{"id":256806,"date":"2020-12-22T14:14:10","date_gmt":"2020-12-22T17:14:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=256806"},"modified":"2020-12-22T14:21:57","modified_gmt":"2020-12-22T17:21:57","slug":"o-verdadeiro-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-verdadeiro-natal\/","title":{"rendered":"O verdadeiro Natal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #333333;\"><b>Dom Antonio de Assis Ribeiro<br \/>\n<\/b><\/span><span style=\"color: #333333;\"><b>Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio de tantas atividades e rituais natalinos de car\u00e1ter folcl\u00f3rico devemos estar atentos para n\u00e3o nos deixarmos perder de vista o essencial.\u00a0A aut\u00eantica alegria da celebra\u00e7\u00e3o do Natal brota de uma convic\u00e7\u00e3o de f\u00e9 que tudo sustenta: o menino que nasceu em Bel\u00e9m \u00e9 o Salvador, o Messias, o Senhor (cf. Lc 1,11), \u00e9 Deus que se faz homem e vem habitar no meio de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 essa a mais profunda verdade que gerou espanto, alegria e esperan\u00e7a nos pastores. A celebra\u00e7\u00e3o do Natal sem essa convic\u00e7\u00e3o religiosa n\u00e3o passa de uma pura festa cultural (folcl\u00f3rica) com muito brilho, abund\u00e2ncia de coisas, gestos e ritos, mas logo tudo se acaba. \u00c9 festa sem compromisso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio, a celebra\u00e7\u00e3o do nascimento do Deus conosco \u00e9 carregada de compromissos porque n\u00e3o \u00e9 fruto de uma mera conven\u00e7\u00e3o humana, mas sim, uma celebra\u00e7\u00e3o de F\u00e9. De fato, a a\u00e7\u00e3o salvadora do Filho de Deus n\u00e3o \u00e9 um espet\u00e1culo pirot\u00e9cnico, mas convite a um compromisso de vida que d\u00e1 novo sentido \u00e0 exist\u00eancia de quem a ele adere e segue.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>O Natal pag\u00e3o <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O paganismo \u00e9 o movimento do homem que, com suas ansiedades e desejos, busca projetar-se para o alto, enaltecendo a si mesmo. Dessa forma nasce toda esp\u00e9cie de idolatria, quando o homem exaltando a si mesmo deposita nas criaturas a sua alegria, seguran\u00e7a, confian\u00e7a e esperan\u00e7a. Essa foi uma das mais duras cr\u00edticas feita pelos profetas como adverte o profeta Jeremias: \u201cMaldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu bra\u00e7o, e aparta o seu cora\u00e7\u00e3o do Senhor!\u201d (Jr 17,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 atualmente na sociedade muitas atividades que j\u00e1 receberam o adjetivo \u201cnatalinas\u201d, mas na verdade, est\u00e3o distantes do Verdadeiro Natal. S\u00e3o atividades sociais e folcl\u00f3ricas, recheadas de afetividade e emo\u00e7\u00e3o, com seus devidos valores, mas que na sua ess\u00eancia n\u00e3o fazem parte do dinamismo da experi\u00eancia de F\u00e9 crist\u00e3. Por isso somos chamados a repensar o que, de fato, caracteriza a aut\u00eantica celebra\u00e7\u00e3o do verdadeiro Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Natal n\u00e3o \u00e9 a festa do afeto da humanidade em si mesma; n\u00e3o \u00e9 a troca de presentes materiais entre as pessoas, mas \u00e9 o reconhecimento, daqueles que tem f\u00e9, que Deus se faz presente para a humanidade. A verdadeira celebra\u00e7\u00e3o do Natal, quando \u00e9 regada pela f\u00e9, nunca prioriza as coisas, mas as pessoas. E por isso a bondade passageira n\u00e3o basta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A celebra\u00e7\u00e3o do Natal n\u00e3o \u00e9, puramente, fazer-se esporadicamente bonzinho e dar presente a um necessitado, mas \u00e9 o ato de f\u00e9 que nos leva a acolher a Deus como presente para a humanidade carente de sentido e salva\u00e7\u00e3o. E assim nos fazemos permanentemente presente para os outros.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li><strong>Deus vem a n\u00f3s<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Natal \u00e9 o movimento de Deus, \u201cabrindo os c\u00e9us\u201d e vindo \u00e0 terra. Essa \u00e9 uma ideia do profeta Isa\u00edas quando afirma: <em>\u201cC\u00e9us, deixai cair orvalho das alturas, e que as nuvens fa\u00e7am chover justi\u00e7a; abra-se a terra e germine a salva\u00e7\u00e3o; brote igualmente a salva\u00e7\u00e3o\u201d<\/em> (Is 45,8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Natal n\u00e3o \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o da bondade humana, mas \u00e9 a festa das boas vindas ao Salvador chegando ao encontro da humanidade. O Verdadeiro Natal \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da colhida do mist\u00e9rio de Deus em forma de crian\u00e7a como disse o anjo aos pastores: <em>\u00abN\u00e3o tenham medo! Eu anuncio para voc\u00eas a Boa Not\u00edcia, que ser\u00e1 uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para voc\u00eas um Salvador, que \u00e9 o Messias, o Senhor. Isto lhes servir\u00e1 de sinal: voc\u00eas encontrar\u00e3o um rec\u00e9m-nascido, envolto em faixas e deitado na manjedoura<\/em>\u00bb (Lc 2,10-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Verdadeiro Natal \u00e9 celebra\u00e7\u00e3o dos sinais da