{"id":259258,"date":"2021-02-16T11:24:25","date_gmt":"2021-02-16T14:24:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=259258"},"modified":"2021-02-16T11:26:25","modified_gmt":"2021-02-16T14:26:25","slug":"eu-amo-a-campanha-da-fraternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/eu-amo-a-campanha-da-fraternidade\/","title":{"rendered":"Eu amo a Campanha da Fraternidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Pedro Brito Guimar\u00e3es<br \/>\nArcebispo de Palmas (TO)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor \u00e9 a base e est\u00e1 na base de tudo em nossa vida. Sem amor n\u00e3o poder\u00edamos nascer e nem saber\u00edamos viver. Sem amor nada tem sentido, nada tem valor. Entre muitos dos meus amores, est\u00e1 a Campanha da Fraternidade. Eu amo a Campanha da Fraternidade. E <em>\u201cqualquer amor j\u00e1 \u00e9 um pouquinho de sa\u00fade\u201d<\/em> (Guimar\u00e3es Rosa). E <em>\u201co amor \u00e9 a sa\u00fade da alma\u201d<\/em> (S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meus primeiros passos vocacionais coincidiram com uma Campanha da Fraternidade. Em 1973, estudante do \u00faltimo ano do antigo gin\u00e1sio, na cidade de Floriano, escutei e rezei, de ouvidos e de cora\u00e7\u00e3o, os cantos da Campanha da Fraternidade daquele ano: <em>\u201cN\u00f3s queremos ser teu povo, Senhor, Senhor, Senhor, e queremos ser de novo testemunhas do amor. O amor liberta o cora\u00e7\u00e3o da gente e faz o mundo caminhar alegremente\u201d. <\/em>E <em>\u201co vosso cora\u00e7\u00e3o de pedra se converter\u00e1 em novo, novo cora\u00e7\u00e3o. Tirarei do vosso peito vosso cora\u00e7\u00e3o de pedra, no lugar colocarei novo cora\u00e7\u00e3o de carne\u201d. <\/em>O lema desta Campanha da Fraternidade era: <em>\u201cO ego\u00edsmo escraviza, o amor liberta\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos mais tarde, eu estava no Semin\u00e1rio Menor, em Oeiras. Era o ano de 1976. Novamente a Campanha da Fraternidade embalou meus primeiros sonhos eclesiais e vocacionais. A Campanha da Fraternidade daquele ano tinha como lema: <em>\u201cCaminhar juntos\u201d.<\/em> E os cantos eram: <em>\u201cJuntos como irm\u00e3os, membros da Igreja\u201d:<\/em> <em>\u201cSabe, Senhor, o que temos \u00e9 t\u00e3o pouco pra dar\u201d; <\/em>e <em>\u201cEis o tempo de convers\u00e3o<\/em>, <em>eis o dia da salva\u00e7\u00e3o\u201d. <\/em>Como posso me esquecer destes cantos que alimentaram minha adolesc\u00eancia vocacional? Eles chamaram a minha aten\u00e7\u00e3o e ainda est\u00e3o gravados no meu \u201cHD\u201d. Tanto assim que ainda sei de cor as letras e as melodias, sem errar e sem desafinar. Participei de v\u00e1rios concursos de m\u00fasicas para as Campanhas da Fraternidade e ganhei com quatro can\u00e7\u00f5es: uma da Campanha sobre a Comunica\u00e7\u00e3o, duas sobre a Juventude e uma sobre o Negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Campanha da Fraternidade \u00e9 um patrim\u00f4nio, \u00e9 o maior projeto s\u00f3cio evangelizador da Igreja Cat\u00f3lica no solo brasileiro. N\u00e3o estou fazendo nenhuma teoria conspirat\u00f3ria. Estou falando da minha vida e testemunhando minha caminhada vocacional. De prop\u00f3sito, n\u00e3o vi e nem li as cr\u00edticas \u00e0 Campanha da Fraternidade\/2021. Tamb\u00e9m n\u00e3o pretendo v\u00ea-las e nem l\u00ea-las. \u00c9 que j\u00e1 virou moda, j\u00e1 \u00e9 um fato recorrente, os \u201cca\u00e7adores de doutrinas\u201d, de plant\u00e3o, detonar a Campanha da Fraternidade. Poderiam