{"id":259397,"date":"2021-02-18T15:22:08","date_gmt":"2021-02-18T18:22:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=259397"},"modified":"2021-02-18T15:24:34","modified_gmt":"2021-02-18T18:24:34","slug":"sem-comunhao-a-igreja-nao-vive","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/sem-comunhao-a-igreja-nao-vive\/","title":{"rendered":"Sem comunh\u00e3o a Igreja n\u00e3o vive"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jaime Vieira Rocha<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Natal (RN)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Cap\u00edtulo IV dos Estudos da CNBB 104, Comunidade de comunidades &#8211; uma nova par\u00f3quia, tratando das perspectivas pastorais, encontra-se uma reflex\u00e3o chamando a aten\u00e7\u00e3o para o princ\u00edpio comunit\u00e1rio da f\u00e9 (cf. n. 134ss), princ\u00edpio que lembra uma realidade fundamental da vida da Igreja: a Igreja \u00e9 mist\u00e9rio de comunh\u00e3o. \u201cAssim a Igreja, que prolonga a miss\u00e3o de Jesus, h\u00e1 de ser compreendida primeiramente como comunh\u00e3o (<em>communio<\/em>), pois sua raiz \u00faltima \u00e9 o mist\u00e9rio insond\u00e1vel do Pai que, por Cristo e no Esp\u00edrito, quer que todos os homens e todas as mulheres participem de sua vida de infinita e eterna comunh\u00e3o, na liberdade e no amor\u201d (n. 59).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunh\u00e3o acontece primeiramente com Deus, com o Deus Uno e Trino e com os seus bens salv\u00edficos, de modo especial, a Eucaristia, que est\u00e1 relacionada com os outros sacramentos e com a Palavra de Deus.\u00a0 A comunh\u00e3o tem origem no mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade e envolve todos os fi\u00e9is e \u00e9 for\u00e7a prof\u00e9tica no mundo contempor\u00e2neo marcado por tra\u00e7os profundos de individualismo. Mas, \u00e9 preciso dar testemunho dessa comunh\u00e3o. De fato, a comunidade, n\u00e3o s\u00f3 a par\u00f3quia territorial, mas todas as formas comunit\u00e1rias de viver o cristianismo, apontam ou devem crescer na viv\u00eancia da comunh\u00e3o. E n\u00e3o s\u00f3 as estruturas, mas especialmente as pessoas, os fi\u00e9is, sejam eles leigos ou ministros ordenados. Todos s\u00e3o chamados a viver a comunh\u00e3o para que nela resplande\u00e7a a comunh\u00e3o trinit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o Documento de Aparecida, \u201ca Igreja \u00e9 comunh\u00e3o no amor. Esta \u00e9 sua ess\u00eancia e o sinal atrav\u00e9s do qual \u00e9 chamada a ser reconhecida como seguidora de Cristo e servidora da humanidade. O novo mandamento de Cristo \u00e9 que une os disc\u00edpulos entre si, reconhecendo-se como irm\u00e3os e irm\u00e3s, obediente ao mesmo Mestre, membros unidos \u00e0 mesma Cabe\u00e7a e, por isso, chamados a cuidarem uns dos outros (1Cor 13; Cl 3,12-14)\u201d (CELAM. Documento de Aparecida, n. 161).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunh\u00e3o na Igreja se faz mais necess\u00e1ria ainda diante dos desafios que se apresentam na sociedade contempor\u00e2nea. N\u00e3o podemos ser ing\u00eanuos: tamb\u00e9m a Igreja sofre pelas consequ\u00eancias do individualismo, do intimismo religioso e de um desejo de fazer a experi\u00eancia religiosa sem perten\u00e7a comunit\u00e1ria e sem compromisso (n. 99). E isto atinge a todos, leigos e ministros ordenados. Por isso, a grande esperan\u00e7a est\u00e1 voltada para a recupera\u00e7\u00e3o deste importante princ\u00edpio da f\u00e9, sem o qual \u00e9 imposs\u00edvel a Igreja ou o seguimento a Jesus: a renova\u00e7\u00e3o paroquial ou a convers\u00e3o pastoral, que o Documento de Aparecida, as Diretrizes gerais da a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja no Brasil e os Estudos da CNBB 104, almejam para toda a Igreja s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se a comunh\u00e3o for a grande meta de nossa a\u00e7\u00e3o pastoral e viv\u00eancia da f\u00e9. A Palavra de Deus e a Eucaristia que celebramos nos conduzem a esta comunh\u00e3o. \u00c9 preciso estar atento a isso sob pena de n\u00e3o vivermos a f\u00e9. A convoca\u00e7\u00e3o da Igreja, que \u00e9 convoca\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, nos leva a sair do relativismo e individualismo presentes em nosso meio. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, retomar as bases da comunidade crist\u00e3: a Palavra, a Eucaristia, o ensinamento da Igreja, tudo deve levar-nos \u00e0 comunh\u00e3o fraterna (cf. At 2,42ss). Depois do Conc\u00edlio Vaticano II, grande gra\u00e7a renovadora da vida da Igreja, n\u00e3o podemos viver mais para n\u00f3s mesmos, e sim para Ele que por n\u00f3s morreu e ressuscitou (Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica IV). E o faremos na viv\u00eancia da caridade, como \u00e1gape que nos une na comunh\u00e3o fraterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jaime Vieira Rocha Arcebispo de Natal (RN) &nbsp; Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s! 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