{"id":249866,"date":"2020-09-29T11:26:01","date_gmt":"2020-09-29T14:26:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=249866"},"modified":"2020-09-29T11:26:55","modified_gmt":"2020-09-29T14:26:55","slug":"o-suicidio-na-era-do-vazio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-suicidio-na-era-do-vazio\/","title":{"rendered":"O suic\u00eddio na era do vazio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><b>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin<br \/>\nBispo auxiliar de Porto Alegre<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a d\u00e9cada de 90, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) trata o suic\u00eddio como um problema de sa\u00fade p\u00fablica. O suic\u00eddio \u00e9 a morte que nasce de dentro, que mata a pessoa primeiro interiormente, para, depois, manifestar-se como gesto externo. O gesto do suicidado gera muitas afli\u00e7\u00f5es, questionamentos e dor \u00e0 fam\u00edlia e aos amigos que ficar\u00e3o procurando o significado desse fim tr\u00e1gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As atuais pesquisas demonstram a extrema complexidade das motiva\u00e7\u00f5es ou causas do comportamento suicida, que passam por fatores mentais, psicol\u00f3gicos, afetivo-emocionais, biol\u00f3gico-gen\u00e9ticos, etiol\u00f3gicos, socioecon\u00f4micos, culturais e religiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 um fen\u00f4meno no qual as causas e motiva\u00e7\u00f5es individuais est\u00e3o necessariamente associadas a determinadas rela\u00e7\u00f5es sociais fundamentais. A estrutura social tem decisiva influ\u00eancia sobre o indiv\u00edduo, podendo proteger e ajudar o sujeito a viver, ou lev\u00e1-lo \u00e0 busca da autodestrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas sociedades em que a exclus\u00e3o e o individualismo dominam, o suic\u00eddio agrava-se consideravelmente. Ao acentuar o individualismo, as sociedades regidas por uma l\u00f3gica narc\u00edsica, multiplicam as iniciativas autodestrutivas. Numa sociedade marcada pela banaliza\u00e7\u00e3o e pelo relativismo, o suic\u00eddio, assim como o pr\u00f3prio fato da morte, torna-se um tabu, evitando-se falar sobre ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produto da ordem alienada que a sociedade atual imp\u00f5e ao indiv\u00edduo, o suic\u00eddio \u00e9 hoje a express\u00e3o de uma crise de despersonifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 o sujeito dessubstancializado, perdido no turbilh\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, v\u00edtima da overdose de op\u00e7\u00f5es de consumo que a sociedade tecnocient\u00edfica oferece para se atingir a felicidade, por\u00e9m, uma felicidade moment\u00e2nea, hedonista e eminentemente individual. Chega-se a dizer que se vive a era do vazio, numa atmosfera de v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es de sentido e de \u00e9tica, mas com dificuldades de se garantir o bem comum. \u00a0O indiv\u00edduo p\u00f3s-moderno move-se sem um horizonte \u00faltimo, capaz de orientar a vida entre altos e baixos, ganhos e perdas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrutura, o ambiente e a educa\u00e7\u00e3o familiar, o senso de perten\u00e7a \u00e0 comunidade e o cultivo da espiritualidade s\u00e3o fundamentais para desenvolver n\u00edveis de felicidade que diminuam o instinto autodestrutivo. Aqui entram a \u00e9tica e o cuidado para pensar preventivamente, atuando no sistema educacional, reconstruindo sentidos, resgatando valores, autorizando a express\u00e3o de sentimentos e pensamentos e fortalecendo os v\u00ednculos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin Bispo auxiliar de Porto Alegre &nbsp; Desde a d\u00e9cada de 90, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) trata o suic\u00eddio como um problema de sa\u00fade p\u00fablica. O suic\u00eddio \u00e9 a morte que nasce de dentro, que mata a pessoa primeiro interiormente, para, depois, manifestar-se como gesto externo. O gesto do suicidado &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-suicidio-na-era-do-vazio\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">O suic\u00eddio na era do vazio<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/249866"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=249866"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/249866\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=249866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=249866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=249866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}