{"id":255724,"date":"2020-11-25T09:41:57","date_gmt":"2020-11-25T12:41:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=255724"},"modified":"2020-11-25T09:45:19","modified_gmt":"2020-11-25T12:45:19","slug":"o-batismo-em-tertuliano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-batismo-em-tertuliano\/","title":{"rendered":"O batismo em Tertuliano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Vital Corbellini<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Marab\u00e1 \u2013 PA<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tertuliano, padre dos s\u00e9culos II e III, do Norte da \u00c1frica, em Cartago, elaborou uma importante obra chamada de: <em>De Baptismo<\/em>, o Batismo. Ela ganhou uma import\u00e2ncia fundamental para a hist\u00f3ria da inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3, o catecumenato antigo, n\u00e3o s\u00f3 por Tertuliano colaborar neste processo, mas tamb\u00e9m pelos sacramentos do batismo, da confirma\u00e7\u00e3o e da eucaristia na Igreja antiga. \u00c9 a primeira obra escrita sobre este sacramento antes do Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia, ano 325. Foi uma obra importante no seu contexto e era tamb\u00e9m dirigida contra a heresia dos cainitas, tendo na frente Quintila que levantava d\u00favidas sobre a efic\u00e1cia da \u00e1gua no batismo<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Tertuliano esclareceu aos seus ouvintes a import\u00e2ncia da \u00e1gua no batismo crist\u00e3o. Fa\u00e7amos uma analise a seguir sobre alguns pontos no teor desta obra importante para todo o cristianismo.<\/p>\n<p><strong>O sacramento da \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tertuliano iniciou a obra falando do sacramento da nossa \u00e1gua, que sendo lavados os pecados da precedente cegueira, estamos liberados para a vida eterna, na qual muitos est\u00e3o se preparando para o batismo de modo que a sua f\u00e9 n\u00e3o estaria \u00a0sujeita \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Neste sentido o autor criticou uma pessoa chamada Quintila, que era da heresia dos cainitas que com sua doutrina afastava muitas pessoas do batismo afirmando a n\u00e3o necessidade da \u00e1gua, assemelhando-se assim as v\u00edboras que procuram lugares \u00e1speros e privados de \u00e1gua. Contrariando essa pessoa e a seita dos cainitas, Tertuliano afirmou que como ele e outros eram como peixinhos, que nascem na \u00e1gua em conformidade ao grande peixe, <em>ICHT\u00d9S<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, Jesus Cristo e somente permanecendo na \u00e1gua como Senhor, seguindo os seus passos, somos salvos<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Somos peixinhos que n\u00e3o podem ficar fora da \u00e1gua em vista da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O valor da \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O padre africano colocou em seguida o valor da \u00e1gua, como sendo uma obra das maravilhas de Deus. N\u00e3o h\u00e1 nada que surpreenda as mentes das pessoas sen\u00e3o a simplicidade das obras divinas que aparecem nas coisas e a grandeza que \u00e9 promessa nos seus efeitos. Desta forma o ser humano, sem muitas apar\u00eancias da \u00e1gua e na simplicidade das coisas, desce na \u00e1gua e banhado, enquanto s\u00e3o pronunciadas poucas palavras, ressurge para o nada mais puro, feliz pela realiza\u00e7\u00e3o da eternidade<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Viu-se a import\u00e2ncia do batismo nas pessoas, sobretudo adultos convertidos ao cristianismo, dentro do catecumenato antigo, o processo da inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3. S\u00e3o justamente essas coisas que s\u00e3o dadas na simplicidade na qual a morte do pecado \u00e9 dissolvida pelo banho, o que era negada pela seita dos cainitas, porque n\u00e3o acreditavam no banho da \u00e1gua que daria a remiss\u00e3o dos pecados, por causa do batismo. Por isso Tertuliano convidou a eles a acreditar ainda mais na verdade do batismo. S\u00e3o assim as obras divinas capazes de superar todo o espanto. \u00c9 desse fato que os crist\u00e3os est\u00e3o maravilhados das coisas simples, que mesmo aparecendo pequenas s\u00e3o grandiosas diante do Senhor. \u00c9 a palavra de Deus que guia tamb\u00e9m os passos de Tertuliano em rela\u00e7\u00e3o aos cainitas pelo qual Deus escolheu aquilo que no mundo \u00e9 loucura pra confundir a sabedoria, ou os s\u00e1bios e aquilo que se torna dif\u00edcil para os seres humanos \u00e9 poss\u00edvel para Deus (cfr. <em>1 Cor<\/em> 1,27; cfr. <em>Lc<\/em> 18,27). Assim como Deus \u00e9 s\u00e1bio e poderoso escolheu elementos da sua obra aquilo que n\u00e3o \u00e9 contrario \u00e0 sua sabedoria e poder, assim tamb\u00e9m quanto \u00e9 louco e imposs\u00edvel negar a efic\u00e1cia daquilo que \u00e9 causada, a vida com Deus pelas \u00e1guas do batismo<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>As \u00e1guas primordiais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tertuliano tratou o argumento contrariando a prescri\u00e7\u00e3o dos cainitas no sentido de que \u00e9 louco e imposs\u00edvel o ser humano seja transformado por meio da \u00e1gua<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Por isso \u00e9 importante dar uma vis\u00e3o geral do elemento da natureza, e verificar a import\u00e2ncia desta obra liquida. A \u00e1gua \u00e9 importante que antes mesmo de qualquer ordem do mundo, descansava junto a Deus<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Como