{"id":260963,"date":"2021-03-19T10:32:03","date_gmt":"2021-03-19T13:32:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=260963"},"modified":"2021-03-19T10:33:11","modified_gmt":"2021-03-19T13:33:11","slug":"nao-plantar-trigo-mas-educar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/nao-plantar-trigo-mas-educar\/","title":{"rendered":"N\u00e3o plantar trigo, mas educar!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jaime Spengler<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Porto Alegre (RS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nUm antigo prov\u00e9rbio chin\u00eas diz o seguinte: os que est\u00e3o preocupados com o pr\u00f3ximo ano semeiam trigo; j\u00e1 os que est\u00e3o preocupados com os pr\u00f3ximos 100 anos se empenham em educar as pessoas.<\/p>\n<p>Para quem vive tempos apressados, sob a tirania do momento, num mundo onde se privilegia o individualismo, o citado prov\u00e9rbio pode parecer um absurdo ou nada mais que um bom conselho. Contudo, como diz Daniel Pennac \u201co tempo para ler, como o tempo para amar\u201d, e acrescentamos, o tempo para dialogar, \u201cdilata o tempo para viver\u201d.<\/p>\n<p>Ler, amar, dialogar s\u00e3o exig\u00eancias do processo de busca da verdade. Tais atitudes contribuem para o desenvolvimento humano. Elas patrocinam o conv\u00edvio harm\u00f4nico, a fraternidade humana. Dispor-se a ouvir, observar, silenciar e elaborar o que \u00e9 oferecido ao longo deste processo, implica coragem para se deixar interpelar, disposi\u00e7\u00e3o para deixar-se questionar em seus pressupostos e abertura de mente e cora\u00e7\u00e3o para acolher o que verdadeiramente \u00e9 importante e que promove vida em plenitude. N\u00e3o se trata certamente de acumular informa\u00e7\u00f5es, mas de uma disposi\u00e7\u00e3o performativa.<\/p>\n<p>O processo de busca da verdade pressup\u00f5e autenticidade. Ela \u00e9 algo que envolve mente, disposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, capacidade dial\u00f3gica e tamb\u00e9m cora\u00e7\u00e3o, ou se quisermos, sensibilidade humana. \u00c9 esta tr\u00edade que promove a constru\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e condi\u00e7\u00f5es para poss\u00edveis e talvez necess\u00e1rias revis\u00f5es e mudan\u00e7as no modo de pensar e agir.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 hora de saber como projetar, numa cultura que privilegie o di\u00e1logo como forma de encontro, a busca de consenso e de acordos, mas sem a separar da preocupa\u00e7\u00e3o por uma sociedade justa, capaz de mem\u00f3ria e sem exclus\u00f5es. O autor principal, o sujeito hist\u00f3rico deste processo, \u00e9 a gente e a sua cultura, n\u00e3o uma classe, uma frac\u00e7\u00e3o, um grupo, uma elite. N\u00e3o precisamos de um projeto de poucos para poucos, ou de uma minoria esclarecida ou testemunhal que se aproprie de um sentimento coletivo. Trata-se de um acordo para viver juntos, de um pacto social e cultural\u201d (Papa Francisco).<\/p>\n<p>Portanto, quando durante o tempo quaresmal somos convidados a refletir sobre o tema &#8220;Fraternidade e di\u00e1logo&#8221;, estamos sendo exortados a superar ideologias e preconceitos, e nos dispor a trabalhar com homens e mulheres de boa vontade na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade caracterizada por aut\u00eantica fraternidade e paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jaime Spengler Arcebispo de Porto Alegre (RS) &nbsp; Um antigo prov\u00e9rbio chin\u00eas diz o seguinte: os que est\u00e3o preocupados com o pr\u00f3ximo ano semeiam trigo; j\u00e1 os que est\u00e3o preocupados com os pr\u00f3ximos 100 anos se empenham em educar as pessoas. 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