{"id":239439,"date":"2020-05-25T15:55:19","date_gmt":"2020-05-25T18:55:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=239439"},"modified":"2020-09-08T14:08:55","modified_gmt":"2020-09-08T17:08:55","slug":"mortes-naturais-e-ou-evitaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/mortes-naturais-e-ou-evitaveis\/","title":{"rendered":"Mortes naturais e\/ou evit\u00e1veis?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Luiz Antonio Lopes Ricci<br \/>\n<\/strong><strong>Bispo de Nova Friburgo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Desde 2003 tenho pesquisado sobre o conceito \u201cmistan\u00e1sia\u201d\u2013 morte evit\u00e1vel e injusta, cunhado em 1989 pelo bioeticista brasileiro Padre Marcio Fabri dos Anjos. Diante do cen\u00e1rio atual tenho me perguntado, de modo recorrente e orante, se as mortes por conta da Covid-19 s\u00e3o todas \u201cnaturais\u201d e\/ou \u201cevit\u00e1veis\u201d? Naturais e evit\u00e1veis! Natural porque esse v\u00edrus \u00e9 fortemente destrutivo. Mesmo com a melhor oferta de tratamento e cuidados intensivos, muitos pacientes infelizmente v\u00e3o a \u00f3bito, com idades variadas e sem pertencer ao \u201cgrupo de risco\u201d. Outras n\u00e3o s\u00e3o naturais e sim evit\u00e1veis porque muitos dos que morreram infelizmente n\u00e3o tiveram acesso ao atendimento digno, por falta de leitos, m\u00e9dicos e investimentos que deveriam ser realizados a longo e curto prazo. Trata-se da mistan\u00e1sia, da morte evit\u00e1vel, sobretudo do pobre e vulnerado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sabia-se que o Sistema de Sa\u00fade poderia entrar em colapso, como ocorrera em alguns pa\u00edses. Contudo, se sab\u00edamos, o que fizemos? Muito do que foi prometido, ainda n\u00e3o foi entregue. Por essa raz\u00e3o urge distinguir o mal natural causado pelo v\u00edrus, do mal moral gerado pela a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o deliberadas das autoridades competentes. As quest\u00f5es \u00e9ticas que emergem s\u00e3o: Quantas mortes aconteceram exclusivamente em decorr\u00eancia da letalidade do v\u00edrus? Quantas ocorrem por conta do colapso do sistema sanit\u00e1rio, apesar de todos os esfor\u00e7os e investimentos para ampliar os atendimentos? Quantas por conta do colapso do Sistema P\u00fablico, que se instalava progressivamente no decorrer dos anos e, mais ainda, neste momento de pandemia, por conta da neglig\u00eancia do Estado e governantes que deveriam cuidar de todos e garantir o igual direito \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 vida? A resposta \u00e0 essas quest\u00f5es s\u00e3o fundamentais para adequada avalia\u00e7\u00e3o \u00e9tica do morrer em tempo de pandemia: natural ou evit\u00e1vel? Tudo isso, sem contar os que foram contaminados, sobretudo os profissionais e trabalhadores da sa\u00fade, por falta de equipamentos de seguran\u00e7a e condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho. Nestes casos, a contamina\u00e7\u00e3o poderia ter sido evitada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 claro que a pandemia \u00e9 um tema complexo e n\u00e3o h\u00e1 sistema capaz de acolher demanda com velocidade e propor\u00e7\u00e3o tamanhas. Contudo, n\u00e3o se pode justificar a neglig\u00eancia do Estado que deixou de fazer o que poderia ter sido feito.\u00a0 Como evitar o colapso do sistema se este j\u00e1 estivesse em quase colapso pela persistente falta de investimentos e ou desvio de recursos destinados \u00e0 sa\u00fade? Com muita raz\u00e3o, a sociedade como um todo, sempre olhou para o nosso SUS com muita aten\u00e7\u00e3o, respeito e desejo de melhoramento. Em Niter\u00f3i, por exemplo, desde 2018 se realiza a \u201cCaminhada em Defesa do SUS\u201d, promovida pela Pastoral da Aids, com o apoio das Pastorais Sociais e v\u00e1rios seguimentos da sociedade organizada que lutam pela vida. Defender o SUS \u00e9 defender a vida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diferentemente da Europa e \u00c1sia, o Brasil teve um tempo maior para se preparar de modo coordenado para o enfrentamento de t\u00e3o