{"id":240937,"date":"2020-06-19T12:04:34","date_gmt":"2020-06-19T15:04:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=240937"},"modified":"2020-09-08T13:52:41","modified_gmt":"2020-09-08T16:52:41","slug":"gratidao-no-final-do-outono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/gratidao-no-final-do-outono\/","title":{"rendered":"Gratid\u00e3o no final do outono!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Luiz Antonio Lopes Ricci<br \/>\n<\/strong><strong>Bispo Eleito de Nova Friburgo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Meus queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enviei a voc\u00eas, na noite de ontem, o convite digital para a minha posse can\u00f4nica na Diocese de Nova Friburgo. Recebi centenas de mensagens com in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es de amizade, carinho, afeto, proximidade e, principalmente, o compromisso de rezar por mim e pela minha nova miss\u00e3o. O Amor de Cristo e a Cristo nos uniu! Como n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de responder, mas certamente de rezar por todos e todas, envio-lhes, como sinal de gratid\u00e3o e proximidade, a s\u00edntese de um texto que publiquei no in\u00edcio desta semana. Gratid\u00e3o sempre! Sigamos unidos nas ora\u00e7\u00f5es, amizade e comunh\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estamos no final do outono, que teve in\u00edcio em 20 de mar\u00e7o e terminar\u00e1 no\u00a0 pr\u00f3ximo s\u00e1bado. O outono \u00e9 um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o e situa-se entre o ver\u00e3o e o inverno, com pouca chuva, temperatura mais baixa, folhas que caem e colorido diferenciado. A pandemia da Covid-19 atravessou todo o nosso per\u00edodo outonal, causando milhares de mortes, dor, luto, sofrimento, preocupa\u00e7\u00e3o, incertezas, medo&#8230;Bastante significativo \u00e9 poder celebrar, amanh\u00e3, pen\u00faltimo dia do outono, a Solenidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, fechando essa bela e triste esta\u00e7\u00e3o com a certeza do Amor de Jesus por n\u00f3s. Trata-se do mesmo Amor que nos acompanhou nesse dram\u00e1tico per\u00edodo e nos acompanhar\u00e1 at\u00e9 o fim, seja qual for a situa\u00e7\u00e3o pessoal, social e global. Como \u00e9 bom sentirmo-nos abrigados no Sagrado e \u201cSangrado\u201d Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Cora\u00e7\u00e3o aberto que a todos acolhe. Cora\u00e7\u00e3o compassivo que nos atrai (cf. Jo 12,32), que acalma e que tem poder de fazer o nosso cora\u00e7\u00e3o cada vez ais semelhante ao Dele. Cora\u00e7\u00e3o que pode transformar o nosso cora\u00e7\u00e3o, tantas vezes etrificado, em cora\u00e7\u00e3o de carne (cf. Ez 36,26), mais humano, misericordioso e colhedor. Precisamos estar vigilantes, sobretudo em situa\u00e7\u00e3o adversa, para n\u00e3o rrefecer o nosso cora\u00e7\u00e3o, como nos alertou Jesus: \u201cA iniquidade (maldade) se espalhar\u00e1 tanto que o amor de muitos esfriar\u00e1. Quem, por\u00e9m, perseverar at\u00e9 o fim, esse ser\u00e1 salvo\u201d (Mt 24,12-13). Aprendamos com Jesus que \u00e9 manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o! S\u00f3 assim encontraremos a verdadeira paz e repouso (cf. Mt 11,29). Na Solenidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus somos vivamente convidados a ezar pela santifica\u00e7\u00e3o do clero: bispos, padres e di\u00e1conos. Reze pelos sacerdotes\u00a0 falecidos, doentes, idosos e por aqueles que passam por momentos dif\u00edceis e de sofrimento. Agrade\u00e7a a Deus o bispo, o p\u00e1roco, o vig\u00e1rio e o di\u00e1cono que voc\u00ea tem. Rezem por n\u00f3s, para que sejamos melhores, santos, mais conformes ao Cora\u00e7\u00e3o de Jesus Bom Pastor e, assim, colaborar na santifica\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os