{"id":254876,"date":"2020-11-04T12:55:43","date_gmt":"2020-11-04T15:55:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=254876"},"modified":"2020-11-04T12:56:01","modified_gmt":"2020-11-04T15:56:01","slug":"dom-fernando-rifan-expressoes-do-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-fernando-rifan-expressoes-do-papa\/","title":{"rendered":"Express\u00f5es do Papa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dom Fernando Ar\u00eaas Rifan<br \/>\nBispo da Administra\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Pessoal S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Certas afirma\u00e7\u00f5es contidas no document\u00e1rio \u201cFrancesco\u201d do cineasta Evgeny Afineevsky suscitaram interpreta\u00e7\u00f5es controversas. Por isso, para uma adequada compreens\u00e3o das palavras do Papa, a Secretaria de Estado do Vaticano emitiu o seguinte comunicado:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 40px;\">&#8216;\u201cH\u00e1 mais de um ano, durante uma entrevista, o Papa Francisco respondeu a duas perguntas diferentes e em dois momentos diferentes, as quais foram editadas e publicadas no mencionado document\u00e1rio como uma s\u00f3 resposta sem a devida contextualiza\u00e7\u00e3o, o que gerou confus\u00e3o. O Santo Padre tinha feito em primeiro lugar uma refer\u00eancia pastoral a respeito da necessidade de que, no seio da fam\u00edlia, o filho ou a filha com orienta\u00e7\u00e3o homossexual jamais sejam discriminados. A eles se referem a palavras: \u2018as pessoas homossexuais t\u00eam direito a estar na fam\u00edlia; s\u00e3o filhos de Deus, t\u00eam direito a uma fam\u00edlia. N\u00e3o se pode expulsar ningu\u00e9m da fam\u00edlia nem tornar-lhe a vida imposs\u00edvel por isso\u2019\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO seguinte par\u00e1grafo da Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal sobre o amor na fam\u00edlia Amoris Laetitia (2016) pode iluminar tais express\u00f5es: \u2018Com os Padres sinodais, examinei a situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias que vivem a experi\u00eancia de ter no seu seio pessoas com tend\u00eancia homossexual, experi\u00eancia n\u00e3o f\u00e1cil nem para os pais nem para os filhos. Por isso desejo, antes de mais nada, reafirmar que cada pessoa, independentemente da pr\u00f3pria orienta\u00e7\u00e3o sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida com respeito, procurando evitar \u2018qualquer sinal de discrimina\u00e7\u00e3o injusta\u2019 e particularmente toda a forma de agress\u00e3o e viol\u00eancia. \u00c0s fam\u00edlias, por sua vez, deve-se assegurar um respeitoso acompanhamento, para que quantos manifestam a tend\u00eancia homossexual possam dispor dos aux\u00edlios necess\u00e1rios para compreender e realizar plenamente a vontade de Deus na sua vida\u2019 (N. 250)\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nSem d\u00favida, o Papa quis expressar aqui a atitude do Pastor que acolhe todas as pessoas como amadas por Deus, quaisquer que sejam a sua hist\u00f3ria e comportamento. Como uma M\u00e3e, a Igreja exprime a sua preocupa\u00e7\u00e3o pastoral por todos e recusa julgar as pessoas, proibindo-se de reduzir um homem ou uma mulher a seus atos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma pergunta sucessiva da entrevista era, entretanto, sobre uma lei local na Argentina, proposta h\u00e1 dez anos, sobre os \u2018matrim\u00f4nios igualit\u00e1rios de casais do mesmo sexo\u2019 e \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o Arcebispo de Buenos Aires a respeito. A este prop\u00f3sito o Papa Francisco afirmou que \u2018\u00e9 uma incongru\u00eancia falar de matrim\u00f4nio homossexual\u2019, acrescentando que, nesse mesmo contexto, tinha falado do direito destas pessoas a ter certa cobertura