terr\u00edvel pandemia. Os saberes cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos devem estar sempre a servi\u00e7o da vida, o bem maior e absoluto. Saber para poder prever\u2026 \u00c9 claro que o conhecimento de um v\u00edrus t\u00e3o complexo e mortal exige tempo e dedica\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel por parte dos pesquisadores. Contudo, com o conhecimento que t\u00ednhamos associado ao \u201cprivil\u00e9gio\u201d de replicar experi\u00eancias internacionais bem-sucedidas, volto a me perguntar: o que fizemos? Saber para poder prever\u2026 Saber para poder fazer\u2026 No caso brasileiro, a politiza\u00e7\u00e3o da pandemia, o distanciamento da vida real e concreta das pessoas e o desgaste imenso de energia com crises criadas, fez com que o foco sa\u00edsse do campo sanit\u00e1rio e cient\u00edfico e adentrasse perigosa e letalmente no campo da m\u00e1 pol\u00edtica, de uma quase necropol\u00edtica (pol\u00edtica da morte) e, infelizmente, tamb\u00e9m da estupidez e cinismo. Tamb\u00e9m me pergunto, podendo estar enganado, por que o Brasil recebeu pouqu\u00edssima ajuda internacional e humanit\u00e1ria (m\u00e9dicos, insumos, equipamentos etc) como recebera a It\u00e1lia e outros pa\u00edses? Onde est\u00e3o os nossos parceiros? Tudo o que foi feito e adquirido sabe-se ser fruto de muito trabalho e dedica\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel de gestores e pol\u00edticos respons\u00e1veis pela vida.\u00a0 \u00c9 na dor que se reconhece os verdadeiros amigos e defensores da vida! Tamb\u00e9m na dor, infelizmente, aparecem os aproveitadores insens\u00edveis e maldosos para levar algum tipo de vantagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aqui se confirma o que sempre acreditei e procurei ensinar: a import\u00e2ncia da boa pol\u00edtica para a organiza\u00e7\u00e3o justa, sadia e solid\u00e1ria da comunidade. Ao desprezar e muitas vezes demonizar a boa pol\u00edtica colocamos a vida em risco. Tudo passa pela pol\u00edtica! Como sabiamente ensinou o Papa Bento XVI: \u201ca sociedade justa deve ser realizada pela pol\u00edtica\u201d. A boa pol\u00edtica deveria ter a primazia para poder indicar com clareza crit\u00e9rios e op\u00e7\u00f5es para o enfrentamento \u00e9tico e c\u00e9lere da pandemia. Reconhecemos as boas iniciativas dos poderes executivo e legislativo na formula\u00e7\u00e3o de medidas pontuais para o socorro imediato dos vulner\u00e1veis, pobres e empresas, a fim de garantir a vida e o emprego. Tudo isso foi e \u00e9 necess\u00e1rio, por\u00e9m n\u00e3o suficiente. Est\u00e1 faltando ainda um grande pacto social pela vida, uma a\u00e7\u00e3o coordenada e est\u00e1vel entre os Poderes, Minist\u00e9rios, Institui\u00e7\u00f5es, Empres\u00e1rios e Sociedade em geral para que a vida seja agora preservada e no futuro pr\u00f3ximo retomada ao novo normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 tarde, mas n\u00e3o tarde demais! A responsabilidade de muitos pelas mortes evit\u00e1veis est\u00e1 registrada no implac\u00e1vel livro da hist\u00f3ria; no \u201cLivro da Vida\u201d est\u00e3o inscritos os nomes dos que se colocaram a servi\u00e7o da vida, de v\u00e1rios modos, com fortaleza invenc\u00edvel, n\u00e3o obstante tantas situa\u00e7\u00f5es adversas. Gratid\u00e3o sincera a todos e todas! \u201cSomos respons\u00e1veis por aquilo que fazemos, o que n\u00e3o fazemos e o que impedimos de ser feito\u201d (A. Camus). Vamos ter que responder diante de Deus, de nossa consci\u00eancia e das gera\u00e7\u00f5es futuras pelo genoc\u00eddio silencioso dos pobres e daqueles que morreram n\u00e3o apenas por causa do v\u00edrus, mas tamb\u00e9m por neglig\u00eancia pol\u00edtica que impediu que todos fossem atendidos com dignidade e morressem com dignidade, caso a morte fosse inevit\u00e1vel. Certamente, se assim o fosse, a dor dos familiares seria um pouco menor. E a nossa tamb\u00e9m!\u00a0 Estamos falando de mortes evit\u00e1veis, de morte social, causada pela persistente injusti\u00e7a, desigualdade social e incompet\u00eancia pol\u00edtica. Sem contar as pessoas e grupos que se aproveitaram da pandemia para desviar dinheiro p\u00fablico em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. Isso \u00e9 diab\u00f3lico!