{"id":24450,"date":"2009-12-14T00:00:00","date_gmt":"2009-12-14T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/bispos-do-mato-grosso-do-sul-cobram-solucao-para-questao-indigena\/"},"modified":"2009-12-14T00:00:00","modified_gmt":"2009-12-14T02:00:00","slug":"bispos-do-mato-grosso-do-sul-cobram-solucao-para-questao-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/bispos-do-mato-grosso-do-sul-cobram-solucao-para-questao-indigena\/","title":{"rendered":"Bispos do Mato Grosso do Sul cobram solu\u00e7\u00e3o para quest\u00e3o ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Os bispos do Regional Oeste 1 da CNBB (estado do Mato Grosso do Sul) divulgaram hoje uma nota cobrando do governo brasileiro solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida <!--more--> para as quest\u00f5es que envolvem os ind\u00edgenas do estado. Segundo os bispos, a marginaliza\u00e7\u00e3o atinge \u201ch\u00e1 anos\u201d a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Mato Grosso do Sul, \u201cexpropriada e banida de suas terras de origem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com a nota, o atraso na defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para resolver os conflitos entre ind\u00edgenas e produtores rurais tem levado ao aumento do n\u00famero de v\u00edtimas, \u201cmortes e assassinatos que normalmente atingem os ind\u00edgenas, n\u00e3o os donos das fazendas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cQuando os \u00edndios se atrevem a buscar seus direitos, s\u00e3o tratados e eliminados como ani-mais por mil\u00edcias e seguran\u00e7as a servi\u00e7o do agroneg\u00f3cio, ou acabam apodrecendo anos a fio em nossos pres\u00eddios, j\u00e1 que s\u00e3o cada vez mais raros os advogados que ousam tomar a sua defesa\u201d, denuncia a nota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Veja abaixo a \u00edntegra do pronunciamento dos bispos<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify\">Nota da Confer\u00eancia Episcopal do Mato Grosso do Sul sobre a quest\u00e3o ind\u00edgena<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00abEu vi a opress\u00e3o do meu povo, ouvi o seu grito de afli\u00e7\u00e3o e conhe\u00e7o os seus sofri-mentos\u00bb (Ex 3,7)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A fidelidade ao Deus que se solidariza com os que s\u00e3o exclu\u00eddos pela sociedade nos impede de permanecer indiferentes ante a marginaliza\u00e7\u00e3o que h\u00e1 anos atinge a maior parte da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Estado, expropriada e banida de suas terras de origem. Trata-se de uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel e in\u00edqua, fruto de uma sociedade de consumo que privilegia o lucro, e cuja solu\u00e7\u00e3o, adiada indefinidamente, nada faz sen\u00e3o aumentar a ang\u00fastia e a revol-ta de todos, colocando em margens opostas cidad\u00e3os de uma na\u00e7\u00e3o que proclama a igual-dade de direitos e de deveres de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A relut\u00e2ncia em buscar pol\u00edticas p\u00fablicas que sanem, de uma vez por todas, o clima de desespero e de \u00f3dio entre produtores rurais e \u00edndios, faz com que cres\u00e7a, a cada ano que passa, o n\u00famero de v\u00edtimas, outorgando ao nosso Estado o triste primado de mortes de pes-soas indefesas, que lutam para sobreviver em meio ao descaso e \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o que as cercam de todos os lados \u2013 mortes e assassinatos que normalmente atingem os ind\u00edgenas, n\u00e3o os donos de fazendas. E j\u00e1 que no Brasil nada se consegue sen\u00e3o com press\u00e3o, quando os \u00edndios se atrevem a buscar seus direitos, s\u00e3o tratados e eliminados como animais por mil\u00edcias e seguran\u00e7as a servi\u00e7o do agroneg\u00f3cio, ou acabam apodrecendo anos a fio em nossos pres\u00eddios, j\u00e1 que s\u00e3o cada vez mais raros os advogados que ousam tomar a sua defesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA paz \u00e9 fruto da justi\u00e7a\u201d, lembrava a Campanha da Fraternidade promovida pela Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil na quaresma desse ano. Contudo, a justi\u00e7a s\u00f3 \u00e9 verdadeira e completa quando engloba tamb\u00e9m os ind\u00edgenas, sujeitos dos mesmos direitos dos demais cidad\u00e3os brasileiros. Com isso, n\u00e3o estamos nos posicionando