{"id":259045,"date":"2021-02-11T09:57:13","date_gmt":"2021-02-11T12:57:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=259045"},"modified":"2021-02-11T09:58:01","modified_gmt":"2021-02-11T12:58:01","slug":"a-doenca-o-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-doenca-o-doente\/","title":{"rendered":"A doen\u00e7a, o doente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Genival Saraiva<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Em\u00e9rito de Palmares (PE)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a est\u00e1 intimamente relacionada com a condi\u00e7\u00e3o dos seres vivos, cuja face \u00e9 revelada atrav\u00e9s das linguagens da sensa\u00e7\u00e3o, do instinto e da raz\u00e3o e identificada como \u201caltera\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do estado de sa\u00fade de um ser, (homem, animal etc), manifestado por um conjunto de sintomas percept\u00edveis ou n\u00e3o\u201d. Desde 2019, a humanidade conhece uma doen\u00e7a grave, causada pelo novo coronav\u00edrus, cuja origem est\u00e1 sendo pesquisada pela OMS. Dada a extens\u00e3o e rapidez de seu car\u00e1ter transmissivo, tornou-se uma pandemia temida pelo seu alto grau de contamina\u00e7\u00e3o, tendo atingido mais de cento e tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas, e de letalidade, com mais de dois milh\u00f5es e duzentos mil casos de morte, um n\u00famero que \u00e9 atualizado, diariamente. No Brasil, \u00e9, igualmente, assustador o n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es, aproximando-se de dez milh\u00f5es, enquanto os \u00f3bitos t\u00eam mais de duzentos e trinta e dois mil atestados. O agravamento dos casos, em decorr\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas desarticuladas e da irresponsabilidade coletiva, se reflete nos crescentes \u00edndices de contamina\u00e7\u00e3o, hospitaliza\u00e7\u00e3o e mortes que tendem a aumentar, como apontam infectologistas e gestores, em raz\u00e3o do per\u00edodo de carnaval, mesmo tendo sido adiado ou cancelado do calend\u00e1rio de diversas cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos ensinamentos atuais da Igreja sobre a doen\u00e7a e o doente \u00e9 a Mensagem anual dos Papas, desde 1992, como a do Papa Francisco, em 2021: \u201cA celebra\u00e7\u00e3o do XXIX Dia Mundial do Doente que tem lugar a 11 de fevereiro de 2021, mem\u00f3ria de Nossa Senhora de Lurdes, \u00e9 momento prop\u00edcio para prestar uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s pessoas doentes e a quantos as assistem quer nos centros sanit\u00e1rios quer no seio das fam\u00edlias e comunidades. Penso de modo particular nas pessoas que sofrem em todo o mundo os efeitos da pandemia do coronav\u00edrus. A todos, especialmente aos mais pobres e marginalizados, expresso a minha proximidade espiritual, assegurando a solicitude e o afeto da Igreja. O tema deste Dia inspira-se no trecho evang\u00e9lico em que Jesus critica a hipocrisia de quantos dizem mas n\u00e3o fazem (cf. Mt 23, 1-12). Quando a f\u00e9 fica reduzida a exerc\u00edcios verbais est\u00e9reis, sem se envolver na hist\u00f3ria e nas necessidades do outro, ent\u00e3o falha a coer\u00eancia entre o credo professado e a vida real. O risco \u00e9 grave; Jesus, para acautelar do perigo de derrapagem na idolatria de si mesmo, usa express\u00f5es fortes e afirma: \u2018Um s\u00f3 \u00e9 o vosso Mestre e v\u00f3s sois todos irm\u00e3os\u2019 (23, 8).\u201d A respeito da doen\u00e7a, escreveu o Papa: \u201cA experi\u00eancia da doen\u00e7a faz-nos sentir a nossa vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, a necessidade natural do outro. Torna ainda mais n\u00edtida a nossa condi\u00e7\u00e3o de criaturas, experimentando de maneira evidente a nossa depend\u00eancia de Deus. De fato, quando estamos doentes, a incerteza, o temor e, por vezes, o pavor impregnam a mente e o cora\u00e7\u00e3o; encontramo-nos numa situa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia, porque a sa\u00fade n\u00e3o depende das nossas capacidades nem do nosso af\u00e3 (cf. <em>Mt <\/em>6, 27). A doen\u00e7a obriga a questionar-se sobre o sentido da vida; uma pergunta que, na f\u00e9, se dirige a Deus. Nela, procura-se um significado novo e uma dire\u00e7\u00e3o nova para a exist\u00eancia e, por vezes, pode n\u00e3o encontrar imediatamente uma resposta. Os pr\u00f3prios amigos e familiares nem sempre s\u00e3o capazes de nos ajudar nesta busca afanosa.