{"id":255916,"date":"2020-12-01T10:41:23","date_gmt":"2020-12-01T13:41:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=255916"},"modified":"2020-12-01T10:41:50","modified_gmt":"2020-12-01T13:41:50","slug":"admiravel-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/admiravel-graca\/","title":{"rendered":"Admir\u00e1vel gra\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Cruz Alta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A admira\u00e7\u00e3o est\u00e1 na origem dos principais momentos de nossa vida. At\u00e9 a Filosofia tem nela sua origem, segundo Arist\u00f3teles. Admira\u00e7\u00e3o \u00e9 um sentimento de assombro, surpresa, espanto ou afeto diante de algo. Uma imensa admira\u00e7\u00e3o \u00e9 a s\u00edntese do sentido do Natal. Nele, no Natal, torna-se vis\u00edvel e palp\u00e1vel o sentido de nossa vida. O Filho de Deus veio a n\u00f3s, nasceu da Virgem Maria, se fez conhecer, sobretudo, porque nos mostra, de maneira gratuita, o amor de Deus e o sentido de nossa vida. Ent\u00e3o, o sentimento do Natal \u00e9 a admira\u00e7\u00e3o diante dele, que tenha vindo at\u00e9 n\u00f3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nossa admira\u00e7\u00e3o \u00e9 porque Ele, o Deus vivo, veio at\u00e9 n\u00f3s. Viveu como n\u00f3s. Compartilhou nossa humildade. Experimentou o que temos de melhor e, como humano, ficou dependente de nossa acolhida, nossa liberdade. Tamb\u00e9m experimentou o amor como um grande princ\u00edpio que anima todas as realidades. Fez-se pequeno e humilde, o que nos faz termos maior admira\u00e7\u00e3o. Ele nos ama infinitamente, nos ama sempre. Mostrou-nos, em todas as circunst\u00e2ncias, que o caminho crist\u00e3o \u00e9 o amor, unicamente. Viveu \u201camando at\u00e9 o fim\u201d (Jo 13,1), at\u00e9 a morte na cruz. Foi ressuscitado pelo Pai, indo ao encontro dos seus disc\u00edpulos que o haviam abandonado. Como n\u00e3o se admirar com esta gra\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas, a humanidade de nosso tempo ainda espera um Messias, um Salvador? Pergunta intrigante. \u201cTem-se a impress\u00e3o de que muitos consideram Deus fora dos seus interesses. Aparentemente n\u00e3o precisam d\u00b4Ele; vivem como se Ele n\u00e3o existisse e, ainda pior, como se fosse um \u2018obst\u00e1culo\u2019 a superar para se realizarem a si mesmos\u201d (Bento XVI, 20\/12\/2006). S\u00e3o Paulo, na Carta aos Filipenses, afirma \u201cque \u00e9 de condi\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o considerou como uma usurpa\u00e7\u00e3o ser igual a Deus. No entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condi\u00e7\u00e3o de servo e tornando-se igual aos homens\u201d (Fl 2,6-7). Na forma humana manifestou-se, para assim estar pr\u00f3ximo de todos e manifestar a todos a miseric\u00f3rdia. Com certeza, o olhar da bondade de Deus no seu Filho leva-nos, \u00e0s vezes com uma inquietude interior, a estender nosso olhar a todas as realidades de sofrimento humano. E s\u00e3o tantas que existem. Tantos sofrimentos e tantos pecados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O principal sentimento da admira\u00e7\u00e3o que nos vem no Natal \u00e9 o amor. N\u00e3o por nada \u00e9 que S\u00e3o Jo\u00e3o ao resumir quem \u00e9 Deus o classifica como aquele que manifesta-se como amor, no sentido do verbo, da a\u00e7\u00e3o de amar. \u201cNo Natal ressoa ao mundo inteiro o an\u00fancio simples e perturbador: \u2018Deus ama-nos\u2019\u201d (Bento XVI, 03\/01\/2007). Este amor, acolhido, move-nos para dentro de n\u00f3s mesmos e para fora, para as pessoas, para o mundo. Como disse Sime\u00e3o, ele ser\u00e1 \u201csinal de contradi\u00e7\u00e3o para que sejam revelados os pensamentos de muitos cora\u00e7\u00f5es\u201d (cf. Lc 2,32). Por isso, como disse S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, \u201cDeus, ao dar-nos tudo, isto \u00e9, o seu Filho, n\u00b4Ele disse tudo\u201d (<em>Subida ao monte Carmelo<\/em>, Ep. 22,4-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enfim, retomando a express\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o, \u201co Verbo fez-se carne\u201d (Jo 1,14). Qual seria o grande motivo de que Deus, na sua infinita grandeza tenha vindo at\u00e9 n\u00f3s, no mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o? O Filho de Deus assumiu a natureza humana, para nela levar a efeito a nossa salva\u00e7\u00e3o. O Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica nos responde: \u201cO Verbo fez-Se carne para nos salvar, reconciliando-nos com Deus\u201d (n.457). \u201cO Verbo fez-Se carne, para que assim conhec\u00eassemos o amor de Deus\u201d (n.458). \u201cO Verbo fez-Se carne, para ser o nosso modelo de santidade\u201d (n.459). \u201cO Verbo fez-Se carne, para nos tornar \u00abparticipantes da natureza divina\u00bb (2Pd 1,4)\u201d (n. 460). A liturgia deste tempo resume: vivemos uma expectativa vigilante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo de Cruz Alta \u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A admira\u00e7\u00e3o est\u00e1 na origem dos principais momentos de nossa vida. At\u00e9 a Filosofia tem nela sua origem, segundo Arist\u00f3teles. Admira\u00e7\u00e3o \u00e9 um sentimento de assombro, surpresa, espanto ou afeto diante de algo. Uma imensa admira\u00e7\u00e3o \u00e9 a s\u00edntese do sentido do Natal. 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