{"id":238290,"date":"2020-05-06T11:06:14","date_gmt":"2020-05-06T14:06:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=238290"},"modified":"2020-09-08T14:09:26","modified_gmt":"2020-09-08T17:09:26","slug":"bendito-e-o-fruto-de-teu-ventre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/bendito-e-o-fruto-de-teu-ventre\/","title":{"rendered":"Bendito \u00e9 o fruto de teu ventre!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><span style=\"color: #000000\">Dom Antonio de Assis Ribeiro<\/span><\/strong><br \/>\n<strong><span style=\"color: #000000\">Bispo auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Maternidade \u00e9 Dom de Deus e Responsabilidade humana!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No pr\u00f3ximo domingo celebraremos o dia das M\u00e3es. \u00c9 uma data muito significativa para toda a nossa sociedade. No forte carinho e admira\u00e7\u00e3o que temos para com as nossas m\u00e3es, est\u00e1 impl\u00edcito a saudade do \u00fatero materno que nos gerou e um vivo sentimento de gratid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas essa data constitui tamb\u00e9m uma ocasi\u00e3o para o aprofundamento do sentido da maternidade, suas virtudes e a beleza das suas express\u00f5es. Gostaria de lhe oferecer neste texto uma breve reflex\u00e3o sobre a maternidade na Sagrada Escritura.<\/p>\n<p><strong>A maternidade e a paternidade na B\u00edblia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em toda a Sagrada Escritura, apesar do patriarcalismo e do machismo presente em alguns contextos, a figura da paternidade e da maternidade caminham juntas. Por exemplo, no livro do Eclesi\u00e1stico temos um cap\u00edtulo inteiro, o terceiro, sobre esse bin\u00f4mio insepar\u00e1vel. Paternidade e maternidade se enriquecem reciprocamente pelas mesmas virtudes e devem ser reconhecidas e honradas com igual teor e dignidade pelos filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos livros sapienciais (J\u00f3, Salmos, Prov\u00e9rbios, Eclesiastes, C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos, Sabedoria e Eclesi\u00e1stico) \u00e9 admir\u00e1vel a abund\u00e2ncia de li\u00e7\u00f5es de vida no que diz respeito aos deveres da paternidade e da maternidade e a honrosa rela\u00e7\u00e3o dos filhos para com seus pais. Muito al\u00e9m dos livros sapienciais, que refor\u00e7am a pr\u00e1tica das virtudes, a maternidade na b\u00edblia, em especial, \u00e9 apresentada como Dom de Deus da qual decorre uma s\u00e9ria responsabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O ponto alto da exalta\u00e7\u00e3o da maternidade acontece com a encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus. Foi num \u00fatero materno que o Filho de Deus assumiu a forma humana. Assim o \u00fatero da m\u00e3e de Jesus tornou-se o sacr\u00e1rio vivo do Senhor da Vida.<\/p>\n<p><strong>A maternidade Dom de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na b\u00edblia \u00e9 insistentemente afirmada a maternidade como dom de Deus! Sem a fecundidade que vem de Deus, a mulher permanece vergonhosamente est\u00e9ril causando-lhe grande sofrimento (cf. Gn 16,2;17,15;30,2; 1Sam 1,8). Dessa forma a maternidade \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o: dom de Deus e responsabilidade da mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sendo a maternidade fruto da Provid\u00eancia Divina, \u00e9 universalmente dada \u00e0s mulheres em todas as condi\u00e7\u00f5es e status, pois para Deus nada \u00e9 imposs\u00edvel (cf. Gn 18,14; Jr 32,27; Lc 1,37). Por ser a maternidade dom de Deus, ficam gr\u00e1vidas idosas, est\u00e9reis, escravas e at\u00e9 uma virgem. Ficam gr\u00e1vidas: Sara esposa de Abra\u00e3o e Isabel, esposa de Zacarias (m\u00e3e de Jo\u00e3o Batista), ambas idosas e est\u00e9reis (cf. Gn 18,1-15; Lc 1,7.24); Ana, tamb\u00e9m est\u00e9ril, m\u00e3e do profeta e sacerdote Samuel (cf. Sam 1,1-23); Agar (escrava