legal: \u2018o que temos que fazer \u00e9 uma lei de conviv\u00eancia civil; t\u00eam direito a estar cobertos legalmente. Eu defendi isso\u2019. O Santo Padre havia se expressado da seguinte forma durante uma entrevista de 2014: \u201cO matrim\u00f4nio \u00e9 entre um homem e uma mulher. Os Estados laicos querem justificar as uni\u00f5es civis para regular diversas situa\u00e7\u00f5es de conviv\u00eancia, movidos pela exig\u00eancia de regular aspectos econ\u00f4micos entre as pessoas, como por exemplo assegurar a assist\u00eancia sanit\u00e1ria. Trata-se de pactos de conviv\u00eancia de diferente natureza, dos quais n\u00e3o saberia dar um elenco das distintas formas. \u00c9 necess\u00e1rio ver os diversos casos e avali\u00e1-los em sua variedade\u201d. Portanto, \u00e9 evidente que o Papa Francisco se referia a certas disposi\u00e7\u00f5es dos Estados e, de nenhuma maneira, \u00e0 doutrina da\u00a0Igreja, numerosas vezes reafirmada no curso dos anos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Completando e explanando essa nota da Santa S\u00e9, constatamos que a palavra pronunciada pelo Papa Francisco sobre o reconhecimento legal de uma \u201cconviv\u00eancia civil\u201d para pessoas do mesmo sexo, tem causado, infelizmente, problemas e diferentes interpreta\u00e7\u00f5es entre muitos fi\u00e9is cat\u00f3licos, padres e leigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos cat\u00f3licos, filhos da Igreja, colocados sob a autoridade do Papa com o qual estamos em plena comunh\u00e3o, o qual amamos e respeitamos como Vig\u00e1rio de Cristo na terra e sucessor de S\u00e3o Pedro, colocado por Jesus como o Pastor supremo da sua Igreja neste mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a doutrina da Igreja ensina que h\u00e1 v\u00e1rios graus de autoridade no seu ensino, que resultam em diferentes formas de ades\u00e3o por parte dos fi\u00e9is. H\u00e1 os ensinamentos do Papa, em mat\u00e9ria de f\u00e9 e de moral, quando fala de maneira solene, ex cathedra, como Pastor e supremo doutor de todos os fi\u00e9is, gozando ent\u00e3o da infalibilidade. Tem tamb\u00e9m infalibilidade o Magist\u00e9rio do Col\u00e9gio Episcopal em uni\u00e3o com o Papa, quando, em mat\u00e9ria de f\u00e9 ou de moral, prop\u00f5em alguma verdade de modo definitivo: \u00e9 o Magist\u00e9rio ordin\u00e1rio e universal. H\u00e1 ainda o ensinamento do Papa ou do Col\u00e9gio Episcopal, chamado Magist\u00e9rio (simplesmente) aut\u00eantico, quando n\u00e3o prop\u00f5em um ensinamento como senten\u00e7a definitiva. Aos dois primeiros tipos de ensinamento, respondemos com atos de F\u00e9 inabal\u00e1vel. Aos ensinamentos reform\u00e1veis do Magist\u00e9rio aut\u00eantico do Papa ou Col\u00e9gio Episcopal, devemos a ades\u00e3o e o respeito religioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os meios de comunica\u00e7\u00e3o, com que inten\u00e7\u00e3o s\u00f3 Deus sabe, ignorando os graus de autoridade de palavras pontif\u00edcias, insinuam que toda palavra do Papa \u00e9 magisterial, induzindo o povo a pensar desse modo. Mas n\u00e3o \u00e9 assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As presentes express\u00f5es do Papa n\u00e3o constituem um exerc\u00edcio do Magist\u00e9rio, nem infal\u00edvel nem (simplesmente) aut\u00eantico no sentido teol\u00f3gico, mas de uma simples entrevista, ou montagem de v\u00e1rias respostas, na qual o Papa teria apresentado a sua opini\u00e3o. O Papa Francisco n\u00e3o pretendeu dar a essas express\u00f5es o peso da sua autoridade de Sucessor de Pedro, a quem Cristo confiou precisamente a miss\u00e3o de confirmar os seus irm\u00e3os na f\u00e9. S\u00e3o apenas a express\u00e3o de uma opini\u00e3o particular respeit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essas suas palavras, estritamente falando, na