fazer mais pela Igreja se ficassem calados. N\u00e3o \u00e9 o caso. \u00c0s vezes, tenho a impress\u00e3o de que eles querem palanques e m\u00eddias, j\u00e1 que n\u00e3o possuem altares. Tenho pena deste tipo de pessoa. Soube que os textos b\u00e1sicos desta pol\u00eamica s\u00e3o os n\u00fameros 67 e 68. Voc\u00ea sabia que o Texto Base da Campanha da Fraternidade \u00e9 escrito, \u00e0 luz do m\u00e9todo ver, julgar e agir? E que estes n\u00fameros polemizados fazem parte do ver? E s\u00e3o cita\u00e7\u00f5es de Documentos que dizem que s\u00e3o estas pessoas as mais atingidas pelos sistemas de viol\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meus mestres sempre me disseram: <em>\u201cTexto fora do contexto, vira pretexto\u201d<\/em>.\u00a0 Parece mentira ou ironia do destino, mas \u00e9 verdade. No Manual que comprei, estes n\u00fameros n\u00e3o existem. Do n\u00famero 59 passou-se para o n\u00famero 71. Se algu\u00e9m duvidar do que estou afirmando, posso provar, com foto. Talvez Deus tenha me preservado dos pecados ideol\u00f3gicos. Como disse o Papa Francisco: <em>\u201cDeus se contaminou com nossa humanidade ferida\u201d, <\/em>(por isto, \u00e9 preciso), <em>\u201ccomo Jesus, ter coragem de \u2018transgredir\u2019 por amor\u201d<\/em> (<em>Angelus,<\/em> em 14\/02\/2021). N\u00e3o \u00e9 censura a omiss\u00e3o da dura realidade, na qual vive as pessoas nominadas nestes n\u00fameros? Censura \u00e9 crime e <em>fake news,<\/em> al\u00e9m de crime, \u00e9 pecado. E sabia que o <em>ver<\/em> invoca o olhar amoroso, o <em>julgar,<\/em> o olhar cuidadoso e o <em>agir<\/em>, o olhar esperan\u00e7oso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do mais, a Campanha da Fraternidade descreve um Gesto Concreto, no Domingo de Ramos, dia 28 de mar\u00e7o, fruto da nossa convers\u00e3o: a Coleta da Solidariedade. Quem mais s\u00e3o penalizados sem esta Coleta ser\u00e3o os pobres. S\u00e3o eles os primeiros beneficiados com os projetos financiados pelo Fundo Nacional de Solidariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis aqui o desafio que se nos imp\u00f5e: uma Campanha que deveria ser da Fraternidade se torna cada dia mais em campanha da inimizada e da \u201cfraticidade\u201d. Creio que todas estas querelas s\u00e3o ingredientes para a nossa convers\u00e3o. Convers\u00e3o \u00e9 mudan\u00e7a de comando. <em>\u201cCristo \u00e9 a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade\u201d <\/em>(Ef 2,14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, n\u00e3o quero acirrar ainda mais as pol\u00eamicas. Apenas quero deixar registrado, nos anais da hist\u00f3ria, que amo a Campanha da Fraternidade. Numa Campanha como a deste ano que tem como tema central o di\u00e1logo, \u00e9 duro ver e ouvir todas estas celeumas. Por isto, concluo esta minha declara\u00e7\u00e3o de amor \u00e0 Campanha da Fraternidade, repetindo o que muitos j\u00e1 disseram: o di\u00e1logo \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o desta Campanha da Fraternidade. E o que estamos assistindo, quase que passivamente, \u00e9 a falta de di\u00e1logo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Pedro Brito Guimar\u00e3es Arcebispo de Palmas (TO) \u00a0 O amor \u00e9 a base e est\u00e1 na base de tudo em nossa vida. Sem amor n\u00e3o poder\u00edamos nascer e nem saber\u00edamos viver. Sem amor nada tem sentido, nada tem valor. Entre muitos dos meus amores, est\u00e1 a Campanha da Fraternidade. 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