{"id":259582,"date":"2021-02-23T14:02:41","date_gmt":"2021-02-23T17:02:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=259582"},"modified":"2021-02-24T14:50:31","modified_gmt":"2021-02-24T17:50:31","slug":"o-ecumenismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-ecumenismo\/","title":{"rendered":"O ecumenismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Fernando Ar\u00eaas Rifan<br \/>\nBispo da Administra\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Pessoal S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200b<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bA Campanha da Fraternidade (CF) deste ano de 2021 \u00e9 ecum\u00eanica, i.e., junto com as outras comunidades crist\u00e3s n\u00e3o cat\u00f3licas. Isso \u00e9 ocasi\u00e3o para algumas reflex\u00f5es sobre o que \u00e9 o ecumenismo, seu alcance e seus limites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Decreto Unitatis Redintegratio nos ensina: \u201cPromover a restaura\u00e7\u00e3o da unidade entre todos os crist\u00e3os \u00e9 um dos principais prop\u00f3sitos do sagrado Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II. Pois Cristo Senhor fundou uma s\u00f3 e \u00fanica Igreja. Todavia, s\u00e3o numerosas as Comunh\u00f5es crist\u00e3s que se apresentam aos homens como a verdadeira heran\u00e7a de Jesus Cristo. Todos, na verdade, se professam disc\u00edpulos do Senhor, mas t\u00eam pareceres diversos e caminham por rumos diferentes, como se o pr\u00f3prio Cristo estivesse dividido. Esta divis\u00e3o, por\u00e9m, contradiz abertamente a vontade de Cristo, e \u00e9 esc\u00e2ndalo para o mundo, como tamb\u00e9m prejudica a sant\u00edssima causa da prega\u00e7\u00e3o do Evangelho a toda a criatura&#8230; Para estabelecer esta Sua Igreja santa em todo mundo at\u00e9 \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos, Cristo outorgou ao col\u00e9gio dos doze o of\u00edcio de ensinar, governar e santificar. Dentre eles, escolheu Pedro, sobre quem, ap\u00f3s a profiss\u00e3o de f\u00e9, decidiu edificar a Sua Igreja&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNesta una e \u00fanica Igreja de Deus j\u00e1 desde os prim\u00f3rdios surgiram algumas cis\u00f5es&#8230; Comunidades n\u00e3o pequenas separaram-se da plena comunh\u00e3o da Igreja cat\u00f3lica, algumas vezes n\u00e3o sem culpa dos homens dum e doutro lado. Aqueles, por\u00e9m, que agora nascem em tais comunidades e s\u00e3o instru\u00eddos na f\u00e9 de Cristo, n\u00e3o podem ser acusados do pecado da separa\u00e7\u00e3o, e a Igreja cat\u00f3lica os abra\u00e7a com fraterna rever\u00eancia e amor. Pois que creem em Cristo e foram devidamente batizados, est\u00e3o numa certa comunh\u00e3o, embora n\u00e3o perfeita, com a Igreja cat\u00f3lica. De fato, as discrep\u00e2ncias que de v\u00e1rios modos existem entre eles e a Igreja cat\u00f3lica &#8211; quer em quest\u00f5es doutrinais e \u00e0s vezes tamb\u00e9m disciplinares, quer acerca da estrutura da Igreja &#8211; criam n\u00e3o poucos obst\u00e1culos, por vezes muito graves, \u00e0 plena comunh\u00e3o eclesi\u00e1stica. O movimento ecum\u00eanico visa a superar estes obst\u00e1culos. No entanto, justificados no Batismo pela f\u00e9, s\u00e3o incorporados a Cristo (Cfr. Conc. Florentino, ses. VIII, Decr. Exultate Deo), e, por isso, com direito se honram com o nome de crist\u00e3os e justamente s\u00e3o reconhecidos pelos filhos da Igreja cat\u00f3lica como irm\u00e3os no Senhor (Cfr. S. Agostinho, In Ps. 32, Enarr. II, 29). Ademais, dentre os elementos ou bens com que, tomados em conjunto, a pr\u00f3pria Igreja \u00e9 edificada e vivificada, alguns e at\u00e9 muitos e