{"id":257713,"date":"2021-01-15T11:23:43","date_gmt":"2021-01-15T14:23:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=257713"},"modified":"2021-01-15T11:24:08","modified_gmt":"2021-01-15T14:24:08","slug":"analfabetismo-emocional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/analfabetismo-emocional\/","title":{"rendered":"Analfabetismo emocional"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Belo Horizonte (MG)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma express\u00e3o forte, carregada de interpela\u00e7\u00e3o, um alerta no horizonte da campanha anual vivida neste m\u00eas &#8211; o Janeiro Branco -, indicando a import\u00e2ncia do cuidado com a sa\u00fade mental. Hoje, torna-se particularmente importante cuidar das emo\u00e7\u00f5es, pois a Covid-19 escancara, de modo singular, a condi\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil de toda a humanidade. \u00a0A pandemia amplia descompassos em diferentes pa\u00edses, desafiando institui\u00e7\u00f5es, fam\u00edlias e cidad\u00e3os. O distanciamento social deste tempo, as mudan\u00e7as de h\u00e1bitos, com o espectro atemorizante do adoecimento, agravado pelo luto imposto a muitas fam\u00edlias, acentuam a fragilidade emocional da humanidade. Mas \u00e9 preciso ter presente que o agravamento das doen\u00e7as ps\u00edquicas \u00e9 fen\u00f4meno que antecede a pandemia. Em uma civiliza\u00e7\u00e3o que convive com acelerados processos de mudan\u00e7a, refer\u00eancias s\u00e3o perdidas, com comprometimento de narrativas que geram equil\u00edbrio para o ser humano. Consequentemente, ocorre progressiva e cada vez mais generalizada deteriora\u00e7\u00e3o da sa\u00fade emocional, que \u00e9 indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sa\u00fade ps\u00edquica \u00e9 importante para se conquistar bem-estar, felicidade, alegria de viver, alicerces primordiais do sentido da vida. Quando a sa\u00fade emocional \u00e9 perdida, reflexos s\u00e3o percebidos em diferentes campos existenciais, com incid\u00eancias terr\u00edveis e demolidoras nas rela\u00e7\u00f5es, na pol\u00edtica, na cultura, na religi\u00e3o e na economia. Por isso mesmo, \u00e9 preciso recuperar a dimens\u00e3o ps\u00edquica da humanidade. Com a urg\u00eancia e a indispensabilidade da vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19 est\u00e1 a tamb\u00e9m emergencial necessidade de se promover a sa\u00fade mental e emocional. \u00a0Essa urg\u00eancia e necessidade tornam-se evidentes quando s\u00e3o percebidos os desvarios de muitas pessoas. Desvarios em pronunciamentos inconsequentes que, de modo lament\u00e1vel, ecoam fortemente. O n\u00edvel de adoecimento da mente, em toda a sociedade, \u00e9 t\u00e3o expressivo que discursos e narrativas equivocados t\u00eam mais repercuss\u00e3o e ades\u00e3o que as perspectivas construtivas, educativas, capazes de desencadear qualificada configura\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fragiliza\u00e7\u00e3o emocional constat\u00e1vel em toda sociedade hospeda discursos obscurantistas, sem contribui\u00e7\u00f5es para a solu\u00e7\u00e3o de problemas da civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, mas que contraditoriamente seduzem, atraindo a aten\u00e7\u00e3o de muitos. Por isso, a humanidade, ainda mais dolorida pela Covid-19, \u00e9 convocada a pensar sobre si, avaliar seus erros e acertos, motivando-se a contribuir com novas luzes para dissipar as sombras que a impedem de encontrar novo rumo. Particularmente, \u00e9 preciso qualificar e promover o humanismo, superando tudo que gera o adoecimento mental e emocional das pessoas. \u00c9 a falta de humanismo que faz com que o desenvolvimento civilizacional esteja em descompasso com o ritmo dos progressos tecnol\u00f3gicos. E a falta de solidariedade, o crescimento de racismos, discrimina\u00e7\u00f5es e desigualdades sociais comprovam a incompet\u00eancia emocional de sociedades na administra\u00e7\u00e3o de seus recursos, que seriam capazes de sustentar uma realidade mais justa e igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dor lancinante sofrida pela humanidade, por suas muitas feridas, por n\u00e3o se saber bem o que fazer para superar as muitas crises, pela ado\u00e7\u00e3o de \u201cbandeiras\u201d sustentadas por discursos sem credibilidade, necessita do rem\u00e9dio-b\u00e1lsamo da espiritualidade. A humanidade est\u00e1 em confronto com o mist\u00e9rio de um amor maior. Sejam, pois, superados discursos viciados e muito propagados, ilusoriamente exitosos, com uma experi\u00eancia espiritual que gere reunifica\u00e7\u00e3o, articulando diferen\u00e7as. Com espiritualidade e humanismo integral, a civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea poder\u00e1 se libertar de fundamentalismos e lideran\u00e7as caricatas, vencendo o preocupante e pesado analfabetismo emocional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte (MG) \u00c9 uma express\u00e3o forte, carregada de interpela\u00e7\u00e3o, um alerta no horizonte da campanha anual vivida neste m\u00eas &#8211; o Janeiro Branco -, indicando a import\u00e2ncia do cuidado com a sa\u00fade mental. 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