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa realidade brasileira corrobora nossa tese de que muitas mortes poderiam ter sido evitadas com vontade pol\u00edtica, estabilidade no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e a\u00e7\u00f5es coordenadas. \u00c9 urgente passar do momento \u201cBabel\u201d para o momento \u201cPentecostes\u201d, ou seja, da confus\u00e3o ao entendimento. Chega de conflitos! \u00c9 hora de silenciar, parar com o \u00f3dio e gritaria, buscar o di\u00e1logo, discernir com serenidade e agir rapidamente \u00e0 luz da raz\u00e3o, da ci\u00eancia e do bem comum. Est\u00e1 em jogo a vida! \u201cA verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo para o presente\u201d (A. Camus). O que podemos e devemos fazer? Qual a narrativa que estamos escrevendo ou que ser\u00e1 escrita acerca desse dram\u00e1tico per\u00edodo? As narrativas est\u00e3o vinculadas \u00e0 vida real e concreta das pessoas ou s\u00e3o apenas ideias sem conex\u00e3o com a realidade e urg\u00eancias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesse sentido, a oportuna mensagem do Papa Francisco, para o \u201cDia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais 2020\u201d, celebrado no Domingo da Ascens\u00e3o, tem como tema \u201c A vida faz-se hist\u00f3ria\u201d.\u00a0 Diz o Papa: \u201cDesejo dedicar a Mensagem deste ano ao tema da narra\u00e7\u00e3o, pois, para n\u00e3o nos perdermos, penso que precisamos de respirar a verdade das hist\u00f3rias boas: hist\u00f3rias que edifiquem, e n\u00e3o as que destruam; hist\u00f3rias que ajudem a reencontrar as ra\u00edzes e a for\u00e7a para prosseguirmos juntos. Na confus\u00e3o das vozes e mensagens que nos rodeiam, temos necessidade duma narra\u00e7\u00e3o humana, que nos fale de n\u00f3s mesmos e da beleza que nos habita; uma narra\u00e7\u00e3o que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participa\u00e7\u00e3o num tecido vivo, revele o entran\u00e7ado dos fios pelos quais estamos ligados uns aos outros. N\u00e3o tecemos apenas roupa, mas tamb\u00e9m hist\u00f3rias: de fato, servimo-nos da capacidade humana de \u2018tecer\u2019 quer para os tecidos, quer para os textos. O homem \u00e9 um ente narrador, porque em devir: descobre-se e enriquece-se com as tramas dos seus dias. Mas, desde o in\u00edcio, a nossa narra\u00e7\u00e3o est\u00e1 amea\u00e7ada: na hist\u00f3ria, serpeja o mal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Precisamos tecer a verdadeira narrativa na unidade e respeito leg\u00edtimo \u00e0 diversidade de opini\u00f5es, n\u00e3o permitindo que o mal construa narrativas destrutivas e de interesses pessoais. Estamos iniciando a \u201cSemana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os\u201d, com o tema \u201cGentileza gera gentileza\u201d, inspirado no texto de Atos dos Ap\u00f3stolos 28,2, quando Paulo, ap\u00f3s sobreviver a um naufr\u00e1gio e j\u00e1 fora de perigo diz: \u201cOs nativos demonstraram extraordin\u00e1ria gentileza para conosco e acolheram a n\u00f3s todos, n\u00e3o sem acender uma fogueira por causa da chuva que ca\u00eda e do frio\u201d. Gentileza gera gentileza! \u00c9 hora de resgatar a cordialidade, os bons sentimentos, a sadia rela\u00e7\u00e3o interpessoal, o respeito, a toler\u00e2ncia e acima de tudo o amor que habita em n\u00f3s. \u00c9 hora de demonstrar gentileza e atitude de vigil\u00e2ncia, tendo consci\u00eancia de que a \u201cestupidez insiste sempre\u201d (A. Camus). \u00c9 hora de acender uma fogueira para aquecer e cuidar, nunca para incendiar ainda mais o ambiente. \u00c9 hora de resistir, recriar, restaurar e \u201cpascalizar\u201d o ambiente atingido pelo v\u00edrus, ferido pelo mal e que deve ser reconciliado pelo amor e solidariedade concreta e prof\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Voltemos \u00e0 quest\u00e3o inicial: mortes naturais e\/ou evit\u00e1veis? Aos familiares dos falecidos pela Covid-19 e aos familiares das \u201cv\u00edtimas\u201d da \u201cmistan\u00e1sia\u201d nossos sentimentos de pesar, solidariedade fraterna e ora\u00e7\u00f5es constantes. N\u00e3o podemos nos acostumar com os n\u00fameros crescentes de mortes no Brasil. Atualmente uma pessoa morre a cada 75 segundos. \u201cEu s\u00f3 pe\u00e7o a Deus que a dor n\u00e3o me seja indiferente, que a morte n\u00e3o me encontre um dia solit\u00e1rio sem ter feito o que eu queria\u201d. Nossa consci\u00eancia n\u00e3o pode ser anestesiada! Agir \u00e9 preciso! Responsabilizar \u00e9 preciso! Reconciliar \u00e9 preciso! Converter-nos, mais ainda!