{"id":243955,"date":"2020-08-11T10:56:37","date_gmt":"2020-08-11T13:56:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=243955"},"modified":"2020-09-08T13:51:49","modified_gmt":"2020-09-08T16:51:49","slug":"querida-amazonia-01","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/querida-amazonia-01\/","title":{"rendered":"Querida Amaz\u00f4nia &#8211; 01"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli <\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Santa Cruz do Sul<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caros diocesanos. Em fevereiro passado o Papa Francisco emitiu uma Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, chamada <em>Querida Amaz\u00f4nia<\/em>. Em algumas mensagens semanais trataremos dessa tem\u00e1tica, em forma de s\u00edntese, pela sua import\u00e2ncia na vida da Igreja e mesmo da humanidade. O documento \u00e9 um prolongamento do S\u00ednodo de outubro\/2019: \u201c<em>Amaz\u00f4nia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa Francisco considera a Amaz\u00f4nia uma gra\u00e7a, com seu drama e seu mist\u00e9rio pr\u00f3prio. Dirige a Exorta\u00e7\u00e3o ao mundo e espera que a Igreja adquira rostos multiformes, com encarnada prega\u00e7\u00e3o, espiritualidade e estrutura. O documento apresenta 04 sonhos:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify\">\n<li><strong>Sonho social<\/strong>: uma Amaz\u00f4nia que luta pelos direitos e pela dignidade dos mais pobres;<\/li>\n<li><strong>Sonho cultural<\/strong>: uma Amaz\u00f4nia que preserve a riqueza cultural;<\/li>\n<li><strong>Sonho ecol\u00f3gico<\/strong>: uma Amaz\u00f4nia que guarde com zelo a beleza natural;<\/li>\n<li><strong>Sonho eclesial<\/strong>: uma Igreja com rostos novos, de tra\u00e7os Amaz\u00f4nicos.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Hoje falaremos sobre o <strong>sonho social<\/strong>, que deseja integrar e promover todos os habitantes da Amaz\u00f4nia, sobretudo os mais pobres. Uma verdadeira abordagem ecol\u00f3gica torna-se tamb\u00e9m abordagem social: o clamor ecol\u00f3gico da terra \u00e9 tamb\u00e9m o clamor dos pobres (povos ind\u00edgenas, ribeirinhos e afrodescendentes) que os interesses colonizadores encurralam sempre mais e favorecem correntes migrat\u00f3rias para as periferias das cidades, onde acontecem as piores formas de escravid\u00e3o, sujei\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos \u00faltimos tempos a Amaz\u00f4nia foi apresentada como um vazio a ser preenchido ou uma vastid\u00e3o selvagem que deve ser domada, ignorando os direitos dos povos nativos, considerados intrusos ou obst\u00e1culos: \u201c<em>Os povos nativos viram muitas vezes, impotentes, a destrui\u00e7\u00e3o do ambiente natural que lhes permitia alimentar-se, curar-se, sobreviver e conservar um estilo de vida e uma cultura que lhes dava identidade e sentido<\/em>\u201d (QA 13). O documento afirma que \u00e9 preciso indignar-se e pedir perd\u00e3o. N\u00e3o podemos nos habituar ao mal da explora\u00e7\u00e3o humana, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 morte. \u00c9 poss\u00edvel superar as mentalidades de coloniza\u00e7\u00e3o para construir redes de solidariedade sem marginaliza\u00e7\u00e3o, uma pecu\u00e1ria e agricultura sustent\u00e1veis, energias n\u00e3o poluentes, fontes dignas de trabalho que n\u00e3o destoem o meio ambiente e as culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Papa lembra os muitos mission\u00e1rios que deixaram suas terras e se tornaram sinais prof\u00e9ticos junto aos mais desprotegidos. Compromisso que precisa continuar hoje. Francisco pede perd\u00e3o pelos crimes cometidos contra os povos nativos na conquista da Am\u00e9rica e os considera mem\u00f3ria viva do compromisso de cuidar da Casa Comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O esp\u00edrito social implica na capacidade de viver a fraternidade. Os povos nativos da Amaz\u00f4nia possuem um forte sentido comunit\u00e1rio em sua vida: \u201c<em>Vivem assim o trabalho, o descanso, os relacionamentos humanos, os ritos e as celebra\u00e7\u00f5es<\/em>\u201d (QA 20). Sua vida \u00e9 um caminho comunit\u00e1rio com tarefas e responsabilidades divididas e compartilhadas, tendo em vista o bem comum. Estas rela\u00e7\u00f5es humanas est\u00e3o impregnadas pela natureza que os circunda e aponta para o cerne do evangelho: fraternidade e solidariedade. Por isso, o desenraizamento dos ind\u00edgenas, for\u00e7ados a viver no individualismo hostil da cidade, \u00e9 verdadeira agress\u00e3o. O documento chama tamb\u00e9m o Estado e demais institui\u00e7\u00f5es para sua responsabilidade, condenando a corrup\u00e7\u00e3o que se torna verdadeiro flagelo moral, envolvendo inclusive os pr\u00f3prios nativos e membros da Igreja. Finalmente, os diversos povos nativos s\u00e3o convocados a um di\u00e1logo social a fim de encontrar formas de comunh\u00e3o e luta conjunta, para serem os principais interlocutores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>    \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul \u00a0 Caros diocesanos. Em fevereiro passado o Papa Francisco emitiu uma Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, chamada Querida Amaz\u00f4nia. Em algumas mensagens semanais trataremos dessa tem\u00e1tica, em forma de s\u00edntese, pela sua import\u00e2ncia na vida da Igreja e mesmo da humanidade. 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