{"id":256814,"date":"2020-12-22T14:20:15","date_gmt":"2020-12-22T17:20:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=256814"},"modified":"2020-12-22T14:21:28","modified_gmt":"2020-12-22T17:21:28","slug":"todos-irmaos-parte-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/todos-irmaos-parte-iii\/","title":{"rendered":"Todos irm\u00e3os \u2013 Parte III"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Diocesano de Cruz Alta (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a comentar a Carta Enc\u00edclica <em>Fratelli tutti<\/em> (todos irm\u00e3os), do Papa Francisco, nos cap\u00edtulos IV e V. Os migrantes devem ser acolhidos e integrados com um \u201ccora\u00e7\u00e3o aberto ao mundo inteiro\u201d. O Papa afirma que \u201co ideal seria, sem d\u00favida, tornar desnecess\u00e1rias as migra\u00e7\u00f5es e, para isso, o caminho \u00e9 criar reais possibilidades de viver e crescer com dignidade nos pa\u00edses de origem, a fim de se poder encontrar l\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es para o pr\u00f3prio desenvolvimento integral\u201d (FT, n. 129). Por\u00e9m, \u201c\u00e9 nosso dever respeitar o direito que todo o ser humano tem de encontrar um lugar onde possa n\u00e3o apenas satisfazer as necessidades b\u00e1sicas dele e da sua fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m realizar-se plenamente como pessoa\u201d (FT, n. 129). Os esfor\u00e7os somados pelo pont\u00edfice, pelas congrega\u00e7\u00f5es religiosas e pelas dioceses, na orienta\u00e7\u00e3o do Papa, \u00e9 o de acolher, proteger, promover e integrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os migrantes s\u00e3o portadores de dons, pois s\u00e3o provenientes de um contexto cultural distinto. Querem um \u201cdesenvolvimento humano integral para todos\u201d (FT, n. 133). O encontro das culturas n\u00e3o deve fazer desaparecer, mas ser salvaguardada para que o mundo n\u00e3o fique mais pobre, sem as mesmas. Sobre a gratuidade, \u201cos nacionalismos fechados manifestam, em \u00faltima an\u00e1lise, esta incapacidade da gratuidade, a errada\u00a0 persuas\u00e3o de que podem desenvolver-se \u00e0 margem da ru\u00edna dos outros e que, fechando-se aos demais, estar\u00e3o mais protegidos\u201d (FT, n. 141). Cada pessoa que nasceu num determinado contexto sabe que pertence a uma fam\u00edlia maior. Deve-se aceitar, \u201ccom alegria que nenhum povo, nenhuma cultura, nenhum indiv\u00edduo pode obter tudo de si mesmo\u201d (FT, n. 150).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para poder haver uma comunidade mundial, para uma amizade social, \u00e9 necess\u00e1rio uma \u201cpol\u00edtica melhor\u201d, \u201ca pol\u00edtica colocada ao servi\u00e7o do verdadeiro bem comum\u201d (FT, n. 154). A divis\u00e3o entre \u201cpopulista\u201d e \u201cn\u00e3o populista\u201d n\u00e3o \u00e9 ben\u00e9vola, pois \u201cumas vezes o desacredita injustamente, outras para o exaltar desmedidamente\u201d (FT, n. 156). Uma grande quest\u00e3o \u00e9 o trabalho, pois quem \u00e9 verdadeiramente popular, que promove o bem do povo, deve \u201cgarantir a todos a possibilidade de fazer germinar as sementes que Deus colocou em cada um, as suas capacidades, a sua iniciativa, as suas for\u00e7as\u201d (FT, n. 162). Sem d\u00favidas \u201cesta \u00e9 a melhor ajuda para um pobre\u201d (FT, n. 162).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o do mercado \u00e9 abordada pelo Papa mais uma vez, com clareza. \u201cO mercado, por si s\u00f3, n\u00e3o resolve tudo, embora \u00e0s vezes nos queiram fazer crer neste dogma de f\u00e9 neoliberal. Trata-se de um pensamento pobre, repetitivo, que prop\u00f5e sempre as mesmas receitas perante qualquer desafio que surja\u201d (FT, n. 168). Ent\u00e3o, faz-se necess\u00e1rio uma pol\u00edtica econ\u00f4mica ativa, visando promover a criatividade empresarial, que aumentem os postos de trabalho. A especula\u00e7\u00e3o financeira com a gan\u00e2ncia do lucro f\u00e1cil, faz muitos estragos. No tempo da pandemia ficou ainda mais claro que os sistemas mundiais n\u00e3o resolvem tudo com a liberdade de mercado e que se faz necess\u00e1rio \u201cvoltar a p\u00f4r a dignidade humana no centro\u201d (TF, n. 168). Faz-se necess\u00e1rio pensar a participa\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica segundo as modalidades que incluam os movimentos populares, com \u201cexperi\u00eancias de solidariedade que crescem de baixo\u201d (FT, n. 169). Para que isso seja poss\u00edvel, convida \u201ca revalorizar a pol\u00edtica, que \u00e9 uma sublime voca\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma das formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum\u201d (FT, n. 180). O Papa convida ao \u201camor social\u201d, para avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o do amor e renovar profundamente as estruturas sociais. Enfim, o Papa convida que nos comprometamos a viver e ensinar o valor do respeito, o amor que aceita as v\u00e1rias diferen\u00e7as e a dignidade de cada ser humano sempre (cf. FT, n. 191).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo Diocesano de Cruz Alta (RS) Continuamos a comentar a Carta Enc\u00edclica Fratelli tutti (todos irm\u00e3os), do Papa Francisco, nos cap\u00edtulos IV e V. Os migrantes devem ser acolhidos e integrados com um \u201ccora\u00e7\u00e3o aberto ao mundo inteiro\u201d. 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