{"id":238887,"date":"2020-05-16T14:00:25","date_gmt":"2020-05-16T17:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=238887"},"modified":"2020-05-16T14:00:25","modified_gmt":"2020-05-16T17:00:25","slug":"ecologia-integral-um-caminho-de-vida-e-de-cura-para-um-planeta-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/ecologia-integral-um-caminho-de-vida-e-de-cura-para-um-planeta-doente\/","title":{"rendered":"Ecologia Integral: um caminho de vida e de cura para um planeta doente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Na semana de comemora\u00e7\u00e3o dos cinco anos de publica\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica Laudato Si&#8217;, sobre o cuidado com a casa comum, do Papa Francisco, o presidente e o secret\u00e1rio da da Comiss\u00e3o Especial para a Ecologia Integral e Minera\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil, dom Sebasti\u00e3o Lima Duarte, bispo da Diocese de Caxias (MA) e dom Vicente de Paula Ferreira, bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG), prepararam um texto que fala sobre <strong>&#8220;Ecologia Integral: um caminho de vida e de cura para um planeta doente&#8221;.<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_203665\" aria-describedby=\"caption-attachment-203665\" style=\"width: 262px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/visita-Piquia-de-Baixo-Dom-Sebasti\u00e3o.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-203665\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/visita-Piquia-de-Baixo-Dom-Sebasti\u00e3o.png\" alt=\"\" width=\"262\" height=\"148\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-203665\" class=\"wp-caption-text\"><em>Dom Sebasti\u00e3o Lima Duarte | Foto: reprodu\u00e7\u00e3o\/Justi\u00e7a nos Trilhos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">No texto, os bispos destacam que 2020 vai \u00a0deixar uma marca definitiva na hist\u00f3ria da humanidade e do planeta Terra.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>&#8220;A pandemia do Covid 19, que dizimou tantas vidas humanas, afetou todos os ritmos e as din\u00e2micas de produ\u00e7\u00e3o, consumo, acumula\u00e7\u00e3o e desperd\u00edcio que marcaram a economia-mundo nos \u00faltimos s\u00e9culos. Aconteceu o que parecia imposs\u00edvel, parar a maquinaria produtiva&#8221;, destaca.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda no texto, os bispos ressaltam que a pandemia n\u00e3o \u00e9 um simples acidente de percurso na hist\u00f3ria socioambiental do nosso mundo globalizado e que os \u00faltimos 40 anos foram de aprofundamento da desigualdade relativa e mesmo, crescentemente, absoluta e citam um alerta do Papa Francisco.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u201c\u00c9 imposs\u00edvel sermos saud\u00e1veis em um planeta doente\u201d.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Leia o texto na \u00edntegra:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Ecologia Integral: um caminho de vida e de cura para um planeta doente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Li\u00e7\u00f5es e desafios da enc\u00edclica Laudato Si\u2019 depois de 5 anos de sua publica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Comiss\u00e3o Especial para a Ecologia Integral e Minera\u00e7\u00e3o \u2013 CNBB<\/em><\/p>\n<p>Estamos celebrando cinco anos da Laudato Si\u2019, enc\u00edclica de Papa Francisco que aborda a dimens\u00e3o socioambiental da f\u00e9 e da evangeliza\u00e7\u00e3o. Com a enc\u00edclica, a Igreja Universal entra no s\u00e9culo XXI assumindo, de forma apaixonada e comprometida, a defesa integral e integrada da cria\u00e7\u00e3o: prop\u00f5e a convers\u00e3o ecol\u00f3gica no relacionamento da humanidade com os demais seres criados. A Comiss\u00e3o Especial para a Ecologia Integral e Minera\u00e7\u00e3o, da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), participa das celebra\u00e7\u00f5es sobre a Laudato Si\u2019, que ser\u00e3o realizadas em diversas partes do mundo. Queremos celebrar, valorizar e aprender os caminhos que a Laudato Si\u2019 nos indica hoje, em comunh\u00e3o com a Igreja, com a Terra e com os pobres da terra.