{"id":259186,"date":"2021-02-15T09:59:34","date_gmt":"2021-02-15T12:59:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=259186"},"modified":"2021-02-15T10:00:06","modified_gmt":"2021-02-15T13:00:06","slug":"fake-news-e-pos-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fake-news-e-pos-verdade\/","title":{"rendered":"Fake news e p\u00f3s-verdade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Edson Oriolo<br \/>\nBispo de Leopoldina (MG)<\/p>\n<p>FAKES NEWS E \u201cP\u00d3S-VERDADE\u201d: <\/strong><strong>PERIGOS PARA A EVANGELIZA\u00c7\u00c3O!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>Nos \u00faltimos meses, em um crescendo impressionante, tenho recebido in\u00fameras mensagens pelo <em>whatsapp<\/em> de diocesanos, irm\u00e3os bispos, padres amigos e fi\u00e9is leigos e leigas contendo ou comentando duras cr\u00edticas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e lideran\u00e7as cat\u00f3licas, de forma geral. \u00c9 triste ver pessoas compartilhando mensagens imbu\u00eddas de tais conte\u00fados. A Igreja \u00e9 alvo de duras cr\u00edticas internas e externas e, de algum modo, a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que caracteriza o momento atual do nosso pa\u00eds, est\u00e1 afetando as rela\u00e7\u00f5es eclesiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os questionamentos s\u00e3o os mais variados: um carnaval de informa\u00e7\u00f5es desconexas e desorientadas, muitas delas de uma criatividade que beira o absurdo. As pessoas que as recebem, por sua vez, de forma geral, tendem a acreditar nesses conte\u00fados. Apenas alguns se questionam se os v\u00eddeos, os artigos, as mensagens que recebem s\u00e3o verdadeiras ou n\u00e3o. Mesmo assim as pessoas continuam compartilhando e os \u2018fatos\u2019 ganham notoriedade, mais e mais cliques, conquistando \u201ca opini\u00e3o p\u00fablica\u201d. At\u00e9 os respons\u00e1veis correm o risco de ser levados a opinar sob a press\u00e3o de uma torrente de coment\u00e1rios e rea\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se atendo ao conte\u00fado em si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao clicar, compartilhar, replicar informa\u00e7\u00f5es pelas redes sociais sem qualquer crit\u00e9rio, al\u00e9m de cometermos injusti\u00e7as e nos comprometermos com uma cultura de mentira e dissens\u00e3o, h\u00e1 o risco de prestarmos um grande desservi\u00e7o \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o da Igreja no Brasil nesse momento dif\u00edcil de crise sanit\u00e1ria. No momento em que somos convidados a reinventar a nossa proposta mission\u00e1ria, para sermos ousados na din\u00e2mica de lan\u00e7ar \u201cas sementes do verbo\u201d, com as melhores inten\u00e7\u00f5es, estamos lan\u00e7ando a semente do joio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordo-me da express\u00e3o de Mark Twain \u201cuma mentira pode fazer a volta ao mundo no mesmo intervalo de tempo em que a verdade cal\u00e7a seus sapatos\u201d! Penso que, ao recebermos uma mensagem, antes de encaminh\u00e1-la para outros, precisamos considerar dois conceitos que v\u00eam ganhando espa\u00e7o no mundo digital: <em>fake news<\/em> e \u201cp\u00f3s-verdade\u201d. Esses dois conceitos bem compreendidos v\u00e3o nos orientar a agir com maior lucidez diante do que nos \u00e9 apresentado. Teremos a postura de <em>fact-checker<\/em> (checador de fatos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um primeiro momento, vamos refletir sobre <em>fake news<\/em>. Nunca conservei afei\u00e7\u00e3o a tal express\u00e3o, pois as not\u00edcias podem n\u00e3o ser falsas. Not\u00edcias s\u00e3o fatos ou n\u00e3o s\u00e3o not\u00edcias. A express\u00e3o significa todo tipo de conte\u00fado descontextualizado, impreciso, manipulado ou baseado em meras teorias de conspira\u00e7\u00e3o. S\u00e3o, por exemplo, not\u00edcias antigas veiculadas como se fossem atuais, tiradas de contexto com interesses inconfess\u00e1veis de manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As <em>fake news<\/em> t\u00eam por objetivo denegrir pessoas ou deturpar um acontecimento, de modo que haja repercuss\u00e3o, influenciando, equivocadamente, a opini\u00e3o p\u00fablica. \u00c9 a potencializa\u00e7\u00e3o da fofoca, pela comunica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e irrestrita. Parece algo distante, mas, diariamente, somos bombardeados por estas informa\u00e7\u00f5es, principalmente por meio do aplicativo\u00a0<em>WhatsApp.\u00a0<\/em>Um aplicativo que possibilita relacionamentos r\u00e1pidos, com di\u00e1logos instant\u00e2neos, bem como contatos interpessoais, liga\u00e7\u00f5es afetivas, profissionais e l\u00fadicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que muitas pessoas se sentem atra\u00eddas por emo\u00e7\u00f5es negativas, por revela\u00e7\u00f5es bomb\u00e1sticas e reviravoltas imprevistas. Anseiam por solu\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas e acontecimentos determinantes. As <em>fake news<\/em> costumam ser bem estruturadas, mesclando dados inquestion\u00e1veis com outros inexatos e fantasiosos.