{"id":241513,"date":"2020-06-30T11:29:03","date_gmt":"2020-06-30T14:29:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=241513"},"modified":"2020-09-08T13:52:31","modified_gmt":"2020-09-08T16:52:31","slug":"esperanca-em-tempos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/esperanca-em-tempos-de-pandemia\/","title":{"rendered":"Esperan\u00e7a em tempos de pandemia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Alo\u00edsio A. Dilli<br \/>\nBispo de Santa Cruz do Sul<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caros diocesanos. O dinamismo da esperan\u00e7a est\u00e1 presente no mais profundo de cada ser humano. Sua pr\u00f3pria identidade se move dentro de um constante <em>vir-a-ser<\/em>, projetando-se para o futuro, pois ele nunca se sente pronto, com realiza\u00e7\u00e3o plena e definitiva. De forma semelhante, como na dimens\u00e3o antropol\u00f3gica, este dinamismo se manifesta tamb\u00e9m no campo religioso, pois o crente percebe que seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 inquieto at\u00e9 que descanse em Deus (S. Agostinho), quando ver\u00e1 um novo c\u00e9u e uma nova terra e o pr\u00f3prio Deus estar\u00e1 presente, fazendo novas todas as coisas (cf. Ap 21, 1, 3 e 5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 momentos da vida em que esse dinamismo da esperan\u00e7a aflora com maior evid\u00eancia, sobretudo em situa\u00e7\u00f5es de crise, quando se deseja que o momento presente passe o mais r\u00e1pido poss\u00edvel e um futuro melhor se descortine, como no caso das pandemias e outras cat\u00e1strofes que, de tempos em tempos, assolam a humanidade. Todos n\u00f3s vivemos intensamente esse fen\u00f4meno na atual p\u00e1gina da hist\u00f3ria, diante do Coronav\u00edrus Covid-19, que ceifa milhares de vidas por todo planeta. Dentro desse quadro da pandemia, um dos temas de reflex\u00e3o que mais aparece \u00e9 o da esperan\u00e7a. Em primeiro lugar, a esperan\u00e7a que o v\u00edrus n\u00e3o visite a n\u00f3s pessoalmente e aos que convivem conosco, cuidando-nos para isso, ou que a medicina cure logo todos os infectados, pr\u00f3ximos ou distantes, sem sofrerem maiores consequ\u00eancias; e mais, esperamos que os respons\u00e1veis civis e da sa\u00fade tomem medidas p\u00fablicas corretas e eficientes para seu combate, com a colabora\u00e7\u00e3o de todos; depois, alimentamos a esperan\u00e7a que sejam descobertos, o quanto antes, rem\u00e9dios de cura e vacinas de preven\u00e7\u00e3o; finalmente aflora a esperan\u00e7a de voltar \u00e0 vida normal. E na perspectiva da f\u00e9, sempre temos a esperan\u00e7a de que Deus ajude a livrar-nos desse mal da pandemia e, mesmo que a morte atinja de alguma forma nossas fam\u00edlias e comunidades, restar\u00e1 a esperan\u00e7a da vida eterna de quem partiu. Assim damo-nos conta que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver sem esperan\u00e7a, por ela ser constitutiva de nossa vida humana e espiritual, e sobretudo precisamos dela em tempos de pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pelo refletido acima, n\u00f3s crist\u00e3os nos damos conta que somos seres a caminho. N\u00e3o estamos definitivamente em casa, onde nos encontramos. De certa forma, nos sentimos estranhos, neste mundo, pois nossa verdadeira p\u00e1tria \u00e9 outra. Vivemos hoje numa sociedade de consumo, onde tudo parece ser transit\u00f3rio, passageiro, descart\u00e1vel, influenciando decididamente em nossas rela\u00e7\u00f5es com as pessoas, com as coisas e at\u00e9 em op\u00e7\u00f5es religiosas. Neste contexto, o que vale \u00e9 o presente, os desejos do aqui e agora; enquanto o definitivo ou o eterno parecem exclu\u00eddos do vocabul\u00e1rio das pessoas. A grande frustra\u00e7\u00e3o desta constante transitoriedade \u00e9 n\u00e3o oferecer valores seguros, perenes. Assim a pessoa humana vive em estado de insaciabilidade. Mesmo que busque constantemente novidades, ela se frustra, pois nada parece conduzir ao eterno, ao saci\u00e1vel, uma vez que a fragilidade humana indica para o limite, para o fim, para a morte, com a sensa\u00e7\u00e3o de a vida ser realmente uma <em>paix\u00e3o in\u00fatil<\/em>, dando raz\u00e3o a Sartre e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste tempo de pandemia temos oportunidade de meditar e refletir sobre a vida, seu sentido, suas rela\u00e7\u00f5es, sua meta. O Esp\u00edrito do Senhor e seu santo modo de operar nos acompanhem e nos conduzam ao encontro do verdadeiro sentido da vida. O Deus da miseric\u00f3rdia tenha compaix\u00e3o de n\u00f3s e, diante de nossa firme disposi\u00e7\u00e3o de recome\u00e7ar sempre o caminho, que a Ele conduz, nos perdoe os desvios de rota e nos reconduza ao sentido verdadeiro da vida, a qual tem destino eterno, junto com Ele e os Irm\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;    \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio A. Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul \u00a0 Caros diocesanos. O dinamismo da esperan\u00e7a est\u00e1 presente no mais profundo de cada ser humano. Sua pr\u00f3pria identidade se move dentro de um constante vir-a-ser, projetando-se para o futuro, pois ele nunca se sente pronto, com realiza\u00e7\u00e3o plena e definitiva. 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