{"id":256970,"date":"2021-01-01T08:01:37","date_gmt":"2021-01-01T11:01:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=256970"},"modified":"2020-12-30T21:06:40","modified_gmt":"2020-12-31T00:06:40","slug":"otimismo-tragico-balanco-gratidao-e-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/otimismo-tragico-balanco-gratidao-e-esperanca\/","title":{"rendered":"\u201cOtimismo tr\u00e1gico\u201d: balan\u00e7o, gratid\u00e3o e esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Luiz Antonio Lopes Ricci<br \/>\n<\/strong><strong>Bispo Diocesano de Nova Friburgo (RJ)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAinda que a figueira n\u00e3o flores\u00e7a, nem a vinha d\u00ea seus frutos, a oliveira n\u00e3o d\u00ea mais o seu azeite, nem os campos, a comida; mesmo que faltem as ovelhas nos apriscos e o gado nos currais: mesmo assim eu me alegro no Senhor, exulto em Deus, meu Salvador!\u201d (Hab 3,17-19)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o do Natal nosso olhar se volta para o final do ano, momento de balan\u00e7o pessoal e comunit\u00e1rio acerca das experi\u00eancias vividas, comportamentos e acontecimentos relevantes, tanto os positivos, quanto os negativos. Neste ano que termina surgiu uma pandemia que parou o mundo e, ao mesmo tempo, mobilizou pesquisadores, profissionais de sa\u00fade, autoridades com poder de decis\u00e3o, na busca de vacinas, medicamentos e resolu\u00e7\u00f5es em vista da preserva\u00e7\u00e3o da vida e ameniza\u00e7\u00e3o dos efeitos da pandemia, especialmente na popula\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel e empobrecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sem raz\u00e3o dizemos de modo un\u00edssono: \u201cque ano dif\u00edcil\u201d! Contudo, quase sempre, nesse per\u00edodo, muitas pessoas utilizam essa mesma express\u00e3o, considerando que facilmente nos esquecemos de fatos positivos e acentuamos os negativos. Na verdade, todos os anos s\u00e3o dif\u00edceis! Uns mais e outros menos. Este ano que termina foi dific\u00edlimo para toda a humanidade, por\u00e9m para a maioria da popula\u00e7\u00e3o do Planeta e do Brasil, que luta pela sobreviv\u00eancia di\u00e1ria, sem as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es de vida digna, todo dia de vida \u00e9 um dia de vit\u00f3ria diante das persistentes incertezas da vida sofrida e vulnerada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sofrimento de toda a fam\u00edlia humana aumentou nossa sensibilidade e comprometimento para com os \u201cinvis\u00edveis\u201d da sociedade. As incertezas, o medo, a inseguran\u00e7a, nos ajudaram a entender melhor a vida cotidiana de bilh\u00f5es de seres humanos. O extraordin\u00e1rio para n\u00f3s \u00e9 o ordin\u00e1rio para eles. Emblem\u00e1tica foi a fala de um morador do Complexo da Mar\u00e9, Douglas Oliveira, publicada no Jornal o Globo, em 7 de abril, que registrei no cora\u00e7\u00e3o: \u201ca gente convive com a realidade iminente da morte, mas uma morte vis\u00edvel. Agora h\u00e1 um perigo invis\u00edvel, e isso \u00e9 muito confuso. Nas favelas, dificilmente um v\u00edrus que n\u00e3o se v\u00ea vai assustar a ponto de colocar as pessoas dentro de casa\u201d. Nosso desejo maior para o pr\u00f3ximo ano \u00e9, sem d\u00favida, o fim da pandemia, acompanhado, \u00e9 claro, do desejo de supera\u00e7\u00e3o das injusti\u00e7as sociais e desigualdades que seguem ceifando vidas. N\u00e3o se trata, de modo algum, de minimizar os efeitos da pandemia, mas apenas de alargar o horizonte de reflex\u00e3o, para o hoje e para o p\u00f3s-pandemia. Afinal, temos e teremos sempre muito trabalho pela frente! Reiniciar ininterruptamente \u00e9 preciso! Ser agradecido muito mais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Urge recordar que o caminhar humano n\u00e3o \u00e9 linear, mas marcado por tens\u00f5es e prova\u00e7\u00f5es. \u201cEntre o otimismo que n\u00e3o sofre e o pessimismo impaciente o verdadeiro caminho do homem \u00e9 este otimismo tr\u00e1gico no qual ele encontra sua justa medida numa atmosfera de grandeza e de luta\u201d (E. Mounier).\u00a0 A proposta de Mounier \u00e9 viver o otimismo tr\u00e1gico, que mant\u00eam o otimismo t\u00e3o necess\u00e1rio, por\u00e9m sem desconsiderar os dramas da vida e as inevit\u00e1veis tens\u00f5es e sofrimentos, sempre ocasi\u00e3o de crescimento e transforma\u00e7\u00e3o pessoal e coletiva. Otimismo adjetivado, eis a nossa proposta, e n\u00e3o otimismo desconectado com a realidade concreta da vida que \u00e9 alegria e dor, grandeza e pequenez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante a pandemia, dor e dificuldades, o balan\u00e7o final de 2020 certamente \u00e9 positivo, mesmo n\u00e3o tendo feito tudo o que nos propusemos a fazer no final do ano passado, tanto por conta dos nossos limites, como pelas dificuldades impostas pela pandemia.