{"id":255264,"date":"2020-11-16T11:12:16","date_gmt":"2020-11-16T14:12:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=255264"},"modified":"2020-11-16T11:12:37","modified_gmt":"2020-11-16T14:12:37","slug":"a-descricao-da-comunidade-em-tertuliano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-descricao-da-comunidade-em-tertuliano\/","title":{"rendered":"A descri\u00e7\u00e3o da comunidade em Tertuliano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Vital Corbellini<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Marab\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tertuliano, padre da Igreja dos s\u00e9culos II e III, viveu em Cartago, cidade situada no norte da \u00c1frica. Em Roma, Ele estudou o direito romano, formando-se em advocacia. De volta para Cartago, convertido ao cristianismo, colocou toda a sua forma\u00e7\u00e3o na defesa da nova religi\u00e3o. Ele era uma pessoa bastante participativa da sua comunidade de modo que nos deu uma descri\u00e7\u00e3o muito bonita da comunidade onde ele viveu no qual n\u00f3s faremos a seguir, uma an\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A import\u00e2ncia da comunidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tertuliano escreveu para as autoridades romanas a vida da comunidade na qual ele fazia parte. Para isso Ele descreveu a vida e os costumes daquela que era chamada para eles a seita dos crist\u00e3os com o fim de rejeitar as acusa\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas contra os crist\u00e3os e revelar o quanto bem a comunidade fazia para eles<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, para o mundo e para o Reino de Deus. As pessoas se constitu\u00edam um s\u00f3 organismo, na qual se nutria de uma \u00fanica f\u00e9, de uma \u00fanica disciplina, de um \u00fanico vinculo forte de esperan\u00e7a<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Percebem-se nestes dados a unidade da comunidade que vivia a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade, as virtudes teologais que animavam a vida da comunidade. Era uma comunidade orante, porque o autor disse que eles rezavam pelos imperadores, pelos seus funcion\u00e1rios, e pelos magistrados; tinham presentes tamb\u00e9m \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da ordem e a paz no mundo e para retardar a morte do universo<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. A comunidade estava unida com as suas autoridades e tamb\u00e9m rezava para que o universo n\u00e3o acabasse. Havia a id\u00e9ia do amor \u00e0 casa comum, a casa de todas as pessoas, criada por Deus para que n\u00e3o fosse destru\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A comunidade meditava a palavra de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A descri\u00e7\u00e3o de Tertuliano colocou tamb\u00e9m que a comunidade se reunia para ler juntos e comentar as Sagradas Escrituras para que se vivesse bem no presente em vista do futuro e a supera\u00e7\u00e3o do passado. Com aquelas santas palavras eles se alimentavam em sua f\u00e9, levavam nas alturas a sua esperan\u00e7a, refor\u00e7avam a confian\u00e7a em Deus e tornava mais s\u00f3lida \u00e0 disciplina de vida que levavam<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. A descri\u00e7\u00e3o da comunidade que Tertuliano deu para a tradi\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ou a import\u00e2ncia da palavra de Deus que direcionava a vida dentre eles e no mundo. Nas suas reuni\u00f5es havia lugar para as exorta\u00e7\u00f5es e admoesta\u00e7\u00f5es em nome de Deus para viver conforme a vontade dele, de modo que o ju\u00edzo que era dado, fosse, como que uma antecipa\u00e7\u00e3o daquele divino<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A import\u00e2ncia dos anci\u00e3os e a caixa comum<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Padre Africano disse que participavam das reuni\u00f5es, das celebra\u00e7\u00f5es, anci\u00e3os de provada virtude, n\u00e3o por orgulho de suas vidas, mas pelo comum testemunho dos seus merecimentos porque eram pessoas que viviam o sentido da comunidade e do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Existia tamb\u00e9m entre eles uma caixa comum (<em>arcae genus est<\/em>) na qual cada pessoa dava l\u00e1 quanto queria e podia, a sua modesta contribui\u00e7\u00e3o mensal e fazia desta forma espontaneamente sem nenhum constrangimento<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Esses se constitu\u00edam os dep\u00f3sitos da comum piedade (<em>deposita pietatis sunt<\/em>). Este dinheiro n\u00e3o servia para os banquetes, bebidas in\u00fateis, ou alimentos extravagantes, mas era alimento para os pobres, nas quais davam a sepultura aos necessitados, socorriam os meninos e as meninas privados de sustenta\u00e7\u00e3o e da parte de seus pais, e tamb\u00e9m servia aquele dinheiro para servos exaustos pela idade e tamb\u00e9m era dado aos n\u00e1ufragos<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Como era uma comunidade que tinham presentes a\u00e7\u00f5es caritativas, ajudava tamb\u00e9m em nome da f\u00e9 crist\u00e3, os condenados \u00e0s minas, ou deportados nas ilhas ou relegados, e banidos aos