    \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jos\u00e9 Francisco Rezende Dias Arcebispo de Niter\u00f3i N\u00e3o \u00e9 de hoje que Nossa Senhora se faz presente em muitos dos apuros humanos. Alguns exemplos importados dos fatos presentificam esse aux\u00edlio, inconfund\u00edvel, incontest\u00e1vel, jamais, deixado na franja da grande Hist\u00f3ria. Lepanto e Fontainebleau s\u00e3o apenas dois desses nomes, duas evoca\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. Para quem n\u00e3o cr\u00ea, &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/auxiliadora-dos-cristaos\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Auxiliadora dos crist\u00e3os<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/238128"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=238128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/238128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=238128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=238128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=238128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}