{"id":245191,"date":"2020-08-27T11:14:17","date_gmt":"2020-08-27T14:14:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=245191"},"modified":"2020-09-08T13:51:11","modified_gmt":"2020-09-08T16:51:11","slug":"semeando-a-cultura-de-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/semeando-a-cultura-de-paz\/","title":{"rendered":"Semeando a cultura de paz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Jo\u00e3o Santos Cardoso<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Bom Jesus da Lapa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz \u00e9 inerente \u00e0 miss\u00e3o que a Igreja recebeu de Cristo de anunciar o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). Este \u00e9, antes de tudo, um an\u00fancio de paz: \u201cAssim que entrardes numa casa, dizei em primeiro lugar: \u2018Paz seja para esta casa!\u2019\u201d (Lc 10, 5). E se esta for digna, a paz repousar\u00e1 sobre ela (Mt 10, 13). Semear a cultura de paz \u00e9 dever de todo crist\u00e3o. Como faz\u00ea-lo se vivemos em uma cultura permeada pela vontade de poder e domina\u00e7\u00e3o sobre o outro, sobre a natureza e sobre o mundo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja no Brasil tem promovido v\u00e1rias Campanhas da Fraternidade visando a supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e a promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz. A recorr\u00eancia dessa tem\u00e1tica mostra, por sua vez, a complexidade e persist\u00eancia da viol\u00eancia na sociedade brasileira. Temos dificuldade de perceb\u00ea-la, pois a mesma foi naturalizada e a vemos como algo normal. N\u00e3o nos causa indigna\u00e7\u00e3o sua express\u00e3o letal nos homic\u00eddios cotidianos e em tantas outras formas de agress\u00e3o f\u00edsica, verbal, psicol\u00f3gica e simb\u00f3lica que acompanham o cotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Costumamos dizer que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds pac\u00edfico, hospitaleiro e acolhedor, com democracia racial e social. Essa imagem, por\u00e9m, convive com v\u00e1rias contradi\u00e7\u00f5es, entre as quais citamos: a prolifera\u00e7\u00e3o do discurso do \u00f3dio; o aumento da intoler\u00e2ncia entre as pessoas por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas; alta taxa de homic\u00eddios que vitimiza principalmente jovens, negros, pobres, mulheres e popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A viol\u00eancia tem ra\u00edzes profundas em nosso imagin\u00e1rio. Ela est\u00e1 na origem da forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira, fundada na dizima\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas e na escravid\u00e3o de africanos. Essa heran\u00e7a cultural determina ainda hoje nosso modo de ver a realidade social, sem contar aquelas pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es culturais justificadoras da realidade que nos impedem de reconhecer determinadas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia (CNBB, 2018).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m a m\u00eddia n\u00e3o nos ajuda a perceber a viol\u00eancia e promover uma cultura de paz. Ao contr\u00e1rio, ela banaliza a viol\u00eancia atrav\u00e9s de programas policiais em que o drama dos pobres \u00e9 oferecido como espet\u00e1culo, defendendo a justi\u00e7a como vingan\u00e7a social, a pena de morte, o excludente de ilicitude policial, o armamento do cidad\u00e3o e o justi\u00e7amento. Em tal contexto, ganha atualidade e urg\u00eancia a mensagem do Papa Francisco para fazer da <em>n\u00e3o-viol\u00eancia<\/em>\u00a0um estilo de vida de uma pol\u00edtica em favor da paz (PAPA FRANCISCO, 2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>CULTURA DE PAZ<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Embora tiv\u00e9ssemos iniciado a discuss\u00e3o com o tema da viol\u00eancia, o nosso prop\u00f3sito neste texto n\u00e3o \u00e9 abordar essa quest\u00e3o, mas tratar da promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz como caminho de supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. De onde segue a import\u00e2ncia de se adotar uma postura propositiva, nos discursos e nas a\u00e7\u00f5es, em favor da paz, da empatia, da generosidade, da reconcilia\u00e7\u00e3o e da justi\u00e7a no \u00e2mbito da pessoa e fam\u00edlia, da comunidade e sociedade, do mundo e a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Resolu\u00e7\u00e3o 53\/243 das Na\u00e7\u00f5es Unidas de 1999, no Artigo Primeiro, define a<em> Cultura de Paz<\/em> como um conjunto de valores, atitudes, tradi\u00e7\u00f5es, comportamentos e