{"id":258610,"date":"2021-02-03T16:21:36","date_gmt":"2021-02-03T19:21:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=258610"},"modified":"2021-02-03T16:22:11","modified_gmt":"2021-02-03T19:22:11","slug":"o-sentido-do-discipulado-nos-padres-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-sentido-do-discipulado-nos-padres-da-igreja\/","title":{"rendered":"O sentido do discipulado nos Padres da Igreja"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Vital Corbellini<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Marab\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O discipulado \u00e9 um dado cristol\u00f3gico, b\u00edblico, em refer\u00eancia ao seguimento do Senhor Jesus Cristo e a fazer disc\u00edpulos e disc\u00edpulas para o Reino de Deus, para a Igreja. Como hoje a Igreja fala do discipulado, vejamos em alguns padres da Igreja como era conhecido, o discipulado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Santo In\u00e1cio de Antioquia, bispo do s\u00e9culo I, afirmou que o discipulado era a unidade com o Senhor pela entrega de sua pr\u00f3pria vida. Ele solicitou \u00e0 comunidade dos romanos para que nada o impedisse para assim ser pasto das feras, por meio das quais lhes era concedido alcan\u00e7ar a Deus. Ele queria ser trigo de Deus, e seria mo\u00eddo pelos dentes das feras, para que se apresentasse como trigo puro de Cristo. Dessa forma, afirmou Santo In\u00e1cio que seria disc\u00edpulo verdadeiro de Jesus Cristo, quando o mundo n\u00e3o visse o seu corpo. Ele pedia que os romanos suplicassem a Cristo por ele para ele fosse vitima oferecida a Deus<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. O Bispo de Antioquia pedia \u00e0 comunidade dos romanos que rezassem por ele, para que pudesse alcan\u00e7ar a meta, de ser unido com o Senhor pelo mart\u00edrio<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O autor da Carta a Diogneto, s\u00e9culo II afirmou que os crist\u00e3os n\u00e3o se distinguiam das outras pessoas, nem por terra, nem por l\u00edngua ou por costumes. Eles n\u00e3o moravam em cidades pr\u00f3prias, nem falavam l\u00edngua estranha, nem tinham algum modo especial de vida. Os crist\u00e3os viviam em cidades gregas e b\u00e1rbaras, adaptavam-se aos costumes do lugar quanto \u00e0 roupa, ao alimento e ao resto testemunhavam um modo de vida social admir\u00e1vel. Eles viviam em sua p\u00e1tria, mas como forasteiros: participavam de tudo como crist\u00e3os e suportavam tudo como estrangeiros. Toda p\u00e1tria estrangeira era p\u00e1tria deles, e cada p\u00e1tria era estrangeira<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda nesta Carta h\u00e1 o aspecto dos crist\u00e3os que seguiam a nova religi\u00e3o, ressaltando-se o dom de que as pessoas foram formadas \u00e0 imagem de Deus, e assim o Senhor enviou seu Filho Unig\u00eanito na qual anunciou o reino do c\u00e9u, e o dar\u00e1 a todos que o tiverem amado<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. O autor ainda aprofundou o ponto de que muitos foram instru\u00eddos pelos ap\u00f3stolos, que por sua vez foram disc\u00edpulos dignos na Verdade, Jesus Cristo. De fato, quem foi instru\u00eddo e gerado pelo Verbo am\u00e1vel, procura com clareza o que o mesmo Verbo mostrou aos seus disc\u00edpulos<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A linhagem humana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo Agostinho, bispo de Hipona, Norte da \u00c1frica, s\u00e9culos IV e V afirmou que a gera\u00e7\u00e3o humana foi iluminada pela obra de Cristo, pela sua miss\u00e3o no mundo. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o perceber que as coisas mudaram a partir do Senhor e de sua Igreja. A estirpe humana recebeu uma ilumina\u00e7\u00e3o pela presen\u00e7a do Verbo encarnado e o an\u00fancio do evangelho pelo mundo. A gera\u00e7\u00e3o humana abandonou os falsos deuses, reduzidos a peda\u00e7os, as suas imagens, derrubados os templos, erradicados tantos ritos v\u00e3os, e agora \u00e9 invocado o \u00fanico e verdadeiro Deus. Tudo isso veio atrav\u00e9s do homem e Deus, Jesus Cristo que foi desprezado, preso, crucificado pelos homens, mas que ressuscitou dos mortos e caminha com o seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo Agostinho continuou a sua reflex\u00e3o no sentido que os disc\u00edpulos de Jesus, por Ele eleitos foram ao mundo, na difus\u00e3o de sua doutrina entre os simples, os ignorantes, entre os pecadores, pecadoras, publicanos, tamb\u00e9m tiveram presentes o an\u00fancio de sua ressurrei\u00e7\u00e3o e a sua ascens\u00e3o sustentando que eles viram essas realidades e que cheios do Esp\u00edrito Santo, anunciaram a boa nova em todas as l\u00ednguas. O ponto que ficou claro \u00e9 que foi atrav\u00e9s deles que ouviram, muitos acreditaram enquanto outros n\u00e3o acreditaram e perseguiram os disc\u00edpulos do Senhor pelas suas prega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atitudes dos disc\u00edpulos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos fi\u00e9is morreram pela causa do discipulado no Senhor. Santo Agostinho afirmou que era admir\u00e1vel os fi\u00e9is que combateram at\u00e9 a morte pela sua verdade, n\u00e3o se vingando pelo mal, mas suportando-o; n\u00e3o matando, mas morrendo venceram o mal, em tal modo que se converteram a nova religi\u00e3o homens e mulheres, os pequenos e os grandes, os estudiosos e os que n\u00e3o tinham conhecimentos das coisas, os sabedores e os simples, os poderosos e os fracos, os do alto e os humildes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A difus\u00e3o da Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Santo Agostinho a Igreja se difundiu entre as gentes os povos pela verdade a ser anunciada que \u00e9 o Senhor Jesus Cristo de modo a gloriar-se do nome de Cristo de modo que a defender a sua doutrina anunciada pela comunidade eclesial, a Igreja<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cfr. <em>In\u00e1cio aos Romanos<\/em>, 4,1-2. In: <em>Padres Apost\u00f3licos<\/em>, Paulus, S\u00e3o Paulo, 1995, pg. 105.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, 8,3, pg. 107.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Cfr. <em>Carta a Diogneto<\/em>, 5, 1-5. In:<em> Padres Apologistas<\/em>, Paulus, S\u00e3o Paulo, 1995, pgs. 22-23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Cfr.<em> Idem<\/em>, 10,1-2, pg. 27.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Cfr. <em>Idem<\/em>, 11, 1-2, pg. 28.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Cfr. Agostino di Ipona, <em>La fede in ci\u00f2 che non si vede<\/em>, 7,10. In: <em>La teologia dei padri<\/em>, v.<em> 2<\/em>. Citt\u00e0 Nuova Editrice, Roma, 1982,\u00a0 pg. 58.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Vital Corbellini Bispo de Marab\u00e1 (PA) &nbsp; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O discipulado \u00e9 um dado cristol\u00f3gico, b\u00edblico, em refer\u00eancia ao seguimento do Senhor Jesus Cristo e a fazer disc\u00edpulos e disc\u00edpulas para o Reino de Deus, para a Igreja. 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