<\/p>\n<p>O ano de 2020 deixar\u00e1 uma marca definitiva na hist\u00f3ria da humanidade e do planeta Terra. A pandemia do Covid 19, que dizimou tantas vidas humanas, afetou todos os ritmos e as din\u00e2micas de produ\u00e7\u00e3o, consumo, acumula\u00e7\u00e3o e desperd\u00edcio que marcaram a economia-mundo nos \u00faltimos s\u00e9culos. Aconteceu o que parecia imposs\u00edvel, parar a maquinaria produtiva. Mas a pandemia n\u00e3o \u00e9 um simples acidente de percurso na hist\u00f3ria socioambiental do nosso mundo globalizado. Ela \u00e9 o resultado de um conjunto de op\u00e7\u00f5es feitas ao longo dos \u00faltimos anos, que vulnerabilizam os corpos humanos, com alimentos cada vez mais processados e dependentes do uso intensivo de agrot\u00f3xicos e pesticidas, conectadas a um modo de produ\u00e7\u00e3o e consumo que desmata, polui e aquece o planeta, que tamb\u00e9m empobrece uma parte crescente da humanidade.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos 40 anos foram de aprofundamento da desigualdade relativa e mesmo, crescentemente, absoluta. Os pobres n\u00e3o ficaram apenas mais pobres em rela\u00e7\u00e3o aos ricos, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a eles mesmos no passado. O combate \u00e0 fome, que vinha diminuindo-a ate 2014, perdeu sua for\u00e7a por tr\u00eas anos consecutivos (2017-2019),\u00a0 est\u00e1 agora de volta ao n\u00edvel de 2011. Com isso, o drama da fome deve aumentar tremendamente nos pr\u00f3ximos meses, em fun\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica que se avizinha. Relendo a Laudato Si\u2019 em tempos pand\u00eamicos, percebemos toda sua intensidade prof\u00e9tica. Como nos alertou o Papa Francisco: \u201c\u00c9 imposs\u00edvel sermos saud\u00e1veis em um planeta doente\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0O legado da enc\u00edclica<\/strong><\/p>\n<p>Na enc\u00edclica, o Papa Francisco convoca o mundo inteiro para reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es sobre o tema da Ecologia Integral: \u201ccom efeito, sabemos que toda a cria\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o presente, est\u00e1 gemendo como que em dores de parto\u201d (Rm 8, 22).<\/p>\n<p>Partindo de uma impactante vis\u00e3o da realidade, que aborda\u00a0o<strong>\u00a0<\/strong><strong>que est\u00e1 acontecendo com nossa casa comum:<\/strong>\u00a0polui\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, quest\u00e3o da \u00e1gua, grave perda da biodiversidade, revela que \u201choje, a an\u00e1lise dos problemas ambientais \u00e9 insepar\u00e1vel da an\u00e1lise dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos, e da rela\u00e7\u00e3o de cada pessoa consigo mesma, que gera um modo espec\u00edfico de se relacionar com os outros e com o meio ambiente\u201d (LS, 141).<\/p>\n<p><strong>No\u00a0Evangelho da Cria\u00e7\u00e3o<\/strong>,\u00a0Deus, que tudo criou por amor, deu ao ser humano a importante voca\u00e7\u00e3o de ser o guardi\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o. Lembrando que \u201ctudo est\u00e1 interligado. Por isso, exige-se uma preocupa\u00e7\u00e3o pelo meio ambiente, unida ao amor sincero pelos seres humanos e a um compromisso constante com os problemas da sociedade\u201d (LS, 91). Se faz necess\u00e1rio abordar o tema da cria\u00e7\u00e3o desde sua estreita rela\u00e7\u00e3o com a pessoa de Jesus Cristo, porque \u201cEle \u00e9 a imagem do Deus invis\u00edvel, o primog\u00eanito de toda a cria\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 nele que foram criadas todas as coisas, no c\u00e9u e na terra, os seres vis\u00edveis e os invis\u00edveis\u201d (Cl 1, 15-16).