{"id":258919,"date":"2021-02-09T11:20:02","date_gmt":"2021-02-09T14:20:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=258919"},"modified":"2021-02-09T11:20:32","modified_gmt":"2021-02-09T14:20:32","slug":"fratelli-tutti-04","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fratelli-tutti-04\/","title":{"rendered":"Fratelli Tutti &#8211; 04"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli <\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caros diocesanos. Como seres humanos, somos irm\u00e3os e irm\u00e3s de <em>cora\u00e7\u00e3o aberto ao mundo inteiro<\/em>, mas as fronteiras cont\u00eam limites. No <em>quarto cap\u00edtulo<\/em> do documento <em>Fratelli Tutti<\/em>, o Papa Francisco afirma que \u00e9 preciso tratar os migrantes com quatro verbos: <em>acolher, proteger, promover e integrar<\/em>. A integra\u00e7\u00e3o dos migrantes nos pa\u00edses de acolhimento \u00e9 fundamental e, ao mesmo tempo, \u00e9 preciso favorecer o desenvolvimento dos pa\u00edses de origem com pol\u00edticas solid\u00e1rias, para evitar a necessidade de migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se acolhe com todo o cora\u00e7\u00e3o a pessoa diferente, permite-se que mantenha sua identidade, ao mesmo tempo que se lhe d\u00e1 a possibilidade dum desenvolvimento novo. Por isso o Papa afirma: \u201c<em>Se forem ajudados a integrar-se, os imigrantes s\u00e3o uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, uma riqueza e um novo dom, que convida a sociedade a crescer<\/em>\u201d (FT 135). Hoje nenhum Estado nacional isolado \u00e9 capaz de garantir o bem comum da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o. E \u00e9 preciso mudar a ideia de sempre receber vantagem: \u201c<em>Quem n\u00e3o vive a gratuidade fraterna, transforma a sua exist\u00eancia num com\u00e9rcio cheio de ansiedade: est\u00e1 sempre a medir aquilo que d\u00e1 e o que recebe em troca. Em contrapartida, Deus d\u00e1 de gra\u00e7a, chegando ao ponto de ajudar mesmo os que n\u00e3o s\u00e3o fi\u00e9is e \u2018fazer com que o Sol se levante sobre os bons e os maus\u2019<\/em>\u201d (Mt 5, 45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fraternidade universal e a amizade social dentro de cada sociedade s\u00e3o dois polos insepar\u00e1veis e ambos essenciais. Separ\u00e1-los leva a uma deforma\u00e7\u00e3o e a uma polariza\u00e7\u00e3o nociva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <em>cap\u00edtulo quinto<\/em>, o Papa fala sobre <em>a pol\u00edtica melhor<\/em>: \u201c<em>Para se tornar poss\u00edvel o desenvolvimento duma comunidade mundial capaz de realizar a fraternidade a partir de povos e na\u00e7\u00f5es que vivam a amizade social, \u00e9 necess\u00e1ria a pol\u00edtica melhor, a pol\u00edtica colocada ao servi\u00e7o do verdadeiro bem comum<\/em>\u201d (FT 154). Por isso o documento papal condena a falsa pol\u00edtica que acaba num populismo insano, o qual procura atrair consensos a fim de instrumentalizar politicamente a cultura do povo, sob qualquer sinal ideol\u00f3gico, ao servi\u00e7o do seu projeto pessoal e da sua perman\u00eancia no poder. Afirma o Santo Padre: \u201c<em>\u00c9 o que acontece quando a propaganda pol\u00edtica, os meios e os criadores de opini\u00e3o p\u00fablica persistem em fomentar uma cultura individualista e ing\u00eanua, \u00e0 vista de interesses econ\u00f4micos desenfreados e da organiza\u00e7\u00e3o das sociedades ao servi\u00e7o daqueles que j\u00e1 t\u00eam demasiado poder<\/em>\u201d (FT 166). O mercado, por si s\u00f3, n\u00e3o resolve tudo, embora \u00e0s vezes nos queiram fazer crer neste dogma de f\u00e9 neoliberal. Os Estados nacionais vivem uma perda de poder, pois a dimens\u00e3o econ\u00f4mico-financeira, de car\u00e1ter transnacional, tende a prevalecer sobre a pol\u00edtica: \u201c<em>A pol\u00edtica n\u00e3o deve submeter-se \u00e0 economia&#8230; N\u00e3o se pode justificar uma economia sem pol\u00edtica<\/em>\u201d (FT 177).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pandemia nos ensinou que devemos voltar a p\u00f4r a dignidade humana no centro e sobre este pilar construir as estruturas sociais alternativas de que precisamos. O Papa reafirma que a pol\u00edtica \u201c<em>\u00e9 uma das formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum<\/em>\u201d (FT 180). Isso nos faz perceber que o amor n\u00e3o se expressa somente nas rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas e pr\u00f3ximas, mas tamb\u00e9m nas macrorrela\u00e7\u00f5es, como relacionamentos sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos. A caridade social leva-nos a amar o bem comum e a buscar efetivamente o bem de todas as pessoas, consideradas n\u00e3o s\u00f3 individualmente, mas tamb\u00e9m na dimens\u00e3o social que as une: \u201c<em>\u00c9 caridade acompanhar uma pessoa que sofre, mas \u00e9 caridade tamb\u00e9m tudo o que se realiza \u2013 mesmo sem ter contato direto com essa pessoa \u2013 para modificar as condi\u00e7\u00f5es sociais que provocam o seu sofrimento<\/em>\u201d (FT 186).<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul (RS) \u00a0 Caros diocesanos. Como seres humanos, somos irm\u00e3os e irm\u00e3s de cora\u00e7\u00e3o aberto ao mundo inteiro, mas as fronteiras cont\u00eam limites. 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