estilos de vida baseados, entre outros princ\u00edpios, no respeito \u00e0 vida, no fim da viol\u00eancia e na promo\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica da n\u00e3o-viol\u00eancia por meio da educa\u00e7\u00e3o, do di\u00e1logo e da coopera\u00e7\u00e3o. O que levou um grupo de laureados do Pr\u00eamio Nobel da Paz, no 50\u00ba anivers\u00e1rio da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humano, a lan\u00e7ar o Manifesto 2000 por uma Cultura de Paz e N\u00e3o-viol\u00eancia, baseados nos seguintes princ\u00edpios: respeitar a vida e a dignidade de cada pessoa; praticar a n\u00e3o-viol\u00eancia ativa e rejeitar a viol\u00eancia em todas suas formas; ser generoso; ouvir para compreender sem ceder ao fanatismo, \u00e0 maledic\u00eancia e ao recha\u00e7o do pr\u00f3ximo; preservar o planeta, atrav\u00e9s de um consumo respons\u00e1vel e de um modelo de desenvolvimento que tenha em conta a import\u00e2ncia de todas as formas de vida e redescobrir a solidariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A express\u00e3o <em>cultura de paz<\/em> tem surgido em v\u00e1rios documentos eclesiais. Em 1963, no contexto da guerra fria, da corrida armamentista, da luta armada e das desigualdades econ\u00f4micas, o Papa Jo\u00e3o XXIII, na enc\u00edclica <em>Pacis in Terris <\/em>(n.166), afirma que \u201ca paz permanece palavra vazia de sentido, se n\u00e3o se funda numa ordem assentada na verdade, constru\u00edda segundo a justi\u00e7a, alimentada e consumada na caridade, realizada sob os ausp\u00edcios da liberdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja Cat\u00f3lica pode oferecer uma grande contribui\u00e7\u00e3o em prol da cultura de paz aos seus fi\u00e9is e \u00e0 sociedade no \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o e da espiritualidade pessoal e familiar. Nesse campo, a Igreja disp\u00f5e de um rico patrim\u00f4nio cultural e espiritual, proveniente das Sagradas Escrituras e do seu Magist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus, que viveu em tempos violentos, nos ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a viol\u00eancia e a paz, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o humano: \u00abPorque \u00e9 do interior do cora\u00e7\u00e3o dos homens que saem os maus pensamentos\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a07, 21). Ele nos ofereceu uma mensagem radicalmente positiva em favor da paz, no Serm\u00e3o da Montanha: pregou o amor incondicional de Deus; o perd\u00e3o; ensinou os seus disc\u00edpulos a amar os inimigos (<em>Mt<\/em>\u00a05, 44) e a oferecer a outra face (<em>Mt<\/em>\u00a05, 39). Isto constitui o n\u00facleo da \u201crevolu\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u201d e \u00aba magna carta da n\u00e3o-viol\u00eancia crist\u00e3\u00bb. Esta n\u00e3o consiste \u00abem render-se ao mal [&#8230;], mas em responder ao mal com o bem (<em>Ro <\/em>12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injusti\u00e7a\u00bb (PAPA FRANCISCO, 2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">V\u00edtima da viol\u00eancia, Jesus n\u00e3o fomentou o \u00f3dio, mas fez da n\u00e3o-viol\u00eancia seu estilo de vida. Sem fazer uso da for\u00e7a, defendeu a vida da mulher ad\u00faltera diante de seus acusadores que queriam apedrej\u00e1-la (<em>Jo<\/em>\u00a08, 1-11). Na noite antes de morrer, preso injustamente, n\u00e3o aprovou a atitude de Pedro que recorreu \u00e0 espada para defende-lo (<em>Mt <\/em>26, 52). At\u00e9 o fim, Jesus percorreu o caminho da n\u00e3o-viol\u00eancia e assim estabeleceu a paz e destruiu a hostilidade (PAPA FRANCISCO, 2017, n. 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A n\u00e3o-viol\u00eancia n\u00e3o se confunde com rendi\u00e7\u00e3o, neglig\u00eancia e passividade. Segundo o Papa Bento XVI (2007), \u201ca n\u00e3o-viol\u00eancia para os crist\u00e3os n\u00e3o \u00e9 um mero comportamento t\u00e1tico, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem\u00a0<em>est\u00e1 t\u00e3o convicto do amor de Deus e do seu poder<\/em>\u00a0que n\u00e3o tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade\u201d. O Papa Paulo VI (1968) afirma que \u201cdo Evangelho pode brotar a paz, n\u00e3o para tornar os homens fracos e moles, mas para substituir nas suas almas os impulsos da viol\u00eancia e da prepot\u00eancia, pelas virtudes civis da raz\u00e3o e do cora\u00e7\u00e3o dum humanismo verdadeiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja no Brasil tem uma rica experi\u00eancia na promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz, seja em n\u00edvel de