{"id":24503,"date":"2013-06-05T00:00:00","date_gmt":"2013-06-05T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/nota-do-regional-oeste-1-ms-sobre-a-questao-indigena\/"},"modified":"2013-06-05T00:00:00","modified_gmt":"2013-06-05T03:00:00","slug":"nota-do-regional-oeste-1-ms-sobre-a-questao-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/nota-do-regional-oeste-1-ms-sobre-a-questao-indigena\/","title":{"rendered":"\u201cSolicitamos \u00e0s autoridades que se deixem guiar pela justi\u00e7a nas medidas que precisam tomar\u201d, pedem bispos do Mato Grosso do Sul"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Diante do impasse gerado pela quest\u00e3o ind\u00edgena no Mato Grosso do Sul, os bispos do Regional Oeste 1 (Mato Grosso do Sul) divulgaram uma nota nesta quarta-feira, 05 de junho, se posicionando a cerca do assunto. Veja o texto na \u00edntegra.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Nota <\/strong><br \/>\n<strong>da Confer\u00eancia Episcopal do Mato Grosso do Sul <\/strong><br \/>\n<strong>sobre a quest\u00e3o ind\u00edgena<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Foi com este t\u00edtulo que, a 12 de dezembro de 2009, os Bispos da Igreja Cat\u00f3lica presente no Mato Grosso do Sul nos posicionamos sobre o doloroso conflito que, h\u00e1 d\u00e9cadas, mant\u00e9m agricultores e ind\u00edgenas em margens opostas e que, a cada ano que passa, evolui em v\u00edtimas de ambos os lados. Reconhec\u00edamos ent\u00e3o que n\u00e3o se podia <em>\u00abprolongar um estado de coisas que, al\u00e9m de nos humilhar perante a opini\u00e3o p\u00fablica mundial, \u00e9 uma tremenda injusti\u00e7a que se comete contra uma multid\u00e3o de brasileiros \u2013 e a injusti\u00e7a sempre gera viol\u00eancia!\u00bb.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Infelizmente, a nossa voz n\u00e3o parece ter obtido a resposta que desej\u00e1vamos. Os paliativos tomados se resumiram a congressos, semin\u00e1rios, viagens a Bras\u00edlia (ou de Bras\u00edlia) e&#8230; promessas! Nenhum dos tr\u00eas poderes \u2013 Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio \u2013 correspondeu \u00e0s expectativas neles depositadas. Interesses mais ou menos ocultos prevaleceram sobre o bem comum. Era o que nos preocupava na mensagem: <em>\u00abO que n\u00e3o podemos deixar de questionar \u00e9 se o Brasil, que disp\u00f5e de verbas para obras de envergadura em todo o territ\u00f3rio nacional, n\u00e3o tem recursos para realizar, de uma vez por todas, as justas expectativas de uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais vulner\u00e1vel e explorada em sua dignidade\u00bb.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, para n\u00e3o ficarmos, n\u00f3s tamb\u00e9m, apenas em palavras, apresent\u00e1vamos uma tentativa de solu\u00e7\u00e3o: <em>\u00abA compra, por parte do governo, de propriedades situadas nas cercanias das atuais aldeias ind\u00edgenas ou a utiliza\u00e7\u00e3o de terras devolutas no Estado\u00bb.<\/em> A ideia foi debatida e assumida, nestes \u00faltimos anos, por amplos segmentos da sociedade sul-mato-grossense e sintetizada em dois itens: quanto aos produtores rurais que tiverem suas propriedades demarcadas, sejam indenizados pelo valor real das mesmas (e n\u00e3o apenas por suas benfeitorias); quanto \u00e0s comunidades ind\u00edgenas, suas aldeias sejam revitalizadas e transformadas em n\u00facleos populacionais (urbanos e rurais), com os servi\u00e7os e as pol\u00edticas p\u00fablicas indispens\u00e1veis \u00e0s necessidades de seus habitantes, assim como se procura fazer com as demais cidades e vilas do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como todo o territ\u00f3rio brasileiro, tamb\u00e9m o Mato Grosso do Sul era terra ind\u00edgena. Por isso, \u00e9 um dever que cabe a toda a sociedade \u2013 representada por suas autoridades \u2013 proporcionar aos povos ind\u00edgenas condi\u00e7\u00f5es de vida que os fa\u00e7am sujeitos e protagonistas de seu desenvolvimento, ao inv\u00e9s de mant\u00ea-los numa depend\u00eancia social e econ\u00f4mica que os avilta em sua dignidade de seres humanos. Os conflitos gerados por suas sucessivas ocupa\u00e7\u00f5es de propriedades