{"id":258481,"date":"2021-02-02T14:09:20","date_gmt":"2021-02-02T17:09:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=258481"},"modified":"2021-02-02T14:10:56","modified_gmt":"2021-02-02T17:10:56","slug":"todos-irmaos-parte-vi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/todos-irmaos-parte-vi\/","title":{"rendered":"Todos irm\u00e3os \u2013 Parte VI"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Cruz Alta (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso Papa Francisco conclui sua Carta Enc\u00edclica <em>Fratelli tutti <\/em>(Todos Irm\u00e3os), de cunho social, com um embasamento teol\u00f3gico. As v\u00e1rias religi\u00f5es, que temos o privil\u00e9gio de reconhecer a Deus como Pai criador e fonte de toda a dignidade humana, podem oferecer uma grande contribui\u00e7\u00e3o para a fraternidade. Por isso, o t\u00edtulo do Cap\u00edtulo VIII \u00e9 \u201cas religi\u00f5es ao servi\u00e7o da fraternidade no mundo\u201d. Onde est\u00e1 o fundamento da fraternidade humana? \u201cEntre as religi\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel um caminho de paz. O ponto de partida deve ser o olhar de Deus. Porque Deus n\u00e3o olha com os olhos, Deus olha com o cora\u00e7\u00e3o. E o amor de Deus \u00e9 o mesmo para cada pessoa, seja qual for a religi\u00e3o. E se \u00e9 um ateu, \u00e9 o mesmo amor. Quando chegar o \u00faltimo dia e houver a luz suficiente na terra para poder ver as coisas como s\u00e3o, n\u00e3o faltar\u00e3o surpresas\u201d (FT, n. 281).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raz\u00e3o humana at\u00e9 pode nos mostrar a necessidade de conhecer a fraternidade, mas, por si s\u00f3, n\u00e3o consegue fund\u00e1-la. \u201cComo crentes, pensamos que, sem uma abertura ao Pai de todos, n\u00e3o podem haver raz\u00f5es s\u00f3lidas e est\u00e1veis para o apelo \u00e0 fraternidade\u201d (FT, n. 272). O Papa recorda o ensinamento de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, na Carta <em>Centesimus Annus<\/em> (1991), que afirma de maneira clara que uma das ra\u00edzes do totalitarismo de quem busca ir ao encontro dos outros \u00e9 a falta de transcend\u00eancia. \u201cSe n\u00e3o existe uma verdade transcendente, na obedi\u00eancia \u00e0 qual o homem adquire a sua plena identidade, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 qualquer princ\u00edpio seguro que garanta rela\u00e7\u00f5es justas entre os homens. [&#8230;] A raiz do totalitarismo moderno, portanto, deve ser individuada na nega\u00e7\u00e3o da transcendente dignidade da pessoa humana, imagem vis\u00edvel de Deus invis\u00edvel\u201d (CA, n. 849). O pr\u00f3prio Papa Francisco j\u00e1 afirmou v\u00e1rias vezes: \u201cquando se pretende, em nome duma ideologia, expulsar Deus da sociedade, acaba-se adorando \u00eddolos, e bem depressa o pr\u00f3prio homem se sente perdido, a sua dignidade \u00e9 espezinhada, os seus direitos violados\u201d (FT, n. 274). Sim, entre as muitas causas da crise do mundo moderno est\u00e1 a \u201cconsci\u00eancia humana anestesiada e o afastamento dos valores religiosos\u201d (FT, n. 275). Ent\u00e3o, sem desprezar os outros, o Papa recorda que \u201coutros bebem doutras fontes. Para n\u00f3s, este manancial de dignidade humana e fraternidade est\u00e1 no Evangelho de Jesus Cristo\u201d (FT, n. 277). Para n\u00f3s, \u201cse a m\u00fasica do Evangelho parar de vibrar nas nossas entranhas, perderemos a alegria que brota da compaix\u00e3o, a ternura que nasce da confian\u00e7a, a capacidade da reconcilia\u00e7\u00e3o que encontra sua fonte de nos sabermos sempre perdoados-enviados\u201d (FT, n. 277).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa pede que nos pa\u00edses onde os cat\u00f3licos s\u00e3o minoria, \u201cnos seja garantida a liberdade, tal como n\u00f3s a favorecemos para aqueles que n\u00e3o s\u00e3o crist\u00e3os onde eles s\u00e3o minoria\u201d (FT, n. 279). A liberdade religiosa \u00e9 um direito universal, que deve ser sempre respeitada. Deus, que n\u00e3o precisa ser defendido por ningu\u00e9m (cf. FT, n. 285), nos pede o respeito pela sacralidade da vida. O terrorismo deve ser condenado. \u201c\u00c9 preciso condenar tal terrorismo em todas as suas formas e manifesta\u00e7\u00f5es\u201d (FT, n. 283).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSenhor e Pai da humanidade, que criastes todos os seres humanos com a mesma dignidade, infundi nos nossos cora\u00e7\u00f5es um esp\u00edrito de irm\u00e3os. Inspirai-nos o sonho de um novo encontro, de di\u00e1logo, de justi\u00e7a e de paz. Estimulai-nos a criar sociedades mais sadias e um mundo mais digno, sem fome, sem pobreza, sem viol\u00eancia, sem guerras. Que o nosso cora\u00e7\u00e3o se abra a todos os povos e na\u00e7\u00f5es da terra, para reconhecer o bem e a beleza que semeastes em cada um deles, para estabelecer la\u00e7os de unidade, de projetos comuns, de esperan\u00e7as compartilhadas. Am\u00e9m\u201d (FT, n. 287).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo de Cruz Alta (RS) \u00a0 Nosso Papa Francisco conclui sua Carta Enc\u00edclica Fratelli tutti (Todos Irm\u00e3os), de cunho social, com um embasamento teol\u00f3gico. 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