muito importantes podem existir fora do \u00e2mbito da Igreja cat\u00f3lica: a palavra de Deus escrita, a vida da gra\u00e7a, a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade e outros dons interiores do Esp\u00edrito Santo e elementos vis\u00edveis. Tudo isso, que de Cristo prov\u00e9m e a Cristo conduz, pertence por direito \u00e0 \u00fanica Igreja de Cristo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u201c&#8230; Seria obviamente contr\u00e1rio \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica considerar a Igreja como um caminho de salva\u00e7\u00e3o ao lado dos constitu\u00eddos pelas outras religi\u00f5es, como se estes fossem complementares \u00e0 Igreja, ou at\u00e9 substancialmente equivalentes \u00e0 mesma&#8230; Com a vinda de Jesus Cristo Salvador, Deus quis que a Igreja por Ele fundada fosse o instrumento de salva\u00e7\u00e3o para toda a humanidade (cf. Act 17,30-31) (Papa Jo\u00e3o Paulo II, Carta Enc. Redemptoris Missio, n. 11). Esta verdade de f\u00e9 nada tira ao fato de a Igreja nutrir pelas religi\u00f5es do mundo um sincero respeito, mas, ao mesmo tempo, exclui de forma radical a mentalidade indiferentista &#8216;imbu\u00edda de um relativismo religioso que leva a pensar que &#8216;tanto vale uma religi\u00e3o como outra&#8217; (Papa Jo\u00e3o Paulo II, ibidem n. 36). Se \u00e9 verdade que os adeptos das outras religi\u00f5es podem receber a gra\u00e7a divina, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que objetivamente se encontram numa situa\u00e7\u00e3o gravemente deficit\u00e1ria, se comparada com a daqueles que na Igreja t\u00eam a plenitude dos meios de salva\u00e7\u00e3o (Papa Pio XII, Enc\u00edclica Mystici Corporis, Denz 3821)\u201d (Declara\u00e7\u00e3o Dominus Iesus, 21 e 22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dom Ant\u00f4nio de Castro Mayer, padre conciliar, em sua Instru\u00e7\u00e3o Pastoral sobre a Igreja (2\/3\/1965), falando das \u201creligi\u00f5es chamadas crist\u00e3s, que se constitu\u00edram em virtude de um abandono da Casa paterna, ensina: \u201cNelas tamb\u00e9m a miseric\u00f3rdia de Deus mant\u00e9m esparsas riquezas \u2013 como Sacramentos, sucess\u00e3o apost\u00f3lica, Sagradas Escrituras \u2013 que pertencem \u00e0 verdadeira Igreja de Deus, e devem servir como ponto de partida para um retorno ao seio da fam\u00edlia\u201d. E, falando sobre o Ecumenismo do Conc\u00edlio e advertindo contra o irenismo, escreve: \u201cDevemos levar o mais longe poss\u00edvel a nossa caridade com os irm\u00e3os separados. Sem esquecer a condi\u00e7\u00e3o de \u2018separados\u2019, isto \u00e9, afastados da verdadeira Igreja de Cristo, devemos ter presente a todo momento sua prerrogativa de \u2018irm\u00e3os\u2019, e esfor\u00e7armo-nos por utilizar os pontos que justificam o apelativo de \u2018irm\u00e3os\u2019, para leva-los a uma reflex\u00e3o mais profunda sobre as realidades crist\u00e3s que ainda possuem, a fim de que as compreendam melhor, e percebam que elas s\u00f3 adquirem sua verdadeira autenticidade na Igreja Cat\u00f3lica\u201d (Carta Pastoral a prop\u00f3sito da aplica\u00e7\u00e3o dos Documentos promulgados pelo Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II, 19\/3\/1966).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Fernando Ar\u00eaas Rifan Bispo da Administra\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Pessoal S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney \u200b \u200bA Campanha da Fraternidade (CF) deste ano de 2021 \u00e9 ecum\u00eanica, i.e., junto com as outras comunidades crist\u00e3s n\u00e3o cat\u00f3licas. 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