{"id":239297,"date":"2020-05-22T14:41:54","date_gmt":"2020-05-22T17:41:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=239297"},"modified":"2020-09-08T14:08:57","modified_gmt":"2020-09-08T17:08:57","slug":"o-protocolo-como-estudar-em-tempo-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-protocolo-como-estudar-em-tempo-de-pandemia\/","title":{"rendered":"O protocolo: como estudar em tempo de pandemia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Pedro Brito Guimar\u00e3es<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Palmas \u2013 TO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>\u201cAo desembarcar, Jesus viu uma grande multid\u00e3o e encheu-se de compaix\u00e3o por eles, porque eram como ovelhas sem pastor; e come\u00e7ou a ensinar-lhes muitas coisas\u201d (Mc 6,34). <\/em><\/strong>Assim come\u00e7a a narrativa da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes. A uma multid\u00e3o, faminta e sedenta, Jesus, primeiramente, deu de comer o p\u00e3o da sabedoria. Sei muito bem o que significa estudar. O que mais fiz na minha vida foi estudar. E ainda hoje estudo. Nasci numa <em>\u201cEscola\u201d<\/em>. Nunca fiz curso on-line. Al\u00e9m de ser prazeroso, estudar \u00e9 tamb\u00e9m um trabalho minucioso, empenhativo e custoso. O estudo \u00e9 o trabalho di\u00e1rio de um seminarista. Os Semin\u00e1rios funcionam quase como uma esp\u00e9cie de <em>\u201cAcademia\u201d<\/em>: come\u00e7am quando come\u00e7am as aulas e terminam quando as aulas terminam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E agora, fechados, e os bancos dos Institutos vazios, o que fazer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O nosso cotidiano mudou ou mudar\u00e1, ainda que temporariamente. J\u00e1 n\u00e3o vivemos mais como viv\u00edamos h\u00e1 pouco mais de tr\u00eas meses. A pandemia desconsertou o mundo. Fala-se hoje que <em>\u201co estranho \u00e9 o novo normal\u201d. <\/em>O que isto significa? Como viver em um mundo estranho? E o que a atual situa\u00e7\u00e3o nos pede para mudar ou ressignificar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que n\u00e3o deve mudar \u00e9 a vontade de nos preparar, pelos estudos, para as novas oportunidades que surgir\u00e3o quando ultrapassarmos as curvas deste <em>tsumani.<\/em> Tempo de pandemia n\u00e3o \u00e9 tempo para se perder tempo. A situa\u00e7\u00e3o em que vivemos pode parecer a melhor fase da nossa vida para deixarmos de estudar. O sof\u00e1 pode parecer ser o melhor lugar da casa para estarmos ou sentarmos. Mas, \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. O melhor lugar para sentarmos \u00e9 no <em>\u201cBanco da Escola\u201d<\/em>. O estudo presencial ou on-line, ou remoto, ou virtual ou \u00e0 dist\u00e2ncia, como queiramos chamar, \u00e9 a chave que abre as portas que d\u00e3o acesso \u00e0s oportunidades do futuro. Um dia, esperamos que seja logo, haver\u00e1 um depois, um p\u00f3s-pandemia. E o que fazer? Estudar \u00e9 investir em n\u00f3s mesmos. Tudo na vida \u00e9 movido por motiva\u00e7\u00e3o. Sem motiva\u00e7\u00e3o n\u00e3o se chega a lugar nenhum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eis, pois, dez singelas, mas valiosas, sugest\u00f5es para o estudo remoto, em tempo de pandemia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>Saber manusear as redes sociais.