{"id":240625,"date":"2020-06-15T15:59:11","date_gmt":"2020-06-15T18:59:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=240625"},"modified":"2020-09-08T13:52:46","modified_gmt":"2020-09-08T16:52:46","slug":"acao-pastoral-pos-pandemia-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/acao-pastoral-pos-pandemia-3\/","title":{"rendered":"A\u00e7\u00e3o Pastoral P\u00f3s-Pandemia (3)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Edson Oriolo<br \/>\nBispo de Leopoldina (MG)<em><br \/>\n<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Refletindo, nestes dias, sobre a a\u00e7\u00e3o pastoral e o impacto da pandemia sobre a miss\u00e3o evangelizadora, concluo que j\u00e1 podemos falar em uma \u201cgera\u00e7\u00e3o coronav\u00edrus\u201d, ou, com uma abordagem mais positiva em \u201cgera\u00e7\u00e3o das lives\u201d. Possivelmente, os mais otimistas dir\u00e3o que tais impactos s\u00e3o muito localizados e de cunho transit\u00f3rio, no entanto, sabemos que mudan\u00e7as antropol\u00f3gicas ditam novos imperativos para evangelizar. N\u00e3o se trata de renunciar a valores imut\u00e1veis ou ao que j\u00e1 temos consolidado, mas de encontrar caminhos para promover as dimens\u00f5es da evangeliza\u00e7\u00e3o, da celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e da partilha, no novo horizonte que se descortina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Analisando a hist\u00f3ria humana, os especialistas identificam transforma\u00e7\u00f5es comportamentais nas gera\u00e7\u00f5es a cada \u00bc de s\u00e9culo. Esse fen\u00f4meno est\u00e1 sendo observado e catalogado desde o s\u00e9c. 18. As r\u00e1pidas modifica\u00e7\u00f5es no <em>modus vivendi<\/em> baixaram a m\u00e9dia para 10 anos. Penso que, com avan\u00e7o da ci\u00eancia (saber) e da tecnologia (fazer), esse intervalo est\u00e1 reduzido ainda mais, como j\u00e1 se pode observar com as chamadas gera\u00e7\u00f5es Z, T e M, que se sucederam com grande rapidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim s\u00e3o denominadas e catalogadas as gera\u00e7\u00f5es: Gera\u00e7\u00e3o Perdida (1883 \u2013 1900); Gera\u00e7\u00e3o Grandiosa (1901 \u2013 1924); Gera\u00e7\u00e3o Silenciosa (1925 \u2013 1942); Gera\u00e7\u00e3o <em>Baby Boomers <\/em>(1946 \u2013 1964); Gera\u00e7\u00e3o X (1965 \u2013 1978); Gera\u00e7\u00e3o Y (1979 \u2013 1992); Gera\u00e7\u00e3o Z (1993 \u2013 2006) e, recentemente, fala-se em\u00a0Gera\u00e7\u00e3o T (<em>Touch<\/em>) ou Gera\u00e7\u00e3o <em>Alpha<\/em> ou M (2006 ou 2010&#8230;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u201cGera\u00e7\u00e3o Coronav\u00edrus\u201d \u00e9 caracterizada por mudan\u00e7as profundas na sociedade p\u00f3s-moderna e digital, que somos condicionados a entender como inexpugn\u00e1vel. Valores exaltados e solidificados durante as \u00faltimas d\u00e9cadas, sobretudo o liberalismo social e econ\u00f4mico, precisam se reinventar diante de uma amea\u00e7a inesperada e, paradoxalmente arcaica, para uma sociedade altamente sofisticada tecnologicamente. De repente, o homem revive os arqu\u00e9tipos de amea\u00e7a experimentados pelo humanoide da pr\u00e9-hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tudo o que vemos, escutamos e reproduzimos sobre crise sanit\u00e1ria Covid19 est\u00e1 incidindo sobre nosso futuro. Novas quest\u00f5es se colocam e obrigam nossos condicionamentos comportamentais a se adaptarem: o risco das aglomera\u00e7\u00f5es, a relativiza\u00e7\u00e3o do universo de produ\u00e7\u00e3o, a dicotomia entre economia e autopreserva\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica de <em>lockdown <\/em>e a sensa\u00e7\u00e3o de um perigo constante s\u00e3o capazes de mudar uma vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outra caracter\u00edstica marcante da gera\u00e7\u00e3o \u201cc\u201d (coronav\u00edrus) ou \u201cl\u201d (lives) poder\u00e1 ser a experi\u00eancia de impot\u00eancia e de processo. As \u00faltimas gera\u00e7\u00f5es, chamadas tecnol\u00f3gicas, formaram no inconsciente a id\u00e9ia de \u201cilimita\u00e7\u00e3o\u201d e imediatismo. O universo do instant\u00e2neo nos levou a entender o mundo e a vida numa perspectiva de \u201csuper-homens\u201d, que resolvem os seus problemas com \u201ca ponta dos dedos\u201d. A gera\u00e7\u00e3o \u201cl\u201d est\u00e1 reaprendo de forma ca\u00f3tica, que somos falhos, limitados, impotentes e que, muitas coisas, s\u00f3 acontecem mediante um processo lento, como \u00e9 o caso do desenvolvimento de vacinas e tratamentos contra o Covid-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m disso, ficar\u00e3o marcas deste per\u00edodo de isolamento social. As pessoas desenvolver\u00e3o