{"id":259121,"date":"2021-02-12T11:11:48","date_gmt":"2021-02-12T14:11:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=259121"},"modified":"2021-02-12T11:12:20","modified_gmt":"2021-02-12T14:12:20","slug":"estendeu-a-mao-e-tocou-nele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/estendeu-a-mao-e-tocou-nele\/","title":{"rendered":"\u201cEstendeu a m\u00e3o e tocou nele\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Passo Fundo (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na liturgia dominical estamos refletindo sobre o in\u00edcio do minist\u00e9rio p\u00fablico de Jesus. A sua prega\u00e7\u00e3o vem acompanhada da cura de numerosos doentes, revelando que Deus quer para o homem a vida, a vida em plenitude. O texto do domingo passado registrava que Jesus se aproximou da sogra de Sim\u00e3o, que estava de cama com febre, \u201csegurou a sua m\u00e3o e ajudou-a a levantar-se\u201d. Na continua\u00e7\u00e3o, o texto deste domingo (Marcos 1,40-45) um leproso de aproxima de Jesus e come\u00e7a entre eles um di\u00e1logo que termina com uma a\u00e7\u00e3o. De joelhos, o doente de hansen\u00edase, faz um pedido: \u201cSe queres tens o poder de curar-me\u201d. Jesus, cheio de compaix\u00e3o, disse: \u201cEu quero: fica curado!\u201d Mas faz um gesto mais ousado: \u201cestendeu a m\u00e3o, tocou nele, e disse: fica curado!\u201d Tocou em algu\u00e9m que era expressamente proibido de tocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro do Lev\u00edtico (13,1-2.44-46) tinha a seguinte norma para os leprosos: \u201cDurante todo o tempo em que estiver leproso ser\u00e1 impuro; e, sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento\u201d. Antes de pandemia da Covid-19, esta rigorosa norma sanit\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o aos doentes de hansen\u00edase era mais dif\u00edcil de entender e aceitar. O isolamento era a \u00fanica forma segura de impedir a transmiss\u00e3o da doen\u00e7a. Hoje a norma para evitar a transmiss\u00e3o do coronav\u00edrus \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necess\u00e1ria medida sanit\u00e1ria do isolamento dos leprosos se tornou mais grave, dura e injusta quando eles foram tratados como \u201cimpuros\u201d. Impureza \u00e9 um julgamento moral, feito a partir de uma doen\u00e7a contra\u00edda contra a vontade. A lepra constitu\u00eda uma esp\u00e9cie de morte religiosa e civil. \u201cO homem atingido por este mal andar\u00e1 com as vestes rasgadas, os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando: \u2018Impuro! Impuro!\u201d (Lv 13,44). Era uma norma para garantir que ningu\u00e9m se aproximasse e muito menos tocasse. Tamb\u00e9m se tornou uma barreira para qualquer di\u00e1logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa em\u00e9rito Bento XVI, no dia 15\/02\/2009, no <em>Angelus <\/em>na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, comentando esta passagem b\u00edblica disse:\u00a0 \u201c\u00c9 poss\u00edvel entrever na lepra um s\u00edmbolo do pecado, que \u00e9 a verdadeira impureza do cora\u00e7\u00e3o, capaz de afastar de Deus. N\u00e3o \u00e9 de fato a doen\u00e7a f\u00edsica da lepra, como previam as normas antigas, que nos separam d\u2019Ele, mas a culpa, o mal espiritual e moral\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos numa sociedade plural: uma multiplicidade de organiza\u00e7\u00f5es com suas causas pr\u00f3prias, etnias, religi\u00f5es, vis\u00f5es pol\u00edticas, educativas, sanit\u00e1rias muito variadas, etc. Numa pandemia, o isolamento e o distanciamento social s\u00e3o necess\u00e1rios para promover e defender a vida. Por\u00e9m, existem distanciamentos e at\u00e9 isolamentos que impedem qualquer comunica\u00e7\u00e3o, muito menos di\u00e1logo, entre alguns dos m\u00faltiplos agrupamentos da sociedade. Usando a linguagem do texto b\u00edblico, uma parte pode ver a outra como \u201cimpura\u201d e vice-versa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em poucos dias, com a Quarta-feira de Cinzas se inicia a quaresma e com ela a Campanha da Fraternidade Ecum\u00eanica. Assim como Jesus fez com o leproso, dialogou com ele &#8211; ouvindo seu grito de dor por ser portador de doen\u00e7a incur\u00e1vel e sentenciado como impuro &#8211; \u00a0\u201ccheio de compaix\u00e3o, estendeu a m\u00e3o, tocou nele\u201d, a quaresma \u00e9 um convite para olhar humildemente para os pecados e confess\u00e1-los. E o pecado que a Campanha da Fraternidade nos convida a reconhecer \u00e9 a <em>falta de di\u00e1logo<\/em>, em todas as esferas, desde a familiar, passando pela social, pol\u00edtica, cultural, religiosa, ecum\u00eanica. A partir das palavras de Bento XVI pode-se dizer que a falta de di\u00e1logo \u00e9 \u201cimpureza de cora\u00e7\u00e3o, capaz de afastar de Deus &#8230; um mal espiritual e moral\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber Arcebispo de Passo Fundo (RS) Na liturgia dominical estamos refletindo sobre o in\u00edcio do minist\u00e9rio p\u00fablico de Jesus. A sua prega\u00e7\u00e3o vem acompanhada da cura de numerosos doentes, revelando que Deus quer para o homem a vida, a vida em plenitude. 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