{"id":243313,"date":"2020-07-30T11:07:50","date_gmt":"2020-07-30T14:07:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=243313"},"modified":"2020-09-08T13:52:07","modified_gmt":"2020-09-08T16:52:07","slug":"sete-parabolas-de-jesus-sobre-o-reino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/sete-parabolas-de-jesus-sobre-o-reino\/","title":{"rendered":"Sete Par\u00e1bolas de Jesus sobre o Reino"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Gil Ant\u00f4nio Moreira<br \/>\nArcebispo de Juiz de Fora<\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O n\u00famero sete, na cultura judaica, tem especial significado. Representa plenitude. Para traduzir a palavra de Jesus sobre o Reino de Deus, o evangelista S\u00e3o Mateus escolheu sete compara\u00e7\u00f5es, \u00e0s quais chamamos par\u00e1bolas. Est\u00e3o todas no cap\u00edtulo 13 de seu evangelho. Na liturgia cat\u00f3lica, elas s\u00e3o lidas em tr\u00eas domingos seguidos, a saber, nos 15\u00ba, 16\u00ba e 17\u00ba Domingos do Tempo Comum do Ano A. Ao encerrar este ciclo, s\u00e3o apresentadas as par\u00e1bolas do tesouro escondido no campo, em que uma pessoa vende tudo o que tem e o compra; a da p\u00e9rola preciosa, em que algu\u00e9m tamb\u00e9m d\u00e1 tudo o que possui em troca; e a da rede com os peixes, que, no fim dos tempos, ser\u00e3o separados entre bons e maus, indo os bons para os cestos do Senhor e os demais para o fogo da condena\u00e7\u00e3o eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As duas primeiras par\u00e1bolas coincidem em sua mensagem: quem encontra o Reino de Deus \u00e9 capaz de deixar tudo por ele. Vende tudo o que tem e o acolhe. Coloca-o acima de qualquer riqueza. O Reino de Deus \u00e9 para ele o maior de todos os bens. Os ap\u00f3stolos deixaram tudo por causa dele. Al\u00e9m deles, quantos exemplos n\u00f3s encontramos na hist\u00f3ria, na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, de pessoas que foram capazes de deixar tudo por causa do Reino dos C\u00e9us! A come\u00e7ar por S\u00e3o Paulo Ap\u00f3stolo, Silas, Barnab\u00e9, S\u00e3o Policarpo de Esmirnia, Santo Irineu de Li\u00e3o; todos m\u00e1rtires que preferiram perder a vida do que abandonar o Reino. H\u00e1, tamb\u00e9m, Santo Ant\u00e3o e S\u00e3o Bento, filhos de fam\u00edlias ricas que se fizeram monges para viver mais intensamente no Reino de Deus. S\u00e3o Francisco e Santa Clara, Santa Catarina de Sena, S\u00e3o Camilo de L\u00e9llis, Santo In\u00e1cio de Loyola, Santa Teresa de \u00c1vila, Santa Teresinha do Menino Jesus; Santa Teresa Benedita da Cruz, que no s\u00e9culo XIX chamava-se Edit Stein, fil\u00f3sofa, fenomenologista, judia convertida ao cristianismo; Santa Teresa de Calcut\u00e1, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Santa Dulce dos Pobres e tantos outros. A Igreja guarda com carinho de m\u00e3e os nomes de todos estes e de milhares outros como exemplos de pessoas que foram capazes de deixar tudo por causa do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A s\u00e9tima par\u00e1bola \u00e9 a da Rede e os peixes. Ela se compara \u00e0 met\u00e1fora do joio e do trigo, com a qual tem algo em comum: ao final dos tempos, alguns v\u00e3o para a companhia do Pai e outros ser\u00e3o jogados fora, e v\u00e3o para o fogo que n\u00e3o se extingue. Ela fala das realidades escatol\u00f3gicas, de nossa vida ap\u00f3s a morte, a entrada no Reino Definitivo, que \u00e9 o c\u00e9u, e se refere aos que, por escolha pr\u00f3pria, l\u00e1 n\u00e3o poder\u00e3o entrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas o que \u00e9, afinal, este Reino de Deus? Ele n\u00e3o se confunde com organiza\u00e7\u00e3o social ou pol\u00edtica. N\u00e3o se compara com uma realidade mundana, porque na Terra nunca haver\u00e1 perfei\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o significa, por\u00e9m, que n\u00e3o tenhamos que criar aqui um mundo mais justo e mais fraterno, mais humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Reino \u00e9 um estilo de vida em Deus. Um <em>modus vivendi<\/em> que resulta em comunidade de f\u00e9 e amor. Na verdade, podemos afirmar que o Reino se resume na pessoa de Jesus Cristo. Quem n\u2019Ele est\u00e1, est\u00e1 no reinado de Deus, est\u00e1 sob o Senhorio amoroso do Pai. Neste sentido, podemos dizer que o Reino \u00e9 uma pessoa: \u00e9 Deus mesmo. Quem est\u00e1 em Deus, est\u00e1 no Reino e quem n\u2019Ele n\u00e3o est\u00e1, mesmo que estivesse numa organiza\u00e7\u00e3o social exemplar, no Reino ainda n\u00e3o est\u00e1. A Igreja, por sua vez, \u00e9 sacramento do Reino. Ela \u00e9 o Corpo M\u00edstico de Cristo no qual nos encontramos como membros do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre muitas de Suas par\u00e1bolas, Jesus tamb\u00e9m se compara \u00e0 porta do redil, por onde entramos para o rebanho de Deus. Por ele, como peixes bons, mergulharmos no Pai. Ele \u00e9 a porta de entrada para o grande \u2018mar\u2019 de salva\u00e7\u00e3o que \u00e9 a Trindade Sant\u00edssima. Aqui na Terra vamos vivendo at\u00e9 nos encontrarmos eternamente em Deus, como peixes bons que s\u00f3 t\u00eam vida dentro d\u2019\u00e1gua. Se dela saem, morrem na praia e v\u00e3o servir para o lixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao redor de Jerusal\u00e9m, havia um vale onde jogavam a imund\u00edcie da cidade. Era chamado Geena. Por medida de higiene, mantinham-no sempre incandescente, \u00e0s vezes nele lan\u00e7ando enxofre para o fogo n\u00e3o se extinguir. Ali jogavam, al\u00e9m do lixo dom\u00e9stico, toda podrid\u00e3o que surgisse, animais mortos e at\u00e9 cad\u00e1veres de pessoas condenadas ou consideradas indignas. Quem ca\u00edsse vivo neste lugar, n\u00e3o tinha mais salva\u00e7\u00e3o. Era imposs\u00edvel resgatar algu\u00e9m que se afundasse naquele lix\u00e3o de fogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus usou esta imagem para falar do fogo do inferno. Quem se recusa a estar no Reino de Deus, ou seja, estar imerso no Seu amor, mergulhado em Deus, como peixe na \u00e1gua, se tornar\u00e1 lixo e seu fim ser\u00e1 tr\u00e1gico, por louca escolha pessoal. Eis a\u00ed o que significa a express\u00e3o de Jesus ao afirmar que \u201c<em>no fim dos tempos, os anjos vir\u00e3o para separar os homens maus dos que s\u00e3o justos, e lan\u00e7ar\u00e3o os maus na fornalha de fogo, onde haver\u00e1 choro e ranger de dentes<\/em>\u201d (Mt 13, 49-50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo, o perseverante viver\u00e1 para sempre na plenitude do Reino celeste. Jesus, ao ensinar aos ap\u00f3stolos a rezar, incluiu este pedido: \u201c<em>venha a n\u00f3s o vosso Reino<\/em>\u201d. Deus nos quer junto d\u2019Ele, com Ele e n\u2019Ele para sempre. Am\u00e9m!<\/p>\n<p>&nbsp;    \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Gil Ant\u00f4nio Moreira Arcebispo de Juiz de Fora O n\u00famero sete, na cultura judaica, tem especial significado. Representa plenitude. Para traduzir a palavra de Jesus sobre o Reino de Deus, o evangelista S\u00e3o Mateus escolheu sete compara\u00e7\u00f5es, \u00e0s quais chamamos par\u00e1bolas. 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