vizinhas nada mais s\u00e3o do que uma prova contundente do abandono a que s\u00e3o relegados. Quando n\u00e3o atinge todas as camadas sociais, o progresso \u00e9 desumano e injusto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por sua vez, estamos conscientes de que a maioria dos produtores rurais \u2013 pelo menos dos pequenos e m\u00e9dios agricultores que chegaram ao Mato Grosso do Sul a partir de 1950, impulsionados pela <em>\u201cMarcha para o Oeste\u201d<\/em> deflagrada pelo Presidente Get\u00falio Vargas \u2013 adquiriram suas propriedades legalmente e delas precisam para viver. N\u00e3o se pode reparar uma injusti\u00e7a cometida no passado pelo governo brasileiro contra os \u00edndios tirando-lhes a terra, com outra injusti\u00e7a, desrespeitando os direitos adquiridos pelos agricultores. Caso contr\u00e1rio, prolongar-se-\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o e inseguran\u00e7a jur\u00eddica e social que s\u00f3 pode terminar em viol\u00eancia, onde os mais fracos s\u00e3o sempre as primeiras v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Chegamos a uma situa\u00e7\u00e3o limite, que amea\u00e7a degenerar em conflito armado. Por isso, ao mesmo tempo em que solicitamos \u00e0s autoridades civis, judici\u00e1rias e militares que se deixem guiar pela justi\u00e7a e pela sabedoria nas medidas concretas e imediatas que precisam tomar, pedimos a todas as pessoas de boa vontade \u2013 ind\u00edgenas, produtores rurais e membros de organismos envolvidos no conflito \u2013 que anteponham o di\u00e1logo e a negocia\u00e7\u00e3o ao confronto, para n\u00e3o se mancharem com o sangue que continua a regar o solo do nosso Estado. Para uma solu\u00e7\u00e3o justa e duradoura da quest\u00e3o ind\u00edgena no Mato Grosso do Sul, o direito e o bem-estar de todas as partes precisam ser assegurados. Se as ocupa\u00e7\u00f5es geram um clima de inseguran\u00e7a jur\u00eddica e social, o <em>status quo<\/em> \u00e9 um barril de p\u00f3lvora em constante amea\u00e7a de explos\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00cdndios e produtores rurais acreditam no mesmo Deus, formam a mesma fam\u00edlia e constroem a mesma na\u00e7\u00e3o. Nada mais natural, portanto, que busquem concordes e solid\u00e1rios a solu\u00e7\u00e3o de seus desafios e conflitos, j\u00e1 que, em assunto de tamanha import\u00e2ncia, ningu\u00e9m pode olhar apenas para seus interesses: ou nos salvamos juntos ou todos sairemos perdendo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Campo Grande, 5 de junho de 2013<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Dom Dimas Lara Barbosa<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Campo Grande<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Dom Eduardo Pinheiro da Silva, SDB<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Auxiliar de Campo Grande<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Dom Vit\u00f3rio Pavanello, SDB<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo Em\u00e9rito de Campo Grande<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Dom Antonino Migliore<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Coxim<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Dom Redovino Rizzardo, CS<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Dourados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Dom Segismundo Martinez Alvarez, SDB<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Corumb\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Dom Jos\u00e9 Moreira Bastos Neto<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Tr\u00eas Lagoas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Dom Ettore Dotti, CSF<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Navira\u00ed<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Pe. Bento Moreira<\/strong><br \/>\n<strong>Administrador Diocesano de Jardim<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante do impasse gerado pela quest\u00e3o ind\u00edgena no Mato Grosso do Sul, os bispos do Regional Oeste 1 (Mato Grosso do Sul) divulgaram uma nota nesta quarta-feira, 05 de junho, se posicionando a cerca do assunto. 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