diz a Escritura Deus fez o c\u00e9u e a terra; mas a terra era invis\u00edvel e ca\u00f3tica e as trevas cobriam o abismo e o esp\u00edrito de Deus pairava sobre as \u00e1guas(Cfr. <em>Gn<\/em> 1,1-12). Tertuliano quis levar as pessoas a dar aten\u00e7\u00e3o para as \u00e1guas, sendo uma subst\u00e2ncia antiga e pela sua import\u00e2ncia enquanto criatura, era morada do Esp\u00edrito divino que a preferiu a todos os outros elementos<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. S\u00f3 a \u00e1gua, \u00e9 mat\u00e9ria sempre perfeita, fecunda, simples, na qual Deus ofereceu um digno veiculo para o ser humano. Em seguida o Criador ap\u00f3s ter ordenado o mundo segundo os seus elementos, para torn\u00e1-lo habit\u00e1vel o Senhor mandou as \u00e1guas primordiais de criar os seres viventes<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Pelo fato das \u00e1guas primordiais geraram vida, da mesma forma no batismo as \u00e1guas podem produzir vida<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Quando o Senhor formou o ser humano, a \u00e1gua tamb\u00e9m ajudou a produzir o lodo, o barro nas m\u00e3os do Criador, por causa do liquido que tinha modificado em barro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tertuliano colocou a import\u00e2ncia da \u00e1gua que \u00e9 grande a sua for\u00e7a ou o seu benef\u00edcio, quantas qualidades, quantas capacidades, quantos servi\u00e7os oferecem ao mundo, na qual merecem um louvor porque est\u00e1 ligada ao batismo. O fato \u00e9 que Deus utilizou-se dessa mat\u00e9ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras coisas, n\u00e3o restam duvidas que a tornou fecunda tamb\u00e9m nos seus sacramentos, de modo que esta regula a vida terrena \u00e9 tamb\u00e9m as realidades divinas<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>A \u00e1gua batismal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tertuliano deu uma vis\u00e3o dos eventos das origens, reconhecendo a raz\u00e3o do batismo, na qual vinha prefigurado o sacramento pela \u00e1gua, pelo fato mesmo que o Esp\u00edrito de Deus pairava sobre as \u00e1guas, permaneceu sobre as mesmas, as \u00e1guas, como infus\u00e3o de vida. O Santo Esp\u00edrito se movia sobre uma coisa santificada por Ele, a \u00e1gua<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>, que deveria ser utilizada no batismo. A \u00e1gua \u00e9 a mesma seja aquela l\u00e1 no inicio das origens, seja aquela em que o Senhor Jesus foi batizado no Rio Jord\u00e3o. Portanto em virtude do antigo privil\u00e9gio das origens, todas as \u00e1guas, uma vez invocado Deus sobre elas, obt\u00eam a for\u00e7a de santificar pela presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. De fato o batismo se assemelha a uma simples a\u00e7\u00e3o, porque somos manchados pelos pecados como pela sujeira, somos lavados com a \u00e1gua<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. \u00c9 a pessoa que peca de modo que o batismo nos lava dos pecados, pela presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tertuliano deu um grande valor ao batismo, com a presen\u00e7a da \u00e1gua, sendo o elemento externo do sacramento que possibilita a pessoa ser \u2018banhada\u2019, introduzida no mist\u00e9rio divino, em nome de Deus Uno e Trino. Ele teve que se defrontar com os cainitas, com Quintila, pois n\u00e3o acreditavam na efic\u00e1cia da \u00e1gua para a remiss\u00e3o dos pecados. O batismo nos lava dos pecados e nos ajuda a viver a unidade na fam\u00edlia, na comunidade e na sociedade testemunhando o amor do Senhor e um dia n\u00f3s vivamos a sua gra\u00e7a na vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cfr. Johannes Quasten, <em>Patrologia. I primi due secoli (II -III)<\/em>. Marietti, Casale, 1980, pg. 520-521.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Tertulliano, <em>Il battesimo<\/em>, 1,1. Texto critico di CCL 1, de J. G. Ph. Borleffs. Introduzione, traduzione, note e appendice, Attilio Carpin. Edizioni San Clemente, Edizioni Studio Domenicano, Bologna, 2011, pgs. 123-125.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> O significado \u00e9 peixe em grego, mas tomando-o na forma acr\u00f3stica possui um significado de Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador (Iesus Chr\u00edstos The\u00f3s Ui\u00f3s S\u00f3ter), Cfr. \u00a0<em>Idem<\/em>, pg. 126.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Cfr.<em> Idem<\/em>, 1,3, pg. 127.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Cfr. Idem, 2,1, pgs. 127-129.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, 2,3, pg. 129.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, 3,1, pg. 131.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, 3,2, pg. 131.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Cfr. <em>Ibidem<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, 3,4, pg. 133.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Cfr. <em>Ibidem<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, 3,6, pg. 133.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, 4,1, pg. 135.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, 4,4. pg. 137.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, 4,5, pg. 137.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Vital Corbellini Bispo de Marab\u00e1 \u2013 PA &nbsp; Tertuliano, padre dos s\u00e9culos II e III, do Norte da \u00c1frica, em Cartago, elaborou uma importante obra chamada de: De Baptismo, o Batismo. 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