{"id":253272,"date":"2020-10-23T09:59:18","date_gmt":"2020-10-23T12:59:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=253272"},"modified":"2020-10-23T09:59:45","modified_gmt":"2020-10-23T12:59:45","slug":"quando-o-poema-desperta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/quando-o-poema-desperta\/","title":{"rendered":"Quando o poema desperta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Montes Claros<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Faz alguns anos, por raz\u00f5es v\u00e1rias, eu andava desalentado com meus trabalhos e projetos. Tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo era muito custoso e dif\u00edcil. Deparava-me com cr\u00edticas que entendia muito estreitas. Considerava que n\u00e3o conseguia dar as raz\u00f5es dos procedimentos que defendia como necess\u00e1rios na miss\u00e3o a mim confiada. Isso j\u00e1 tinha ocorrido em outros momentos de minha vida. E se hoje escrevo sobre isso, \u00e9 porque vejo que o mesmo ocorre com grande n\u00famero de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez, naquela situa\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio des\u00e2nimo tenha me deixado mais sens\u00edvel e atento. O fato \u00e9 que numa viagem, sozinho, enquanto dirigia e escutava um programa de r\u00e1dio, ouvi um poema. Era Juca de Oliveira quem o declamava, com sua voz cadenciada. O pequeno texto era da autoria de Jacob Riis, dinamarqu\u00eas que viveu nos Estados Unidos, fez fama como fot\u00f3grafo e ali faleceu em 1914. Eis o poema intitulado \u201cO cortador de pedras\u201d: \u201cQuando nada parece ajudar, eu vou e olho o cortador de pedras martelando sua rocha talvez cem vezes, sem que nem uma s\u00f3 rachadura apare\u00e7a. No entanto, na cent\u00e9sima primeira martelada, a pedra se abre em duas e eu sei que n\u00e3o foi aquela a que conseguiu, mas todas as outras que vieram antes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu escutei esse poema apenas uma vez naquela viagem. Mas suas palavras foram de uma contund\u00eancia inacredit\u00e1vel. Provocaram em mim um misto de consolo e de \u00e2nimo, de curiosidade e apelo para escut\u00e1-lo novamente. Desse modo, pedi ajudas para procurar o texto. Um amigo consultou o programa da r\u00e1dio, encontrou o poema e me enviou. Reli-o v\u00e1rias vezes. Falei dele com pessoas pr\u00f3ximas. O poema despertava em mim uma coragem nova. Aquela que se chama perseveran\u00e7a. Em mim, o des\u00e2nimo era vencido pela energia nova que brotava de meu interior. Convencido estava que nada \u00e9 f\u00e1cil. Antes, tudo pede trabalho. At\u00e9 mesmo para o poeta a escrita \u00e9 um of\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vi em mim o pr\u00f3prio cortador de pedras, insistente, incans\u00e1vel, perseverante a martelar a pr\u00f3pria vida. \u00c9 preciso energia e determina\u00e7\u00e3o, como atitudes asc\u00e9ticas para o duro exerc\u00edcio de martelar. Pensei que eu mesmo poderia ser a pedra, resistente a me abrir ao novo, a aceitar as surpresas da vida, a acolher as novidades desconcertantes. Lembrei-me do processo cheio de detalhes da lapida\u00e7\u00e3o de pedras preciosas. Na medita\u00e7\u00e3o imaginei Deus, que n\u00e3o desiste de nenhum de n\u00f3s. Tudo concorre para o \u00eaxito da gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desde ent\u00e3o tenho sempre \u00e0 vista esse poema e j\u00e1 o distribu\u00ed para centenas de pessoas, a maioria delas participantes de retiros orientados por mim. J\u00e1 passei por outros momentos desanimadores, mas com a diferen\u00e7a de me relembrar sempre do cortador de pedras. Nesse tempo de pandemia, quando avan\u00e7am os meses de isolamento social, quando permanecemos sob os protocolos dos cuidados sanit\u00e1rios e do distanciamento, recordo-me desse poema que desperta em mim, mais uma vez, o apelo para n\u00e3o desanimar em rela\u00e7\u00e3o a nada. E o compartilho com voc\u00ea, que l\u00ea esse pequeno artigo, na esperan\u00e7a de que as palavras desse poema despertem em voc\u00ea a coragem de continuar, n\u00e3o obstante os desafios desse tempo, porque haver\u00e1 o momento de a pedra se abrir. A alegria de v\u00ea-la aberta alimentar\u00e1 o desejo de continuar a tarefa de cortar outras pedras. E de prosseguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva Arcebispo de Montes Claros \u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Faz alguns anos, por raz\u00f5es v\u00e1rias, eu andava desalentado com meus trabalhos e projetos. Tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo era muito custoso e dif\u00edcil. Deparava-me com cr\u00edticas que entendia muito estreitas. 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