{"id":256065,"date":"2020-12-03T15:11:08","date_gmt":"2020-12-03T18:11:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=256065"},"modified":"2020-12-04T10:44:32","modified_gmt":"2020-12-04T13:44:32","slug":"todos-irmaos-a-fraternidade-como-alicerce-para-uma-nova-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/todos-irmaos-a-fraternidade-como-alicerce-para-uma-nova-cultura\/","title":{"rendered":"Todos irm\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Vicente Ferreira<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG)<\/strong><br \/>\n<strong>Membro da Comiss\u00e3o Episcopal de Cultura e Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Todos irm\u00e3os: a fraternidade como alicerce para uma nova cultura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao publicar sua mais recente Enc\u00edclica, <em>Fratelli Tutti<\/em>, Papa Francisco comenta: \u201centrego esta enc\u00edclica social\u201d (FT, n. 6). O texto nasce em plena pandemia e em di\u00e1logo com o l\u00edder mul\u00e7umano Im\u00e3 Ahmad Al-Tayyeb. Nele encontramos balizas para a cultura universal da amizade e da fraternidade. Destacamos, ent\u00e3o, as linhas gerais do documento, considerando que, se a <em>Evangelii Gaudium<\/em> nos convida a uma convers\u00e3o eclesial e a <em>Laudato S\u00ec<\/em> a uma convers\u00e3o ecol\u00f3gica, <em>Fratelli Tutti<\/em> lan\u00e7a perspectivas para uma convers\u00e3o cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As primeiras p\u00e1ginas do documento apresentam as <strong>sombras de um mundo fechado<\/strong>, marcado por sonhos desfeitos em peda\u00e7os, no qual \u201creacendem-se conflitos anacr\u00f3nicos que se consideravam superados, ressurgem nacionalismos fechados, exacerbados, ressentidos e agressivos\u201d (FT, n. 11). Globaliza-se o dom\u00ednio dos mais fortes, com discursos neocolonialistas, que protegem as grandes organiza\u00e7\u00f5es financeiras, dissolvendo as identidades das culturas regionais mais fr\u00e1geis. Desta forma, a pol\u00edtica se enfraquece diante de poderes financeiros transnacionais. A perda da consci\u00eancia hist\u00f3rica, com nega\u00e7\u00f5es de eventos dolorosos como as guerras e ditaduras, obstrui a capacidade de construir a hist\u00f3ria a partir de aprendizados adquiridos. Soma-se a isso a falta de projetos coletivos, o que resulta numa cultura do descarte mundial, tanto humano quanto ambiental. Os direitos humanos, n\u00e3o suficientemente universais, agrava quest\u00f5es como a desigualdade social, o direito das mulheres, a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No bojo desses desafios, \u00e9 preciso pensar outra globaliza\u00e7\u00e3o. As conquistas cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas trouxeram muitos ganhos para a sociedade. No entanto, temos que nos envergonhar porque, enquanto poucos acumulam riquezas, milh\u00f5es de crian\u00e7as morrem de fome. Os avan\u00e7os de nossa sociedade global n\u00e3o significa maior inclus\u00e3o social, o que faz Francisco exclamar: \u201ccomo seria bom se, enquanto descobrimos novos planetas long\u00ednquos, tamb\u00e9m descobr\u00edssemos as necessidades do irm\u00e3o e da irm\u00e3 que orbitam ao nosso redor!\u00bb\u201d (FT, n. 31). A Pandemia do coronav\u00edrus desmascarou, ainda mais, as seguran\u00e7as falsas de nossa cultura e estampou entre n\u00f3s que n\u00e3o nos salvamos sozinhos. \u201cA tribula\u00e7\u00e3o, a incerteza, o medo e a consci\u00eancia dos pr\u00f3prios limites, que a pandemia despertou, fazem ressoar o apelo a repensar os nossos estilos de vida, as nossas rela\u00e7\u00f5es, a organiza\u00e7\u00e3o das nossas sociedades e sobretudo o sentido da nossa exist\u00eancia\u201d (FT, n. 33). N\u00e3o podemos, por exemplo, continuar tratando os migrantes como pessoas menos importantes. \u00c9 um contratestemunho quando crist\u00e3os tamb\u00e9m partilham dessa mentalidade ao inv\u00e9s de defenderem a dignidade inalien\u00e1vel de toda pessoa humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro perigo muito comum \u00e9 a fragilidade da comunica\u00e7\u00e3o virtual que muitas vezes dispensa gestos, express\u00f5es, sil\u00eancios, linguagem corp\u00f3rea, fundamentais no encontro entre pessoas. Isso pode at\u00e9 ter apar\u00eancia de solidez, mas n\u00e3o consegue construir um \u00abn\u00f3s\u00bb. A conex\u00e3o digital n\u00e3o \u00e9 suficiente para unir a humanidade. \u00c9 dram\u00e1tico notar, por exemplo, que \u201caquilo que ainda h\u00e1 pouco tempo uma pessoa n\u00e3o podia dizer sem correr o risco de perder o respeito de todos, hoje pode ser pronunciado com toda a grosseria, at\u00e9 por algumas autoridades pol\u00edticas, e ficar impune.