<\/em><\/strong> Estamos quase todos isolados, social e eclesialmente. Um dos meios que temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o para nos comunicar \u00e9 a <em>Internet<\/em>. Confirmamos o que j\u00e1 sab\u00edamos, que o Brasil tem uma p\u00e9ssima cobertura de redes de <em>Internet<\/em>. Al\u00e9m de ruim, \u00e9 cara. Lembremos que os <em>mass medias<\/em> foram chamados de <strong><em>\u201cnovos are\u00f3pagos\u201d<\/em><\/strong> e de <strong><em>\u201caldeias globais\u201d<\/em><\/strong>, por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II (RM 12 e 37) e de <strong><em>\u201cdom de Deus\u201d<\/em><\/strong><em>, <\/em>pelo Papa Francisco<em>. <\/em>Temos que aprender a utiliz\u00e1-los para o bem, para a evangeliza\u00e7\u00e3o, inclusive, para estudar. Se h\u00e1 algo que podemos achar de \u201cpositivo\u201d, nesta pandemia, \u00e9 o que a f\u00e9 crist\u00e3 sempre nos ensinou: valorizar o tempo presente, o hoje, o cotidiano, o aqui e agora, como <em>kair\u00f3s<\/em>, e n\u00e3o simplesmente como <em>cronos,<\/em> para lamenta\u00e7\u00f5es e tristezas. Este tempo de pandemia \u00e9 ainda tempo de Deus. \u00c9 tempo para contemplarmos e lermos os sinais de Deus. Olhemos para a figueira preparada para a flora\u00e7\u00e3o (Mt 24,32-36) e para a est\u00e9ril (Mc 11,12-14), para os l\u00edrios do campo (Lc 12,27), para os p\u00e1ssaros do c\u00e9u (Mt 6,26) e para os campos, maduros para a colheita (Jo 4,35) e n\u00e3o simplesmente imitemos as crian\u00e7as sentadas nas pra\u00e7as (Lc 7,31-32). Quando eu era seminarista, aprendi a rezar a Liturgia das Horas, num Livro chamado de \u201cOra\u00e7\u00e3o do Tempo Presente\u201d. Chegou a hora de valorizarmos mais o tempo presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>Criar rotina de estudo.<\/em><\/strong> Significa: ter disciplina. N\u00e3o \u00e9 hora de deixarmos h\u00e1bitos e disciplinas para depois. N\u00e3o haver\u00e1 campainha para tocar, nem reitor ou diretor de estudos para monitorar e tutorar os seminaristas. \u00c9 hora do exerc\u00edcio do protagonismo. \u00c9 esta exatamente a hora do discernimento vocacional. Sugiro que se aplique o m\u00e9todo chamado de <em>\u201cpomodoro\u201d (tomate)<\/em> de estudos: estudar, por 20 minutos, sem distra\u00e7\u00e3o e, em seguida, fazer uma pausa de 5 minutos (sem redes sociais ou jogos, pois, dispersam a concentra\u00e7\u00e3o); depois mais 20 minutos de estudos e 5 de pausa; na quarta vez, faz-se uma pausa mais longa (15 a 30 minutos) e se recome\u00e7a o ciclo (para mais detalhes deste m\u00e9todo, pesquisar no Google).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>Fugir dos ru\u00eddos e das distra\u00e7\u00f5es.<\/em><\/strong> Estudar em casa, quando outros membros da fam\u00edlia est\u00e3o ocupados com outros afazeres, n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. \u00c9 um desafio. O que fazer para n\u00e3o transformar a casa em <em>\u201cescola?