e irm\u00e3s, por meio do nosso servi\u00e7o e testemunho de vida. Rezem, tamb\u00e9m, pelo nosso querido Papa Francisco que pede sempre nossas ora\u00e7\u00f5es. Gratid\u00e3o aos nossos sacerdotes! Gratid\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 poder celebrar o Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, no \u00faltimo dia do outono e o primeiro do inverno, no s\u00e1bado, dia 20. Quantos sinais do Amor de Deus e de sua Presen\u00e7a-Presente para encerrar uma esta\u00e7\u00e3o e prosseguir com teimosa esperan\u00e7a nas outras, na alegre e dif\u00edcil peregrina\u00e7\u00e3o temporal rumo \u00e0 Casa do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sempre utilizamos a express\u00e3o \u201ccora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e\u201d para se referir ao amor materno e \u00e0 bondade das pessoas. Nosso Deus tem Cora\u00e7\u00e3o! Nossa M\u00e3e Maior tem um Cora\u00e7\u00e3o Imaculado, que n\u00e3o conheceu o pecado e o mal. Por isso, al\u00e9m de nos abrigarmos e<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201csossegar\u201d nosso ser no Colo de Maria, queremos pedir ao Bom Deus, por intercess\u00e3o dela, que o nosso Cora\u00e7\u00e3o seja purificado, com a elimina\u00e7\u00e3o das obstru\u00e7\u00f5es do desamor e sentimentos negativos que maculam o nosso cora\u00e7\u00e3o, feito para amar, servir e fazer o bem: \u201ce Deus viu que tudo era muito bom\u201d (Gn 1, 31). Ter um \u201ccora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e\u201d \u00e9 um imperativo para todo o ser humano. Na confian\u00e7a filial e na pr\u00e1tica do amor podemos rezar com o Salmista: \u201cFiz calar e sossegar a minha alma; ela est\u00e1 em grande paz dentro de mim, como a crian\u00e7a bem tranquila, amamentada no rega\u00e7o acolhedor de sua m\u00e3e\u201d (Sl 130,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As constantes imagens de dor, morte e sepultamentos que traspassam a alma, deveriam mobilizar em n\u00f3s um maior desejo de afirmar a vida e de lutar para que todos tenham vida e vida com dignidade, em abund\u00e2ncia (cf. Jo 10,10). A dor produz compaix\u00e3o, solidariedade e indigna\u00e7\u00e3o \u00e9tica. A Igreja nos ensina e nos convida a amar e cuidar de \u201ctodo homem e do homem todo\u201d, defendendo a vida, como dom e compromisso. \u201cO outro que sofre nos pertence\u201d (S. Jo\u00e3o Paulo II). Em tempos de dor e morte, precisamos cultivar a teimosa esperan\u00e7a. N\u00e3o obstante tanta dor e incertezas, acompanhadas de um desconforto oriundo do nosso \u201cconforto\u201d e situa\u00e7\u00e3o \u201cprivilegiada\u201d, quando comparada \u00e0 realidade de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s, pois \u201co custo da desigualdade s\u00e3o os sofrimentos individuais e a infelicidade coletiva\u201d (C. Volpato), o Criador nos presenteou durante o outono com momentos que favoreceram a contempla\u00e7\u00e3o e aliviaram um pouco a dor dos cora\u00e7\u00f5es compass\u00edveis e emp\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O p\u00f4r do sol \u00e9 belo justamente por carregar um pouco de tristeza. Trata-se da \u201celegante melancolia do crep\u00fasculo\u201d (C. Chaplin). E uma tristeza que tem potencialidade de se transformar em beleza, aurora e luz. Como n\u00e3o recordar os espl\u00eandidos crep\u00fasculos captados, n\u00e3o por acaso, pela nossa vis\u00e3o e acolhidos com gratid\u00e3o outonal ao Criador. Como n\u00e3o pedir com insist\u00eancia renovada, diante de tanta beleza, como o fizeram os disc\u00edpulos de Ema\u00fas naquele entardecer pascal: \u201cFica conosco Senhor, pois j\u00e1 \u00e9 tarde e a noite vem chegando\u201d? De fato, no outono, os dias ficam mais curtos e o anoitecer chega mais cedo. Algumas noites da