{"id":25945,"date":"2012-01-30T00:00:00","date_gmt":"2012-01-30T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/religiosos-alertam-sobre-os-prejuizos-da-seca-no-rio-grande-do-sul\/"},"modified":"2012-01-30T00:00:00","modified_gmt":"2012-01-30T02:00:00","slug":"religiosos-alertam-sobre-os-prejuizos-da-seca-no-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/religiosos-alertam-sobre-os-prejuizos-da-seca-no-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Religiosos alertam sobre os preju\u00edzos da seca no Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Um estado com forte voca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, onde grandes e pequenos produtores t\u00eam um papel importante na economia. As terras f\u00e9rteis do Rio Grande do Sul, aliado ao clima favor\u00e1vel, sempre resultou em safras que alcan\u00e7aram recordes de produ\u00e7\u00e3o. Mas nos \u00faltimos meses os fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos \u201cLa Nin\u00e3\u201d e a \u201cZona de Converg\u00eancia do Atl\u00e2ntico Sul\u201d, passaram a influenciar este cen\u00e1rio. O primeiro, que \u00e9 o esfriamento das \u00e1guas do oceano Pac\u00edfico, intensificou o segundo, onde o calor e umidade da floresta amaz\u00f4nica provocam um aumento do volume de chuva nas regi\u00f5es Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. E como explica o meteorologista Alexandre Nascimento, em entrevista ao site Climatempo, a consequ\u00eancia \u00e9 a aus\u00eancia de chuva para os ga\u00fachos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que a estiagem atinge de forma t\u00e3o grave a regi\u00e3o. Na passagem de 2004 para 2005 a seca causou grandes preju\u00edzos imediatos na agropecu\u00e1ria, e em m\u00e9dio prazo tamb\u00e9m provocou uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica no setor industrial e comercial, com o aumento do desemprego no estado. Seis anos depois, tudo parece se repetir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" alignleft size-full wp-image-13399\" style=\"float: left\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Dilson_1_foto.jpg\" alt=\"Dilson_1_foto\" width=\"170\" height=\"252\" \/>Mas a seca para os ga\u00fachos \u00e9 um pouco diferente daquela vivida quase constantemente no Nordeste brasileiro, como testemunha o economista Dilson Trennepohl, da Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul (Uniju\u00ed). Ele avalia que a diferen\u00e7a b\u00e1sica \u00e9 a irregularidade do fen\u00f4meno na regi\u00e3o. \u201cVivi por dois anos na Para\u00edba e conheci bem o que significa a seca por l\u00e1. Aqui no Rio Grande do Sul, as estiagens perduram por 60, 80 ou 90 dias, quando ocorrem apenas pancadas de chuva localizadas\u201d. Hoje vivendo na cidade de Iju\u00ed, ele avalia que \u00e9 exatamente por isso que a estiagem na regi\u00e3o sempre \u00e9 considerada inesperada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Preju\u00edzos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com a Defesa Civil, mais de 60% dos munic\u00edpios do estado decretaram situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. Em algumas cidades, foi necess\u00e1rio o racionamento de \u00e1gua. Em pequenos munic\u00edpios onde represas e a\u00e7udes secaram, foi preciso fazer o abastecimento por meio de caminh\u00f5es pipa. A \u00e1gua, que era armazenada no per\u00edodo de chuva, acabou r\u00e1pido. \u201cComo as estiagens s\u00e3o pouco previs\u00edveis, n\u00e3o existe o h\u00e1bito de consumir menos \u00e1gua durante o per\u00edodo de seca\u201d, lembra Trennepohl.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na regi\u00e3o de Bag\u00e9 (RS), nos 47 hectares onde est\u00e3o assentadas mais de duas mil fam\u00edlias, a seca foi muito grave. O drama humano surge do fracasso da colheita. \u201cA alternativa \u00e9 a busca de empregos tempor\u00e1rios longe de casa para sustentar a fam\u00edlia neste per\u00edodo cr\u00edtico\u201d, conta frei Wilson Zanata, que reside em um assentamento no munic\u00edpio de Hulha Negra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ele destaca que a seca deste ano \u00e9 mais grave, uma vez que a safra anterior tamb\u00e9m foi comprometida com a estiagem. \u201cA falta de chuva normalmente acontece na \u00e9poca do plantio, in\u00edcio de novembro at\u00e9 fevereiro. O come\u00e7o de 2011 foi mais grave, pois a seca se prorrogou at\u00e9 o final do m\u00eas de mar\u00e7o\u201d. O religioso recorda que foram cinco meses em que tudo se perdeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Frei Zanatta integra uma comunidade intercongregacional, com franciscanos, capuchinhos e carlistas, inserida neste assentamento. A preocupa\u00e7\u00e3o agora vai al\u00e9m da falta de chuva, mas na busca por alternativas para minimizar efeitos em uma pr\u00f3xima estiagem. \u201cEstudamos a possibilidade concreta de constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes, barragens, pois esta regi\u00e3o \u00e9 muito chuvosa no per\u00edodo de inverno\u201d, explica o religioso, que completa: \u201cO que est\u00e1 faltando \u00e9 investimento dos governos para os agricultores poderem irrigar a terra. As terras s\u00e3o f\u00e9rteis, falta apenas \u00e1gua para se ter boa produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Financiamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com a experi\u00eancia da seca de 2005 e 2011, muitos agricultores j\u00e1 estavam preparados para uma nova estiagem, explica Trennepohl. \u201cHouve quem fez a reorganiza\u00e7\u00e3o de suas unidades de produ\u00e7\u00e3o, diversificando atividades, construindo sistemas comunit\u00e1rios de abastecimento de \u00e1gua\u201d. Ele avalia que as obras de maior impacto n\u00e3o foram executadas, e que se criou certa mistifica\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 possibilidade de combater a seca. \u201cIdeias mirabolantes como armazenar a \u00e1gua do per\u00edodo de chuvas para irrigar as lavouras durante a estiagem continuam encantando certas lideran\u00e7as, embora n\u00e3o tenham viabilidade t\u00e9cnica ou econ\u00f4mica\u201d, avalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ele explica que existem mecanismos de prote\u00e7\u00e3o para os produtores rurais, em rela\u00e7\u00e3o a poss\u00edveis perdas na safra. \u201cO programa de seguro agr\u00edcola cobre as perdas das lavouras atingidas e serve para quitar os financiamentos realizados\u201d. Mas como n\u00e3o \u00e9 comum a seca na regi\u00e3o, muitos agricultores optam por n\u00e3o pagar o pr\u00eamio do seguro \u2013 o que lhes reduz o custo nos anos de boa colheita \u2013 e ficam sem cobertura nos imprevis\u00edveis anos ruins, de quebra de safra. Por\u00e9m, o economista lembra que os grandes produtores est\u00e3o bem capitalizados, pois os \u00faltimos anos foram de boas safras em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Realidade distinta, por\u00e9m, \u00e9 a dos pequenos produtores assentados em Hulha Negra. Frei Zanatta relata que os pequenos agricultores est\u00e3o impossibilitados de saldar as suas d\u00edvidas com os bancos, uma vez que as d\u00edvidas foram aumentando e o cr\u00e9dito foi desaparecendo. Ele afirma que a maior parte dos assentados est\u00e1 sem poder financiar h\u00e1 mais de cinco anos. \u201cAgora, parece surgir uma luz no fim do t\u00fanel, com as negocia\u00e7\u00f5es das d\u00edvidas, para poder voltar novamente a financiar e viabilizar a agricultura familiar\u201d, afirma o religioso, preocupado com os pequenos produtores. \u201cQuem possui dois, tr\u00eas hectares de terra, perde tudo na estiagem e agora n\u00e3o tem como se sustentar. E isso est\u00e1 na nossa pauta de conversa com o governo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional acena com o repasse de R$ 8,6 milh\u00f5es para implementar o Plano Estadual de Irriga\u00e7\u00e3o, em parceria com o governo do estado. Para a Emater (RS), os preju\u00edzos com a seca j\u00e1 est\u00e3o em torno de R$ 2,89 bilh\u00f5es. J\u00e1 a previs\u00e3o do tempo \u00e9 de que as chuvas devem continuar abaixo da m\u00e9dia, at\u00e9 o final de mar\u00e7o. (DJ)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estado com forte voca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, onde grandes e pequenos produtores t\u00eam um papel importante na economia. As terras f\u00e9rteis do Rio Grande do Sul, aliado ao clima favor\u00e1vel, sempre resultou em safras que alcan\u00e7aram recordes de produ\u00e7\u00e3o. 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