<\/p>\n<p><strong>A crise ecol\u00f3gica tem uma raiz humana,<\/strong>\u00a0manifestada no risco de irresponsabilidade diante da falta de padr\u00f5es \u00e9ticos que regulam o desenvolvimento. Assim, a nova cultura ecol\u00f3gica deve construir um paradigma diferente do atual modelo capitalista neoliberal, baseado nos avan\u00e7os da biotecnologia, da inform\u00e1tica e da biogen\u00e9tica, que imp\u00f5e sobre as culturas uma engenharia criminosa, erguida sobre um modelo extrativista predat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>A\u00a0ecologia integral\u00a0<\/strong>nos ensina que tudo est\u00e1 interligado na casa comum. De modo que \u201cn\u00e3o h\u00e1 duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma \u00fanica e complexa crise s\u00f3cio-ambiental\u201d (LS, n. 139). \u00c9 urgente uma convers\u00e3o ecol\u00f3gica que seja capaz de construir uma nova cultura, pautada na vida integral dos seres humanos e do meio ambiente. Para isso, o princ\u00edpio do bem comum e da solidariedade torna-se o horizonte de constru\u00e7\u00e3o de uma nova civiliza\u00e7\u00e3o. Trata-se de um longo processo que deve contar com a colabora\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as pol\u00edticas e religiosas de todo mundo, envolvendo uma convers\u00e3o tanto individual quanto coletiva.<\/p>\n<p>Se fazem necess\u00e1rias <strong>linhas de orienta\u00e7\u00e3o e de a\u00e7\u00e3o para\u00a0<\/strong>mudar a cultura pautada no consumismo, a partir de di\u00e1logos no plano da pol\u00edtica internacional, nacional e local, promovendo uma economia que contribua para a defesa da dignidade da vida. Tamb\u00e9m a\u00ed, as religi\u00f5es t\u00eam importante contribui\u00e7\u00e3o e devem aprofundar seu debate com as ci\u00eancias e as artes.<\/p>\n<p>No plano da <strong>educa\u00e7\u00e3o e espiritualidade ecol\u00f3gica<\/strong>,\u00a0o Papa volta a nos lembrar a urg\u00eancia de passarmos de uma cultura baseada no consumismo para um estilo de vida orientada pelo princ\u00edpio do \u201cbem viver\u201d. Para tanto, a convers\u00e3o ecol\u00f3gica deve\u00a0envolver inst\u00e2ncias como educa\u00e7\u00e3o e a fam\u00edlia, apontando para o mist\u00e9rio da Trindade enquanto mist\u00e9rio de comunh\u00e3o que nos criou para a fraternidade. \u201cNa verdade, a pessoa humana cresce, amadurece e santifica-se tanto mais, quanto mais se relaciona, sai de si mesma para viver em comunh\u00e3o com Deus, com os outros e com todas as criaturas. Assim assume na pr\u00f3pria exist\u00eancia aquele dinamismo trinit\u00e1rio que Deus imprimiu nela desde a sua cria\u00e7\u00e3o. Tudo est\u00e1 interligado, e isto convida-nos a maturar uma espiritualidade da solidariedade global que brota do mist\u00e9rio da Trindade\u201d (LS, n. 240). O Papa Francisco conclui sua enc\u00edclica exaltando Maria como M\u00e3e e Rainha de todas as coisas criadas.<\/p>\n<p>O documento Querida Amaz\u00f4nia, sobre o grande trabalho do S\u00ednodo, reflete a continuidade e a urg\u00eancia de levar a s\u00e9rio a Laudato Si\u2019, n\u00e3o somente em \u00e2mbito eclesial, mas de igual modo nas responsabilidades pol\u00edticas de todas as na\u00e7\u00f5es para com o mundo que vivemos.<\/p>\n<p><strong>Um mundo adoecido<\/strong><\/p>\n<p>No ano de 2020, segundo muitos cientistas, confluem tr\u00eas crises estruturais, que se refor\u00e7am mutuamente e criam o que vem sendo chamado de \u201ctempestade perfeita\u201d. Assim, a pandemia se soma a um tecido econ\u00f4mico profundamente adoecido, de concentra\u00e7\u00e3o de riqueza para poucos e com um enorme potencial predat\u00f3rio. Um sistema ecocida e suicida, com corpos fr\u00e1geis e vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>A primeira crise \u00e9 a do aquecimento global. Os n\u00edveis de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, a que os pa\u00edses se comprometeram em Paris em 2015, ano de publica\u00e7\u00e3o da Enc\u00edclica, jamais foram cumpridos. Estamos muito pr\u00f3ximos ao ponto que os cientistas definem como uma \u201cmudan\u00e7a clim\u00e1tica desenfreada\u201d, um quadro com uma imprevisibilidade imensa, onde os pobres pagar\u00e3o o mais alto pre\u00e7o por uma realidade que eles n\u00e3o ajudaram a criar. Lembremos que os 10 % mais ricos do planeta emitem mais de 75% dos gases de efeito estufa!