{"id":241846,"date":"2020-07-06T11:40:58","date_gmt":"2020-07-06T14:40:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=241846"},"modified":"2020-09-08T13:52:27","modified_gmt":"2020-09-08T16:52:27","slug":"o-comentario-do-salmo-132-em-santo-agostinho-de-hipona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-comentario-do-salmo-132-em-santo-agostinho-de-hipona\/","title":{"rendered":"O coment\u00e1rio do Salmo 132 em Santo Agostinho de Hipona"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Vital Corbellini<br \/>\n<\/strong><strong>Bispo de Marab\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Santo Agostinho teve uma homilia muito bonita que fez para o povo de Deus a respeito do Salmo 132 a qual fala da alegria do amor fraterno. Acreditamos que tais considera\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes na realidade atual, eclesial e social para vivermos o amor a Deus, ao pr\u00f3ximo como a si mesmo, assim como nos solicita o Senhor Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O salmo \u00e9 bem simples, curto no qual fala da beleza, da situa\u00e7\u00e3o de como \u00e9 agrad\u00e1vel a irm\u00e3os unidos viverem em comum. \u00c9 palavra suave como a caridade que leva irm\u00e3os a conviverem un\u00e2nimes. Agostinho fez uma analise para ver se o salmo \u00e9 referente a todos os crist\u00e3os em geral, ou se houver alguns mais perfeitos que habitam unidos para a viv\u00eancia da palavra de Deus<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tendo presente esta indaga\u00e7\u00e3o, o bispo de Hipona afirmou que aquelas palavras do salt\u00e9rio, como agrad\u00e1vel, quer cantadas, quer ouvidas, deram origem aos mosteiros<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Tal som ressoou em toda a terra e reuniu as pessoas que estavam dispersas, sendo este um clamor divino, prof\u00e9tico, do Esp\u00edrito Santo,<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. \u00c9 claro que primeiro foi dada essa ben\u00e7\u00e3o, para os que seguiam a Jesus Cristo. O bispo de Hipona levantou perguntas no sentido da proveni\u00eancia dos quinhentos disc\u00edpulos que viram o Senhor ressuscitado, conforme relembrou o Ap\u00f3stolo Paulo, de onde veio tanta gente? Depois os cento e vinte, reunidos em no mesmo recinto ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o do Senhor ao c\u00e9u e no dia de Pentecostes, desceu o Esp\u00edrito Santo, segundo a realiza\u00e7\u00e3o da promessa? (cf. At 1,15). Todos come\u00e7aram a viver em comum. Muitas coisas eram vendidas e era depositado o pre\u00e7o aos p\u00e9s dos ap\u00f3stolos e a multid\u00e3o era um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma (cf. At 4,32). Sem duvida aquelas pessoas foram as primeiras que ouviram a palavra: \u201cEis como \u00e9 bom, como \u00e9 agrad\u00e1vel a irm\u00e3os unidos viverem em comum\u201d <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, se para Agostinho foram os primeiros, mas n\u00e3o foram os \u00fanicos, porque a caridade e a uni\u00e3o fraterna n\u00e3o se limitaram somente a eles, mas a alegria da caridade e o voto feito a Deus abrangeram tamb\u00e9m muitas pessoas posteriores<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Deriva deste salmo o nome de monges, no seu verdadeiro sentido, de seguidor do Senhor, pessoa consagrada a Deus, ao pr\u00f3ximo como a si mesmo. N\u00e3o se tratavam dos <em>circumcelliones<\/em>, (circunceli\u00f5es) pessoas que andavam errantes pelas celas, costumavam ir a muitos lugares, n\u00e3o sendo domiciliados e cometiam o mal, pela viol\u00eancia de atitudes, muitas vezes por onde passavam. Estes eram tamb\u00e9m de chamados de falsos monges. Por\u00e9m para Santo Agostinho, n\u00e3o se arruinava a pia fraternidade aos que n\u00e3o professam ser o que n\u00e3o s\u00e3o. \u00c9 claro que no cen\u00e1rio geral, familiar, comunit\u00e1rio e social existem falsos monges, falsos cl\u00e9rigos e falsos fieis<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Se neste salmo, Santo Agostinho tinha presentes os <em>circumcelliones<\/em>, eram tamb\u00e9m chamados de agon\u00edstas, lutadores, combatentes, conforme declarou o Ap\u00f3stolo Paulo: \u201cCombati o bom combate\u201d (dois Tm 4,7). Agostinho afirmou que oxal\u00e1 eles mesmos fossem soldados de Cristo e n\u00e3o do diabo, os quais a sauda\u00e7\u00e3o que se davam entre eles era Louvor de Deus (<em>Deo laudes<\/em>), incutia maior medo do que o provocado pelo rugido do le\u00e3o. Enquanto a sauda\u00e7\u00e3o dos monges era gra\u00e7as a Deus (<em>Deo gratias<\/em>), agradece a Deus, porque um irm\u00e3o v\u00ea o outro irm\u00e3o<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Isto \u00e9 motivo de dar gra\u00e7as a Deus, o encontro dos que vivem com Cristo<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Assim eram chamados os monges, aqueles que vivem unidos de tal sorte que formaram um s\u00f3 ser humano, do qual foi escrito que s\u00e3o uma s\u00f3 alma e um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o (At 4,32), sendo muitos corpos, mas n\u00e3o muitas almas, n\u00e3o muitos cora\u00e7\u00f5es, chamando-se <em>monos<\/em>, isto \u00e9, um s\u00f3. J\u00e1 os <em>circumcelliones<\/em>, esp\u00e9cie de monges dos donatistas, n\u00e3o queriam viver unidos aos irm\u00e3os, mas seguiam a Donato, e abandonaram a Cristo<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Santo Agostinho convidou o povo de Deus a cumprir a lei de Cristo que consiste os irm\u00e3os viverem em comum, no amor. Tudo isso \u00e9 dom de Deus, \u00e9 gra\u00e7a, qual orvalho que cai do c\u00e9u. A terra n\u00e3o produz a chuva por si mesma, porque tudo seca se do alto n\u00e3o descer a chuva. Cristo \u00e9, pois a luz exaltada na cruz, pois na humilha\u00e7\u00e3o ocorreu a eleva\u00e7\u00e3o. Se as pessoas quiserem viver em comum, desejam o orvalho, a chuva que vem do alto<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Deste modo \u00e9 preciso viver em comum, por\u00e9m com a caridade perfeita de Cristo, porque sen\u00e3o a viv\u00eancia fraterna n\u00e3o tem verdadeiro sentido, podendo viver s\u00f3 corporalmente<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, mas isso seria pouco. O Senhor derrama as suas gra\u00e7as sobre os irm\u00e3os que vivem em comum, na conc\u00f3rdia, na caridade<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Santo Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos salmos<\/em>, 9\/3. S\u00e3o Paulo, Paulo, 1998, pg. 764.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Idem<\/em>, pg. 764.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>Idem<\/em>, pg. 764.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Idem<\/em>, pg. 765.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>Idem<\/em>, pg. 765.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <em>Idem<\/em>, pg. 766.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <em>Idem<\/em>, pg. 769-770.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> <em>Idem<\/em>, pg. 770.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> <em>Idem<\/em>, pg. 771.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> <em>Idem<\/em>, pg. 775.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> <em>Idem<\/em>, paz. 775-775.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> <em>Idem<\/em>, pg. 776.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Vital Corbellini Bispo de Marab\u00e1 (PA) &nbsp; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Santo Agostinho teve uma homilia muito bonita que fez para o povo de Deus a respeito do Salmo 132 a qual fala da alegria do amor fraterno. 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