eg\u00edpcia que servia a Sara, esposa de Abr\u00e3o (cf. Gn 16,15); Tamar que era prostituta (cf. Gn 38,24);\u00a0 e a virgem Maria, a m\u00e3e de Jesus (cf. Mt 1,22-25). Esse \u00e9 o \u00fanico caso de maternidade totalmente excepcional por se tratar de uma virgem que engravida sem ter rela\u00e7\u00f5es sexuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Chama-nos muito a aten\u00e7\u00e3o as palavras de uma santa m\u00e3e judia que, sofrendo dura persegui\u00e7\u00e3o por n\u00e3o negar sua religi\u00e3o, luta pela fidelidade religiosa de seus filhos. Para eles declara com firmeza e f\u00e9 o mist\u00e9rio da sua maternidade dizendo-lhes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00abN\u00e3o sei como voc\u00eas apareceram no meu ventre. N\u00e3o fui eu que dei a voc\u00eas o esp\u00edrito e a vida, nem fui eu que dei forma aos membros de cada um de voc\u00eas. Foi o Criador do mundo, que modela a humanidade e determina a origem de tudo\u00bb (2Mac 7,22-23 \u2013 Leia todo o cap\u00edtulo, \u00e9 lindo!).<\/p>\n<p><strong>A maternidade gera<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Destaque especial e simb\u00f3lico \u00e9 dado ao ventre materno (\u00fatero); \u00e9 o nosso primeiro ambiente de vida, nele fomos formados, sustentados, dele todos sa\u00edmos e para l\u00e1 n\u00e3o voltamos mais (cf. J\u00f3 1,21; Jo 3,11; J\u00f3 31,15; cf. Sl 138,13; Ecl 5,14; Sb 7,1; Sl 71,6; Jr 1,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por vontade divina, o \u00fatero \u00e9 o n\u00facleo mais \u00edntimo da maternidade, casa que nos acolheu e formou por nove meses e do qual jamais conseguimos psicologicamente nos afastar. \u00c9 da\u00ed que vem a sacralidade da maternidade biol\u00f3gica!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Do ventre materno, ambiente de guarda e de aconchego, brota na m\u00e3e o instinto do cuidado, do amparo, da prote\u00e7\u00e3o. O ventre materno \u00e9 sagrado porque a vida \u00e9 dom de Deus. Eis o que o anjo Gabriel disse a Maria: \u201cbendito \u00e9 o fruto de teu ventre\u201d (Lc 1,42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todo fruto do ventre \u00e9 bendito, sacro, digno de ser amado, protegido, amparado! A vida \u00e9 sagrada, dom de Deus! O ventre materno \u00e9 o lugar da primeira consagra\u00e7\u00e3o come\u00e7ando nossa exist\u00eancia, onde j\u00e1 somos amados e queridos (cf. Eclo 49,7; Jr 1,5).<\/p>\n<p><strong>A maternidade alimenta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O \u00fatero que gera, compromete os seios que devem amamentar aquele que foi gerado. Gera\u00e7\u00e3o e cuidado s\u00e3o insepar\u00e1veis e, dessa forma, se amplia a voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o da maternidade. A maternidade \u00e9 fonte de abund\u00e2ncia, generosidade e saciedade atrav\u00e9s do ato de amamentar dando manuten\u00e7\u00e3o \u00e0 vida gerada (cf. J\u00f3 38,8; Ct 8,1). Amamentar \u00e9 um dom de Deus e responsabilidade do ser m\u00e3e (cf. Sl 22,10-11). O peito materno \u00e9 fonte de vida (cf. J\u00f3 24,9)&#8230; O rega\u00e7o materno \u00e9 sempre ambiente protetor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Amamentar \u00e9 dar-se, entregar-se, nutrir o novo ser gerado em si mesmo! Dessa forma, o leite materno n\u00e3o tem somente um significado material, mas um \u00edntimo sentido comunicativo de afeto e intimidade entre m\u00e3e e filho! \u00c9 por isso que crian\u00e7as bem amamentadas crescem sadiamente, com mais robustez f\u00edsica e vigor psicol\u00f3gico!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A maternidade tamb\u00e9m se estende para quem alimenta e cuida, mesmo sem ter gerado biologicamente. \u00c9 assim o caso das m\u00e3es adotivas (s\u00e3o muitas!), m\u00e3es de cora\u00e7\u00e3o! Foi assim que aconteceu com Mois\u00e9s! Uma, foi aquela que o gerou, e outra quem dele cuidou, amamentou, protegeu, educou! (cf. Ex 2,1-10; Nm 26,59).