melhor interpreta\u00e7\u00e3o, o Papa n\u00e3o legitimou o \u201ccasamento homossexual\u201d, nem deu um estatuto \u00e0s fam\u00edlias homo parentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreendidas na mesma linha das declara\u00e7\u00f5es magisteriais papais e da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, s\u00e3o a confirma\u00e7\u00e3o da doutrina cat\u00f3lica j\u00e1 explicitada v\u00e1rias vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, conforme quiseram alguns, se compreendidas no sentido de uma aprova\u00e7\u00e3o de um matrim\u00f4nio civil para homossexuais, estariam em contradi\u00e7\u00e3o com o Magist\u00e9rio da Igreja, inclusive dele mesmo, o Papa Francisco. Nesse caso, prevalecem as declara\u00e7\u00f5es magisteriais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora permanecendo fiel \u00e0 S\u00e9 Apost\u00f3lica e preservando a priori uma atitude de benevol\u00eancia filial em rela\u00e7\u00e3o ao ensinamento do Papa, uma vez que o Magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 formalmente comprometido nessas express\u00f5es, \u00e9, portanto, leg\u00edtimo expressar respeitosamente o desacordo, na medida em que se queira atribuir \u00e0 express\u00e3o \u201cconviv\u00eancia civil\u201d o significado de reconhecimento de atos homossexuais ou aprova\u00e7\u00e3o de um \u201ccasamento civil\u201d dos homossexuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\nO QUE NOS ENSINA SOBRE ISSO O MAGIST\u00c9RIO ORDIN\u00c1RIO E UNIVERSAL DA IGREJA:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA homossexualidade designa as rela\u00e7\u00f5es entre homens ou mulheres, que experimentam uma atra\u00e7\u00e3o sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos e das culturas. A sua g\u00eanese ps\u00edquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como deprava\u00e7\u00f5es graves, a Tradi\u00e7\u00e3o sempre declarou que \u2018os atos de homossexualidade s\u00e3o intrinsecamente desordenados\u2019 (Congrega\u00e7\u00e3o da Doutrina da F\u00e9,\u00a0Decl.\u00a0Persona humana,\u00a08: AAS 68 (1976) 95). S\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, n\u00e3o procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, n\u00e3o podem, em caso algum, ser aprovados\u201d (Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica -1992 &#8211; n. 2357).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Catecismo se abst\u00e9m de julgar as pessoas e nos convida, pelo contr\u00e1rio, a receb\u00ea-las com respeito e benevol\u00eancia: \u201cUm n\u00famero consider\u00e1vel de homens e de mulheres apresenta tend\u00eancias homossexuais profundamente radicadas. Esta propens\u00e3o, objetivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma prova\u00e7\u00e3o. Devem ser acolhidos com respeito, compaix\u00e3o e delicadeza. Evitar-se-\u00e1, em rela\u00e7\u00e3o a eles, qualquer sinal de discrimina\u00e7\u00e3o injusta. Estas pessoas s\u00e3o chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem crist\u00e3s, a unir ao sacrif\u00edcio da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o\u201d (n. 2358).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse sentido que o Papa Francisco se exprimiu no avi\u00e3o que o trouxe de volta do Rio de Janeiro, em julho de 2013: \u201cSe uma pessoa \u00e9 gay e busca o Senhor, demonstra boa vontade, quem sou Eu para julg\u00e1-la? O catecismo da Igreja Cat\u00f3lica explica isso de uma maneira muito bonita\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A identidade de um homem ou de uma mulher n\u00e3o resulta da sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, mas da sua dignidade de \u201cimagem de Deus\u201d, e neste sentido sempre amada por Deus e extremamente respeit\u00e1vel. Se a Igreja n\u00e3o julga as pessoas, n\u00e3o