\u201d A respeito do doente, s\u00e3o suas essas palavras: \u201cA doen\u00e7a tem sempre um rosto, e at\u00e9 mais do que um: o rosto de todas as pessoas doentes, mesmo daquelas que se sentem ignoradas, exclu\u00eddas, v\u00edtimas de injusti\u00e7as sociais que lhes negam direitos essenciais (cf. Enc. <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html#22\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fratelli tutti<\/a>, 22). A atual pandemia colocou em evid\u00eancia tantas insufici\u00eancias dos sistemas sanit\u00e1rios e car\u00eancias na assist\u00eancia \u00e0s pessoas doentes. Viu-se que, aos idosos, aos mais fr\u00e1geis e vulner\u00e1veis, nem sempre \u00e9 garantido o acesso aos cuidados m\u00e9dicos, ou n\u00e3o o \u00e9 sempre de forma equitativa. Isto depende das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, do modo de administrar os recursos e do empenho de quantos revestem fun\u00e7\u00f5es de responsabilidade. O investimento de recursos nos cuidados e assist\u00eancia das pessoas doentes \u00e9 uma prioridade ditada pelo princ\u00edpio de que a sa\u00fade \u00e9 um bem comum prim\u00e1rio. Ao mesmo tempo, a pandemia destacou tamb\u00e9m a dedica\u00e7\u00e3o e generosidade de profissionais de sa\u00fade, volunt\u00e1rios, trabalhadores e trabalhadoras, sacerdotes, religiosos e religiosas: com profissionalismo, abnega\u00e7\u00e3o, sentido de responsabilidade e amor ao pr\u00f3ximo, ajudaram, trataram, confortaram e serviram tantos doentes e os seus familiares. Uma s\u00e9rie silenciosa de homens e mulheres que optaram por fixar aqueles rostos, ocupando-se das feridas de pacientes que sentiam como pr\u00f3ximo em virtude da perten\u00e7a comum \u00e0 fam\u00edlia humana. [&#8230;] Tal rela\u00e7\u00e3o com a pessoa doente encontra uma fonte inesgot\u00e1vel de motiva\u00e7\u00f5es e energias precisamente na caridade de Cristo, como demonstra o testemunho milenar de homens e mulheres que se santificaram servindo os enfermos. [&#8230;] Uma sociedade \u00e9 tanto mais humana quanto melhor souber cuidar dos seus membros fr\u00e1geis e atribulados e o fizer com uma efici\u00eancia animada por amor fraterno. Tendamos para esta meta, procurando que ningu\u00e9m fique sozinho, nem se sinta exclu\u00eddo e abandonado.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em qualquer situa\u00e7\u00e3o, o olhar para o doente tem o tom da sensibilidade ou indiferen\u00e7a das pessoas. Para os crist\u00e3os, al\u00e9m da leitura do cora\u00e7\u00e3o e da raz\u00e3o, esse olhar tem a ilumina\u00e7\u00e3o da f\u00e9. O ensinamento e a a\u00e7\u00e3o de Jesus sempre p\u00f5em em evid\u00eancia seu amor misericordioso, ao identificar-se com os que sofrem, na condi\u00e7\u00e3o de famintos, sedentos, doentes, prisioneiros, perseguidos, migrantes. (cf Mt 25,31-46)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Genival Saraiva Bispo Em\u00e9rito de Palmares (PE) &nbsp; A doen\u00e7a est\u00e1 intimamente relacionada com a condi\u00e7\u00e3o dos seres vivos, cuja face \u00e9 revelada atrav\u00e9s das linguagens da sensa\u00e7\u00e3o, do instinto e da raz\u00e3o e identificada como \u201caltera\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do estado de sa\u00fade de um ser, (homem, animal etc), manifestado por um conjunto de sintomas &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-doenca-o-doente\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A doen\u00e7a, o doente<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/259045"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=259045"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/259045\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=259045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=259045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=259045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}