<\/p>\n<p>Aliada a esta, vivemos uma dram\u00e1tica crise da redu\u00e7\u00e3o de biodiversidade em todo o planeta. As taxas de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00e3o t\u00e3o altas, que os cientistas afirmam que vivemos a \u201csexta grande extin\u00e7\u00e3o\u201d. Neste contexto, com os biomas cada vez mais deteriorados, aumentam os riscos de que doen\u00e7as de origem animal, zoonoses, se transformem em pandemias como a que atravessamos agora, ou ainda mais graves.<\/p>\n<p>A terceira crise \u00e9 o adoecimento coletivo dos organismos, intoxicados pelos agrot\u00f3xicos e venenos do agroneg\u00f3cio. Vandana Shiva afirma que o paradigma da agricultura industrial nasceu da \u201cilus\u00e3o que as plantas e os animais s\u00e3o m\u00e1quinas para fabricar mat\u00e9rias primas que se convertem em combust\u00edveis para nossos corpos, que tamb\u00e9m s\u00e3o m\u00e1quinas\u201d.<\/p>\n<p>Uma dieta crescentemente carn\u00edvora, com aumento extensivo da cria\u00e7\u00e3o de gado e da produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o animal, \u00e9 a causa mais forte do desmatamento no Pa\u00eds. A Amaz\u00f4nia est\u00e1 chegando muito rapidamente ao ponto de n\u00e3o retorno, al\u00e9m do qual ser\u00e1 imposs\u00edvel impedir sua savaniza\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Apesar destas amea\u00e7as, os planos do lobby ruralista s\u00e3o perversos: apresentam-se ao Governo propostas e projetos de lei para uma reforma agr\u00e1ria a favor da concentra\u00e7\u00e3o de terras e da legaliza\u00e7\u00e3o de \u201cpropriedades\u201d conseguidas atrav\u00e9s da ocupa\u00e7\u00e3o ilegal de terras p\u00fablicas, especialmente na Amaz\u00f4nia, frequentemente atrav\u00e9s da pr\u00e1tica comum de incendiar e cercar \u00e1reas de floresta.<\/p>\n<p>Se \u201ctudo est\u00e1 interligado\u201d, tamb\u00e9m est\u00e1 tudo amea\u00e7ado pela mesma din\u00e2mica de produ\u00e7\u00e3o-acumula\u00e7\u00e3o-desperd\u00edcio. Os grandes donos do mundo j\u00e1 est\u00e3o planejando a volta a um normal que, se estiver entregue a sua l\u00f3gica, ser\u00e1 ainda mais devastador que antes.<\/p>\n<p>A sa\u00edda da \u201ccomplexa crise socioambiental\u201d em que estamos imersos n\u00e3o ser\u00e1 simples nem, necessariamente, positiva. Temos a obriga\u00e7\u00e3o moral, \u00e9tica e espiritual, de disputar o futuro, n\u00e3o permitindo que a l\u00f3gica extrativista, presente no cora\u00e7\u00e3o de todo este sistema, que se tornou \u201cnormal\u201d at\u00e9 aqui, volte a funcionar com toda a sua voracidade.<\/p>\n<p>Os fatos demonstram que, at\u00e9 agora, esta l\u00f3gica extrativista se imp\u00f4s sobre o bem-estar das comunidades: mesmo tendo acontecido em 2015 o crime ambiental de Mariana, com a morte de 19 pessoas e a contamina\u00e7\u00e3o da bacia do Rio Doce, o modelo mineiro n\u00e3o foi colocado em discuss\u00e3o, nem corrigido. Seguiu, com maior viol\u00eancia criminal, o desabamento da barragem da Mina do Feij\u00e3o, em Brumadinho, matando 272 pessoas e prejudicando o ecossistema da bacia do Rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o Governo parece apontar a perspectiva de retomada do vigor econ\u00f4mico flexibilizando ainda mais as leis ambientais e liberando a minera\u00e7\u00e3o nas terras ind\u00edgenas!<\/p>\n<p>Seja em rela\u00e7\u00e3o ao min\u00e9rio, ao petr\u00f3leo, \u00e0 \u00e1gua ou \u00e0s florestas, \u00e9 urgente passarmos a uma forma de vida p\u00f3s-extrativista, inclusive pela profecia de uma Igreja que ouse retirar seus investimentos financeiros de todo tipo de extrativismo predat\u00f3rio! Precisamos re-aprender a respeitar as din\u00e2micas metab\u00f3licas do planeta, o ritmo e os ciclos das \u00e1guas, das esta\u00e7\u00f5es, da vida.