obstante, julga a qualidade moral das a\u00e7\u00f5es, sem jamais encerrar a pessoa em suas a\u00e7\u00f5es, confiante na capacidade de progresso de toda pessoa humana, em virtude da sua liberdade fundamental que nunca lhe pode ser negada, sem reduzi-la completamente \u00e0s tend\u00eancias que realmente n\u00e3o escolheu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais n\u00e3o pode levar, de modo nenhum, \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uni\u00f5es homossexuais. O bem comum exige que as leis reconhe\u00e7am, favore\u00e7am e protejam a uni\u00e3o matrimonial como base da fam\u00edlia, c\u00e9lula prim\u00e1ria da sociedade. Reconhecer legalmente as uni\u00f5es homossexuais ou equipar\u00e1-las ao matrim\u00f4nio, significaria, n\u00e3o s\u00f3 aprovar um comportamento errado, com a consequ\u00eancia de convert\u00ea-lo num modelo para a sociedade atual, mas tamb\u00e9m ofuscar valores fundamentais que fazem parte do patrim\u00f4nio comum da humanidade. A Igreja n\u00e3o pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade\u201d (Nota da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 &#8211; ano 2003 &#8211; Considera\u00e7\u00f5es sobre os projetos de reconhecimento legal das uni\u00f5es entre pessoas homossexuais &#8211; \u00a0Assinada pelo Cardeal Ratzinger e aprovada pelo Papa S\u00e3 Jo\u00e3o Paulo II).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fiel ao ensinamento da Igreja, o Papa Francisco, aqui sim em declara\u00e7\u00e3o magisterial, escreve na sua exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica AMORIS LAETITIA (2015): \u201cA Igreja conforma o seu comportamento ao do Senhor Jesus que, num amor sem fronteiras, Se ofereceu por todas as pessoas sem exce\u00e7\u00e3o.\u00a0Com os Padres sinodais, examinei a situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias que vivem a experi\u00eancia de ter no seu seio pessoas com tend\u00eancia homossexual, experi\u00eancia n\u00e3o f\u00e1cil nem para os pais nem para os filhos. Por isso desejo, antes de mais nada, reafirmar que cada pessoa, independentemente da pr\u00f3pria orienta\u00e7\u00e3o sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida com respeito, procurando evitar \u2018qualquer sinal de discrimina\u00e7\u00e3o injusta\u2019\u00a0e particularmente toda a forma de agress\u00e3o e viol\u00eancia. \u00c0s fam\u00edlias, por sua vez, deve-se assegurar um respeitoso acompanhamento, para que quantos manifestam a tend\u00eancia homossexual possam dispor dos aux\u00edlios necess\u00e1rios para compreender e realizar plenamente a vontade de Deus na sua vida (n. 250). No decurso dos debates sobre a dignidade e a miss\u00e3o da fam\u00edlia, os Padres sinodais anotaram, quanto aos projetos de equipara\u00e7\u00e3o ao matrim\u00f4nio das uni\u00f5es entre pessoas homossexuais, que n\u00e3o existe fundamento algum para assimilar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas, entre as uni\u00f5es homossexuais e o des\u00edgnio de Deus sobre o matrim\u00f4nio e a fam\u00edlia. \u00c9 \u2018inaceit\u00e1vel que as Igrejas locais sofram press\u00f5es nesta mat\u00e9ria e que os organismos internacionais condicionem a ajuda financeira aos pa\u00edses pobres \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de leis que instituam o \u2018matrim\u00f4nio\u2019 entre pessoas do mesmo sexo\u2019 (n. 251)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Fernando Ar\u00eaas Rifan Bispo da Administra\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Pessoal S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney Certas afirma\u00e7\u00f5es contidas no document\u00e1rio \u201cFrancesco\u201d do cineasta Evgeny Afineevsky suscitaram interpreta\u00e7\u00f5es controversas. 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