{"id":255077,"date":"2020-11-10T11:28:12","date_gmt":"2020-11-10T14:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=255077"},"modified":"2020-11-10T11:28:48","modified_gmt":"2020-11-10T14:28:48","slug":"estender-a-mao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/estender-a-mao\/","title":{"rendered":"Estender a m\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Diocesano de Cruz Alta (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstende tua m\u00e3o ao pobre\u201d (Eclo 7,32). A viv\u00eancia do IV Dia Mundial dos Pobres, institu\u00eddo pelo Papa Francisco, nos faz \u201colhar para o essencial e superar as barreiras da indiferen\u00e7a\u201d. Ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e solidariedade s\u00e3o express\u00f5es complementares de uma mesma realidade de f\u00e9. \u201c\u00c9 preciso reconhecer que toda a pessoa, mesmo a mais indigente e desprezada, traz gravada em si mesma a imagem de Deus\u201d (Francisco, n. 2). Portanto, todos s\u00e3o dignos e ningu\u00e9m pode ser descartado, na grande fam\u00edlia que formamos. \u201cA generosidade que apoia o vulner\u00e1vel, consola o aflito, mitiga os sofrimentos, devolve dignidade a quem dela est\u00e1 privado, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para uma vida plenamente humana\u201d (Francisco, n. 3). H\u00e1 muita alegria na m\u00e3o que sabe se estender a quem precisa, fonte de felicidade. Trata-se de \u201ccomprometer concretamente a vida, impelidos pela caridade divina\u201d (Francisco, n. 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este ano, no qual vivemos a pandemia do COVID 19, chegou de improviso e a todos n\u00f3s tomou de surpresa. Toda a humanidade sentiu-se mais pobre, mas vulner\u00e1vel, sem as seguran\u00e7as que at\u00e9 ent\u00e3o tinha, sobretudo nas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. As grandes crises, que estavam latentes, ir\u00e3o continuar \u201cenquanto permitirmos que permane\u00e7a em letargo a responsabilidade que cada um deve sentir para com o pr\u00f3ximo e toda a pessoa\u201d (Francisco, n. 7). No entanto, ainda que n\u00e3o tenhamos conseguido aprofundar o suficiente as causas desta grande crise, vimos como foi importante \u201cabrir as m\u00e3os\u201d. \u201cA m\u00e3o estendida ao pobre n\u00e3o chegou de improviso. [&#8230;] N\u00e3o nos improvisamos instrumentos de miseric\u00f3rdia\u201d (Francisco, n. 7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando estendemos a m\u00e3o, chamados \u00e0 responsabilidade, sentimo-nos parte do mesmo caminho, do mesmo destino, da \u00fanica vida que Deus nos deu, como gra\u00e7a infinita. Abrir a m\u00e3o \u00e9 \u201cum sinal\u201d de corresponsabilidade humana, mais do que uma ajuda, simplesmente. \u201cEstender a m\u00e3o \u00e9 um sinal: um sinal que apela imediatamente \u00e0 proximidade, \u00e0 solidariedade, ao amor. Nestes meses, em que o mundo inteiro foi dominado por um v\u00edrus que trouxe dor e morte, desconforto e perplexidade, pudemos ver tantas m\u00e3os estendidas! A m\u00e3o estendida do m\u00e9dico que se preocupa de cada paciente, procurando encontrar o rem\u00e9dio certo. A m\u00e3o estendida da enfermeira e do enfermeiro que permanece, muito para al\u00e9m dos seus hor\u00e1rios de trabalho, a cuidar dos doentes. A m\u00e3o estendida de quem trabalha na administra\u00e7\u00e3o e providencia os meios para salvar o maior n\u00famero poss\u00edvel de vidas. A m\u00e3o estendida do farmac\u00eautico exposto a in\u00fameros pedidos num arriscado contato com as pessoas. A m\u00e3o estendida do sacerdote que, com o cora\u00e7\u00e3o partido, continua a aben\u00e7oar. A m\u00e3o estendida do volunt\u00e1rio que socorre quem mora na rua e a quantos, embora possuindo um teto, n\u00e3o t\u00eam nada para comer. A m\u00e3o estendida de homens e mulheres que trabalham para prestar servi\u00e7os essenciais e seguran\u00e7a\u201d (Francisco, n. 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente com as m\u00e3os estendidas o ser humano \u00e9 verdadeiramente humano e crist\u00e3o. Lembremo-nos de nosso fim, para o qual Deus nos criou, o amor. \u201cEste amor \u00e9 partilha, dedica\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o, mas come\u00e7a pela descoberta de que primeiro fomos n\u00f3s amados e despertados para o amor\u201d (Francisco, n. 10).\u00a0 Infelizmente, vemos \u201ca atitude de quantos conservam as m\u00e3os nos bolsos e n\u00e3o se deixam comover pela pobreza, da qual frequentemente s\u00e3o c\u00famplices tamb\u00e9m eles. A indiferen\u00e7a e o cinismo s\u00e3o o seu alimento di\u00e1rio. Que diferen\u00e7a relativamente \u00e0s m\u00e3os generosas que acima descrevemos!\u201d (Francisco, n. 9). De fato, as m\u00e3os se estendem quando o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 aquecido pela proximidade e pela Palavra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo Diocesano de Cruz Alta (RS) \u201cEstende tua m\u00e3o ao pobre\u201d (Eclo 7,32). A viv\u00eancia do IV Dia Mundial dos Pobres, institu\u00eddo pelo Papa Francisco, nos faz \u201colhar para o essencial e superar as barreiras da indiferen\u00e7a\u201d. 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