{"id":254908,"date":"2020-11-05T11:39:59","date_gmt":"2020-11-05T14:39:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=254908"},"modified":"2020-11-05T11:40:35","modified_gmt":"2020-11-05T14:40:35","slug":"eros-e-agape-as-duas-faces-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/eros-e-agape-as-duas-faces-do-amor\/","title":{"rendered":"&#8220;Eros&#8221; e &#8220;\u00c1gape&#8221;: as duas faces do amor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jacinto Bergmann<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Pelotas (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois \u00faltimos Papas, antes do atual Francisco, Jo\u00e3o Paulo II, com sua Teologia do Corpo, e Bento XVI, com sua Enc\u00edclica <em>\u201cDeus caritas est\u201d,<\/em> tematizaram magistralmente o verdadeiro e integral sentido do amor. Esta minha reflex\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma grata homenagem a estes dois homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos um tempo acentuadamente secularizado. A pr\u00f3pria pandemia da COVID-19 escancarou a limita\u00e7\u00e3o da seculariza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um \u00e2mbito em que a seculariza\u00e7\u00e3o age de maneira especialmente difusa e nefasta, e \u00e9 o \u00e2mbito do amor. A seculariza\u00e7\u00e3o do amor consiste em separar o amor humano de Deus, em todas as formas desse amor, reduzindo-o a algo meramente \u201cprofano\u201d, ou Deus sobra e at\u00e9 incomoda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor na mentalidade secularizada sofre dessa separa\u00e7\u00e3o difusa e nefasta nas pessoas \u201cmundanas\u201d e nas pr\u00f3prias pessoas \u201creligiosas\u201d. Poder\u00edamos formular a situa\u00e7\u00e3o, simplificando ao m\u00e1ximo, assim: nas pessoas \u201cmundanas\u201d, temos um eros sem \u00e1gape e entre as pessoas \u201creligiosas\u201d, temos frequentemente um \u00e1gape sem eros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O eros sem \u00e1gape \u00e9 um \u201camor rom\u00e2ntico\u201d, mas comumente passional, at\u00e9 violento. Um amor de conquista, que reduz fatalmente o outro a objeto do pr\u00f3prio prazer e ignora toda dimens\u00e3o de sacrif\u00edcio, de fidelidade e de doa\u00e7\u00e3o de si. N\u00e3o \u00e9 preciso insistir na descri\u00e7\u00e3o desse amor, porque se trata de uma realidade que temos todo dia diante dos nossos olhos, propagandeada com estrondo pelos romances, filmes, novelas, revistas, internet. \u00c9 o que a linguagem mundana comum entende, hoje, com a palavra \u201camor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1gape sem eros \u00e9 um \u201camor frio\u201d, um amor parcial, sem participa\u00e7\u00e3o do ser inteiro, mais por imposi\u00e7\u00e3o da vontade do que por \u00edmpeto \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o. Um entrar no cen\u00e1rio pr\u00e9-definido, em vez de criar um pr\u00f3prio realmente irrepet\u00edvel, como irrepet\u00edvel \u00e9 cada ser humano perante Deus. Os atos de amor voltados para Deus parecem aqueles de namorados desesperados que escrevem \u00e0 amada cartas copiadas de modelos prontos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o amor \u201cmundano\u201d &#8211; eros sem \u00e1gape &#8211; \u00e9 um corpo sem alma, o amor \u201creligioso\u201d &#8211; \u00e1gape sem eros &#8211; \u00e9 uma alma sem corpo. O ser humano n\u00e3o \u00e9 um anjo, um esp\u00edrito puro; \u00e9 alma e corpo substancialmente unidos: tudo o que faz, amar inclusive, tem que refletir essa estrutura. Se o componente humano ligado ao tempo e \u00e0 corporeidade \u00e9 sistematicamente negado e reprimido, a sa\u00edda ser\u00e1 d\u00faplice: ou seguir adiante aos arrastos, por senso de dever, por defesa da pr\u00f3pria imagem, ou ir atr\u00e1s de compensa\u00e7\u00f5es mais ou menos l\u00edcitas ou totalmente il\u00edcitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos, ent\u00e3o, um duplo motivo e uma dupla urg\u00eancia de redescobrir o amor na sua unidade original, querido e criado por Deus. O amor verdadeiro e integral \u00e9 uma p\u00e9rola encerrada entre duas conchas que s\u00e3o o eros e o \u00e1gape. N\u00e3o podem ser separados essas duas faces do amor sem destru\u00ed-lo, como o hidrog\u00eanio e o oxig\u00eanio n\u00e3o podem ser separados sem se privarem da \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reconcilia\u00e7\u00e3o mais importante entre as duas faces do amor \u00e9 pr\u00e1tica. \u00c9 aquela que acontece na vida das pessoas, mas, para ser poss\u00edvel, ela precisa come\u00e7ar pela reconcilia\u00e7\u00e3o entre o eros e o \u00e1gape inclusive teoricamente, no ensino e aprendizagem. Isto nos permitir\u00e1 conhecer finalmente o que \u00e9 que se entende mesmo por estes dois termos t\u00e3o comumente usados e subentendidos. \u00c9 uma tarefa urgent\u00edssima e decisiva para todos n\u00f3s: sermos aprendizes das duas faces do amor &#8211; o eros e o \u00e1gape.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jacinto Bergmann Arcebispo de Pelotas (RS) Os dois \u00faltimos Papas, antes do atual Francisco, Jo\u00e3o Paulo II, com sua Teologia do Corpo, e Bento XVI, com sua Enc\u00edclica \u201cDeus caritas est\u201d, tematizaram magistralmente o verdadeiro e integral sentido do amor. Esta minha reflex\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma grata homenagem a estes dois homens. 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