\u00a0 Houve mudan\u00e7a de rota, mas o destino \u00e9 o mesmo. Quanto aprendizado nesse per\u00edodo dram\u00e1tico! In\u00fameras iniciativas surgiram, dentro e fora da Igreja, para atender aos pobres e vulner\u00e1veis. O servi\u00e7o evangelizador da Igreja e as atividades caritativas prosseguiram de v\u00e1rios modos e maneiras, gra\u00e7as \u00e0 incans\u00e1vel dedica\u00e7\u00e3o, fidelidade, generosidade e criatividade dos nossos padres, di\u00e1conos, leigos e leigas, nas express\u00f5es concretas do toque de Jesus e da proximidade da Igreja na vida das pessoas. Gratid\u00e3o a todos e todas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pandemia potencializou a cultura do cuidado, nos \u00e2mbitos material, emocional, espiritual. A mensagem do Papa Francisco, para o Dia Mundial da Paz, 1\u00b0 de janeiro de 2021, segue nessa dire\u00e7\u00e3o: \u201cescolhi como tema desta mensagem \u2018a cultura do cuidado como percurso de paz\u2019; a cultura do cuidado para erradicar a cultura da indiferen\u00e7a, do descarte e do conflito, que hoje muitas vezes parece prevalecer. Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avan\u00e7a com dificuldade \u00e0 procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a \u00abb\u00fassola\u00bb dos princ\u00edpios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum. Colaboremos, todos juntos, a fim de avan\u00e7ar para um novo horizonte de amor e paz, de fraternidade e solidariedade, de apoio m\u00fatuo e acolhimento rec\u00edproco. N\u00e3o cedamos \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de nos desinteressarmos dos outros, especialmente dos mais fr\u00e1geis, n\u00e3o nos habituemos a desviar o olhar, mas empenhemo-nos cada dia concretamente por formar uma comunidade feita de irm\u00e3os que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 31 de dezembro do ano passado, momentos antes da prociss\u00e3o de entrada da Santa Missa, Dom Alano Maria Penna, Arcebispo Em\u00e9rito de Niter\u00f3i, me disse: \u201cDeus hoje me oferece uma folha em branco para que eu apenas assine e permita que Ele a preencha segundo a Sua Vontade\u201d. Tratava-se de um ato de extrema confian\u00e7a em Deus e de uma breve e substancial mensagem para o in\u00edcio do novo ano. E foi bem assim! Quando tudo parecia bem,\u00a0 \u201cde repente, n\u00e3o mais que de repente\u201d, surge um v\u00edrus, uma pandemia e um cen\u00e1rio de distanciamento, incertezas e mortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse horizonte, cabe a \u201cOra\u00e7\u00e3o do Abandono\u201d de Charles de Foucauld: \u201cMeu Pai, a v\u00f3s me abandono: fazei de mim o que quiserdes! O que de mim fizerdes, eu vos agrade\u00e7o. Porque \u00e9 para mim uma necessidade de amor, dar-me, entregar-me em vossas m\u00e3os sem medida, com infinita confian\u00e7a, porque sois meu Pai\u201d. Abandonemo-nos Nele porque Ele nunca nos abandona: \u201cSim, \u00f3 Senhor! De todos os modos engrandeceste e tornaste glorioso o teu povo. Nunca, em nenhum lugar, deixaste de olhar por ele e de socorr\u00ea-lo\u201d (Sb 19,22). Chegou a hora de mais uma vez assinar a folha em branco que o Bom Deus nos oferece e deixar que Ele a escreva como Senhor da vida e da hist\u00f3ria. Vamos permanecer unidos a Ele e unidos Nele, como a jabuticaba, colada ao tronco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha sincera gratid\u00e3o a todos e todas, que de diversos modos, contribu\u00edram para salvar vidas e amenizar a dor durante este dram\u00e1tico momento de pandemia, certamente mobilizados por diferentes motivos, dentre eles a f\u00e9, o amor concreto e o otimismo tr\u00e1gico ou dram\u00e1tico que propomos como atitude cotidiana e certamente fecunda. Em frente com paci\u00eancia e perseveran\u00e7a! Enfrente com coragem! \u201cIndo e vindo, trevas e luz, tudo \u00e9 Gra\u00e7a, Deus nos conduz!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Feliz Novo Ano!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Luiz Antonio Lopes Ricci Bispo Diocesano de Nova Friburgo (RJ) \u201cAinda que a figueira n\u00e3o flores\u00e7a, nem a vinha d\u00ea seus frutos, a oliveira n\u00e3o d\u00ea mais o seu azeite, nem os campos, a comida; mesmo que faltem as ovelhas nos apriscos e o gado nos currais: mesmo assim eu me alegro no Senhor, &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/otimismo-tragico-balanco-gratidao-e-esperanca\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">\u201cOtimismo tr\u00e1gico\u201d: balan\u00e7o, gratid\u00e3o e esperan\u00e7a<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":71,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/256970"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/71"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=256970"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/256970\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=256970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=256970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=256970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}