documentos e pronunciamentos da CNBB, como tamb\u00e9m em n\u00edvel pr\u00e1tico atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o pastoral desenvolvida pelas comunidades eclesiais. \u00c9 verdade que \u201co compromisso a favor das v\u00edtimas da injusti\u00e7a e da viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um patrim\u00f3nio exclusivo da Igreja Cat\u00f3lica, mas pertence a muitas tradi\u00e7\u00f5es religiosas, para quem \u00aba compaix\u00e3o e a n\u00e3o-viol\u00eancia s\u00e3o essenciais e indicam o caminho da vida\u00bb\u201d (PAPA FRANCISCO, 2017, 4). Entretanto, v\u00e1rias comunidades eclesiais, inspiradas nesse patrim\u00f4nio comum, t\u00eam realizado obras sociais de apoio \u00e0s v\u00edtimas da viol\u00eancia e a\u00e7\u00f5es educativas em vista de uma cultura de paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A institui\u00e7\u00e3o, em 1967, do Dia Mundial da Paz, pelo Papa Paulo VI \u00e9 um exemplo do compromisso da Igreja com a promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz e n\u00e3o-viol\u00eancia. Poder\u00edamos valoriz\u00e1-lo com mais criatividade e repercutir positivamente, nas comunidades e na sociedade, a mensagem que o Santo Padre faz para aquela ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o de nossos jovens e crian\u00e7as, \u00e9 poss\u00edvel fazer da n\u00e3o-viol\u00eancia um estilo de vida. Os fi\u00e9is leigos e pessoas de boa vontade presentes no mundo da educa\u00e7\u00e3o poderiam ser estimuladas a atuarem nas escolas segundo este objetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m da escola, \u00e9 necess\u00e1rio pensar a fam\u00edlia como espa\u00e7o de educa\u00e7\u00e3o para a conviv\u00eancia civilizada, onde se aprende a cultura de paz. \u201cAs fam\u00edlias exercem uma miss\u00e3o educativa prim\u00e1ria e imprescind\u00edvel. Constituem o primeiro lugar onde se vivem e transmitem os valores do amor e da fraternidade, da conviv\u00eancia e da partilha, da aten\u00e7\u00e3o e do cuidado pelo outro\u201d (PAPA FRANCISCO, 2016, 6). A respeito desse importante papel da fam\u00edlia, o Papa Francisco, em sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2017 (n. 5), fala com muita clareza:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se a origem donde brota a viol\u00eancia \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o humano, ent\u00e3o \u00e9 fundamental come\u00e7ar por percorrer a senda da n\u00e3o-viol\u00eancia dentro da fam\u00edlia.\u00a0 [&#8230;] Esta constitui o cadinho indispens\u00e1vel no qual c\u00f4njuges, pais e filhos, irm\u00e3os e irm\u00e3s aprendem a comunicar e a cuidar uns dos outros desinteressadamente e onde os atritos, ou mesmo os conflitos, devem ser superados, n\u00e3o pela for\u00e7a, mas com o di\u00e1logo, o respeito, a busca do bem do outro, a miseric\u00f3rdia e o perd\u00e3o.\u00a0A partir da fam\u00edlia, a alegria do amor propaga-se pelo mundo, irradiando para toda a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Frente \u00e0 espiral da viol\u00eancia na sociedade brasileira e em muitas regi\u00f5es do mundo, podemos sentir-nos impotentes ou at\u00e9 mesmo nos acostumar com a banaliza\u00e7\u00e3o do mal, tornando-nos indiferentes. Todavia, n\u00e3o podemos nos render \u00e0 resigna\u00e7\u00e3o. Antes, devemos nos empenhar \u201cnos diferentes n\u00edveis, para realizar a justi\u00e7a e a trabalhar pela paz. Na verdade, esta \u00e9 dom de Deus e trabalho dos homens<em>\u201d <\/em>(PAPA FRANCISCO, janeiro\/2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o h\u00e1 uma f\u00f3rmula m\u00e1gica para a supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. Essa envolve um trabalho artesanal e paciente. Certamente, n\u00e3o basta a repress\u00e3o policial, o punitivismo jur\u00eddico e promulga\u00e7\u00e3o de leis mais duras que co\u00edbam o crime. S\u00e3o necess\u00e1rias boas pol\u00edticas de seguran\u00e7a p\u00fablica integradas a pol\u00edticas de inclus\u00e3o social, de gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda, de educa\u00e7\u00e3o, de oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, de urbaniza\u00e7\u00e3o em vista do bem-estar e paz social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Campanha da Fraternidade sobre a <em>Seguran\u00e7a P\u00fablica <\/em>de 2008 prop\u00f4s v\u00e1rias iniciativas, na \u00e1rea da forma\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o, envolvendo as entidades sociais, comunit\u00e1rias e poderes p\u00fablicos, em dire\u00e7\u00e3o a uma cultura de paz. \u00c9 preciso mobilizar um amplo arco de parcerias e fortalecer as redes comunit\u00e1rias para tornar poss\u00edvel a convivialidade respeitosa. \u00c9 urgente fomentar uma cultura em que \u201ca paz e seguran\u00e7a, mais do que discursos ou conjunto de propostas, deve constituir-se em mentalidade que determine o modo de pensar e de agir de todas as pessoas: deve ser express\u00e3o de uma cultura\u201d (CNBB, 2008, n. 242).