\u201d (FT, n. 45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 sabemos que n\u00e3o atravessamos uma \u00e9poca de pequenas mudan\u00e7as, mas que o pr\u00f3prio conceito de \u00e9poca \u00e9 que est\u00e1 mudando, no meio de uma crise poli\u00e9drica. Para enfrentar esses desafios, Papa Francisco nos apresenta <strong>a par\u00e1bola do bom samaritano<\/strong> (Lc 10, 25-37), que faz abrir o di\u00e1logo diante do real, num tempo imprevisto. Na perspectiva do Antigo Testamento, colhemos o seguinte: \u00abquando vindimares a tua vinha, n\u00e3o rebusques o que ficou; deixa-o para o estrangeiro, o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava. Lembra-te que foste escravo na terra do Egito\u00bb (<em>Dt <\/em>24, 21-22).\u201d (FT, n. 61). E, assim, o Novo Testamento resume os mandamentos: \u00abAquele que n\u00e3o ama o seu irm\u00e3o, a quem v\u00ea, n\u00e3o pode amar a Deus, a quem n\u00e3o v\u00ea\u00bb (<em>1 Jo <\/em>4, 20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sofrimento do outro deve alterar as rotas de nossa viagem. Em tempos de pandemia, as m\u00e1scaras v\u00e3o caindo e, logo, percebemos quem s\u00e3o aqueles que cuidam e aqueles que passam adiante. Na par\u00e1bola, os salteadores s\u00e3o a realidade imposta, diante da qual n\u00e3o adianta uma atitude de lamenta\u00e7\u00e3o apenas. A viol\u00eancia j\u00e1 fez o seu estrago e diante dela o sacerdote e o levita s\u00e3o indiferentes.\u00a0 N\u00e3o s\u00e3o capazes de compreender o que S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo t\u00e3o bem disse: \u00abQueres honrar o Corpo de Cristo? N\u00e3o permitas que seja desprezado nos seus membros, isto \u00e9, nos pobres que n\u00e3o t\u00eam que vestir, nem O honres aqui no templo com vestes de seda, enquanto l\u00e1 fora O abandonas ao frio e \u00e0 nudez\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sociedade de Jesus, pr\u00f3ximo era o vizinho, pertencente ao mesmo grupo. Na par\u00e1bola, essa vis\u00e3o \u00e9 rompida porque os samaritanos eram considerados pelos judeus como impuros, perigosos por habitarem uma regi\u00e3o contagiada por rituais pag\u00e3os. Diante das provoca\u00e7\u00f5es da par\u00e1bola, Papa Francisco lamenta: \u201c\u00e0s vezes deixa-me triste o facto de, apesar de estar dotada de tais motiva\u00e7\u00f5es, a Igreja ter demorado tanto tempo a condenar energicamente a escravatura e v\u00e1rias formas de viol\u00eancia\u201d. (FT, n. 86). \u00c9 um contratestemunho que, depois de tantas atrocidades, ainda haja pessoas crist\u00e3s se autorizando, em nome da f\u00e9, a deferem nacionalismos fechados, atitudes xen\u00f3fobas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vivencia aut\u00eantica da f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 geradora de um mundo novo. \u201cO amor ao outro por ser quem \u00e9, impele-nos a procurar o melhor para a sua vida. S\u00f3 cultivando esta forma de nos relacionarmos \u00e9 que tornaremos poss\u00edvel aquela amizade social que n\u00e3o exclui ningu\u00e9m e a fraternidade aberta a todos\u201d (FT, n. 94). \u00c9 preciso abrir-se aos que est\u00e3o nas periferias geogr\u00e1ficas e existenciais e corrigir as no\u00e7\u00f5es equivocadas de um amor universal que a globaliza\u00e7\u00e3o atual tenta impor. Pretender uniformizar o todo n\u00e3o d\u00e1 conta das diferen\u00e7as e acaba por construir uma fantasiosa igualdade. O outro n\u00e3o \u00e9 uma ideia abstrata, mas algu\u00e9m que nos interpela a sair de uma pauta m\u00ednima das esmolas, para buscarmos programas que possibilitem que a vida desabroche integralmente, em abund\u00e2ncia. Nesse ponto, Papa Francisco reprop\u00f5e algo fundamental, a fun\u00e7\u00e3o social da propriedade, lembrando que o direito universal dos bens da terra vem antes do direito \u00e0 propriedade