novos conceitos de autopreserva\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia. Sabemos que ap\u00f3s a chamada \u201cGripe Espanhola\u201d (Influenza H1N1), pandemia do final dos anos de 1910, a humanidade reinventou o conceito de higiene. Penso que a pandemia do final dos anos de 2010, trar\u00e1, tamb\u00e9m, novos conceitos, relativos ao contato f\u00edsico, \u00e0 presen\u00e7a em locais com aglomera\u00e7\u00e3o, \u00e0 pr\u00e1tica de <em>home office<\/em>, al\u00e9m da redescoberta do valor da casa (como lugar de viv\u00eancia e conviv\u00eancia). Necessitamos nos preparar para essa nova gera\u00e7\u00e3o, esse novo amanh\u00e3, com desafios e potencialidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Percebo que a Igreja tende a mergulhar em uma ac\u00e9dia paralisadora. Os nossos projetos pastorais n\u00e3o est\u00e3o acontecendo como preparamos. Estamos sem contato real com o povo. Os nossos paradigmas de a\u00e7\u00e3o foram brutalmente alterados. Nesse contexto, a tecnologia est\u00e1 se impondo. Somos bombardeados por v\u00e1rios apelos que influenciam nossa vis\u00e3o na pol\u00edtica, economia, sociologia, psiquiatria, nos relacionamentos, na sexualidade e, tamb\u00e9m, nas nossas verdades dogm\u00e1ticas, eclesiol\u00f3gicas e rituais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Devemos colocar nosso foco um pouco al\u00e9m do alvo. Nas aulas de basquete o professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica nos instru\u00eda que ao jogar a bola na cesta dev\u00edamos mirar a parte de tr\u00e1s do aro. Sabemos que no golfe, devemos mirar a parte de tr\u00e1s do <em>green<\/em>; e no arco e fecha, mirar al\u00e9m do alvo. N\u00e3o se trata, portanto, de focar a nossa a\u00e7\u00e3o pastoral simplesmente (e ingenuamente!) em atrair as pessoas para a comunidade de f\u00e9, mas de evangeliza-las no ambiente em que convivem, seguros de que, consequentemente, se evangelizadas, formar\u00e3o comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o estamos tendo tempo para avaliar resultados de forma imediata, mas n\u00e3o podemos ficar inertes. \u00c9 necess\u00e1rio evangelizar com ousadia e acreditar que novos caminhos aguardam o nosso empenho em percorr\u00ea-los. \u00a0Acredito que as \u201clives\u201d, muito usadas neste contexto de pandemia, foram uma descoberta e poder\u00e3o ser excelentes ferramentas para a evangeliza\u00e7\u00e3o. Consistem em uma comunica\u00e7\u00e3o aberta, mas voltada para a pessoa do outro. H\u00e1 um comprometimento com um \u201cp\u00fablico-alvo\u201d, como nome, endere\u00e7o e possibilidade de intera\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma troca de conte\u00fado virtual, mas entre pessoas unidas por la\u00e7os reais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Talvez apenas agora, e de forma abrupta e improvisada, a Igreja esteja descobrindo a import\u00e2ncia de estar presente, evangelizando, o universo virtual. Como disse em outra reflex\u00e3o, trata-se n\u00e3o apenas de um novo espa\u00e7o para lan\u00e7ar as sementes do Verbo, mas de uma nova linguagem a ser iluminada pelo Evangelho. Na pandemia, essa interatividade proporcionada pelas \u201clives\u201d est\u00e1 possibilitando o comprometimento dos fi\u00e9is com as suas dioceses, par\u00f3quias e comunidades eclesiais mission\u00e1rias e poder\u00e1 ser um instrumento valioso no exerc\u00edcio da miss\u00e3o evangelizadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As lives s\u00e3o um instrumental poderoso para atingir os fi\u00e9is em tempo de pandemia que ser\u00e1 um <em>upgrade <\/em>na p\u00f3s-pandemia. A interatividade \u201cao vivo\u201d, permite posicionamento, autoridade e engajamento. Potencializa modo novo de evangelizar (reuni\u00f5es estrat\u00e9gicas, palestras, confer\u00eancias), celebrar (transmiss\u00f5es da eucaristia e catequese lit\u00fargica) e assist\u00eancia aos pobres (organizando campanhas, doa\u00e7\u00f5es, conscientiza\u00e7\u00e3o da partilha). Ser\u00e1 um recurso para interagirmos com os paroquianos e nos aproximarmos das pessoas. A interatividade virtual \u00e9 caminho para viv\u00eancia da f\u00e9 nas comunidades eclesiais mission\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;    \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Edson Oriolo Bispo de Leopoldina (MG) &nbsp; Refletindo, nestes dias, sobre a a\u00e7\u00e3o pastoral e o impacto da pandemia sobre a miss\u00e3o evangelizadora, concluo que j\u00e1 podemos falar em uma \u201cgera\u00e7\u00e3o coronav\u00edrus\u201d, ou, com uma abordagem mais positiva em \u201cgera\u00e7\u00e3o das lives\u201d. 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