<\/p>\n<p>O Papa \u00e9 claro ao dizer que precisamos de uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o cultural\u201d e a nos indicar que a din\u00e2mica de convers\u00e3o \u00e9 exigente e profunda. Como pessoas e como Igreja, precisamos dar passos decisivos. \u201cAinda h\u00e1 tempo, nos diz Francisco, mas o tempo \u00e9 agora! \u201c<\/p>\n<p><strong>\u00a0Chamados \u00e0 convers\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nesses tempos de pandemia do Coronav\u00edrus, a humanidade foi obrigada a reduzir ou at\u00e9 cancelar grande parte de suas atividades econ\u00f4micas e sociais: f\u00e1bricas, com\u00e9rcio, transportes (inclusive avi\u00f5es), lazer, enfim, todo tipo de aglomera\u00e7\u00e3o ou evento que proporcione transmiss\u00e3o do v\u00edrus. O que se v\u00ea por todo o planeta chega a ser surpreendente: o ar ficou mais limpo em v\u00e1rias partes do mundo; \u00e1guas de rios est\u00e3o mais claras; o sil\u00eancio reina em grandes cidades; animais selvagens adentram livremente pelas ruas das cidades; ursos pescam salm\u00f5es em rios onde h\u00e1 d\u00e9cadas n\u00e3o pescavam; at\u00e9 os sism\u00f3grafos captam uma menor vibra\u00e7\u00e3o do planeta Terra.<\/p>\n<p>Essa parada da humanidade, diminuindo rapidamente a \u201crapidaci\u00f3n\u201d da sociedade, da qual fala o Papa Francisco (LS, 18), n\u00e3o veio por uma op\u00e7\u00e3o consciente, mas pela imposi\u00e7\u00e3o mortal de um v\u00edrus para o qual ainda n\u00e3o existe rem\u00e9dio ou vacina, a n\u00e3o ser adotar o isolamento social.<\/p>\n<p>Essa \u201cnova normalidade\u201d deveria ser o cotidiano permanente da humanidade. Ela indica que a velocidade humana ultrapassa a velocidade da natureza e a Terra pede uma quarentena, um sossego, um momento de paz para poder refazer suas for\u00e7as. &#8220;Essa economia mata\u201d, insiste Papa Francisco (EG, 53).<\/p>\n<p>V\u00e1rios setores da ci\u00eancia, ambientalistas, religiosos, militantes sociais j\u00e1 previam esses acontecimentos pela l\u00f3gica dos fatos, mas n\u00e3o eram ouvidos ou considerados. O mundo da economia pol\u00edtica n\u00e3o pode considerar essa realidade sem ter que mudar para uma nova economia.<\/p>\n<p><strong>Uma alian\u00e7a coletiva: a ecologia integral<\/strong><\/p>\n<p>O Papa nos chama para uma nova economia, \u201cuma economia com alma\u201d, que muda radicalmente a rela\u00e7\u00e3o da humanidade com a M\u00e3e Terra, numa convers\u00e3o ecol\u00f3gica que nos implique pessoal, familiar, comunit\u00e1ria e espiritualmente.<\/p>\n<p>Alguns a chamam de \u201cEconomia de Francisco e de Clara\u201d, que assume uma compreens\u00e3o circular dos processos produtivos e de consumo: \u201cbaseada no feminino, no c\u00edclico, na acolhida, no cuidado e no afeto, pressup\u00f5e uma transi\u00e7\u00e3o radical nos modos e nas formas de produ\u00e7\u00e3o linear, masculinizada, que imp\u00f4s uma vis\u00e3o de progresso baseada na extra\u00e7\u00e3o\u201d (Articula\u00e7\u00e3o Brasileira da Economia de Francisco.<\/p>\n<p>Podemos optar pela \u201csobriedade feliz\u201d, que nos libere do culto \u00e0 materialidade e da obsess\u00e3o do consumo, vivendo com abund\u00e2ncia de qualidade de vida, come\u00e7ando por nosso bairro, pela cidade onde moramos, pelo pa\u00eds que pertencemos, at\u00e9 chegar a uma consci\u00eancia global. Biologicamente somos todos interligados, como seres humanos, com todos os seres vivos e n\u00e3o vivos da Terra.<\/p>\n<p>No contexto extremamente fr\u00e1gil e desafiador do post-pandemia, n\u00e3o podemos permitir que, mais uma vez, a pol\u00edtica se submeta \u00e0 economia. Trata-se de redefinir o progresso, com estrat\u00e9gias de mudan\u00e7a de longo prazo, investimentos p\u00fablicos nos bens comuns da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, da preserva\u00e7\u00e3o dos biomas, das energias limpas.