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em favor da promo\u00e7\u00e3o de uma cultura de paz concorre a mensagem do Papa Francisco reverberada durante o Ano Jubilar da Miseric\u00f3rdia. A f\u00e9 crist\u00e3 coloca, hoje, para n\u00f3s a exig\u00eancia de participar do mist\u00e9rio divino, fazendo da miseric\u00f3rdia um estilo de vida, a meta a ser atingida em todo nosso agir. \u00a0De modo que possamos viver a perfei\u00e7\u00e3o crist\u00e3 deixando que a miseric\u00f3rdia plasme os nossos desejos, as nossas obras, o nosso pensamento e toda a nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Miseric\u00f3rdia n\u00e3o apenas nos responsabiliza com o outro que vive uma situa\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel, de car\u00eancia e necessidade; mas tamb\u00e9m nos responsabiliza com o Criado, como nos ensina o Papa Francisco em sua mensagem pelo <em>Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelo Cuidado da Cria\u00e7\u00e3o<\/em> de 2016<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A cultura de paz passa pelo caminho de convers\u00e3o ecol\u00f3gica (PAPA FRANCISCO, 2020). Parece que ainda n\u00e3o tomamos consci\u00eancia dos perigos da explora\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel do planeta e os danos causados \u00e0 cria\u00e7\u00e3o. Vivemos uma crise moral e espiritual que est\u00e1 na base dos problemas ambientais e da degrada\u00e7\u00e3o. \u00c9 urgente tomar iniciativas em prol da justi\u00e7a ambiental, do direito dos pobres e do servi\u00e7o respons\u00e1vel \u00e0 sociedade. Quer sejam crist\u00e3os ou n\u00e3o, como pessoas de f\u00e9 e de boa vontade, devemos estar unidos e manifestar miseric\u00f3rdia para com a nossa casa comum e valorizar plenamente o mundo em que vivemos como lugar de partilha e comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o podemos ficar indiferentes perante a perda da biodiversidade e a destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, muitas vezes provocadas pelos nossos comportamentos irrespons\u00e1veis e ego\u00edstas. \u201cPor nossa causa, milhares de esp\u00e9cies j\u00e1 n\u00e3o dar\u00e3o gl\u00f3ria a Deus com a sua exist\u00eancia, nem poder\u00e3o comunicar-nos a sua pr\u00f3pria mensagem. N\u00e3o temos direito de fazer isso\u201d (PAPA FRANCISCO, 2015, n. 33). \u201cQuando maltratamos a natureza, maltratamos tamb\u00e9m os seres humanos\u201d (PAPA FRANCISCO, set.\/2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na crise antropol\u00f3gica e ambiental em que vivemos, a f\u00e9 crist\u00e3 nos compromete com uma ecologia integral e nos provoca a adotar atitudes novas que repousem suas ra\u00edzes em uma espiritualidade do cuidado e da sobriedade, que nos ajude a repensar nossos h\u00e1bitos de consumo e nos liberte da indiferen\u00e7a frente \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do ambiente humano.\u00a0 \u00c9 um fato muito grave a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, pois Deus confiou o mundo aos nossos cuidados e a pr\u00f3pria vida na sua variedade \u00e9 um dom que deve ser protegido de v\u00e1rias formas de degrada\u00e7\u00e3o (PAPA FRANCISCO, 2015, n. 5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0A cultura atual marcada pela iman\u00eancia aprisiona o ser humano no imediato e n\u00e3o responde as suas aspira\u00e7\u00f5es mais profundas. Somente atrav\u00e9s de um novo humanismo, tendo como refer\u00eancia a pessoa de Cristo, que revelou em seu mist\u00e9rio a plenitude da voca\u00e7\u00e3o humana, \u00e9 que haver\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o pac\u00edfica entre as comunidades e a terra. \u201cEste caminho de reconcilia\u00e7\u00e3o inclui tamb\u00e9m escuta e contempla\u00e7\u00e3o do mundo que nos foi dado por Deus, para fazermos dele a nossa casa comum\u201d (PAPA FRANCISCO, 2020).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mais do que nunca, a f\u00e9 crist\u00e3 tem por exig\u00eancia possibilitar aquilo que somente ela pode oferecer \u00e0s pessoas do nosso tempo, ou seja, o acesso a uma experi\u00eancia de espiritualidade e de transcend\u00eancia, que nos abra mais ao encontro com o outro e \u00e0 recep\u00e7\u00e3o do dom da cria\u00e7\u00e3o, que reflete a beleza e a sabedoria do seu Art\u00edfice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">CNBB \u2013 Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil. <strong>Fraternidade e Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong>. <strong>Campanha da Fraternidade 2009: Texto-Base<\/strong>. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">CNBB \u2013 Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil. <strong>Fraternidade e Supera\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia<\/strong>. <strong>Campanha da Fraternidade 2018: Texto-Base<\/strong>. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PAPA BENTO XVI. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/angelus\/2007\/documents\/hf_ben-xvi_ang_20070218.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Angelus<\/a><\/em>, 18 de fevereiro de 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PAPA FRANCISCO.\u00a0 <strong>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium<\/em><\/strong>. Roma, 24 de novembro de 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PAPA FRANCISCO. <strong>Carta Enc\u00edclica<\/strong> <strong><em>Laudato S\u00ec<\/em><\/strong>. Roma: Tipografia Vaticana,\u00a0 24\/05\/2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PAPA FRANCISCO. <strong>Vencer a indiferen\u00e7a<\/strong>. Mensagem para a Celebra\u00e7\u00e3o do 49\u00ba Dia Mundial da Paz, 1\u00b0 de janeiro de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PAPA FRANCISCO.\u00a0 <strong>Mensagem de Sua Santidade Papa Francisco para a Celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelo Cuidado da Cria\u00e7\u00e3o: <em>Usemos de miseric\u00f3rdia para com a nossa casa comum.<\/em><\/strong> Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 01de setembro de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PAPA FRANCISCO. <strong>A n\u00e3o-viol\u00eancia: estilo de uma pol\u00edtica para a paz<\/strong>. Mensagem para a Celebra\u00e7\u00e3o do 50\u00ba Dia Mundial da Paz, 1\u00b0 de janeiro de 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PAPA FRANCISCO. \u00a0<strong>A Paz como Caminho de Esperan\u00e7a: Di\u00e1logo, Reconcilia\u00e7\u00e3o e Convers\u00e3o Ecol\u00f3gica. <\/strong>\u00a0Mensagem para a Celebra\u00e7\u00e3o do 53\u00ba Dia Mundial da Paz, 1\u00b0 de janeiro de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PAPA JO\u00c3O XXIII. <strong>Pacem in Terris<\/strong> (Carta Enc\u00edclica). Vaticano, 1963.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PAPA PAULO VI. <em>Mensagem para o 1\u00b0 Dia Mundial da Paz<\/em>, 1968. In: <strong>Mensagens dos Papas sobre o Dia Mundial da Paz 1968-2015<\/strong>. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es da CNBB, 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">*Dom Jo\u00e3o \u00e9 <\/a>Bispo Diocesano de Bom Jesus da Lapa e Presidente do Regional Nordeste 3 da CNBB. Doutor em filosofia pela Pontif\u00edcia Universidade Gregoriana de Roma. Foi professor na \u00c1rea de Filosofia na UESB (2005-2012) e em outras Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior de Vit\u00f3ria da Conquista com \u00eanfase em \u00c9tica, Religi\u00e3o, Direitos Humanos, Contemporaneidade e Linguagem com publica\u00e7\u00f5es sobre as tem\u00e1ticas assinaladas. Atualmente, al\u00e9m de sua miss\u00e3o episcopal, contribui com o Grupo de Estudo e de Pesquisa em Religi\u00e3o, Cultura e Sa\u00fade\/UNEB.<\/p>\n<p>&nbsp;    \t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Santos Cardoso Bispo de Bom Jesus da Lapa A promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz \u00e9 inerente \u00e0 miss\u00e3o que a Igreja recebeu de Cristo de anunciar o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). Este \u00e9, antes de tudo, um an\u00fancio de paz: \u201cAssim que entrardes numa casa, dizei em primeiro lugar: \u2018Paz seja &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/semeando-a-cultura-de-paz\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Semeando a cultura de paz<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":105,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/245191"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/105"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=245191"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/245191\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=245191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=245191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=245191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}