{"id":243573,"date":"2020-08-04T12:22:33","date_gmt":"2020-08-04T15:22:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=243573"},"modified":"2020-09-08T13:51:56","modified_gmt":"2020-09-08T16:51:56","slug":"assuncao-de-nossa-senhora-festa-da-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/assuncao-de-nossa-senhora-festa-da-esperanca\/","title":{"rendered":"Assun\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora &#8211; Festa da Esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli<br \/>\nBispo de Santa Cruz do Sul<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caros diocesanos. Nossa condi\u00e7\u00e3o humana revela fortes caracter\u00edsticas peregrinas, pois vivemos a sensa\u00e7\u00e3o de estarmos sempre a caminho, sem lugar definitivo ou de chegada. A filosofia nos ensina que a pessoa humana \u00e9 um <em>ser em devir<\/em> (vir a ser), um ser em forma\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o constante, nunca totalmente pronto. N\u00e3o estamos definitivamente em casa, onde nos encontramos. De certa forma, nos sentimos estranhos, neste mundo, pois nossa verdadeira e definitiva p\u00e1tria de fato \u00e9 outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em sentido teol\u00f3gico, vivenciamos uma saudade ou sede do infinito que Santo Agostinho (s\u00e9c. V) soube expressar a Deus, com estas palavras: \u201c<em>Fizestes-nos para V\u00f3s e o nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 inquieto enquanto n\u00e3o descansar em V\u00f3s<\/em>\u201d (<em>Confiss\u00f5es<\/em>, I, 1, 1). Nossa refer\u00eancia m\u00e1xima, enunciada por Jesus, \u00e9 o pr\u00f3prio Deus: \u201c<em>Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai celeste \u00e9 perfeito<\/em>\u201d (Mt 5, 48). Somente nele atingiremos a finalidade para a qual fomos criados, \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a (cf. Gn 1, 27). Ele \u00e9 nossa casa definitiva, morada perfeita no amor. Enquanto estamos a caminho, como <em>santos<\/em> e <em>pecadores<\/em> (cf. Or. Euc. V), n\u00f3s temos como meta estar em Deus e Ele em n\u00f3s. As cartas apost\u00f3licas seguidamente sa\u00fadam os crist\u00e3os como \u201c<em>migrantes e forasteiros<\/em>\u201d neste mundo (cf. 1Ped 2, 11), pois sua morada est\u00e1 nos c\u00e9us (cf. Fl 3, 20): \u201c<em>n\u00e3o temos aqui cidade permanente, mas estamos \u00e0 procura da que est\u00e1 por vir<\/em>\u201d (Hb 13, 14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo, como atingir a vida eterna se toda pessoa humana traz escrito no mais profundo do seu ser o destino para a morte biol\u00f3gica, que gravita sobre a sua exist\u00eancia qual necessidade inevit\u00e1vel e como constante amea\u00e7a? O tema da morte atinge profundamente a pessoa humana, mais ainda em tempos de pandemia. A Igreja afirma: \u201c<em>Diante da morte, o enigma da condi\u00e7\u00e3o humana atinge seu ponto alto&#8230; A semente da eternidade&#8230; insurge-se contra a morte<\/em>\u201d (GS 18). Em n\u00f3s existe uma esperan\u00e7a de plenitude, que se choca com a situa\u00e7\u00e3o do limite humano, criado pelo pecado, trazendo consigo a morte. Era ent\u00e3o preciso uma reden\u00e7\u00e3o para tornar poss\u00edvel a vida eterna. Para os crist\u00e3os, esta reden\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi conquistada por Jesus Cristo, esperando nossa ades\u00e3o pela vida crist\u00e3 coerente. Esta boa not\u00edcia do amor de Deus enche o ser humano de esperan\u00e7a e de alegria, ou seja: \u201c<em>Quem tem f\u00e9, tem futuro<\/em>\u201d (Bento XVI). Sem esta profiss\u00e3o de f\u00e9 e pr\u00e1tica consequente, os enigmas da vida e da morte tornam-se mist\u00e9rios insol\u00faveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estamos no m\u00eas da solenidade da Assun\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora (15 ou 16\/08\/20): Maria Sant\u00edssima elevada de corpo e alma ao c\u00e9u. S\u00f3 entenderemos esta celebra\u00e7\u00e3o se a ligarmos \u00e0 P\u00e1scoa de Jesus Cristo, pois a Assun\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto direto da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Como uma primeira ilustra\u00e7\u00e3o de seus frutos no mundo humano. Maria \u00e9 o s\u00edmbolo da humanidade agraciada com o amor de Jesus Ressuscitado, que deseja levar atr\u00e1s de si toda humanidade. Esta \u00e9 tamb\u00e9m a nossa meta, que Maria alcan\u00e7ou, por pura gra\u00e7a, antes de n\u00f3s. Ela foi a primeira a participar da gl\u00f3ria do seu Filho; n\u00f3s vivemos na esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta teologia vai ajudar-nos a entender S\u00e3o Paulo quando diz: \u201c<em>Cristo ressuscitou dos mortos como o primeiro dos que morreram&#8230; Depois, os que pertencem a Cristo, por ocasi\u00e3o da sua vinda<\/em>\u201d (1Cor 15, 20 e 23). O pref\u00e1cio da Assun\u00e7\u00e3o nos ajuda a entender que somos Igreja peregrina: \u201c<em>Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela \u00e9 consolo e esperan\u00e7a para o vosso povo ainda em caminho<\/em>\u201d. E no final da missa reza-se: \u201c&#8230; <em>Concedei-nos, pela intercess\u00e3o da Virgem Maria elevada ao c\u00e9u, chegar \u00e0 gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d. A Assun\u00e7\u00e3o de Maria ao c\u00e9u, de corpo e alma, aumente em n\u00f3s a esperan\u00e7a de alcan\u00e7armos tamb\u00e9m a plenitude da vida humana, junto de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>    \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul \u00a0 Caros diocesanos. Nossa condi\u00e7\u00e3o humana revela fortes caracter\u00edsticas peregrinas, pois vivemos a sensa\u00e7\u00e3o de estarmos sempre a caminho, sem lugar definitivo ou de chegada. 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