<\/p>\n<p>Precisamos fortalecer a iniciativa e o protagonismo das comunidades, porque \u201ca inst\u00e2ncia local pode fazer a diferen\u00e7a\u201d (LS 179), como h\u00e1 tempo acontece nas lutas concretas da economia solid\u00e1ria e da agroecologia, na defesa dos territ\u00f3rios\u00a0\u00a0ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, na recupera\u00e7\u00e3o de rios e nascentes, na capta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua de chuva para beber e produzir, na preserva\u00e7\u00e3o dos biomas e sua biodiversidade, na garantia de saneamento b\u00e1sico nas cidades&#8230;<\/p>\n<p>Finalmente, celebrar a Laudato Si\u2019 significa trazer suas den\u00fancias, sonhos, intui\u00e7\u00f5es e propostas para o cotidiano da vida lit\u00fargica e pastoral de nossa Igreja, numa continuidade fluida entre a forma\u00e7\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o e a celebra\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>A catequese e a inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3 podem se tornar uma descoberta emocionada da responsabilidade de cuidadores da Casa Comum, onde o Criador nos chama a vivenciar a \u201cfraternidade universal\u201d, em harmonia com todas as criaturas por Ele criadas e por Ele amadas. As juventudes, daqui em diante, est\u00e3o desafiadas e devem ser apoiadas a assumirem com criatividade a miss\u00e3o de pensar e construir iniciativas de promo\u00e7\u00e3o e defesa da vida em todas suas inst\u00e2ncias. As celebra\u00e7\u00f5es da Palavra e da Eucaristia se abririam a uma dimens\u00e3o c\u00f3smica de comunh\u00e3o com todas as criaturas, de escuta reverencial da voz e do grito da Terra e de seus povos, de resposta apaixonada \u00e0 miss\u00e3o, para que tudo tenha vida abundante.<\/p>\n<p>\u201cCaminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupa\u00e7\u00e3o por este planeta n\u00e3o nos tirem a alegria da esperan\u00e7a\u201d (LS 244).<\/p>\n<p>Em maio de 2020,<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><a href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/sebastiao.png\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-238894\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/sebastiao.png\" alt=\"\" width=\"507\" height=\"109\" srcset=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/sebastiao.png 610w, https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/sebastiao-300x64.png 300w, https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/sebastiao-500x107.png 500w\" sizes=\"(max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Dom Sebasti\u00e3o Lima Duarte<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Bispo da Diocese de Caxias \u2013 MA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Presidente da Comiss\u00e3o Especial para a Ecologia Integral e Minera\u00e7\u00e3o \u2013 CNBB<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/vicente.png\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-238895\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/vicente.png\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"91\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Dom Vicente de Paula Ferreira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Secret\u00e1rio da Comiss\u00e3o Especial para a Ecologia Integral e Minera\u00e7\u00e3o &#8211; CNBB<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o para Ecologia Integral e Minera\u00e7\u00e3o diz: &#8220;2020 vai deixar marca na hist\u00f3ria do planeta&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":221420,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[1616],"tags":[2592,1199,2114],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/238887"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=238887"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/238887\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/221420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=238887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=238887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=238887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}