\u201d<\/em> \u00c9 preciso, ao menos, fazer um pacto com a fam\u00edlia para evitar as distra\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias. Veja como a m\u00e3e prepara as refei\u00e7\u00f5es. A sua aten\u00e7\u00e3o, as suas energias e os seus pensamentos est\u00e3o voltados para os seus instrumentos de trabalho: os alimentos, as panelas e o fog\u00e3o. Do contr\u00e1rio, a comida queima. Isto exige treinamentos mental, corporal e manual. Fugir das distra\u00e7\u00f5es \u00e9 estipular hor\u00e1rios e prioridades. Eu quase que diariamente fa\u00e7o exerc\u00edcios f\u00edsicos na esteira. Antes de come\u00e7ar, estipulo quanto tempo vou ficar em exerc\u00edcios. E pode doer o que doer, mantenho-me no acordado comigo mesmo. Costumo dizer que o infiel \u00e9 primeiramente infiel a si pr\u00f3prio. S\u00f3 depois \u00e9 infiel a outras pessoas. Como j\u00e1 dissemos, estipular pausas saud\u00e1veis para respirar, oxigenar o c\u00e9rebro, exercitar o corpo, beber e comer algo saud\u00e1vel e depois, voltar aos estudos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>Apostar no interc\u00e2mbio e troca de saberes. <\/em><\/strong>Em tempo de estudo remoto, s\u00e3o tr\u00eas graus de corresponsabilidades: o da diocese, o do professor e o do seminarista. Por quest\u00e3o de brevidade, destaco, sobremaneira, a responsabilidade individual de cada seminarista. Para fazer frente ao isolamento, do qual estamos enjoados e reclamando, \u00e9 louv\u00e1vel usar, como m\u00e9todo, o interc\u00e2mbio ou a troca de saberes: aperfei\u00e7oar os conhecimentos tecnol\u00f3gicos, aquisi\u00e7\u00e3o de instrumentos, formar grupos de estudos, assistir a videoconfer\u00eancias, fazer <em>live<\/em> para compartilhar saberes e sabores. As plataformas digitais possuem e permitem muitos interc\u00e2mbios culturais complementares aos estudos seminar\u00edsticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>Criar estrat\u00e9gias e protocolos. <\/em><\/strong>A ci\u00eancia indispens\u00e1vel para este tempo de estudo remoto ou \u00e0 dist\u00e2ncia \u00e9 a matem\u00e1tica, o instrumento fundamental \u00e9 o rel\u00f3gio, e a virtude \u00e9 a perseveran\u00e7a. Pensar que vai transformar a casa em uma sala de aula, como em um passe de m\u00e1gica, \u00e9 mera ilus\u00e3o ou fic\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso ajustar as expectativas com as condi\u00e7\u00f5es objetivas, sem nivelar por baixo. N\u00e3o existe milagre passar de uma educa\u00e7\u00e3o presencial para outra <em>on-line<\/em>. Entre as duas, h\u00e1 um abismo que as diferenciam. O virtual nunca substitui o presencial. O virtual est\u00e1 numa escala inferior \u00e0 do presencial. Estudaremos \u00e0 dist\u00e2ncia porque no momento \u00e9 o \u00fanico meio poss\u00edvel. Este \u00e9 para n\u00f3s, crist\u00e3os, um tempo de \u00eaxodo e de deserto. \u00c9 bom verificar e perceber como o povo de Deus passou pelo deserto, rumo \u00e0 Terra Prometida e como Jesus, no deserto, venceu as tenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>Acreditar mais na ci\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/em><\/strong> Existem pesquisas que afirmam que quem mais se beneficia com o estudo \u00e0 dist\u00e2ncia \u00e9 o aluno mais dotado e mais dedicado. O menos, se beneficia menos. Dito de outra maneira: quem mais precisa se beneficia menos. Da\u00ed que, o esfor\u00e7o de quem tem mais dificuldade na aprendizagem \u00e9 maior. O ensino remoto n\u00e3o substitui o presencial. Mas, \u00e9 poss\u00edvel e tem o seu devido valor. Permita-me apenas acenar aqui o m\u00e9todo, t\u00e3o antigo e novo, de ensinar: o m\u00e9todo da parteira, a <em>mai\u00eautica socr\u00e1tica<\/em>. \u00c9 preciso ajudar o seminarista a fazer o trabalho de parto e a dar \u00e0 luz. Esta \u00e9 a miss\u00e3o do educador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>Estudar, \u00e0 dist\u00e2ncia, \u00e9 mais caro, mais demorado e mais complexo.