<\/p>\n<p><strong>A maternidade educa! <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os horizontes da experi\u00eancia da maternidade, na perspectiva b\u00edblica, s\u00e3o vastos! A m\u00e3e que gera \u00e9 a mesma que deve alimentar e educar! N\u00e3o basta o leite material! A s\u00e1bia m\u00e3e deve tamb\u00e9m proporcionar a seus filhos o leite da sabedoria, o leite do ensino, o leite da educa\u00e7\u00e3o, o leite do treinamento \u00e0 pr\u00e1tica das virtudes (educa\u00e7\u00e3o moral), caso contr\u00e1rio, ter\u00e1 maldi\u00e7\u00e3o (cf. Pr 1,8; 6,20;30,17;31,1; Eclo 3,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mais uma vez recorramos a outros vers\u00edculos do discurso daquela m\u00e3e perseguida. Veja sua consci\u00eancia de maternidade que educa, anima e promove a f\u00e9 do seu filho com impressionante firmeza e lucidez: \u00abMeu filho, tenha d\u00f3 de mim! Eu carreguei voc\u00ea no meu ventre durante nove meses. Eu amamentei voc\u00ea por tr\u00eas anos. Eduquei, criei e tratei voc\u00ea at\u00e9 esta idade! Meu filho, eu lhe imploro: olhe o c\u00e9u e a terra, e observe tudo o que neles existe. Deus criou tudo isso do nada, e a humanidade teve a mesma origem\u00bb (2Mac 7,27-29). Ela \u00e9 M\u00e3e, Educadora, testemunha de F\u00e9 e Catequista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tendo sido gerado, alimentado, educado, o filho por sua vez, deve reconhecer a autoridade de sua m\u00e3e e honr\u00e1-la generosamente (cf. Eclo 3,1-17). \u00c9 insensato, desonrado e infame o filho que n\u00e3o honra (ama, respeita) sua m\u00e3e (cf. Pr 15,20; Pr 19,26), causando-lhe, com sua rebeldia e dureza, sofrimento e amargura (cf. Pr 17,25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao contr\u00e1rio, reconhecendo a grandeza de sua m\u00e3e, simplesmente por estar nas origens de sua vida, sempre a honra, jamais a despreza e cuida dela na velhice (cf. Pr 23,22; Eclo 3,12-13). \u00c9 gratid\u00e3o, f\u00e9, reconhecimento, sabedoria, justi\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o poder\u00edamos deixar de mencionar alguns gestos da maternidade de Maria, a m\u00e3e de Jesus, a mais extraordin\u00e1ria de todas as m\u00e3es. Ela acolheu a maternidade como dom de Deus (cf. Lc 1,38), deu \u00e0 luz a seu filho num ambiente de pobreza extrema, mas o confortou com seu terno cuidado (cf. Lc 2,6-7); acompanhou-o em suas perip\u00e9cias de adolescente respeitando sua paix\u00e3o por Deus-Pai (cf. Lc 2,41-50), seguiu-o como adulto providenciando-lhe o que esteve ao seu alcance (cf. Lc 8,1-5) e testemunhou sua fidelidade materna at\u00e9 os \u00faltimos e dram\u00e1ticos momentos de vida (cf. Jo 19,25-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A humanidade ser\u00e1 salva pela sua maternidade (cf. 1Tm 2,15): met\u00e1fora do cuidado, do zelo, da generosidade&#8230; Feliz de quem tem ou teve m\u00e3e! Feliz da m\u00e3e que faz e fez a experi\u00eancia da Maternidade! Parab\u00e9ns, a todas as M\u00c3ES!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>PARA REFLEX\u00c3O PESSOAL:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify\">Quais as principais virtudes da sua m\u00e3e?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">Por que a maternidade e paternidade s\u00e3o insepar\u00e1veis?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\">Quais atitudes lhe parecem mais significativas da maternidade de Maria, a m\u00e3e de Jesus?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;    \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Antonio de Assis Ribeiro Bispo auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 &nbsp; A Maternidade \u00e9 Dom de Deus e Responsabilidade humana! Introdu\u00e7\u00e3o No pr\u00f3ximo domingo celebraremos o dia das M\u00e3es. \u00c9 uma data muito significativa para toda a nossa sociedade. 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