\u00a0 Em \u00faltima inst\u00e2ncia: \u201csomos todos culpados, por tudo e por todos, e eu mais que os outros\u201d (F. Dostoi\u00e9vski). N\u00e3o podemos abrir m\u00e3o da profecia que integra tr\u00eas dimens\u00f5es insepar\u00e1veis: den\u00fancia, an\u00fancio e viv\u00eancia pessoal. Denunciar o erro e o mal, anunciar o amor e a verdade e viver o que anunciamos e desejamos. O sil\u00eancio acolhedor \u00e9 necess\u00e1rio, por\u00e9m o sil\u00eancio da omiss\u00e3o pode ser letal. N\u00e3o podemos nos silenciar, pois um dia teremos que prestar contas a Deus e \u00e0 hist\u00f3ria. Urge cobrar aos governantes e autoridades que t\u00eam o poder de decis\u00e3o. Tamb\u00e9m rezar por eles, como sempre fazemos. Urge tamb\u00e9m nos indignarmos com os erros e injusti\u00e7as, por\u00e9m sem deixar de \u201cnos cobrar\u201d e \u201cde fazer\u201d o que est\u00e1 ao nosso alcance, como crist\u00e3os e Igreja Viva. \u201cA Igreja n\u00e3o pode nem deve ficar \u00e0 margem da luta pela justi\u00e7a. Deve inserir-se nela por meio da argumenta\u00e7\u00e3o racional e deve despertar as for\u00e7as espirituais, sem as quais a justi\u00e7a n\u00e3o poder\u00e1 afirmar-se e prosperar. Toca \u00e0 Igreja, e profundamente, o empenhar-se pela justi\u00e7a, trabalhando para a abertura da intelig\u00eancia e da vontade \u00e0s exig\u00eancias do bem\u201d (Bento XVI).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vamos em frente, olhando para o alto e com pegadas firmes e prof\u00e9ticas na estrada da vida: \u201cHomens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o c\u00e9u? (At 1,11). Ainda temos um longo caminho\u2026 Fica conosco Senhor!!! \u201cEis que eu estarei convosco todos os dias, at\u00e9 ao fim do mundo\u201d (Mt 28,20). Sigamos comunicando o amor e a verdade! Vem Esp\u00edrito Santo vem, vem iluminar! Confiemos na Palavra de Jesus: \u201cA vossa tristeza se transformar\u00e1 em alegria. E ningu\u00e9m poder\u00e1 tirar a vossa alegria\u201d (Jo 16,20.22). Vamos em frente, no olhar da f\u00e9, em p\u00e9, com coragem esperan\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Podemos concluir com a ora\u00e7\u00e3o retirada da Mensagem do Papa acima citada, visto que estamos no m\u00eas dedicado a Maria e tamb\u00e9m prestes a celebrar Nossa Senhora Auxiliadora: \u00d3 Maria, mulher e m\u00e3e, V\u00f3s tecestes no seio a Palavra divina, V\u00f3s narrastes com a vossa vida as magn\u00edficas obras de Deus. Ouvi as nossas hist\u00f3rias, guardai-as no vosso cora\u00e7\u00e3o e fazei vossas tamb\u00e9m as hist\u00f3rias que ningu\u00e9m quer escutar. Ensinai-nos a reconhecer o fio bom que guia a hist\u00f3ria. Olhai o ac\u00famulo de n\u00f3s em que se emaranhou a nossa vida, paralisando a nossa mem\u00f3ria. Pelas vossas m\u00e3os delicadas, todos os n\u00f3s podem ser desatados. Mulher do Esp\u00edrito, M\u00e3e da confian\u00e7a, inspirai-nos tamb\u00e9m a n\u00f3s. Ajudai-nos a construir hist\u00f3rias de paz, hist\u00f3rias de futuro. E indicai-nos o caminho para as percorrermos juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o meu abra\u00e7o virtual, proximidade, ora\u00e7\u00f5es e ben\u00e7\u00e3o,<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Luiz Antonio Lopes Ricci Bispo de Nova Friburgo Desde 2003 tenho pesquisado sobre o conceito \u201cmistan\u00e1sia\u201d\u2013 morte evit\u00e1vel e injusta, cunhado em 1989 pelo bioeticista brasileiro Padre Marcio Fabri dos Anjos. 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