contra os produ-tores rurais (sobretudo os pequenos agricultores), que adquiriram suas terras legalmente e as cultivam com o suor de seu rosto. O que afirmamos \u00e9 que n\u00e3o se pode prolongar um estado de coisas que, al\u00e9m de nos humilhar perante a opini\u00e3o p\u00fablica mundial, \u00e9 uma tremenda injusti\u00e7a que se comete contra uma multid\u00e3o de brasileiros \u2013 e a injusti\u00e7a sempre gera viol\u00eancia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o cabe a n\u00f3s, Bispos, indicar solu\u00e7\u00f5es, pois fogem \u00e0 nossa compet\u00eancia. A outras inst\u00e2ncias pertence a responsabilidade de conduzir a pol\u00edtica indigenista, definindo se se deva optar pela demarca\u00e7\u00e3o de terras \u201cancestrais\u201d, como pedem os \u00edndios, ou pela compra, por parte do Governo, de propriedades situadas nas cercanias das atuais aldeias ind\u00edgenas, como sugerem os produtores rurais, ou ainda partir para a utiliza\u00e7\u00e3o de terras devolutas no Estado. De nossa parte, o que n\u00e3o podemos deixar de questionar \u00e9 se o Brasil, que disp\u00f5e de verbas para obras de envergadura em todo o territ\u00f3rio nacional, n\u00e3o tem tamb\u00e9m recursos para realizar, de uma vez por todas, as justas expectativas de uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais vulner\u00e1vel e explorada em sua dignidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao solicitar das autoridades civis e judiciais uma atitude firme e corajosa, fruto do di-\u00e1logo entre as partes envolvidas, sob a tutela e a garantia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, n\u00e3o so-mos levados simplesmente por motivos religiosos, mas, antes de tudo, humanos. Nem es-tamos afirmando que a \u00fanica exig\u00eancia para a uma conviv\u00eancia justa e pac\u00edfica entre \u00edndios e n\u00e3o \u00edndios seja dar terra a quem n\u00e3o tem. Junto com ela, o que os \u00edndios precisam \u00e9 das mesmas condi\u00e7\u00f5es de vida que se oferecem aos demais brasileiros, sobretudo no campo da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, da moradia e do emprego, para que sejam protagonistas de seu desen-volvimento e de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apraz-nos encerrar com as palavras proferidas por nossos irm\u00e3os, os Bispos da Am\u00e9-rica Latina, reunidos em Aparecida, em maio de 2007: \u00abNosso servi\u00e7o pastoral \u00e0 vida plena dos povos ind\u00edgenas exige que anunciemos Jesus Cristo e a Boa Nova do Reino de Deus; que denunciemos as situa\u00e7\u00f5es de pecado, as estruturas de morte, a viol\u00eancia e as injusti\u00e7as internas e externas; e que fomentemos o di\u00e1logo intercultural, interreligioso e ecum\u00eanico. Jesus Cristo \u00e9 a plenitude da revela\u00e7\u00e3o para todos os povos e o centro fundamental de refer\u00eancia para discernir os valores e as defi\u00acci\u00eancias de todas as culturas, incluindo as ind\u00edgenas. Por isso, o maior tesouro que podemos oferecer a eles \u00e9 que cheguem ao encontro com Jesus Cristo ressuscitado, nosso Salvador\u00bb (Documento de Aparecida, 95).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Campo Grande, 12 de dezembro de 2009,<br \/>\nfesta de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira dos povos ind\u00edgenas<\/p>\n<p>Dom Vit\u00f3rio Pavanello, SDB, Arcebispo de Campo Grande<br \/>\nDom Eduardo Pinheiro da Silva, SDB, Bispo auxiliar de Campo Grande<br \/>\nDom Antonino Migliore, Bispo de Coxim<br \/>\nDom Redovino Rizzardo, CS, Bispo de Dourados<br \/>\nDom Segismundo Martinez Alvarez, SDB, Bispo de Corumb\u00e1<br \/>\nDom Jorge Alves Bezerra, SSS, Bispo de Jardim<br \/>\nDom Jos\u00e9 Moreira Bastos Neto, Bispo de Tr\u00eas Lagoas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os bispos do Regional Oeste 1 da CNBB (estado do Mato Grosso do Sul) divulgaram hoje uma nota cobrando do governo brasileiro solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[788,769],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/24450"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=24450"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/24450\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=24450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=24450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=24450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}