f\u00e9 e estes superam por completo os limites do tempo cronol\u00f3gico. Dessa forma celebramos a chegada do Salvador l\u00e1 onde nos exercitamos no Amor. Celebramos o Natal, com os sinais da chegada do Salvador, quando superamos a indiferen\u00e7a e nos tornamos solid\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebramos o Verdadeiro Natal quando manifestamos ao pr\u00f3ximo os sinais do conforto da acolhida, do al\u00edvio do perd\u00e3o, da for\u00e7a da miseric\u00f3rdia. O profeta Isa\u00edas ainda nos estimula a pensar a Celebra\u00e7\u00e3o do Natal como visibiliza\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es de Deus que est\u00e1 em n\u00f3s: \u201c<em>o mesmo Senhor vos dar\u00e1 um sinal:\u00a0<\/em><em>Eis que uma virgem conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um filho, e lhe por\u00e1 o nome de Emanuel\u201d<\/em> (Is 7,14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebrar o Natal \u00e9 \u201cdar \u00e0 luz\u201d, mostrar ao mundo, o Bem maior que temos que \u00e9 Deus. Naturalmente essa manifesta\u00e7\u00e3o da divindade em n\u00f3s s\u00f3 pode acontecer atrav\u00e9s das nossas atitudes de amor ao pr\u00f3ximo, como bem nos descreve o evangelista Jo\u00e3o: \u201c<em>Se algu\u00e9m diz: \u00abEu amo a Deus\u00bb, e no entanto, odeia o seu irm\u00e3o, esse tal \u00e9 mentiroso; pois quem n\u00e3o ama o seu irm\u00e3o, a quem v\u00ea, n\u00e3o poder\u00e1 amar a Deus, a quem n\u00e3o v\u00ea. E este \u00e9 justamente o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame tamb\u00e9m o seu irm\u00e3o<\/em>\u201d (1Jo 4,20-21).<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li>O Deus escondido se revela<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto os \u00eddolos deste mundo s\u00e3o vis\u00edveis e concretos, capazes de serem observados e manipulados (cf. Is 45,20), o Deus de Israel era mist\u00e9rio, por isso diz o profeta Isa\u00edas: \u201c<em>De fato, tu \u00e9s o Deus escondido, o Deus de Israel, o salvador<\/em>\u201d (cf. Is 45,15). Os \u00eddolos s\u00e3o est\u00e1ticos e o brilho deles depende dos homens! Mas s\u00f3 Deus pode se revelar, porque \u00e9 absolutamente sujeito. No in\u00edcio da Carta aos Hebreus encontramos esta linda afirma\u00e7\u00e3o sobre o mist\u00e9rio de Cristo que se revela progressivamente ao longo da hist\u00f3ria. <em>\u201cNos tempos antigos, muitas vezes e de muitos modos Deus falou aos antepassados por meio dos profetas. No per\u00edodo final em que estamos, falou a n\u00f3s por meio do seu Filho. Deus o constituiu herdeiro de todas as coisas e, por meio dele, tamb\u00e9m criou os mundos\u201d<\/em> (Hb 1,1-2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus fala por meio do seu Filho que \u00e9 a Palavra que se encarnou: <em>\u201cNo come\u00e7o a Palavra j\u00e1 existia: a Palavra estava voltada para Deus, e a Palavra era Deus&#8230; E a Palavra se fez homem e habitou entre n\u00f3s. E n\u00f3s contemplamos a sua gl\u00f3ria: gl\u00f3ria do Filho \u00fanico do Pai, cheio de amor e fidelidade<\/em>\u201d (Jo 1,1-2.14). N\u00e3o h\u00e1 festa do Verdadeiro Natal sem a celebra\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus. N\u00e3o bastam, portanto,\u00a0 poesias e decora\u00e7\u00f5es, m\u00fasica, comidas e bebidas, presentes e panetones urge boas a\u00e7\u00f5es derivadas dos ensinamentos do Emanuel, humildemente colocado numa manjedoura e acess\u00edvel aos olhares dos olhos de que tem f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito mais que uma festa passageira, a celebra\u00e7\u00e3o do Natal \u00e9 a acolhida da Palavra de Deus que faz permanente morada no cora\u00e7\u00e3o quem ama. <strong>Desejo-lhe um Feliz Natal! <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PARA REFLEX\u00c3O PESSOAL:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Como se manifesta a celebra\u00e7\u00e3o do natal pag\u00e3o?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Quais s\u00e3o os principais \u00eddolos do natal pag\u00e3o?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Para voc\u00ea, o que \u00e9 essencial para a celebra\u00e7\u00e3o do verdadeiro Natal?<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Antonio de Assis Ribeiro Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Bel\u00e9m do Par\u00e1 Introdu\u00e7\u00e3o No meio de tantas atividades e rituais natalinos de car\u00e1ter folcl\u00f3rico devemos estar atentos para n\u00e3o nos deixarmos perder de vista o essencial.\u00a0A aut\u00eantica alegria da celebra\u00e7\u00e3o do Natal brota de uma convic\u00e7\u00e3o de f\u00e9 que tudo sustenta: o menino que &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-verdadeiro-natal\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">O verdadeiro Natal<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/256806"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=256806"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/256806\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=256806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=256806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=256806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}