\u00a0 As pessoas mais ing\u00eanuas ou simples, em geral bem intencionadas, s\u00e3o presas f\u00e1ceis para mentes maliciosas que, compartilhando falsas not\u00edcias, muitas vezes, conseguem revestir-lhes de uma aura de verdade. As not\u00edcias inventadas, impulsionadas pelo sistema de algoritmos das redes sociais e favorecidas pela aus\u00eancia de uma capacidade cr\u00edtico-formal adequada, ganham grande espa\u00e7o entre a popula\u00e7\u00e3o. O fruto mais imediato da banaliza\u00e7\u00e3o das <em>fake news<\/em> \u00e9 o p\u00f3s-verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao recebermos uma mensagem, sem qualquer compromisso com a verifica\u00e7\u00e3o de sua autenticidade, sem um freio de bom senso que nos fa\u00e7a pensar nas conseq\u00fc\u00eancias de levarmos adiante aquele conte\u00fado, dispomos em nossos expedientes racionais um terreno f\u00e9rtil para trat\u00e1-la como verdadeira e inquestion\u00e1vel, na medida em que ela nos fascina pela engenhosidade de seus argumentos. Tal mensagem falsa, por ter sido pensada justamente para essa finalidade, parece condizer exatamente com aquilo que pensamos, com aquilo que gostar\u00edamos de expressar e nos identificamos afetivamente (ideologicamente) com seu conte\u00fado: nasce uma p\u00f3s-verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o dicion\u00e1rio Oxford, \u2018p\u00f3s-verdade\u2019 refere-se a \u201ccircunst\u00e2ncias nas quais os fatos objetivos t\u00eam menos influ\u00eancia em moldar a opini\u00e3o p\u00fablica do que os apelos \u00e0 emo\u00e7\u00e3o a cren\u00e7as pessoais\u201d. A \u2018p\u00f3s-verdade\u2019, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de fal\u00eancia da racionalidade e da \u00e9tica ocidentais, caracteriza-se pela relativiza\u00e7\u00e3o da realidade das coisas em benef\u00edcio de convic\u00e7\u00f5es formadas em um cen\u00e1rio eminentemente afetivo e ideol\u00f3gico, ainda que sem nexo com a raz\u00e3o. As coisas s\u00e3o de determinado modo porque eu quero que elas sejam assim ou porque elas, sendo assim, favorecer\u00e3o o meu discurso: o mais n\u00e3o interessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio \u00e9 mesmo assustador e s\u00f3 h\u00e1 um meio para nos mantermos inumes desse \u2018v\u00edrus\u2019 perigos\u00edssimo, que adoece as rela\u00e7\u00f5es humanas e que pode destruir a nossa alegria de ser Igreja: questionar e checar, com rigor, toda informa\u00e7\u00e3o que recebermos, cuidando para n\u00e3o sermos divulgadores da mentira, do \u00f3dio e da dissens\u00e3o. Quando recebermos um conte\u00fado, perguntamo-nos: qual a inten\u00e7\u00e3o, ou o interesse, de quem produziu esse material? H\u00e1 certeza absoluta de que ele esteja fundamentado na verdade? Havendo uma d\u00favida e ou um \u201cn\u00e3o\u201d, deixar de compartilhar ou curtir, at\u00e9 uma certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A p\u00f3s-verdade favorece a produ\u00e7\u00e3o de uma l\u00f3gica muito arraigada de \u201cdesinforma\u00e7\u00e3o\u201d. Se o conte\u00fado simplesmente compactua com as minhas paix\u00f5es e eu n\u00e3o me preocupo em saber se \u00e9 mentira ou n\u00e3o e o divulgo o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, estou sendo um instrumento poderoso na m\u00e3o de manipuladores, que visam a destrui\u00e7\u00e3o ou, ao menos, a polariza\u00e7\u00e3o e a desconfian\u00e7a m\u00fatua, mesmo no interno da Igreja. Jesus nos ensinou como devemos reagir diante dessas situa\u00e7\u00f5es: entre v\u00f3s n\u00e3o deve ser assim (cf. Mt. 20,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, na imin\u00eancia do tempo quaresmal, fa\u00e7amos um exame de consci\u00eancia e questionemos se estamos agindo como filhos da luz. N\u00f3s somos formadores de opini\u00e3o, todos n\u00f3s o somos. Mesmo a nossa ingenuidade pode ser usada como instrumento de maldade. Cada ato nosso tem conseq\u00fc\u00eancias, diante da grave responsabilidade de continuarmos a obra salv\u00edfica do Verbo Encarnado. Os meios digitais de comunica\u00e7\u00e3o, sobretudo neste tempo de pandemia, s\u00e3o o grande universo da evangeliza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, os cat\u00f3licos, seremos amigos ou inimigos da Cruz de Cristo, na qual est\u00e1 fundada a nossa unidade?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Edson Oriolo Bispo de Leopoldina (MG) FAKES NEWS E \u201cP\u00d3S-VERDADE\u201d: PERIGOS PARA A EVANGELIZA\u00c7\u00c3O! \u00a0Nos \u00faltimos meses, em um crescendo impressionante, tenho recebido in\u00fameras mensagens pelo whatsapp de diocesanos, irm\u00e3os bispos, padres amigos e fi\u00e9is leigos e leigas contendo ou comentando duras cr\u00edticas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e lideran\u00e7as cat\u00f3licas, de forma geral. \u00c9 triste ver &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fake-news-e-pos-verdade\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Fake news e p\u00f3s-verdade<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":94,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/259186"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/94"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=259186"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/259186\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=259186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=259186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=259186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}