privada. \u201cO princ\u00edpio da subordina\u00e7\u00e3o da propriedade privada ao destino universal dos bens e, consequentemente, o direito universal ao seu uso \u00e9 uma \u00abregra de ouro\u00bb do comportamento social e o \u00abprimeiro princ\u00edpio de toda a ordem \u00e9tico-social\u00bb. (LS, n. 93). Ou seja, sem terra, teto e trabalho para todos n\u00e3o haver\u00e1 cultura da fraternidade e da amizade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fraternidade universal, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o, \u00e9 caminho a ser percorrido com atitudes concretas de um <strong>cora\u00e7\u00e3o aberto ao mundo inteiro<\/strong>. Quanto aos migrantes, acolher, proteger, promover e integrar s\u00e3o verbos fundamentais. Quando bem integrados, s\u00e3o uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, um dom para a cultura local. \u201cSe nos preocupa o desaparecimento dalgumas esp\u00e9cies, deveria afligir-nos o pensamento de que em qualquer lugar possam existir pessoas e povos que n\u00e3o desenvolvem o seu potencial e a sua beleza por causa da pobreza ou doutros limites estruturais.\u201d (FT, n. 137). Por ser a cultura o conjunto que sustenta a vida das pessoas, olh\u00e1-la em sua amplitude n\u00e3o significa descartar as tradi\u00e7\u00f5es locais. \u00c9 necess\u00e1rio promover o interc\u00e2mbio entre local e universal. Se n\u00e3o pode existir uma globaliza\u00e7\u00e3o que elimina a diferen\u00e7a, tamb\u00e9m n\u00e3o pode existir a diferen\u00e7a que, por ser fechada, elimina os valores universais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A<strong> melhor pol\u00edtica<\/strong> deve empenhar-se em vencer a erva daninha do populismo. Quando algu\u00e9m usa o poder para manipular projetos em favor de grupos fechados e ego\u00edstas, perde-se o sentido de povo aberto, em constru\u00e7\u00e3o. Assim, as estrat\u00e9gias do liberalismo vigente troca a vida das pessoas pelo mercado. E \u00e9 um problema grave porque ele, ao criar exclus\u00f5es, ainda persegue os Movimentos Populares, a poesia social, segundo Papa Francisco. Exemplo disso \u00e9 que no s\u00e9culo XXI temos uma perda dos Estados Nacionais para estruturas econ\u00f4mico-financeiras transnacionais que dominam a pr\u00f3pria pol\u00edtica. Sabendo que \u201ca sociedade mundial tem graves car\u00eancias estruturais que n\u00e3o se resolvem com remendos ou solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas meramente ocasionais\u201d (FT, n. 179), \u00e9 urgente o empenho em desenvolver par\u00e2metros de boa pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo a s\u00edntese da f\u00e9 crist\u00e3, a caridade n\u00e3o se restringe a um saud\u00e1vel cultivo de boas amizades ou a gestos concretos de ajuda aos mais pr\u00f3ximos. Ela \u00e9 um movimento maior que se destina a transformar a realidade a partir de compromissos estruturais de defesa da vida de todos e do meio ambiente. O \u00e1pice da caridade \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa e fraterna. Portanto, n\u00e3o \u00e9 uma boa pol\u00edtica transformar os pobres em massa domesticada e inofensiva, o que muita forma de caridade acaba fazendo. O combate a fome e ao tr\u00e1fico de pessoas \u00e9 urg\u00eancia que n\u00e3o pode mais ser procrastinada e isso n\u00e3o se faz apenas com boa vontade, mas com esfor\u00e7o pol\u00edtico qualificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A boa pol\u00edtica tem como escopo o <strong>di\u00e1logo e a amizade social<\/strong>. O di\u00e1logo paciente, silencioso ajuda o mundo a viver melhor. As guerras fazem barulho com suas destrui\u00e7\u00f5es; o di\u00e1logo constr\u00f3i a paz. O di\u00e1logo \u00e9 a ponte de uma nova cultura. O di\u00e1logo busca, em comum, a verdade fundamental para todos. \u201cAceitar que h\u00e1 alguns valores permanentes, embora nem sempre seja f\u00e1cil reconhec\u00ea-los, confere solidez e estabilidade a uma \u00e9tica social\u201d (n. 147). O consenso deve buscar a verdade em suas fei\u00e7\u00f5es mais radicais. \u201cQue todo o ser humano possui uma dignidade inalien\u00e1vel \u00e9 uma verdade que corresponde \u00e0 natureza humana, independentemente de qualquer transforma\u00e7\u00e3o cultural\u201d (FT, n. 213).