<\/em><\/strong> Professores e alunos t\u00eam que se habilitarem para a arte de ensinar e de aprender, \u00e0 dist\u00e2ncia, neste tempo de distanciamento. Requer criatividade e diversifica\u00e7\u00e3o. Apostar na educa\u00e7\u00e3o pelas redes sociais exige investimentos: aprender a utilizar as ferramentas das novas tecnologias, ter acesso \u00e0 <em>Internet<\/em> de qualidade, a computador ou <em>smartphone<\/em>, a livros e a outros materiais e a muitos outros instrumentos pedag\u00f3gicos e did\u00e1ticos. Ser\u00e3o necess\u00e1rios investimentos, de acordo com as suas condi\u00e7\u00f5es financeiras. Sugiro menos aulas, menos conte\u00fados, mais metodologias e estrat\u00e9gias, e mais intera\u00e7\u00e3o com o universo e a cosmovis\u00e3o dos seminaristas. Neste caso espec\u00edfico, o <em>\u201cmenos \u00e9 mais\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>Pensar menos no conte\u00fado, mais na did\u00e1tica e mais no aluno:<\/em><\/strong> em todos eles. Este \u00e9 literalmente um trabalho em redes. Os seminaristas n\u00e3o s\u00e3o n\u00fameros estat\u00edsticos, s\u00e3o pessoas, chamadas por Deus. Lembrar de seus nomes, de suas fisionomias e das suas dificuldades. A desigualdade educacional dos nossos seminaristas \u00e9 enorme. Eles j\u00e1 est\u00e3o fragilizados emocionalmente. O estudo \u00e0 dist\u00e2ncia n\u00e3o deveria aumentar ainda mais estes seus graus de estresse. \u00c9 preciso cuidar mais das pessoas f\u00edsicas do que simplesmente das pessoas virtuais. Outra sugest\u00e3o que dou aos seminaristas \u00e9 n\u00e3o deixar mat\u00e9rias e leituras acumuladas, estudando o que tem que ser estudado, no hor\u00e1rio que aquela disciplina seria lecionada presencialmente. A t\u00edtulo de exemplo: Hist\u00f3ria da Igreja \u00e9 toda ter\u00e7a-feira pela manh\u00e3? Ent\u00e3o este \u00e9 o melhor dia e hor\u00e1rio para se dedicar a esta Disciplina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>Transformar o estudo remoto em caminhos de crescimento vocacional.<\/em><\/strong> A forma\u00e7\u00e3o presbiteral se d\u00e1 em um processo de interc\u00e2mbio de dimens\u00f5es. A Filosofia \u00e9 a fase do discipulado e a Teologia \u00e9 a fase da configura\u00e7\u00e3o, como reza a <em>Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis<\/em>. O processo formativo n\u00e3o foi interrompido com a pandemia. Foi apenas redimensionado. A forma\u00e7\u00e3o intelectual \u00e9 uma dimens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o que deve ser mais valorizada. \u00c9 uma e n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. Mas n\u00e3o \u00e9 tempo para subestimar as outras dimens\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o. As dimens\u00f5es lit\u00fargico-espiritual, humano-comunit\u00e1ria, pastoral-mission\u00e1ria n\u00e3o entram de f\u00e9rias. Lembremos aqui de duas regras cl\u00e1ssicas: <em>\u201cA verdadeira Filosofia se faz de mentes abertas\u201d. <\/em>E <em>\u201ca Teologia aut\u00eantica se faz de joelhos dobrados\u201d<\/em>. Esta \u00e9 a hora do protagonismo vocacional. Esta \u00e9 a primeira, espero que seja a \u00fanica grande crise, pela qual passar\u00e3o muitos de nossos vocacionados. Na atual situa\u00e7\u00e3o de distanciamento eclesial, \u00e9 bom considerar o que disse Dom Rino Fisichella: <em>\u201ca f\u00e9 precisa dos sentidos. \u00c9 preciso, por mais paradoxal que pare\u00e7a, ver, ouvir e tocar o cheiro do incenso\u201d<\/em>. \u00c9 preciso ajudar os seminaristas a vencer, com esmero, este tempo de pandemia vendo, ouvindo, tocando e sentindo os cheiros do incenso e das ovelhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>Ir sempre para a revis\u00e3o.