exist\u00eancia s\u00e3o mais escuras e dif\u00edceis, mesmo quando iluminadas pela f\u00e9 pascal e pela irm\u00e3 lua. Contudo, emerge a certeza: \u201cE a luz brilha nas trevas e as trevas n\u00e3o a dominaram\u201d (Jo 1,5). \u00c9 humano e compreens\u00edvel o \u201ccansa\u00e7o\u201d que experimentamos nesse dram\u00e1tico momento e em tantos outros: \u201csabemos que toda a cria\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o presente, est\u00e1 gemendo como que em dores de parto. E n\u00e3o somente ela, mas tamb\u00e9m n\u00f3s\u201d (Rm 8,22-23). Por essa raz\u00e3o, como \u00e9 bom ouvir de Jesus: \u201cVinde a mim, todos os que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso\u201d (Mt 11,28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No m\u00eas passado, uma s\u00e1bia e silenciosa senhora foi visitar sua amiga numa cl\u00ednica, e, do lado de fora, distante alguns metros, ap\u00f3s uma troca amorosa de olhares, lhe disse com ternura e em alto e bom tom: \u201cminha amiga, fique bem a\u00ed, mais segura, porque aqui fora o mundo est\u00e1 muito estranho\u201d. Tempos dif\u00edceis! Coragem! Que venham os ip\u00eas, na esta\u00e7\u00e3o do inverno! Que possamos florescer e frutificar,\u00a0 mesmo no inverno, que acolheremos apenas como esta\u00e7\u00e3o, evitando teimosamente de sermos por ele acolhidos e dominados. Ser\u00e1 que o inverno iminente ser\u00e1 capaz de resfriar apenas os \u00e2nimos exaltados, jamais o cora\u00e7\u00e3o? Seria poss\u00edvel transformar o inverno-esta\u00e7\u00e3o e o \u201cinverno\u201d que insiste habitar em n\u00f3s, em tempo de frutos e flores? Recordemos que os ip\u00eas florescem no inverno! N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel antecipar a primavera, mas plaus\u00edvel transformar os \u201cinvernos\u201d em primavera do novo ser humano. N\u00e3o haver\u00e1 novo normal adequado sem um novo humano! Humanizar o humano!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O inverno pode ser fecundo, belo e transformador! Urge arrefecer as emo\u00e7\u00f5es e atitudes negativas para brotar amor e p\u00e3o! As folhas caem no outono, mas a vida permanece; nos sentimos desnudos, embora com m\u00e1scara; desprotegidos pelas incertezas, embora com<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">teimosa esperan\u00e7a; desconfort\u00e1veis pelo conforto;\u00a0 incompletos, buscando a verdadeira completude; vivos, naquele que Vive para sempre! Que belo outono e dolorosa realidade! \u201cEm tudo somos atribulados, mas n\u00e3o abatidos; postos em apuros, mas n\u00e3o desesperan\u00e7ados\u201d (2 Cor 4,8). \u201cBendito seja Deus que nos consola em toda a nossa tribula\u00e7\u00e3o para que possamos consolar os que se acham em alguma tribula\u00e7\u00e3o\u201d (2 Cor 1,4). Portanto, com Santo Agostinho queremos iniciar a nova esta\u00e7\u00e3o rezando: \u201cTarde te amei, \u00f3 beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. Estavas comigo e eu n\u00e3o contigo. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei, agora anseio por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz\u201d (Santo Agostinho). A foto abaixo, capturada por mim, no final deste ver\u00e3o, pode servir como ilustra\u00e7\u00e3o para esta reflex\u00e3o. Vamos em frente, no olhar e respiro da f\u00e9. Florescer e frutificar no inverno \u00e9 preciso e poss\u00edvel! Deus os aben\u00e7oe! Com gratid\u00e3o, ora\u00e7\u00f5es e proximidade fraterna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Luiz Antonio Lopes Ricci Bispo Eleito de Nova Friburgo &nbsp; Meus queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, Enviei a voc\u00eas, na noite de ontem, o convite digital para a minha posse can\u00f4nica na Diocese de Nova Friburgo. 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