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importante destacar, para n\u00f3s brasileiros, que o Papa Francisco, ao apresentar a urg\u00eancia de uma nova cultura da amizade, inicie com um verso do Samba da B\u00ean\u00e7\u00e3o, de Vin\u00edcius de Moraes. \u201cA vida \u00e9 a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida\u201d. E acrescenta: \u201co poliedro representa uma sociedade onde as diferen\u00e7as convivem integrando-se, enriquecendo-se e iluminando-se reciprocamente, embora isso envolva discuss\u00f5es e desconfian\u00e7as\u201d (FT, n. 215). A cultura de um povo \u00e9 o seu modo de viver. Por isso, \u201cum pacto social realista e inclusivo deve ser tamb\u00e9m um pacto cultural, que respeite e assuma as diversas vis\u00f5es do mundo, as culturas e os estilos de vida que coexistem na sociedade\u201d (FT, n. 219). E a amabilidade \u00e9 ingrediente indispens\u00e1vel para tal pacto, que deve ser constru\u00eddo no cotidiano da exist\u00eancia de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos chamados a gerar a <strong>cultura do encontro<\/strong>. A busca pela paz n\u00e3o significa apenas combater as guerras. \u00c9 tamb\u00e9m fundamental a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social, cuidando sobretudo dos mais pobres e vulner\u00e1veis. Sendo o perd\u00e3o tema fundamental do cristianismo, \u00e9 necess\u00e1rio entend\u00ea-lo bem para evitar leituras fatalistas. \u201cSomos chamados a amar a todos, sem exce\u00e7\u00e3o, mas amar a um opressor n\u00e3o significa consentir que continue a ser tal; nem lev\u00e1-lo a pensar que \u00e9 aceit\u00e1vel o que faz. Pelo contr\u00e1rio, am\u00e1-lo corretamente \u00e9 procurar, de v\u00e1rias maneiras, que deixe de oprimir, tirar-lhe o poder que n\u00e3o sabe usar e que o desfigura como ser humano\u201d (FT, n. 241).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, ningu\u00e9m pode pretender \u201cencerrar por decreto as feridas ou cobrir as injusti\u00e7as com um manto de esquecimento\u201d (FT, n. 246). Nunca devemos perder a mem\u00f3ria hist\u00f3rica dos fatos que nos envergonham como seres humanos. Manter a mem\u00f3ria das v\u00edtimas, inclusive das que sobrevivem pela pr\u00e1tica do bem e do perd\u00e3o, \u00e9 encontrar a face de transbordamento do perd\u00e3o, que vai al\u00e9m dos horrores sofridos. \u201cO perd\u00e3o \u00e9 precisamente o que permite buscar a justi\u00e7a sem cair no c\u00edrculo vicioso da vingan\u00e7a nem na injusti\u00e7a do esquecimento\u201d (FT, n. 252). Um exemplo concreto a ser refor\u00e7ado \u00e9 o empenho das Na\u00e7\u00f5es Unidas no combate as guerras, que se tornam, com armas nucleares potentes, de riscos incontrol\u00e1veis. Nesse aspecto, Papa Francisco \u00e9 assertivo: \u201ctodos os crist\u00e3os e homens de boa vontade est\u00e3o chamados hoje a lutar n\u00e3o s\u00f3 pela aboli\u00e7\u00e3o da pena de morte, legal ou ilegal, em todas as suas formas, mas tamb\u00e9m para melhorar as condi\u00e7\u00f5es carcer\u00e1rias, no respeito pela dignidade humana das pessoas privadas da liberdade\u201d (FT, n. 268).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, as <strong>religi\u00f5es devem estar a servi\u00e7o da fraternidade no mundo<\/strong>. O di\u00e1logo entre as religi\u00f5es a partir de um fundo transcendente, que nos leva a todos a aprofundar a dignidade da vida em sua integralidade, \u00e9 fundamental. A liberdade religiosa para os crentes de todas as religi\u00f5es \u00e9 alicerce indispens\u00e1vel sem o qual n\u00e3o haver\u00e1 paz no mundo. Em tantos casos, o pr\u00f3prio nome de Deus \u00e9 usado para justificar a viol\u00eancia, mas isso n\u00e3o encontra \u201cfundamento algum nas convic\u00e7\u00f5es religiosas fundamentais, mas nas suas deforma\u00e7\u00f5es\u201d (FT, n. 282).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Vicente Ferreira Bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) Membro da Comiss\u00e3o Episcopal de Cultura e Educa\u00e7\u00e3o &nbsp; Todos irm\u00e3os: a fraternidade como alicerce para uma nova cultura Ao publicar sua mais recente Enc\u00edclica, Fratelli Tutti, Papa Francisco comenta: \u201centrego esta enc\u00edclica social\u201d (FT, n. 6). 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