<\/em><\/strong> Os estudantes &#8211; professores e seminaristas &#8211; devem estar em condi\u00e7\u00f5es de perceber o que deu e o que n\u00e3o deu certo, dar e participar de aulas pelas redes sociais. E devem ter a coragem de ir \u00e0 revis\u00e3o, de mudar de compostura e de posicionamento. Neste ponto, gostaria de sugerir que, quando passar a pandemia, mesmo tendo o <em>\u201cestranho como novo normal\u201d<\/em>, valoriz\u00e1ssemos ainda mais o ensino presencial, que est\u00e1 muito desprestigiado e depreciado pelo virtual. \u00c9 comum ver que, enquanto o professar est\u00e1 no presencial, o aluno est\u00e1 no virtual, ou vice-versa. Creio ter chegada a hora, e \u00e9 agora, para respondermos a esta pergunta que fiz, no artigo que escrevi, anteriormente, que pouca gente se deu conta: <em>esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 passageira, \u00e9 algo para ficar no passado, nos registros de nossos livros de mem\u00f3rias, ou \u00e9 um fen\u00f4meno que nos assusta e nos preocupa para o futuro?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E, para finalizar, gostaria ainda de dizer que este \u00e9 um tempo que exige mais leveza educacional. Nada de muitas exig\u00eancias, quase imposs\u00edveis. \u00c9 preciso ouvir mais os poetas. Valeria a pena ler, ao menos, as poesias, contidas na Querida Amaz\u00f4nia, do Papa Francisco. Quando muitos de n\u00f3s apost\u00e1vamos em um Documento, meramente doutrinal, o Papa nos surpreendeu com uma Carta de Amor. Lembrei-me aqui de uma antiga can\u00e7\u00e3o sertaneja, da dupla Duduca &amp; Dalvan, chamada de \u201cEspinheira\u201d, que diz, entre outras coisas:<em> \u201co mundo n\u00e3o acaba aqui. O mundo ainda est\u00e1 de p\u00e9. Enquanto Deus me der a vida, levarei comigo esperan\u00e7a e f\u00e9<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u201c\u00c9 assim que eu conhe\u00e7o Cristo, a for\u00e7a da sua Ressurrei\u00e7\u00e3o e a comunh\u00e3o com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se chego at\u00e9 a Ressurrei\u00e7\u00e3o dentre os mortos\u201d <\/em>(Fl 3,1-11). Concluo, citando um prov\u00e9rbio, de dom\u00ednio p\u00fablico: <em>\u201co medo \u00e9 o pior conselheiro\u201d<\/em>: o \u00e9 nas quest\u00f5es pr\u00e1ticas, o \u00e9 nas quest\u00f5es te\u00f3ricas e tamb\u00e9m o \u00e9 na verdade e na liberdade dos filhos de Deus. Prossigamos, nesta odisseia, <em>\u201calegres na esperan\u00e7a, fortes na tribula\u00e7\u00e3o, perseverantes na ora\u00e7\u00e3o\u201d<\/em> (Rm 12,12). Tudo isto vai passar, ainda que agora seja noite.<\/p>\n<p>&nbsp;    \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Pedro Brito Guimar\u00e3es Arcebispo de Palmas \u2013 TO &nbsp; \u201cAo desembarcar, Jesus viu uma grande multid\u00e3o e encheu-se de compaix\u00e3o por eles, porque eram como ovelhas sem pastor; e come\u00e7ou a ensinar-lhes muitas coisas\u201d (Mc 6,34). Assim come\u00e7a a narrativa da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes. 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