c\u00e1rceres<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vede como eles se amam<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A descri\u00e7\u00e3o da comunidade em Tertuliano poderia se afirmar num aspecto de amor verdadeiro \u00e0s pessoas e a Deus. O afeto fraterno na qual os tornavam sol\u00edcitos um com o outro, chamava a aten\u00e7\u00e3o dos pag\u00e3os para a exulta\u00e7\u00e3o na qual diziam: \u201cvejam como eles se amam entre eles\u201d (<em>Vide, inquint, ut invicem se diligant<\/em>)<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Tertuliano colocou claramente o testemunho de vida dos crist\u00e3os que possibilitavam os outros a fazerem coment\u00e1rios bonitos porque a comunidade se queria bem e realizava obras de caridade. A comunidade se chamava entre as pessoas de irm\u00e3os e de irm\u00e3s, superando todo o vinculo de parentesco, porque o que importava era o amor entre eles e com Deus. Ele tamb\u00e9m dizia que mantinham la\u00e7os de fraternidade com os pag\u00e3os, porque todos deveriam reconhecer Deus como \u00fanico Pai, porque nos fez em seu Filho sair das trevas para a luz de sua verdade<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Tertuliano tinha presente na comunidade \u00e0 \u00e1gape, a refei\u00e7\u00e3o da caridade antes das celebra\u00e7\u00f5es. Tudo isso n\u00e3o oferecia conversa para esbanjamentos, mas dava assist\u00eancia e conforto aos pobres<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. O banquete n\u00e3o admitia baixarias ou vulgaridades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ora\u00e7\u00e3o e a eucaristia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas n\u00e3o sentavam sem antes fazer uma ora\u00e7\u00e3o a Deus. Comiam quanto podiam comer para quem tem fome, e quanto \u00e9 \u00fatil a quem tem sede<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. A comunidade tinha consci\u00eancia que tamb\u00e9m de noite ela deveria adorar a Deus, sabendo que Deus ouve as suas ora\u00e7\u00f5es dirigidas a Ele com f\u00e9. Havia lugar tamb\u00e9m \u00e0 eucaristia, o <em>convivium<\/em>, na qual as pessoas ouviam a palavra de Deus, havia a homilia, por parte do presidente, rezava-se pelas autoridades e as pessoas tomavam aquele alimento como alimento sagrado, no corpo e no sangue do Senhor, alimento para a vida eterna. Seja no inicio como no fim do <em>convivium<\/em> elevavam a Deus uma ora\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Eles se despediam com a mesma aten\u00e7\u00e3o da mod\u00e9stia e do pudor de quem n\u00e3o tanto foi nutrido de bebidas quanto do alimento para a vida moral e eterna<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tertuliano descreveu a sua comunidade como pessoas de bem na qual se reuniam para a vida da comunidade, para dar lugar a Palavra de Deus, \u00e0 caridade atrav\u00e9s das contribui\u00e7\u00f5es entre eles, e da comunh\u00e3o eucar\u00edstica para prosseguir com f\u00e9 e amor, a caminhada. Esta descri\u00e7\u00e3o ajude a viver bem em nossas comunidades o sentido de fraternidade, do amor mutuo, do vede como eles se amam, para testemunhar o amor de Deus, ao pr\u00f3ximo como a si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cfr. Tertulliano, <em>Apologetico<\/em>, XXXIX, 1, a cura di A. Resta Barrile,. Oscar Mondadori, Bologna, 2005, pg. 135.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 1, pg. 137.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 2, pg. 137.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 3, pg. 137.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 4, pg. 137.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 5, pg. 137.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 6. Pg. 137.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Cfr. <em>Ibidem<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 7, pg. 139.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 9, pg. 139.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 16, pg. 141.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 17, pg. 141.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 18, pg. 141.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, XXXIX, 19, pg. 141.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Vital Corbellini Bispo de Marab\u00e1 (PA) &nbsp; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o Tertuliano, padre da Igreja dos s\u00e9culos II e III, viveu em Cartago, cidade situada no norte da \u00c1frica. Em Roma, Ele estudou o direito romano, formando-se em advocacia. De volta para Cartago, convertido ao cristianismo, colocou toda a sua forma\u00e7\u00e3o na defesa da nova religi\u00e3o. &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-descricao-da-comunidade-em-tertuliano\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A descri\u00e7\u00e3o da comunidade em Tertuliano<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/255264"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=255264"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/255264\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=255264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=255264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=255264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}